Cidades

mudança de rumo

Traficantes bolivianos agora priorizam maconha, revela operação do Exército

Historicamente o narcotráfico boliviano se dedicava à produção e comércio de cocaína enquanto que a maconha era exclusividade de quadrilhas paraguaias

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Com cerca de 30 homens e mulheres dia e noite na fiscalização de carros de passeio, ônibus e caminhões na BR-262, em Corumbá, o Exército causou um prejuízo estimado de R$ 920 mil ao crime organizado desde o começo de julho até agora somente naquele ponto de fiscalização.

E para surpresa dos militares, praticamente tudo o que foi interceptado é maconha ou drogas produzidas a partir da planta, como skank e haxixe, procedentes da Bolívia, país que historicamente se notabilizou pela produção e “exportação” da cocaína.

Estas apreensões  do Exército evidenciam que a Bolívia passou a concorrer com o Paraguai na produção de maconha, que inclusive estaria sendo mais lucrativa para os traficantes que a produção e comercialização de cocaína na Bolívia.

E não são somente as apreensões do Exército feitas durante a Operação Jaguaretê que comprovam a mudança no cenário. Na noite desta quinta-feira (27), integrantes da Polícia Militar e da Polícia Federal apreenderam 1.261 quilos de maconha em uma casa no bairro Guató, em Corumbá. A droga era procedentes da Bolívia e um casal foi preso. 

Mas o fato de o narcotráfico na Bolívia estar se especializando na produção e venda de maconha não significa que a cocaína tenha sido deixada de lado. Junto com a carga de maconha apreendida na noite desta quinta-feira foram apreendidos 73,6 quilos de cocaína e pasta-base.

Conforme a assessoria do Bope, grupo de elite da PM de Mato Grosso do Sul, o prejuízo ao crime organizado foi da ordem de R$ 8 milhões somente com esta interceptação, que contou também com a participação de policiais do Rio de Janeiro que estão fazendo investigações na fronteira com a Bolívia. 

ONÇA-PINTADA

Os homens e mulheres do Exército que estão dia a noite na BR-262, no posto fiscal Lampião Aceso, a cerca de 10 quilômetros da área urbana de Corumbá, devem permanecer no local até 15 de setembro. Além, daqueles que vicam à vista de todos os usuários da rodovia, outros militares dão suporte à distância nos quartéis e em locais estratégicos nas imediações da barreira.

E, além do bloqueio na rodovia, os militares também estão abordando pequenas embarcações que chegam a Corumbá pelo canal do Tamengo, um rio boliviano que desemboca no Rio Paraguai no local onde é feita a captação da água para abastecimento da população de Corumbá e Ladário (veja vídeo no final da reportagem).

A fiscalização na BR-262 ocorre em uma região onde estradas secundárias procedentes da Bolívia e do próprio Brasil convergem para a principal rodovia que corta do Pantanal. Porém, por conta da presença ostensiva dos militares, o narcotráfico possivelmente tem evitado passar naquele local com grandes quantidades de entorpecentes nas últimas semanas, embora nem todos os veículos sejam submetidos ao pente-fino que os militares fazem no local.

“Se fiscalizasse todos os veículos, a tráfego na rodovia travaria”, explicou nesta quinta-feira (27) o general de brigada Rafael Novaes da Conceição, comandante da 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal. Nos momentos em que os militares decidem abordar todos os veículos, em menos de meia hora formam-se filas de até 40 veículos, explicam os militares que atuam na rodovia. 

Mas, apesar da presença ostensiva dos militares na estrada, algumas “mulas”, que estavam desavisadas ou tentaram contar com a sorte, acabaram sendo flagradas nas últimas semanas, principalmente nos ônibus.

Diariamente saem de Corumbá pelo menos oito ônibus, segundo o general Novaes, como é conhecido o comandante das fiscalizações na região da fronteira com a Bolívia.

Quando algum ônibus é escolhido, todos os passageiros desembarcam, retiram as bagagens e aguardam pela vistoria minuciosa de tudo aquilo que estão levando. Ao mesmo tempo, militares fazem um pente-fino na parte interna do veículo, com ajuda de cão farejador.

Bagagens de passageiros de ônibus são submetidas a vistorias minuciosas feitas por militares do Exército próximo a Corumbá

“A gente trabalha duro para combater atuação das quadrilhas do narcotráfico e faz questão de ter eficácia, mas chega a dar uma certa tristeza quando a gente flagra um passageiro ou passageira com drogas. Isso acaba com a vida destes viajantes. Quase sempre são pessoas muito vulneráveis financeiramente e são usadas por grandes traficantes justamente por conta disso”, relatou o general Novaes nesta quinta-feira (27) ao atender equipes de imprensa que por um dia acompanharam o trabalho dos militares na rodovia e no Rio Paraguai.

Além de Corumbá, a Operação Jaguaretê-Oeste (onça-pintada também está tirando dos quartéis os militares de Porto Murtinho, Bela Vista, Ponta Porã, Amambai e Mundo Novo. Da mesma operação também participam militares dos estados de Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina.

Contabilizando os quatro estados, em torno de 600 militares estão todos os dias nas estradas e nos principais rios de fronteira com a  Bolívia e Paraguai. Desde o começo de julho, o prejuízo causado por estas forças a contrabandistas e narcotraficantes é estimado em R$ 66 milhões, segundo o general de divisão Marcelo Zanon Harnisch, chefe do Centro de Coordenação de Operações do Comando Militar do Oeste. 

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TAPA-BURACOS

Campo Grande terá mais de 10 frentes de tapa-buracos a partir de setembro

Sete empresas foram habilitadas pelo Consórcio Central e devem reforçar operação que atualmente conta com sete equipes

28/08/2026 11h30

Prefeitura pretende superar dez frentes de tapa-buracos em Campo Grande na primeira quinzena de setembro

Prefeitura pretende superar dez frentes de tapa-buracos em Campo Grande na primeira quinzena de setembro Divulgação

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Campo Grande deve ultrapassar dez frentes simultâneas de tapa-buracos ainda na primeira quinzena de setembro. O reforço será possível após sete empresas serem habilitadas pelo Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável da Região Central de Mato Grosso do Sul (Consórcio Central) para atuar na manutenção das vias dos municípios consorciados.

Nesta semana, as sete empresas participaram de sorteio que estabeleceu a ordem em que serão acionadas para atender às demandas. Segundo a Prefeitura, os contratos e as respectivas ordens de serviço estão em fase de elaboração para que os trabalhos possam começar.

O credenciamento permanece aberto, o que permite a entrada de outras empresas interessadas e habilitadas para prestar os serviços.

Atualmente, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) mantém sete frentes de tapa-buracos na Capital, sendo cinco formadas por empresas contratadas e duas por equipes próprias da pasta.

Segundo o Executivo municipal, em junho eram apenas duas equipes. Com o reforço, a Prefeitura afirma ter elevado a capacidade diária de aproximadamente 350 para mais de 1,5 mil buracos tapados. A expectativa agora é superar dez frentes distribuídas pelas sete regiões de Campo Grande na primeira metade de setembro.

O secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André Brandão, também atribuiu ao novo modelo a possibilidade de acelerar os reparos.

“Estamos conciliando as frentes que já temos com novas equipes para intensificar o trabalho. Desde que assumi a gestão da Sisep, avançamos de duas para sete frentes de trabalho, mas entendemos que precisamos de um reforço nos próximos meses para acelerar ainda mais a recuperação da malha viária”, declarou.

Quase 21 mil buracos em um mês 

O reforço ocorre em meio à tentativa da Prefeitura de normalizar um serviço que se tornou um dos principais problemas enfrentados pelos campo-grandenses.

Como mostrou o Correio do Estado no início de agosto, a Sisep informou ter tapado 20.950 buracos somente em julho.

No período, foram utilizadas 2.858 toneladas de Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ), principal material utilizado nos reparos, para recuperação de aproximadamente 39,7 mil metros quadrados de pavimento em diferentes regiões da cidade.

A dimensão do desafio também está relacionada ao tamanho da malha viária. Campo Grande possui mais de 4 mil quilômetros de vias, dos quais mais de 3 mil quilômetros são pavimentados.

A ampliação das equipes acontece depois de um período de incerteza sobre a continuidade do tapa-buracos. Parte dos contratos existentes tinha vencimento previsto para 24 e 31 de julho, enquanto a realização de uma nova licitação demandaria tempo para ser concluída.

Antes mesmo do fim de alguns deles, os trabalhos já haviam sido interrompidos em quatro localidades atendidas pela Construtora Rial, empresa que esteve entre os alvos da Operação Buraco Sem Fim, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

A operação, realizada em 12 de maio, investigou suspeitas de corrupção envolvendo contratos de tapa-buracos da Sisep que movimentaram mais de R$ 113 milhões entre 2018 e 2025.

Após a operação, conforme informações repassadas anteriormente pela Prefeitura, a empresa solicitou a paralisação dos serviços e, posteriormente, o Município também decidiu suspender o contrato.

RECEITA FEDERAL

'Operação Bomba Oculta' desdobra investigação sobre centro de sonegação em MS

No aniversário da "Carbono Oculto", equipes voltam às ruas para desmantelar esquema clandestino de comércio de combustível que têm Mato grosso do Sul como centro de sonagenção

28/08/2026 10h15

Ações conjuntas seguem no intuito de desmantelar um esquema de sonegação, fraude e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. 

Ações conjuntas seguem no intuito de desmantelar um esquema de sonegação, fraude e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.  Reprodução/Divulgação

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Batizada de "Carbono Oculto", a ação federal que busca desmantelar esquema clandestino nacional de comércio de combustível completa um ano neste 28 de agosto, sexta-feira esta de hoje que os órgãos públicos de monitoramento aproveitam para deflagrar a "Operação Bomba Oculta", com objetivo de interditar postos e até bloquear inscrições estaduais e Cadastros Nacionais de Pessoas Jurídicas (CNPJs) em investigação que trouxe à tona um verdadeiro centro de sonegação instalado em Mato Grosso do Sul. 

Entre os órgãos que deflagram hoje (28) a Operação Bomba Oculta aparecem: 

  1. Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP);
  2. Polícia Civil (PC)
  3. Receita Federal (RF)
  4. Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN)
  5. Secretaria da Fazenda e Planejamento Estadual de São Paulo (PGE/SP)
  6. Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE/SP)

Entre os alvos da operação, os agentes começam nesta sexta-feira (28) o bloqueio e interdição de postos de combustíveis clandestinos, principalmente na cidade de São Paulo, que, segundo investigação, seguiram operando sem a devida autorização da ANP. 

Desdobramento da "Carbono Oculto", deflagrada em 28 de agosto de 2025, as ações conjuntas seguem no intuito de desmantelar um esquema de sonegação, fraude e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. 

Dados da ANP apontam que, desde 2019, mais de dez mil postos de combustíveis tiveram sua autorização de funcionamento revogada por parte da Agência Nacional, o que os trabalhos investigativos identificaram não ser suficiente para barrar a atuação de forma clandestina de muitas dessas empresas. 

Através do CNPJ ativo, a compra e comércio de combustíveis seguiam mantendo a atuação dessas empresas. Justamente esse trabalho colaborativo entre os órgãos de poder foi o que possibilitou a identificação daqueles que seguiam com a venda ilícita, sincronizando informações cadastrais para lacrar dessas unidades clandestinas. 

Nesse contexto da cooperação entre as forças, a Instrução Normativa  RFB nº 2.340, publicada em 24 de agosto de 2026, alterou as hipóteses de declaração de inaptidão no CNPJ, prevendo situações em que pessoas jurídicas envoltas em atividades irregulares, ou com atuação sem as autorizações exigidas, podem ser declaradas inaptas, "inclusive a partir da atuação conjunta da Receita Federal com órgãos reguladores", complementa a PGFN.

Relembre

Como bem revelado através da Carbono Oculto, o crime organizado já teria se infiltrado "em toda a cadeia de combustíveis nacional", segundo a PGFN, com uma atuação que iria desde a importação e produção até chegar aos postos revendedores. 

"Devido à grande pulverização da cadeia, com mais de 130 mil agentes, o setor virou instrumento para lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, além de sonegação contumaz e adulteração de combustíveis, prejudicando o consumidor, os cofres públicos e as empresas que operam de acordo com a legislação", cita a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. 

A Operação Carbono Oculto revelou a existência de uma antiga destilaria em Mato Grosso do Sul que teria se tornado uma verdadeira "incubadora do crime", no quilômetro 18 da conhecida Estrada da Balsinha, trecho que liga o município de Naviraí a Iguatemi.

Em balanço recentemente abordado pelo Correio do Estado, nota-se que esse espaço tornou-se uma espécie de "coworking" de distribuidoras "noteiras" de combustíveis, estrutura essa criada há quase três décadas para abrigar a Destilaria Centro-Oeste Iguatemi. 

Ainda no último dia 10 deste mês, a Secretaria de Estado de Fazenda conseguiu cancelar inscrição de uma empresa que tem como endereço uma espécie de "ninho de cobras", como bem acompanha o Correio do Estado, da mesma forma que acontece através da publicação de hoje (21). 

Enquanto esse primeiro cancelamento referente à empresa Velox, há exatamente uma semana mais uma das distribuidoras instalada nessa "barriga de aluguel" teve sua inscrição estadual cancelada: a Integração Combustíveis Ltda.

Esse termo "barriga de aluguel" é empregado pela própria Agência Nacional do Petróleo (ANP), para uma série de empresas alvo em 28 de agosto de 2025 na operação que identificou essa base fantasma nacional da distribuição de combustíveis.

Cabe frisar que essa Operação Carbono Oculto é considerada por especialistas como a maior ação contra o crime organizado, incluindo o Primeiro Comando da Capital, da história policial brasileira. 

Vale destacar também que nem a Velox, a Ecológica ou a Integração apareciam entre as investigadas na Operação Carbono Oculto, mas a base seria, de fato, "barriga de aluguel" para as empresas, graças à declaração à própria ANP de que haveria o cumprimento dos requisitos necessários para obter-se uma autorização de distribuidora. Para isso seria necessário um espaço de armazenagem mínimo de 750 m³. 

Entretanto, armazenagem e movimentação de combustível estariam longe de serem observados na base, o que iria contra as normas da Agência. A fraude consistiria em utilizar a empresa registrada em Iguatemi como matriz, onde há um menor custo para adquirir propriedade em parte de uma base, para, na prática, comercializar combustível em São Paulo, por exemplo.

Como a distribuição de combustíveis é considerada de utilidade pública, sem o comércio de combustíveis na localidade essas empresas lesam a sociedade ao atuarem efetivamente em outras Unidades da Federação.

Entre outros pontos, a operação evidenciou a expansão da atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e sua infiltração de forma sistemática na chamada "economia formal". As ramificações desses tentáculos da organização criminosa, como revelado na Carbono Oculto, chegam ao setor de combustíveis, mercado financeiro paulista e diretamente à Faria Lima. 

Como detalhado pelo Ministério Público e autoridades fiscais, esse esquema criminoso teria gerado aproximadamente R$10 bilhões em importações ilícitas de combustíveis; R$52 bilhões em vendas no varejo feitas em mais de mil postos, além de outros R$46 bilhões em transações feitas por fintechs clandestinas que, no intervalo de 2020 a 2024, serviam de banco paralelo. 

 

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