Cidades

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Nem altos custos, nem falta de apoio desestimulam escritoras

Nem altos custos, nem falta de apoio desestimulam escritoras

agência brasil

15/03/2014 - 22h00
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Entre o ato de escrever um livro e vê-lo publicado e distribuído em livrarias e bibliotecas, os escritores brasileiros têm enfrentado uma verdadeira corrida de obstáculos. Rejeição das editoras, falta de apoio governamental e altos gastos com impressão foram alguns dos problemas relatados por diversas autoras no 11º Encontro Internacional de Escritoras, que ocorre em Brasília até segunda-feira (17).

O fato de o evento ser realizado pela primeira vez em um país de língua portuguesa já é, por si, um sintoma, na análise da escritora de novelas policiais Cácia Leal. Lançando seu segundo livro, ela conta que arcou sozinha com todas as despesas, desde a contratação de uma editora para fazer a formatação e o trabalho gráfico, até as passagens aéreas para apresentar o trabalho em feiras e eventos internacionais.

Algumas editoras chegaram a apresentar propostas para publicar a obra, mas Cácia as considerou abusivas. “Eu não concordava com os contratos que as editoras apresentavam. Um deles, por exemplo, me amarrava por dois anos. Nesse período, eu seria obrigada a dar prioridade de publicação para essa editora sobre qualquer coisa que eu escrevesse. Mas, e se eu não gostasse do trabalho deles? Eu não os conhecia ainda. Eu também não poderia dar qualquer opinião sobre a capa do livro, porque as editoras, por economia, adotam capas padronizadas. A verdade é que a maioria dos editores não lê as obras e acaba colocando capas que não condizem”, acrescentou.

Diante da desconfiança sobre como sua obra seria tratada, ela preferiu pagar pelo serviço e ficar com todo o lucro que o livro dê. “Eu vou contratar uma distribuidora, serviços de divulgação. É mais difícil, mas muitos editores publicam e depois abandonam o livro, não mandam para as livrarias, não divulgam”, diz.

Diferentemente de Cácia, o que levou a escritora de livros infantis Dinorá Couto Cançado a arcar com os custos de ver sua primeira obra publicada foi a falta de oportunidades. “Quem é autor iniciante não consegue uma editora de jeito nenhum”, conta a autora mineira que mora em Brasília. “Teve um [editor] que me disse que se o livro pegasse, no segundo ele me queria. Aí, quem não vai querer mais ele sou eu”, emenda.

O livro Paçoca do Avô, de Dinorá, já foi apresentado em eventos literários em Frankfurt, Viena, Lisboa e Praga. No Brasil, apenas em Brasília e Ouro Preto, onde ela ganhou um prêmio com a obra. “É muito mais fácil lançar o livro fora do Brasil que aqui”, conta. A autora também montou artesanalmente o livro em versão braile, com figuras em relevo para deixar em uma biblioteca de Taguatinga, cidade do Distrito Federal, onde já participava de um projeto para cegos. O próximo passo será levar o livro infantil para escolas públicas e apresentá-lo a professores e alunos, em um projeto de estímulo à leitura, finalmente com apoio governamental.

Se a literatura brasileira de entretenimento não tem sido bem recebida pelas editoras, mais difícil ainda é quando o livro trata de cultura regional. A cordelista Irma Galhardo levou para o encontro suas cinco obras em verso sobre o Tocantins, estado que percorre levando leitura a escolas públicas. Todas elas foram produzidas de maneira independente, depois de participar de chamadas públicas e editais do governo federal para conseguir verba para a publicação e divulgação dos livros. “Fiz um curso de produção cultural para aprender a fazer os projetos e conseguir as verbas públicas. Só assim consigo publicar”.

Como os livros publicados com verba governamental não podem ser vendidos em livrarias, Irma precisa incluir na previsão de custos do projeto a sua própria remuneração, e é daí que ela tira o sustento. “Eu passo nas escolas, conto as histórias, ministro oficinas de cordel e é quando ocorre a distribuição. Não vendo livros. No projeto eu incluo a previsão de remuneração da conferencista, ou da pessoa responsável pela oficina, e é aí que eu ganho”, explica.

Ela reclama que leis que deveriam ser de incentivo, como a Rouanet, só têm beneficiado gente famosa, “que já está lá. “Quem está começando só consegue se tiver sangue nos olhos”, diz. Em relação aos empresários do setor, a sensação também é de abandono. “As editoras que eu procurei no início me desestimulavam completamente. Então, resolvi virar minha própria editora. Depois que participei de várias feiras internacionais é que comecei a ser convidada para participar de antologias de editoras”, diz.

Apesar disso, a ex-advogada, que largou o direito para se dedicar à poesia, não se arrepende da escolha. Para Irma Galhardo, a escrita salvou sua vida. “Quando era advogada, eu pensava em suicídio. Hoje não penso mais, isso [os livros] me preenche completamente”, conclui.

Tragédia na Rodovia

Colisão entre caminhonetes deixa dois mortos na BR-262 em MS

Acidente aconteceu na madrugada deste sábado (17), nas proximidades da fábrica da Suzano, em Ribas do Rio Pardo; veículos ficaram destruídos com a força do impacto.

17/10/2026 10h49

Caminhonetes ficaram destruídas após colisão que deixou duas pessoas mortas na madrugada deste sábado (17), na BR-262, em Ribas do Rio Pardo.

Caminhonetes ficaram destruídas após colisão que deixou duas pessoas mortas na madrugada deste sábado (17), na BR-262, em Ribas do Rio Pardo. Foto: Divulgação/Ribas Ordinário.

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Duas pessoas morreram em um grave acidente de trânsito registrado na madrugada deste sábado (17), na BR-262, nas proximidades da fábrica da Suzano, em Ribas do Rio Pardo. A colisão envolveu duas caminhonetes, que ficaram bastante danificadas com a força do impacto.

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram os veículos na rodovia, com partes das carrocerias destruídas e destroços espalhados pelo asfalto. Um dos veículos envolvidos pertence a uma empresa que presta serviços no município.

A pista foi liberada para o tráfego por volta das 8h30 deste sábado (17), após os trabalhos de atendimento à ocorrência e a retirada dos veículos envolvidos na colisão.

As imagens mostram que a caminhonete branca teve a parte dianteira destruída, enquanto o veículo preto também sofreu danos significativos na estrutura.

Registros feitos durante a madrugada mostram a movimentação de veículos no local do acidente. Já as imagens registradas durante a manhã revelam as condições em que as caminhonetes ficaram após a batida.

As identidades e idades das duas vítimas ainda não foram divulgadas. Também não foi informado em qual das caminhonetes elas estavam no momento da colisão.

A dinâmica do acidente e as circunstâncias que provocaram a batida deverão ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis pela investigação.

A BR-262 é uma das principais ligações rodoviárias entre Campo Grande e a região leste de Mato Grosso do Sul, com circulação de veículos de passeio, ônibus e caminhões utilizados no transporte de cargas.

De MS Para o Mundo

Leonardo DiCaprio publica foto de onça-pintada feita por fotógrafo de MS

Imagem do biólogo Gustavo Figueirôa foi compartilhada pelo astro de Hollywood em publicação sobre iniciativa internacional de US$ 500 milhões para recuperar espécies ameaçadas de extinção

17/10/2026 10h02

Onça-pintada conhecida como Xingu, fotografada pelo sul-mato-grossense Gustavo Figueirôa no Pantanal, ganhou destaque nas redes sociais do ator Leonardo DiCaprio.

Onça-pintada conhecida como Xingu, fotografada pelo sul-mato-grossense Gustavo Figueirôa no Pantanal, ganhou destaque nas redes sociais do ator Leonardo DiCaprio. Foto: Gustavo Figueirôa/Reprodução Instagram.

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Uma fotografia de uma onça-pintada bebendo água no Pantanal, registrada pelo biólogo e fotógrafo sul-mato-grossense Gustavo Figueirôa, ganhou projeção internacional após ser compartilhada pelo ator Leonardo DiCaprio, um dos maiores nomes de Hollywood.

A imagem foi publicada nesta sexta-feira (16), no Instagram do artista, em uma postagem sobre iniciativas mundiais de proteção e recuperação de espécies ameaçadas de extinção.

O registro mostra o felino às margens de um rio, com os olhos direcionados à câmera e a língua tocando a superfície da água.

A cena, fotografada originalmente em 2021, voltou a ganhar destaque cinco anos depois, desta vez como ilustração de uma mensagem ambiental divulgada pelo astro norte-americano em parceria com a organização Re:wild.

Na publicação, DiCaprio destacou os compromissos anunciados durante a Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP17), realizada em Yerevan, capital da Armênia, e defendeu a ampliação dos esforços internacionais para recuperar populações de animais ameaçados.

O ator ressaltou que impedir a extinção das espécies não é suficiente e que também são necessárias ações para recuperar populações que já sofreram reduções significativas.

A postagem chamou a atenção pela ligação com Mato Grosso do Sul. A fotografia utilizada pelo artista é de autoria de Gustavo Figueirôa, profissional ligado à conservação do Pantanal, que teve seu trabalho reconhecido internacionalmente e recebeu crédito na publicação.

Fotógrafo de MS registrou onça conhecida como Xingu

Embora tenha voltado aos holofotes nesta semana, a imagem foi capturada em junho de 2021, durante uma expedição pelo Pantanal.

Na ocasião, Gustavo Figueirôa acompanhava uma onça-pintada conhecida como Xingu, um macho que circulava pela região do Parque Estadual Encontro das Águas, nas proximidades de Porto Jofre, em Mato Grosso.

O registro aconteceu às margens do Rio São Lourenço, curso d'água que integra a região pantaneira próxima à divisa entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Durante a observação do animal, o fotógrafo conseguiu documentar diferentes momentos de seu comportamento, incluindo a cena em que a onça se aproximou da água e permaneceu olhando em direção à câmera.

Em entrevista concedida ao UOL na época, Figueirôa contou que acompanhou o felino por aproximadamente 40 minutos a uma hora e produziu mais de 250 fotografias durante o encontro.

Entre os registros, apenas seis foram considerados pelo profissional de qualidade excepcional, incluindo a imagem que se tornou conhecida nas redes sociais.

A fotografia ganhou repercussão ainda em 2021 pela imponência do animal e pelo ângulo do registro, que transmite a impressão de que a onça encara diretamente quem observa a imagem.

Cinco anos depois, o mesmo flagrante alcançou uma nova dimensão ao aparecer nas redes sociais de Leonardo DiCaprio, conhecido internacionalmente tanto pela carreira no cinema quanto pela atuação em causas ambientais.

Gustavo Figueirôa comemora reconhecimento internacional

A publicação foi recebida com entusiasmo pelo fotógrafo, que utilizou as redes sociais para celebrar o compartilhamento da imagem e destacar a importância das iniciativas de conservação apoiadas pelo ator.

Gustavo ressaltou o trabalho desenvolvido pela Re:wild, organização ambiental da qual Leonardo DiCaprio é cofundador, voltada à proteção da biodiversidade e à recuperação de espécies ameaçadas.

Ao comentar a repercussão, o fotógrafo também fez uma referência bem-humorada à trajetória cinematográfica do astro, especialmente ao filme Titanic, um dos maiores sucessos de sua carreira.

"Do Titanic à conservação da vida selvagem, fico feliz de ter cruzado seu caminho de alguma forma, nem que seja por uma foto!", escreveu.

Além de fotógrafo, Gustavo é biólogo, especialista em manejo e conservação da fauna silvestre e em comunicação pública da ciência.

Desde 2019, integra o Instituto SOS Pantanal, organização dedicada à conservação do bioma, onde atualmente ocupa o cargo de diretor de Comunicação e Engajamento.

Sua trajetória reúne trabalhos de documentação da fauna, divulgação científica, prevenção de incêndios florestais e participação em iniciativas voltadas à proteção dos animais silvestres.

A repercussão da fotografia representa, assim, não apenas o reconhecimento de um registro produzido no Pantanal, mas também a visibilidade internacional do trabalho desenvolvido por profissionais ligados à conservação ambiental.

Leonardo DiCaprio destaca iniciativa de US$ 500 milhões

A fotografia de Gustavo Figueirôa foi compartilhada por Leonardo DiCaprio durante a divulgação de duas iniciativas internacionais voltadas à proteção e recuperação de espécies ameaçadas de extinção.

Uma delas é a Coalizão de Ação para Recuperar Espécies Ameaçadas (CARES), liderada pela Armênia e pela Colômbia, com a participação de 17 governos, incluindo o Brasil.

A outra é a Species Recovery Alliance, formada por nove organizações e financiadores, entre eles a Re:wild, que anunciaram um compromisso superior a US$ 500 milhões ao longo de cinco anos para apoiar projetos de conservação e recuperação de espécies.

Os anúncios ocorreram nesta sexta-feira (16), em Yerevan, na Armênia, durante a programação preparatória da COP17, prevista para começar em 19 de outubro.

Astro de Hollywood visitou Pantanal de MS em agosto

A ligação de Leonardo DiCaprio com o Pantanal sul-mato-grossense também ganhou destaque recentemente.

No fim de agosto deste ano, o ator esteve em Mato Grosso do Sul e se hospedou na Fazenda Caiman, localizada no município de Miranda.

A visita ocorreu durante uma passagem pelo Brasil e teve entre seus objetivos conhecer iniciativas de preservação da fauna e da flora pantaneira.

Reconhecida por desenvolver atividades de ecoturismo e apoiar projetos ambientais, a propriedade mantém ligação com ações de conservação da biodiversidade, incluindo a proteção da onça-pintada.

A presença do ator no Estado despertou atenção pela relação entre sua atuação ambiental e os projetos desenvolvidos na região.

Agora, pouco mais de um mês depois da visita, o Pantanal voltou a ganhar espaço nas redes sociais de DiCaprio por meio da fotografia de um profissional ligado a Mato Grosso do Sul.

O episódio reforça a capacidade da fotografia de natureza de ultrapassar fronteiras e chamar a atenção para a conservação de um dos biomas mais importantes do Brasil, cuja biodiversidade também enfrenta ameaças decorrentes de incêndios florestais, perda de habitats e pressões sobre os ecossistemas.

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