Cidades

IMIGRANTES

MS é lar escolhido por três israelenses e nove palestinos

Além da Capital, os municípios de Corumbá, Nova Andradina e Aparecida do Taboado foram escolhidos por israelenses e palestinos para se viver

Continue lendo...

Ao menos 12 palestinos e israelenses deixaram sua terra natal e ancestral, no Oriente Médio, para viver em Mato Grosso do Sul. Em busca de novas oportunidades e longe dos conflitos das guerras, os imigrantes fazem daqui o seu novo lar.

Conforme dados fornecidos pela Polícia Federal ao Correio do Estado, em Mato Grosso do Sul vivem nove palestinos, sendo seis homens e três mulheres, com idades entre 29 e 65 anos.

Já entre os três israelenses, são duas mulheres e um homem, com idades entre 10 e 60 anos. 

Além da Capital, os municípios de Corumbá, Nova Andradina e Aparecida do Taboado foram escolhidos por israelenses e palestinos para se viver.

O professor mestre de história e estudos socioeconômicos da UCDB, Roberto Figueiredo, faz uma análise desse processo de imigração de israelenses e palestinos para o Brasil e em Mato Grosso do Sul.

“Primeiro, houve a questão da chegada dos judeus e depois dos israelense. Depois dos povos árabes aqui no Mato Grosso do Sul. Os judeus estão aqui desde o período da colonização. Depois do período da colonização, a comunidade judaica se esparrama para várias regiões do Brasil.  Depois da segunda guerra mundial, fase nazista e fascista, eles vêm em maior quantidade pra cá”, relembra o professor sobre a primeira fase migratória.

Diferentemente dos conflitos políticos e religiosos, o pesquisador explica que as comunidades árabes começam a migrar para o Brasil e demais estados brasileiros, ainda no  segundo império de Dom Pedro II que em visita a alguns países começou a trazer ou facilitar a vida desses povos em solo brasileiro.

“Para o nosso estado em Mato Grosso do Sul a comunidade que vem em maior peso são de sírios e libanês. Principalmente para fazer um comércio aqui, nessa região. Então eles se sentem atraídos e inicialmente são chamados de mascates. Muitos também vem pela construção da Noroeste do Brasil, os chamados Turcos da Calógeras”, explica professor Beto.

Cabe destacar, segundo o professor, que outros povos, como alemães e italianos, vem nesse segundo momento para o Estado, via Porto de Santos e Corumbá. Além disso, no governo de Getúlio Vargas houve um período em que foi proibido receber judeus e outros imigrantes do Oriente Médio, no Brasil.

“Vieram via Porto de Santos e Corumbá, foram vindo fazendo esse trecho da construção da estrada de ferro, da noroeste do Brasil. E regionalmente de Corumbá para Campo Grande”, acrescenta o professor.

Atual conflito entre Israel x Palestina

Conforme já noticiado pelo Correio do Estado, o atual cnflito entre Israel e Palestina tem afetado centenas de sul-mato-grossenses. Em Campo Grande, o médico e ex-vereador da Capital Jamal Salem está aflito pelos familiares que estão na região do Estado da Palestina. Ele tem primos e uma sobrinha que moram em Bitin, que pertence o município de Ramallah.

Segundo ele, na região onde seus familiares estão não está havendo bombardeios, porém, o temor é porque as fronteiras estão fechadas e os cidadãos não estão podendo sair do país. “Com certeza, logo eles terão problemas por falta de alimentos, com a economia. Apesar de não estarem em zona de guerra, vão ser afetados”, comentou.

“A gente reclama do Brasil às vezes, mas isso aqui é um paraíso. Temos vários outros problemas, mas mesmo assim não deixa de ser um paraíso comparado a essas regiões”, completou Salem.

A mesma preocupação de Salem é a de Omar Faris: os irmãos do comerciante palestino de 71 anos também vão tentar o retorno pela FAB. No entanto, a situação da família de Faris é ainda mais agravante, pois eles estão em um local da Cisjordânia em que não conseguem sair, em virtude dos checkpoints feitos por militares israelenses estarem fechados.

A família vai para a Cisjordânia todo ano, e Faris esteve lá de julho a setembro, quando voltou a Mato Grosso do Sul e seus irmãos foram ao país.

“Em cidades, municípios e vilarejos, todas as entradas para esses lugares são bloqueadas, ninguém sai, ninguém entra. Quer dizer, se antes do conflito você está lá e eu aqui, é só atravessar e chegar até mim. Agora com essas barreiras que eles [israelenses] colocaram, não tem como um chegar ao outro”, informou.

Já Ali Issa, de 78 anos, também morador de Campo Grande e comerciante/proprietário de uma loja de sapatos, localizada na avenida Calógeras, entre as ruas Maracaju e Marechal Rondon. Conta que era um dos 6 mil brasileiros residentes na Palestina. Veio para o Brasil em 1961, quando tinha 17 anos, para trabalhar.

A última vez que esteve em seu país foi em 1991, há 32 anos. Ali é casado com uma palestina há 33 anos e tem três filhos. Seu pai, mãe e seus quatro irmãos - dois homens e duas mulheres - são falecidos.

Em entrevista ao Correio do Estado, Ali Issa comentou sobre os bombardeios no Oriente Médio e revelou que palestinos são perseguidos por israelenses há anos e que a Palestina está perdendo territórios para Israel cada vez mais.

"Os israelitas matam palestinos e todos os dias invadem uma cidade palestina. Eles estão querendo expulsar os palestinos para ficar com o território, e o pessoal não aceitou. Infelizmente chamam-nos de terroristas. Quando eles tomaram o meu país, eu tinha três anos. Os novos estão prontos para brigar", exclamou.

Ele afirmou que o Grupo Hamas não é terrorista e está apenas lutando pelo seu território e revidando os ataques sofridos ao longo dos últimos anos.

"Vai morrer muita gente nossa, mas vamos lutar até última hora, até mudar esse mundo selvagem", complementou.

O palestino afirma ter saudades de seu país e de seu povo, mas que não pretende voltar a morar no Oriente Médio.

"Gosto de lá. É um povo bom, respeita, você chega lá e é bem recebido, ninguém lá vai te roubar na rua. É um povo que tem estudo, que tem tudo. Eles são uns coitados, oprimidos. O povo palestino prefere morrer do que levar essa vida de humilhação de Israel, Estados Unidos e Inglaterra", disse.

Assine o Correio do Estado.

CRIME

PM é preso por abuso sexual contra adolescente no interior de MS

De acordo com os relatos, o militar se passou por dono de uma loja de roupas e ofereceu uma vaga de jovem aprendiz para atrair a vítima

19/08/2026 08h15

O caso ocorreu em maio deste ano, no município de Aquidauana

O caso ocorreu em maio deste ano, no município de Aquidauana Divulgação: PCMS

Continue Lendo...

Um policial militar, do município de Aquidauana, foi preso novamente, por determinação da Justiça, após ser acusado de atrair uma adolescente com falsa promessa de vaga de emprego e prática de abuso sexual. O caso ocorreu em maio deste ano.

Segundo o relato apresentado às autoridades, o militar se passou por dono de uma loja de roupas e ofereceu uma vaga de jovem aprendiz. Ele teria buscado a adolescente e, durante o trajeto, as ameaças teriam acontecido no bairro Arara Azul, nas imediações do Morrinho.

Ainda conforme o relato, o policial teria mostrado uma arma e ameaçado a adolescente para que ela mantivesse contato sexual com ele. Em determinado momento, ele teria parado em uma farmácia para comprar preservativo. Foi quando, segundo a vítima, ela conseguiu escapar e procurar ajuda.

De acordo com o site A Princesinha News, de Aquidauana, na época, o caso chegou ao conhecimento do veículo de comunicação, porém a publicação não foi feita a pedido das autoridades, para não atrapalhar as investigações.

Agora, com o avanço das apurações, a Justiça determinou novamente a prisão preventiva do militar, que está à disposição da Justiça.

O caso tramita em segredo de Justiça, por isso o nome do policial e outras informações não foram divulgadas.

Clima

Pantanal vive verão em pleno inverno e tem recorde de calor

Altas temperaturas são registradas durante a influência do super-El Niño em Mato Grosso do Sul

19/08/2026 07h55

Foto: Rodolfo César

Continue Lendo...

A onda de calor que vem atingindo Mato Grosso do Sul nessa semana tem sido mais intensa no território pantaneiro. Os dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima do Estado de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS) identificaram que as maiores temperaturas foram registradas em seis pontos diferentes do Pantanal no domingo e outras sete localidades na segunda-feira. A maior temperatura registrada foi de 39,9ºC, na área urbana de Corumbá.

Historicamente, o recorde absoluto para a região de Corumbá foi de 43,9ºC, registrados no dia 21 de setembro de 2021, último dia de inverno daquele ano. A temperatura medida na segunda-feira foi a segunda maior nesse período de ondas de calor intensa que o País vem registrando desde 2020.

Apesar de o inverno ser um período com possibilidade de temperaturas mais baixas, desde 2020 a região do Pantanal vem enfrentando um cenário inverso. 

Em 2024, quando houve registro do El Niño, mesma situação deste ano, os termômetros chegaram a marcar 38ºC, com sensação térmica de 42ºC no dia 28 de julho. Naquela época, na região de Corumbá, já eram registrados incêndios florestais no Pantanal também.

Essas temperaturas elevadas não devem ser registradas de forma isolada no inverno. O diagnóstico feito pelo Cemtec-MS para o trimestre setembro, outubro e novembro indicou persistência do mesmo cenário. 

“A análise climática para o trimestre indica uma tendência de precipitação ligeiramente acima da média histórica em Mato Grosso do Sul, acompanhada por temperaturas persistentemente elevadas e com risco elevado para a formação de períodos de temperatura acima da média e ondas de calor severas e precoces”, indicou o relatório divulgado ontem.

O período seco e a alta temperatura trazem risco para incêndios florestais no Pantanal. “Do ponto de vista da gestão de riscos e prevenção, a combinação entre temperaturas elevadas, períodos de estiagem e irregularidade temporal das chuvas podem favorecer condições mais críticas para a ocorrência e propagação de incêndios florestais, especialmente em áreas de vegetação nativa, no Pantanal e em regiões que ainda apresentem deficit de umidade no solo e na vegetação”, identificou o Cemtec-MS.

A análise feita pelo Centro é usada como referência para órgãos como os Bombeiros, Defesas Civis Estadual e municipais, bem como é entregue à Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).

O risco elevado para incêndios, principalmente em áreas remotas do Pantanal, gera danos às pessoas e à biodiversidade.

“A frequência e a extensão dos incêndios no Pantanal têm aumentado, resultando em impactos significativos na fauna, na flora, no clima, na saúde humana e na qualidade do ar e da água. (...) Essas ocorrências colocam as comunidades tradicionais em situação de risco, causando danos severos ao meio ambiente”, alertaram os pesquisadores Izabely Cristina da Silva Morais e Mauro Henrique Soares da Silva, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), na pesquisa “Precipitação, ondas de calor, focos de incêndios no Pantanal Sul, região de Corumbá-MS, para o ano climático de 2020”.

Névoa seca encobriu o céu de Corumbá no fim da tarde de ontem - Foto: Rodolfo César

CAMPO GRANDE

Pelo terceiro dia consecutivo, Campo Grande ultrapassou a casa dos 35°C de temperatura máxima, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A maior máxima do ano foi registrada justamente durante o inverno, no domingo, quando os termômetros marcaram 35,3°C e desde segunda-feira a temperatura mais alta é de 35,2°C.

No verão deste ano a maior temperatura registrada foi no dia 7 de fevereiro, quando os termômetros marcaram 34,2°C. 

Segundo a meteorologista Valesca Rodriguez Fernandes, coordenadora do Cemtec-MS, essa forte onda de calor já é uma consequência do super-El Niño, que está em atuação em Mato Grosso do Sul desde junho.

“Ele deve intensificar nos próximos meses, mas já está atuando desde junho, quando foi confirmado pela Noaa [Centros Nacionais de Informação Ambiental]”, avisa a meteorologista. (Colaborou Daiany Albuquerque)

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).