Cidades

Violência Indígena

MS tem 2º maior número de suicídios de indígenas do Brasil, aponta relatório

Estado registrou 42 casos em 2025, atrás apenas do Amazonas; jovens de até 29 anos concentram 75% das ocorrências no País.

Continue lendo...

Mato Grosso do Sul registrou o segundo maior número de suicídios de indígenas do Brasil em 2025, conforme levantamento divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Foram 42 mortes no Estado ao longo do ano, número inferior apenas ao registrado no Amazonas, que contabilizou 77 casos. Roraima aparece na terceira posição, com 37.

Os números fazem parte do relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, Dados de 2025, publicação anual do Cimi que reúne informações sobre diferentes formas de violência e violações de direitos envolvendo povos originários.

O documento foi publicado em 2026 e utiliza, entre suas fontes, dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), das secretarias estaduais de Saúde e da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).

Em todo o País, foram contabilizados 215 suicídios de indígenas em 2025, sete a mais do que os 208 registrados no ano anterior.

Somados, Amazonas, Mato Grosso do Sul e Roraima concentraram 156 ocorrências, o equivalente a aproximadamente 72% do total nacional registrado pelo levantamento.

Jovens concentram casos

Outro dado destacado pelo relatório é a concentração das mortes entre indígenas mais jovens. Do total nacional, 41% dos casos envolveram pessoas entre 20 e 29 anos, enquanto outros 34% ocorreram entre indígenas de até 19 anos.

Isso significa que três em cada quatro registros de suicídio contabilizados pelo levantamento envolveram indígenas com até 29 anos. O relatório, no trecho em que apresenta esses números, não detalha a distribuição por faixa etária especificamente em Mato Grosso do Sul.

O cenário coloca Mato Grosso do Sul novamente em posição de destaque nos indicadores de violência envolvendo a população indígena.

Além de ocupar a segunda posição nacional em número de suicídios, o Estado aparece entre aqueles com maior quantidade de assassinatos de indígenas.

Em 2025, 37 indígenas foram assassinados em Mato Grosso do Sul, terceiro maior número do País. Roraima liderou o levantamento, com 82 mortes, seguido pelo Amazonas, com 47. Em todo o território nacional, foram registrados 258 assassinatos, diante de 211 no ano anterior.

Assassinatos também cresceram no País

Os dados referentes aos assassinatos foram compilados pelo Cimi a partir do SIM, das secretarias estaduais de Saúde e da Sesai, com informações obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e de consultas a bases públicas.

Além dos assassinatos, o capítulo dedicado à violência contra a pessoa reúne 19 casos de abuso de poder, 18 ameaças de morte, 27 outras ameaças, 33 casos de lesão corporal, 38 tentativas de assassinato, 46 ocorrências de racismo e discriminação étnico-cultural e 25 casos de violência sexual.

Também foram contabilizadas dez vítimas indígenas de homicídio culposo. Ao todo, essa parte do levantamento soma 474 registros no Brasil.

O documento também menciona diretamente episódios ocorridos em Mato Grosso do Sul. Entre eles está o assassinato do indígena Guarani Kaiowá Vicente Fernandes, ocorrido em novembro de 2025, no Tekoha Pyelito Kue, na Terra Indígena Iguatemipegua I. Conforme o relatório, o crime ocorreu em um contexto de disputa territorial.

Outra situação destacada envolve a Terra Indígena Guyraroka, em Mato Grosso do Sul. De acordo com o Cimi, a maior parte do território permanece ocupada por fazendeiros enquanto o processo demarcatório aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).

O relatório registra episódios de intoxicação relacionados à pulverização de agrotóxicos nas proximidades de moradias Guarani e Kaiowá e relata conflitos ocorridos após uma retomada realizada em setembro de 2025.

Relatório aponta avanço da violência

No panorama nacional, o Cimi afirma ter identificado crescimento nas três grandes categorias de violência acompanhadas pela publicação: contra a pessoa, contra o patrimônio e por omissão do poder público. Entre os indicadores que apresentaram aumento estão assassinatos, suicídios, conflitos relacionados a direitos territoriais e mortalidade de crianças indígenas.

O relatório também contabilizou 1.024 mortes de bebês e crianças indígenas de até quatro anos em 2025, ante 922 no ano anterior.

Segundo o levantamento, 586 dessas mortes, ou 57% do total, decorreram de causas consideradas evitáveis. Gripe e pneumonia, doenças infecciosas intestinais e desnutrição aparecem entre as principais causas destacadas pelo documento.

Além disso, foram registrados 58 casos classificados como desassistência geral, 111 relacionados à educação e 121 à saúde, além de 62 mortes por desassistência na área da saúde e 14 ocorrências envolvendo disseminação de álcool e outras drogas entre povos indígenas.

Os números colocam Mato Grosso do Sul em posição de destaque em dois dos indicadores mais graves apresentados pelo levantamento: segundo no País em suicídios de indígenas e terceiro em assassinatos.

O relatório relaciona o cenário nacional de violência à vulnerabilidade enfrentada pelas comunidades, aos conflitos territoriais e à demora na regularização de terras indígenas.

Saúde Indígena

MS tem o maior número de mortes de indígenas por falta de assistência à saúde do País

Estado registrou 14 das 62 mortes contabilizadas no País em 2025, ficando à frente de Pará e Mato Grosso, segundo relatório do Cimi.

18/08/2026 17h42

Indígenas recebem atendimento de saúde na Aldeia Te'ýikue, em Caarapó; MS teve o maior número de mortes por desassistência à saúde indígena em 2025.

Indígenas recebem atendimento de saúde na Aldeia Te'ýikue, em Caarapó; MS teve o maior número de mortes por desassistência à saúde indígena em 2025. Foto: Divulgação.

Continue Lendo...

Mato Grosso do Sul registrou, em 2025, o maior número de mortes de indígenas por falta de assistência à saúde do Brasil, conforme dados reunidos pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Foram 14 óbitos no Estado, o equivalente a quase um quarto das 62 mortes contabilizadas em todo o País nessa categoria. 

O número coloca Mato Grosso do Sul à frente de todas as demais unidades da Federação. Depois de MS aparecem Pará, com 11 mortes, e Mato Grosso, com nove. Amazonas, Acre e Paraná tiveram seis registros cada. 

Os dados integram o relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, Dados de 2025, elaborado pelo Cimi.

As informações sobre as mortes por desassistência foram obtidas junto ao Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), secretarias estaduais de Saúde e Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), por meio da Lei de Acesso à Informação e de consultas a bases públicas.

MS responde por quase uma em cada quatro mortes

As 14 ocorrências registradas em Mato Grosso do Sul representam 22,6% das 62 mortes por falta de assistência à saúde identificadas no Brasil. Em outras palavras, aproximadamente uma em cada quatro mortes dessa natureza ocorreu no Estado.

A distribuição entre homens e mulheres em MS foi exatamente igual: sete vítimas eram do sexo feminino e sete do masculino. 

O relatório classifica esses casos dentro do capítulo de “Violência por Omissão do Poder Público” e utiliza a denominação “morte por desassistência à saúde”.

Portanto, o indicador não representa o total de indígenas que morreram por doenças ou outras causas em Mato Grosso do Sul, mas especificamente os óbitos enquadrados pelo levantamento nessa categoria. 

Idosos são maioria das vítimas no País

Embora o documento apresente o total de mortes por estado, o recorte de idade divulgado nesse trecho é nacional e, portanto, não permite afirmar a faixa etária das 14 vítimas especificamente de Mato Grosso do Sul.

No Brasil, indígenas com 60 anos ou mais representaram quase metade das mortes atribuídas à falta de assistência à saúde. Foram 30 óbitos nessa faixa etária, correspondentes a 48,4% do total.

Outras 17 vítimas tinham entre 20 e 59 anos, o equivalente a 27,4%. Entre crianças indígenas de até quatro anos, foram 14 mortes, ou 22,6% dos registros. Houve ainda uma morte na faixa entre cinco e 19 anos. 

Dessa forma, os extremos de idade chamam atenção no levantamento nacional: 44 das 62 vítimas eram crianças de até quatro anos ou idosos com pelo menos 60 anos, correspondendo a cerca de 71% dos registros.

Estado também aparece em outros indicadores

A liderança em mortes por desassistência à saúde não é o único indicador do relatório que coloca Mato Grosso do Sul entre os estados com números elevados relacionados à violência contra indígenas.

Em 2025, 37 indígenas foram assassinados em MS, terceiro maior número do Brasil, atrás de Roraima, com 82, e Amazonas, com 47. Das vítimas contabilizadas em Mato Grosso do Sul, 33 eram homens e quatro mulheres. 

O Estado também concentrou 18 dos 38 casos de tentativa de assassinato de indígenas registrados no País, conforme o Cimi.

Isso representa aproximadamente 47% das ocorrências nacionais dessa categoria. O relatório associa parte dos episódios registrados em MS a ataques contra comunidades e retomadas Guarani e Kaiowá. 

Outro indicador é o de invasões possessórias, exploração ilegal de recursos naturais e danos ao patrimônio. Mato Grosso do Sul contabilizou 18 ocorrências envolvendo 13 terras indígenas em 2025. 

Conflitos em territórios de MS aparecem no relatório

Entre os episódios de Mato Grosso do Sul destacados pelo documento está a situação da Terra Indígena Guyraroka, em Caarapó. O Cimi afirma que a maior parte da área permanece ocupada por fazendeiros enquanto o processo demarcatório aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).

O relatório também relata ocorrências de intoxicação associadas à pulverização de agrotóxicos nas proximidades das moradias Guarani e Kaiowá.

Após uma retomada realizada em setembro de 2025, os meses seguintes teriam sido marcados por episódios violentos envolvendo a comunidade. 

Em outro trecho, o documento registra denúncias feitas pela comunidade de Guyraroka sobre dificuldades de acesso a serviços públicos e demora na resposta estatal diante de ameaças e conflitos territoriais. As afirmações são atribuídas às lideranças indígenas ouvidas pelo Cimi. 

Os números referentes à saúde colocam, porém, Mato Grosso do Sul isoladamente na primeira posição do levantamento: 14 das 62 mortes de indígenas classificadas como decorrentes de falta de assistência à saúde em 2025 ocorreram no Estado, mais que em qualquer outra unidade da Federação.

Rifas ilegais

Operação que prendeu influencer termina com mandados em dois estados e mira patrimônio milionário

Investigação aponta que influenciador e associados teriam construído patrimônio milionário a partir de rifas ilegais

18/08/2026 17h30

Carros apreendidos durante a operação Roda da Sorte, em Campo Grande.

Carros apreendidos durante a operação Roda da Sorte, em Campo Grande. Paulo Ribas

Continue Lendo...

Uma investigação iniciada em Campo Grande a partir de uma denúncia anônima terminou, nesta terça-feira (18), com 13 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão cumpridos em Mato Grosso do Sul, Paraíba e Rio de Janeiro. A Operação Rodas da Sorte, conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), apurou a realização de rifas irregulares, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Do total de prisões determinadas pela Justiça, duas foram cumpridas em Campo Grande, uma em João Pessoa (PB) e outra no Rio de Janeiro (RJ). A investigação também contou com apoio das polícias civis dos dois estados.

A operação teve como principal alvo o influenciador digital Eduardo Rezende da Silva Razuk, conhecido nas redes sociais como Eduardo Razuk. O irmão dele, Rafael Razuk, também foi preso. Segundo a polícia, o principal investigado realizava sorteios desde 2019, utilizando principalmente redes sociais, e continuou promovendo a atividade até o período atual.

Patrimônio construído com as rifas

Segundo o delegado Pedro Cunha, titular da DERCC e responsável pela investigação, a apuração da evolução patrimonial do principal investigado foi um dos pontos que ajudaram a sustentar as medidas judiciais.

A polícia afirma ter analisado movimentações financeiras, o conteúdo dos sorteios e a evolução dos bens desde o início das atividades. Conforme o delegado, os investigadores identificaram indícios de que o patrimônio não existia antes do início das rifas e teria sido formado a partir da atividade investigada.

“Ele verdadeiramente enriqueceu com a prática da contravenção penal. Esse patrimônio foi angariado pela prática da contravenção”, afirmou Pedro Cunha.

Em determinado período de apenas seis meses, segundo a polícia, a movimentação financeira teria ultrapassado R$ 100 milhões. O delegado ressaltou, porém, que o levantamento ainda está em andamento e que não há, neste momento, um valor total fechado para toda a movimentação investigada.

A operação também atingiu diretamente o patrimônio acumulado pelo investigado. Ao menos 22 veículos de alto padrão foram apreendidos em Campo Grande. A estimativa inicial da polícia é de que somente os carros tenham valor entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões. Dois relógios de luxo também foram apreendidos, além de imóveis estão entre os bens sequestrados por determinação da Justiça.

Entre os veículos estão modelos de alto valor, incluindo Porsche, BMW, Golf, Audi, Silverado e RAM. O levantamento e a avaliação individual dos bens ainda estão sendo realizados.

Dois estados brasileiros

De acordo com o diretor do Departamento de Polícia Especializada, Ivan Barreira, a apuração começou depois de uma denúncia anônima sobre a realização de rifas ilegais por influenciadores.

“Depois de uns dois meses, nós vimos que realmente não tinha nada de legal”, relatou Barreira ao explicar o início da investigação. A partir daí, os policiais passaram a identificar outros envolvidos e empresas relacionadas à estrutura utilizada para os sorteios.

A investigação apontou, segundo Pedro Cunha, uma conexão entre os envolvidos em Campo Grande e empresas do Rio de Janeiro e da Paraíba. Conforme a polícia, a estrutura teria sido utilizada para dar aparência de legalidade às rifas e também para ocultar a origem dos valores obtidos.

A polícia afirma ter identificado indícios de que uma empresa do Rio de Janeiro, que apresenta-se como prestadora de soluções para sorteios, também teria atuado para outros influenciadores no país. A investigação agora busca entender a extensão dessa estrutura.

O delegado explicou ainda que a investigação não aponta, neste caso específico, ligação dos investigados com facções criminosas. A relação mencionada na coletiva diz respeito a indícios encontrados sobre a atuação da empresa intermediadora em outros casos investigados no país.

Sobrenome Razuk

O Correio do Estado questionou sobre o sobrenome Razuk e uma possível relação dos investigados com a tradicional família Razuk já conhecida em Mato Grosso do Sul.

Pedro Cunha afirmou que não foi realizada investigação sobre vínculo familiar ou parentesco entre os investigados e outras pessoas com o mesmo sobrenome. Segundo ele, a apuração está concentrada nos fatos relacionados à operação.

O delegado acrescentou que, conforme os elementos analisados até o momento, há indicação de que o sobrenome teria sido acrescentado posteriormente e não constaria como nome de nascimento do investigado. Ele ressaltou, contudo, que essa informação ainda não foi examinada documentalmente de forma detalhada.

Mais Alvos

A polícia afirma que a Operação Rodas da Sorte ainda não encerrou a apuração. O objetivo agora é aprofundar a análise das movimentações financeiras, da evolução patrimonial e das conexões entre os investigados para identificar se outras pessoas participaram do esquema.

Segundo Pedro Cunha, a investigação também poderá alcançar outros envolvidos caso novos elementos sejam encontrados. A apuração, portanto, deve avançar para esclarecer o tamanho da estrutura, o volume efetivamente movimentado e a possível participação de outras pessoas e empresas.

A polícia também reforçou durante a coletiva que rifas com finalidade exclusivamente lucrativa não são autorizadas no país. Existem modalidades específicas permitidas pela legislação, como algumas ações de caráter filantrópico, mas sujeitas às regras e autorizações previstas. 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).