Cidades

Rifas ilegais

Operação Rodas da Sorte desencadeia mandados em dois estados e mira patrimônio milionário

Investigação aponta que influenciador e associados teriam construído patrimônio milionário a partir de rifas ilegais

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Uma investigação iniciada em Campo Grande a partir de uma denúncia anônima terminou, nesta terça-feira (18), com 13 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão cumpridos em Mato Grosso do Sul, Paraíba e Rio de Janeiro. A Operação Rodas da Sorte, conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), apurou a realização de rifas irregulares, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Do total de prisões determinadas pela Justiça, duas foram cumpridas em Campo Grande, uma em João Pessoa (PB) e outra no Rio de Janeiro (RJ). A investigação também contou com apoio das polícias civis dos dois estados.

A operação teve como principal alvo o influenciador digital Eduardo Rezende da Silva Razuk, conhecido nas redes sociais como Eduardo Razuk. O irmão dele, Rafael Razuk, também foi preso. Segundo a polícia, o principal investigado realizava sorteios desde 2019, utilizando principalmente redes sociais, e continuou promovendo a atividade até o período atual.

Patrimônio construído com as rifas

Segundo o delegado Pedro Cunha, titular da DERCC e responsável pela investigação, a apuração da evolução patrimonial do principal investigado foi um dos pontos que ajudaram a sustentar as medidas judiciais.

A polícia afirma ter analisado movimentações financeiras, o conteúdo dos sorteios e a evolução dos bens desde o início das atividades. Conforme o delegado, os investigadores identificaram indícios de que o patrimônio não existia antes do início das rifas e teria sido formado a partir da atividade investigada.

“Ele verdadeiramente enriqueceu com a prática da contravenção penal. Esse patrimônio foi angariado pela prática da contravenção”, afirmou Pedro Cunha.

Em determinado período de apenas seis meses, segundo a polícia, a movimentação financeira teria ultrapassado R$ 100 milhões. O delegado ressaltou, porém, que o levantamento ainda está em andamento e que não há, neste momento, um valor total fechado para toda a movimentação investigada.

A operação também atingiu diretamente o patrimônio acumulado pelo investigado. Ao menos 22 veículos de alto padrão foram apreendidos em Campo Grande. A estimativa inicial da polícia é de que somente os carros tenham valor entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões. Dois relógios de luxo também foram apreendidos, além de imóveis estão entre os bens sequestrados por determinação da Justiça.

Entre os veículos estão modelos de alto valor, incluindo Porsche, BMW, Golf, Audi, Silverado e RAM. O levantamento e a avaliação individual dos bens ainda estão sendo realizados.

Dois estados brasileiros

De acordo com o diretor do Departamento de Polícia Especializada, Ivan Barreira, a apuração começou depois de uma denúncia anônima sobre a realização de rifas ilegais por influenciadores.

“Depois de uns dois meses, nós vimos que realmente não tinha nada de legal”, relatou Barreira ao explicar o início da investigação. A partir daí, os policiais passaram a identificar outros envolvidos e empresas relacionadas à estrutura utilizada para os sorteios.

A investigação apontou, segundo Pedro Cunha, uma conexão entre os envolvidos em Campo Grande e empresas do Rio de Janeiro e da Paraíba. Conforme a polícia, a estrutura teria sido utilizada para dar aparência de legalidade às rifas e também para ocultar a origem dos valores obtidos.

A polícia afirma ter identificado indícios de que uma empresa do Rio de Janeiro, que apresenta-se como prestadora de soluções para sorteios, também teria atuado para outros influenciadores no país. A investigação agora busca entender a extensão dessa estrutura.

O delegado explicou ainda que a investigação não aponta, neste caso específico, ligação dos investigados com facções criminosas. A relação mencionada na coletiva diz respeito a indícios encontrados sobre a atuação da empresa intermediadora em outros casos investigados no país.

Sobrenome Razuk

O Correio do Estado questionou sobre o sobrenome Razuk e uma possível relação dos investigados com a tradicional família Razuk já conhecida em Mato Grosso do Sul.

Pedro Cunha afirmou que não foi realizada investigação sobre vínculo familiar ou parentesco entre os investigados e outras pessoas com o mesmo sobrenome. Segundo ele, a apuração está concentrada nos fatos relacionados à operação.

O delegado acrescentou que, conforme os elementos analisados até o momento, há indicação de que o sobrenome teria sido acrescentado posteriormente e não constaria como nome de nascimento do investigado. Ele ressaltou, contudo, que essa informação ainda não foi examinada documentalmente de forma detalhada.

Mais Alvos

A polícia afirma que a Operação Rodas da Sorte ainda não encerrou a apuração. O objetivo agora é aprofundar a análise das movimentações financeiras, da evolução patrimonial e das conexões entre os investigados para identificar se outras pessoas participaram do esquema.

Segundo Pedro Cunha, a investigação também poderá alcançar outros envolvidos caso novos elementos sejam encontrados. A apuração, portanto, deve avançar para esclarecer o tamanho da estrutura, o volume efetivamente movimentado e a possível participação de outras pessoas e empresas.

A polícia também reforçou durante a coletiva que rifas com finalidade exclusivamente lucrativa não são autorizadas no país. Existem modalidades específicas permitidas pela legislação, como algumas ações de caráter filantrópico, mas sujeitas às regras e autorizações previstas. 

Violência Indígena

Relatório aponta sequestro de indígenas e cães enterrados vivos em MS

Documento do Cimi relata ataque contra comunidade Guarani-Kaiowá em Caarapó, com disparos, indígenas levados para sede de fazenda e destruição de pertences.

18/08/2026 18h19

Indígenas durante mobilização pela demarcação de terras em Mato Grosso do Sul; relatório do Cimi reúne denúncias de violência contra comunidades no Estado.

Indígenas durante mobilização pela demarcação de terras em Mato Grosso do Sul; relatório do Cimi reúne denúncias de violência contra comunidades no Estado. Foto: Arquivo/Correio do Estado.

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Indígenas teriam sido sequestrados, levados para a sede de uma fazenda e integrantes de uma comunidade Guarani-Kaiowá teriam sido recebidos a tiros ao tentar buscá-los durante um ataque registrado em Caarapó, Mato Grosso do Sul. O episódio, ocorrido em setembro de 2025, é relatado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, Dados de 2025.

O documento descreve uma sequência de conflitos envolvendo a Terra Indígena Guyraroka e afirma que, em um dos episódios, dois cães foram enterrados vivos em um ato de intimidação. O relato é atribuído pelo Cimi à apuração de uma comissão de direitos humanos que esteve no local. 

O ataque ocorreu em 25 de setembro de 2025, na retomada da Fazenda Ipuitã, área que, conforme o relatório, está sobreposta à TI Guyraroka.

A comunidade havia retomado a propriedade dias antes, em meio a uma disputa territorial e a denúncias relacionadas à pulverização de agrotóxicos nas proximidades das moradias indígenas. 

Indígenas teriam sido levados para sede de fazenda

Segundo o relato apresentado pelo Cimi, o episódio do dia 25 teria envolvido jagunços e forças policiais. O documento afirma que indígenas foram sequestrados e levados para a sede da propriedade rural.

Ao tomarem conhecimento da situação, outros integrantes da comunidade Guarani e Kaiowá foram até o local para tentar recuperá-los. Conforme o relatório, eles foram recebidos a tiros por pistoleiros, que posteriormente deixaram a área. 

O documento não informa quantos indígenas teriam sido sequestrados, por quanto tempo permaneceram retidos nem identifica os supostos autores. Também não detalha eventual responsabilização criminal relacionada especificamente ao episódio.

Além dos disparos, o Cimi afirma que uma comissão de direitos humanos esteve no local e apurou outras formas de violência.

De acordo com esse relato, pertences dos indígenas teriam sido destruídos e dois cães foram enterrados vivos, em uma ação descrita como forma de intimidação.

O relatório classifica o episódio entre os ataques contra comunidades, aldeias e retomadas e afirma que situações dessa natureza representam graves violações de direitos humanos. 

Conflito havia começado dias antes

O episódio não aparece isoladamente no documento. O relatório descreve uma sucessão de confrontos em Guyraroka após a retomada realizada pela comunidade em setembro.

Três dias antes do ataque relatado, em 22 de setembro, a Tropa de Choque da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul atuou na retomada da Fazenda Ipuitã.

Na versão apresentada pelo Cimi, a ação resultou em um despejo realizado sem ordem judicial e sem a presença da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). 

Ainda conforme o documento, pelo menos dois indígenas foram atingidos por disparos de balas de borracha e outros sofreram agressões.

O Cimi registra também que indígenas recolheram cápsulas de bombas de gás que estariam vencidas. Essas informações são apresentadas pelo relatório com base em relatos de lideranças, do Cimi Regional Mato Grosso do Sul e da assessoria de comunicação da entidade. 

A retomada havia ocorrido no dia anterior. Conforme a versão registrada no relatório, uma das motivações da comunidade era impedir a pulverização de agrotóxicos nas proximidades das moradias e pressionar pela conclusão do procedimento de demarcação do território. 

Violência continuou após setembro

O relatório aponta que os conflitos não terminaram naquele mês. Em 17 de outubro, a comunidade voltou a entrar em confronto com a Tropa de Choque durante um protesto contra o avanço de tratores e a pulverização de agrotóxicos em uma área próxima à aldeia.

De acordo com o Cimi, os indígenas mantinham uma estrada vicinal bloqueada desde o dia anterior. O protesto teria começado após a comunidade perceber movimentação para o plantio em uma área próxima à ocupação.

O documento relata a utilização de drones, escudos, bombas de gás e disparos de balas de borracha durante a ação policial. 

O próprio relatório apresenta Guyraroka como um dos casos emblemáticos de sobreposição de diferentes formas de violência registradas em 2025.

Segundo o Cimi, a maior parte da Terra Indígena permanece ocupada por fazendeiros enquanto o processo demarcatório aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).

O documento também menciona recorrentes episódios de intoxicação relacionados à pulverização de agrotóxicos nas proximidades das moradias Guarani e Kaiowá. 

MS teve 18 tentativas de assassinato de indígenas

Os episódios de Guyraroka estão inseridos em um cenário mais amplo retratado pelo relatório. Em 2025, o Cimi contabilizou 38 casos de tentativa de assassinato de indígenas no Brasil, e 18 ocorreram em Mato Grosso do Sul.

Com isso, o Estado respondeu por aproximadamente 47% das ocorrências registradas no País nessa categoria.

O relatório afirma que ataques contra comunidades e retomadas em diferentes territórios Guarani e Kaiowá resultaram em diversas tentativas de assassinato contra lideranças. 

Mato Grosso do Sul também aparece entre os estados com maior número de invasões, exploração ilegal de recursos naturais e danos ao patrimônio indígena. Foram 18 ocorrências envolvendo 13 terras indígenas no Estado durante 2025. 

No indicador mais grave, o de assassinatos consumados, 37 indígenas foram mortos em Mato Grosso do Sul em 2025, conforme os dados reunidos pelo relatório. O Estado teve o terceiro maior número do Brasil, atrás de Roraima, com 82, e Amazonas, com 47. 

Entre as mortes citadas pelo documento está a de Vicente Fernandes, indígena Guarani-Kaiowá, morto com um tiro na cabeça durante um ataque contra uma retomada no tekoha Pyelito Kue, na Terra Indígena Iguatemipegua I, em 16 novembro de 2025. 

Os episódios descritos nesta reportagem têm como base o relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, Dados de 2025, elaborado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), e refletem as informações, relatos e denúncias reunidos pela entidade.

O documento cita, entre as fontes utilizadas para os acontecimentos em Mato Grosso do Sul, lideranças indígenas, o Cimi Regional MS, a assessoria de comunicação da organização e, em determinados episódios, apurações de entidades que estiveram nos locais.

As circunstâncias narradas correspondem, portanto, à versão apresentada pelo Cimi no relatório

novidade

Paraguai começa a entregar compras no Brasil e facilita acesso a produtos importados

País que faz fronteira com o Brasil é um famoso reduto de compras de brasileiros devido aos preços competitivos, mas até então, compras só podiam ser feitas presencialmente

18/08/2026 18h00

Brasileiros poderão comprar no Paraguai pela internet e receber no Brasil

Brasileiros poderão comprar no Paraguai pela internet e receber no Brasil Foto: Marcos Labanca

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Os brasileiros que têm o Paraguai como um destino para compras internacionais agora terão mais uma facilidade, a possibilidade de compra on-line com entrega no Brasil, através de uma parceria com os Correios. Até então, o comércio no país vizinho de Mato Grosso do Sul, famoso pelos preços competitivos e atrativos de diversos produtos, era possível apenas de forma presencial.

A nova operação, com entrega via Correios, será feita inicialmente pela New Zone Importados, que tem lojas em Ciudad del Este.

De acordo com o anúncio da empresa, os brasileiros poderão acessar a plataforma online, escolher entre os produtos disponíveis, realizar a compra e receber o produto em um endereço do Brasil. As operações seguirão as normas da Receita Federal para compras internacionais, respeitando a legislação tributária vigente.

No site, os preços já estarão em dólar e real e o próprio sistema fará o cálculo do imposto. As compras até US$ 50 são isentas de importação.

Inicialmente, a operação começa com perfumes e fragrâncias, cosméticos e maquiagens, que são as categorias de maior destaque na loja, além de artigos de cama, mesa e banho, mas a proposta é ampliar gradualmente o número de categorias e itens disponíveis para entrega em território brasileiro.

O tempo estimado de entrega será no máximo em 21 dias, com cota de US$ 3 mil para cada consumidor.

"Durante muito tempo, nossos clientes brasileiros precisaram atravessar a fronteira para viver a experiência de compras. Agora queremos estar mais perto deles e levar nossos produtos diretamente para suas casas. Dar esse passo representa uma conquista histórica para a New Zone e também para Ciudad del Este, porque estamos avançando para uma nova forma de conectar nossa cidade ao consumidor brasileiro", afirma Franciele de Souza, gerente de Marketing da New Zone.

Entrega no Brasil ainda patina

Paraguai é um famoso destino para compras internacionais dos brasileiros devido à facilidade de ir até o país, que faz fronteira terrestre com o Brasil por várias cidades, e os preços mais baixos em produtos diversos, especialmente eletrônicos.

O chamada paraíso das compras dos brasileiros, onde há concentração de várias lojas, está localizado nas regiões de fronteira, sendo em Pedro Juan Caballero (PY) com Ponta Porã (MS), Ciudad del Este (PY) com Foz do Iguaçu (PR), e Salto del Guairá (PY) com Guaíra (PR) e Mundo Novo (MS).

É comum que pessoas de todo o País façam o turismo de compras presenciais no país vizinho.

No entanto,embora várias lojas paraguaias ofereçam serviços de e-commerce, não havia, até então, entrega direta para o Brasil.

Um dos fatores que torna o comércio eletrônico internacional não atrativo são as burocracias e taxações, que ocorrem neste tipo de transação.

Estrangeiros que compram presencialmente no Paraguai têm isenção do Imposto de Valor Agregado (IVA). Por ser possível ir ao país de carro ou ônibus, esta modalidade de compra presencial é bastante adotada. 

O limite de compras mensal no Paraguai para trazer ao Brasil, sem pagamento de impostos, é de 500 dólares americanos por via terrestre e 1 mil dólares americanos por via aérea ou marítima. Isso inclui todos os itens adquiridos e deve ser respeitado para evitar a cobrança de impostos adicionais na alfândega brasileira. 

No caso das compras online, a isenção é para valores bem mais baixos, de 50 dólares, com as demais passíveis de taxação, que, aliada as demais cobranças de importação aplicadas pela Receita Federal quando os produtos entram no País, acabam por aumentar o preço, fazendo com que não seja vantajosa a compra e venda.

No site da Receita Federal é disponibilizada uma calculadora de impostos, onde é possível fazer cálculos com a estimativa dos impostos para mercadorias comuns.

Compra presencial

Para as compras presenciais, como já citado, o limite para isenção é de 500 dólares por via terrestre e 1 mil dólares americanos por via aérea ou marítima. 

Esses valores são válidos por um período de 30 dias. Se um viajante retornar ao Brasil antes desse prazo e realizar novas compras, essas não estarão cobertas pela isenção da cota. 

Além do valor, também existem limites quantitativos para determinados produtos, como bebidas alcoólicas, cigarros, perfumes e eletrônicos. Por exemplo:

  • Bebidas alcoólicas: até 12 litros
  • Cigarros: até 10 maços (ou 200 unidades)
  • Perfumes: até 10 unidades
  • Eletrônicos: geralmente limitados a um por categoria (por exemplo, um celular, um notebook, etc.)

Esses limites estão sujeitos a alterações, por isso é sempre bom verificar as regras atuais da Receita Federal antes de viajar.

Se as compras excederem esses limites, o viajante deve declarar os bens e pagar um imposto de 50% sobre o valor que ultrapassar a cota.

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