Cidades

DIA DO TRABALHADOR

Na Vila Carvalho, tradicional passeio ciclístico do Dia do Trabalhador é lembrança de infância

Além do passeio, a empresa que organiza o evento irá sortear 30 bicicletas para os participantes, que vão irão pedalar até o Parque das Nações Indígenas

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Reunindo centenas de pessoas nas ruas de Campo Grande, o tradicional passeio ciclístico do Dia do Trabalhador, celebrado nesta segunda-feira (1º), faz parte do calendário de muita gente que mora na Capital, sendo que o evento é quase uma tradição de família e também faz parte das memórias da Vila Carvalho, onde os ciclistas se concentram todos os anos. 

Nascido e criado no bairro, Luis Henrique, de 47 anos, afirmou ao Correio do Estado que o passeio faz parte de suas memórias de infância e, hoje, leva o filho Diego, de apenas três anos. 

O pequeno ainda não participa da pedalada, mas já é levado para ver a movimentação, já que a tradição precisa ser passada para as próximas gerações 

“Eu trouxe ele para ver. Este evento é a marca da Vila Carvalho, eu lembro desde a infância e hoje eu o trouxe para saber como é”, explicou. 

Pai que cresceu vendo o passeio na Vila Carvalho, hoje leva o filho de três anos para o evento

Pai que cresceu vendo o passeio na Vila Carvalho, hoje leva o filho para o evento. Foto: Bárbara Cavalcanti

Como todo o evento tradicional, este também tem seus personagens marcantes, pessoas que marcam presença todos os anos e sempre trazem algo que os destacam na multidão. 

No passeio ciclístico isso fica a cargo de Rildo Theodoro de Oliveira, de 56 anos, que trabalha como peão de fazenda, mas todo dia 1º de maio vai com sua bicicleta até a Vila Carvalho para participar da comemoração. 

A diferença está no fato de que ele leva uma buzina dentro da mochila e faz o som ecoar pelas ruas por onde os ciclistas passam. 

Ele participa todos os anos e o mais recente que se recorda foi o último antes da pandemia de Covid-19, em 2020, que forçou todos os eventos serem cancelados, fazendo com que naquele ano não tivesse o passeio. 

“Nem lembro da última vez que estive aqui, sei que participei de um antes da pandemia. Sempre estou por aqui”, reforçou. 

Ciclistas saíram da avenida das Bandeiras e vão pedalar até p Parque nas Nações Indígenas, passando pelo Centro de Campo Grande

Ciclistas saíram da avenida das Bandeiras e vão pedalar até p Parque nas Nações Indígenas, passando pelo Centro de Campo Grande. Foto: Bárbara Cavalcanti

Além de atrair os moradores da Carvalho e figuras marcantes, o cortejo também encanta quem começou a frequentar o local há pouco tempo, bem como aqueles que buscam fazer laços de amizade por meio do pedal. 

Naiara Barbosa, de 33 anos, é vendedora e aproveitou o dia de folga para fazer algo diferente. Ela já pratica o esporte há um tempo e pedala toda a semana, mas diz que já é seu segundo ano na comemoração. 

“Eu pedalo toda semana, e já é a segunda vez que participo do evento. É muito bom quando tem algo sim, diferente", comentou. 

Por sua vez, Gleiciane Teixeira, de 36 anos, participa há mais tempo e essa é a quarta vez e afirma que gosta de ir porque reúne muitas pessoas e é diferente. 

"Já é a quarta vez que participo, gosto muito quando reúne o pessoal extrovertido, é empolgante e diferente", disse. 

O PASSEIO 

Segundo informado pela Guarda Municipal Metropolitana de Campo Grande, o passeio contou com, aproximadamente, 700 ciclistas. 

A concentração foi em frente a sede da Ciclo Ribeiro, organizadora do evento desde seu início. A multidão saiu da Avenida das Bandeiras em direção ao Centro da Capital, de onde vão seguir para o Parque das Nações Indígenas. 

Além da pedalada, a empresa também irá promover o sorteio de 30 bicicletas para os participantes.

A tradição do passeio ciclístico do Dia do Trabalhador nasceu com uma ideia do empresário e ex-vereador de Campo Grande, Clemêncio Frutuoso Robeiro, fundador da Ciclo Ribeiro, uma das lojas mais tradicinais de bicicleta da Capital. 

Todos os anos em que foi realizado, a concetração saiu da sede da empresa, na Avenida das Bandeiras, na Vila Carvalho. 

Ribeiro faleceu no dia 09 de julho de de 2021, vítima de complicações da Covid-19. Hoje quem organiza o passeio  e está à frente dos negócios é seu filho Gleison Cleber Ribeiro de Andrade, de 44 anos. 

Hoje, ele também é um dos que lembram com carinho dos passeios durante sua infância e trabalha para dar continuidade ao legado do pai. 

"A festa foi um sucesso total e é tradicional ali na Vila Carvalho, tradicional da nossa cidade, e eu mesmo já participava desde pequenininho", afirmou. 

 

fenômeno

Eclipse parcial da Lua será visto em Mato Grosso do Sul nesta quinta-feira

Ponto máximo será às 00h31, no horário local, já na madrugada da sexta-feira, e poderá ser observado a olho nu

26/08/2026 18h00

Eclipse será visto a olho nu

Eclipse será visto a olho nu Foto: Álvaro Rezende / Arquivo / Correio do Estado

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Um eclipse parcial da Lua poderá ser visto na noite desta quinta-feira (27) e madrugada de sexta-feira (28) em Mato Grosso do Sul e todo o território brasileiro, a olho nu.

O fenômeno deve começar por volta das 22h30, no horário local, com o ponto máximo duas horas depois, às 00h30.

A astrônoma do Observatório Nacional, Josina Oliveira do Nascimento, disse que é necessário ter paciência para observar o eclipse, pois ao entrar na penumbra, que é a sombra mais clara, não é possível notar qualquer diferença no brilho da Lua.

Por volta do horário previstom de 22h30, é quando a lua começa a entrar na umbra e será possível perceber a diferença.

Ela acrescentou que o estudo dos horários em que os eventos ocorrem se baseia unicamente nas posições do Sol, da Terra e da Lua.

“É isso que define a luminosidade. É a mesma coisa de quando a gente sabe exatamente a hora em que a Lua entrou na Lua cheia, no quarto minguante e no quarto crescente. Cada mês tem um horário diferente. O que a gente precisa para saber disso é a posição do Sol, da Terra e da Lua, porque o que a gente está vendo é consequência desse triângulo”, explicou à Agência Brasil.

Segundo a astrônoma, durante o eclipse, primeiro se vê um pontinho preto, que vai evoluindo até a parte preta ficar em formato de uma “mordidinha”, o que significa que a Lua está entrando cada vez mais na umbra, que é a sombra escura. 

“Quando ela estiver 96,2% tomada, vai começar a sair da umbra e tomar uma tonalidade avermelhada. Logo depois vai sair”.

Ao contrário do eclipse solar, que para observar é preciso usar filtros, equipamentos especiais ou óculos próprios, o eclipse parcial da Lua poderá ser visto a olho nu, e de qualquer lugar. 

“No caso desse eclipse, o Brasil todo vai ver e com a Lua bem alta. A única coisa que vai fazer com que você não veja o eclipse é se chover ou ficar nublado”, apontou.

De acordo com o Observatório Nacional, o eclipse desta quinta-feira “pertence ao Saros 138, um ciclo de aproximadamente 18 anos que governa a recorrência de eclipses com características semelhantes”.

A astrônoma explicou ainda que esse tipo de eclipse ocorre toda vez que a Lua entra na sombra da Terra, formada pela incidência do Sol. 

“Sempre existe a sombra da Terra no espaço, porque o Sol está sempre iluminando a Terra, mas a Lua nem sempre entra nessa sombra. A Lua vai entrar na sombra da Terra e tudo acontece por conta dessa questão da sombra. Todos os corpos que não são pontuais, recebendo uma fonte de iluminação, têm duas sombras. Uma mais clara, que a gente chama de penumbra, e uma mais escura, que é a umbra”, disse à Agência Brasil.

Transmissão

O eclipse parcial poderá ser acompanhado também pela live que o Observatório Nacional vai fazer no seu canal do YouTube a partir das 23h pelo horário de Brasília, em uma nova edição do programa O Céu em sua Casa: observação remota.

Segundo o Observatório, como ocorreu no eclipse solar no começo do mês, todos os veículos de comunicação poderão retransmitir gratuitamente a cobertura, mas precisam avisar antes pelo e-mail [email protected].

* Com Agência Brasil

Descumpriu normas

Após morte em MS, AGU pede indenização de R$ 500 milhões ao Discord

Menina de 13 anos teve a morte transmitida ao vivo na plataforma em Naviraí, incentivada por grupo extremista que agia online

26/08/2026 17h30

Lívia foi induzida a tirar a vida em live transmitida no Discord

Lívia foi induzida a tirar a vida em live transmitida no Discord Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

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Após a morte da adolescente Lívia, de 13 anos, em Naviraí, no dia 22 de julho, que foi incentivada e obrigada a tirar a própria vida com transmissão ao vivo no Discord, a Advocacia Geral da União (AGU) entrou com uma ação civil pública na Justiça Federal contra a plataforma, pedindo indenização de R$ 500 milhões por descumprimento de normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e do Marco Civil da Internet.

Além da multa, também é requerida a aplicação de medidas cautelares para forçar a empresa a se adequar às leis do Brasil.

A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (26) pelo ministro da Pasta, Jorge Messias, em entrevista coletiva.

A rede social já estava impedida de realizar transmissões ao vivo no País há duas semanas, após a morte da sul-mato-grossense.

O ato de sanção partiu da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que investiga o caso.

O ministro afirmou que a ausência da rede de proteção tem levado a situações de ordem criminal envolvendo crianças, adolescentes, mulheres e animais.

“Nós não podemos tolerar que verdadeiras cracolândias digitais sejam criadas em um ambiente virtual brasileiro. E esta ação representa que a tolerância do Estado brasileiro é zero para esse tipo de prática. Todas as empresas que queiram participar do ambiente digital brasileiro são bem-vindas, mas devem cumprir integralmente a legislação brasileira.”

Na ação, a AGU requer que a Justiça obrigue o Discord a aprimorar os instrumentos de supervisão e controle parental, de controle de idade dos usuários, de detecção e remoção de conteúdos nocivos e de comunicação às autoridades.

Em caso de descumprimento, é solicitada aplicação de multa de R$ 500 mil por dia.

Segundo Messias, a ação civil pública foi protocolada devido ao fracasso das negociações junto à empresa.

“Tentamos, por duas semanas, construir um termo de ajustamento de conduta. A empresa, no primeiro momento, demonstrou o interesse de assumir compromissos significativos com o Estado brasileiro, mas, infelizmente, recusou a assinatura do termo no último momento. Portanto, não nos restou outra saída que não a apresentação, o ingresso de uma ação civil pública.”

Caso Lívia

Encontrada morta na manhã de 22 de julho, em Naviraí,  Lívia foi incitada a automutilação e suicídio por grupos extremistas.

No dia 4 de agosto, a Operação Livia foi deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, através da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), em conjunto com o Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senasp/MJSP).

A polícia descobriu que adolescentes e um jovem de 18 anos faziam parte de grupo que utilizava diferentes plataformas para localizar as vítimas, conquistar sua confiança e exercer controle sobre elas. 

Entre as práticas identificadas estão desafios cada vez mais violentos, automutilação, humilhações, exposição degradante e outras formas de violência psicológica, que em casos extremos culminavam na indução ao suicídio.

“Nós podemos falar que existem escravos virtuais. Isso acontece principalmente com as meninas. Então, dentro dessa organização criminosa, eles têm aquelas pessoas que vão captando vítimas, fazem uma engenharia social. Os adolescentes, eles deixam, muitas vezes, suas redes sociais abertas, então, eles começam a procurar pela família, onde estudam e, diante de todas aquelas informações, se passam por outra pessoa”, explicou a delegada Anne Karine Sanches Trevizan Duarte.

No dia da morte de Lívia, o grupo teria ficado cerca de duas horas pressionando a jovem até que ela decidisse cometer o suicídio, que teria sido um “castigo” por não ter cumprido uma tarefa passada pelos administradores do que eles chamavam de “panela”.

A jovem teria que fazer o que eles chamam de “luz”, que seria matar o próprio gato. Com a recusa dela de machucar o animal, os administradores e também expectadores, segundo a delegada, teriam pressionado a jovem a cometer suicídio.

“É como se eles estivessem jogando um videogame, tem que passar de fase. Então, assim, é uma frieza muito grande, é uma violência muito grande, é desconsiderar a vida humana de forma absurda. Eles têm satisfação com esse resultado. Várias pessoas assistindo e incentivando que praticassem a automutilação, em outros casos, a morte mesmo em si”, contou a delegada.

Anne Trevisan ainda afirmou que outros suicídios também são investigados por ligação com esses grupos, mas não quis detalhar o estado onde eles teriam acontecido.

Ainda conforme a delegada, o adolescente infrator de 14 anos apreendido na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, foi quem determinou “todas as coordenadas” que a adolescentes que morreu em Naviraí devia seguir para se suicidar.

* Com Estadão Conteúdo

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