Cidades

Entrevista

"Nossa prioridade é reorganizar e ampliar os serviços essenciais"

Novo secretário de Infraestrutura de Campo Grande, André de Moura Brandão falou sobre seu objetivo à frente da Sisep e sobre a situação do serviço de tapa-buracos nas ruas da Capital em entrevista ao Correio do Estado

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Nomeado pela prefeita Adriane Lopes (PP), no dia 29 de maio deste ano, para assumir a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), André de Moura Brandão está no cargo há pouco mais de 20 dias e falou ao Correio do Estado sobre os desafios enfrentados e seus objetivos no longo prazo.

Segundo Brandão, a principal prioridade atualmente é regularizar a operação tapa-buraco, que está apenas com algumas frentes em operação, principalmente em razão da suspensão da Construtora Rial, que era responsável por quatro das sete regiões urbanas de Campo Grande, após operação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) vincular a empresa a suposto esquema de corrupção na Sisep.

O novo secretário também falou sobre seus objetivos à frente da secretaria. “Nossa prioridade é reorganizar e ampliar os serviços essenciais, especialmente a operação tapa-buracos”.

O senhor entrou na Sisep há menos de um mês, qual foi sua prioridade de trabalho? O que já foi feito e o que ainda está por vir?

Estou há pouco mais de 20 dias à frente da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos.
Assumimos a secretaria com uma missão, por determinação da prefeita Adriane Lopes: conciliar o perfil de gestão do secretário André Brandão com o corpo técnico da Sisep, que é um corpo técnico de excelência.

Neste momento, a principal demanda da população é a recuperação das ruas, por meio da operação tapa-buracos.

Esta semana, o senhor se reuniu com os vereadores e falou sobre a questão do tapa-buraco em Campo Grande. Poderia explicar melhor qual o plano da prefeitura para o serviço?

Houve uma operação do Ministério Público que envolveu uma empreiteira que atendia quatro regiões da cidade com o tapa-buracos.

Por uma medida de precaução, a Controladoria-Geral do Município recomendou a suspensão desses serviços enquanto é realizada uma auditoria para avaliar a situação dos contratos. Com isso, apenas três regiões permaneceram com o atendimento contratual.

Quando assumi a Sisep, no dia 1º de junho, dos três contratos vigentes, apenas duas frentes de trabalho estavam em operação.

A primeira medida imediata foi convocar a empresa responsável e determinar a implantação da terceira frente prevista contratualmente.

Com isso, o número de buracos reparados por dia passou de aproximadamente 450 para cerca de 800. Essa foi a primeira decisão adotada dentro das condições contratuais existentes.

Também temos a previsão de implantar mais uma frente contratada na primeira semana de julho. Fizemos uma consulta à Procuradoria-Geral do Município, que já sinalizou positivamente.

Assim, passaremos a contar com quatro frentes contratadas, e até o fim da primeira quinzena de julho estaremos com mais uma frente própria da secretaria.

Dessa forma, sairemos de duas frentes de trabalho, quando assumimos a gestão, para cinco frentes de atuação, proporcionando um atendimento mais robusto e eficiente à população.

Paralelamente, estamos adotando medidas administrativas e conduzindo os procedimentos licitatórios necessários para recuperar a capacidade operacional dos contratos, por meio dos trâmites legais, permitindo ampliar o atendimento nas sete regiões de Campo Grande.

O Consórcio Central-MS também atua com um processo de credenciamento.

Estive na Câmara Municipal para esclarecer as informações e apresentar aos vereadores as projeções de atendimentos realizadas pela atual gestão da Sisep.

Estamos passando por um momento atípico em Campo Grande, com um volume elevado de chuvas. Ainda assim, seguimos avançando e atendendo a todas as demandas apresentadas pelos vereadores, que têm dado uma contribuição fundamental nesse processo, pelas lideranças comunitárias e também pelos canais oficiais de atendimento da prefeitura.

A atual gestão da Sisep, em conjunto com o corpo técnico da secretaria, atua para garantir a regularização dos serviços de tapa-buracos ao longo do segundo semestre.

A fábrica de asfalto do Consórcio Central-MS vai dar conta de atender a cidade toda? Caso o projeto não dê certo, pode ser feita uma licitação de emergência?

O credenciamento via Consórcio Central-MS é uma medida alternativa. O projeto principal da prefeitura é uma licitação própria para restabelecer o atendimento de tapa-buraco nas sete regiões de Campo Grande.

A prefeitura também anunciou um programa de recapeamento para a cidade. Já há definição de quais ruas serão beneficiadas? Quando começa?

A definição das vias que serão contempladas pelo recapeamento segue critérios técnicos, priorizando os trechos que apresentam maior necessidade de intervenção, conforme os levantamentos realizados pelas equipes da Sisep.

O cronograma de execução e a relação das primeiras ruas contempladas serão divulgados pela prefeitura assim que essa etapa for concluída e as frentes de trabalho forem oficialmente iniciadas.

Quais seus principais objetivos à frente da secretaria?

Meu principal objetivo é fortalecer a capacidade de resposta da Sisep às demandas da população, conciliando uma gestão eficiente com a experiência e a qualidade do corpo técnico da secretaria.

Nossa prioridade é reorganizar e ampliar os serviços essenciais, especialmente a operação tapa-buracos, sem perder de vista o planejamento das grandes obras de infraestrutura que estão em andamento e das que serão iniciadas.

A determinação da prefeita Adriane Lopes é garantir resultados concretos, com planejamento, responsabilidade e eficiência.

{ PERFIL }

André de Moura Brandão 

Natural de Dourados, é profissional de contabilidade, graduado em Administração de Empresas e tem formação em Leader Coach Training (LCT) pelo Instituto Brasileiro de Coaching.

Na Prefeitura de Campo Grande, atuou como superintendente do Sistema de Registro de Preços, entre 2018 e 2023, e, posteriormente, como secretário-executivo de Compras Governamentais, entre 2023 e 2024, e como secretário especial de Licitações e Contratos, entre 2025 e este ano. Também exerceu mandato de vereador em Itaporã, entre 2013 e 2016.

Recentemente, assumiu a gestão da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep).

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CAMPO GRANDE

Conclusão do corredor de ônibus é adiado mais uma vez em Campo Grande

Prefeitura prorrogou por mais 180 dias as obras entre os terminais Aero Rancho e Bandeirantes e elevou o valor final de contrato

04/09/2026 12h30

Obras do Corredor Sudoeste, na Avenida Marechal Deodoro/Gunter Hans, foram retomadas em 2025 e agora têm novo prazo para conclusão

Obras do Corredor Sudoeste, na Avenida Marechal Deodoro/Gunter Hans, foram retomadas em 2025 e agora têm novo prazo para conclusão Marcelo Victor

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A conclusão do corredor exclusivo de transporte coletivo da Avenida Marechal Deodoro, em Campo Grande, foi novamente adiada. De acordo com a publicação desta sexta-feira (4) no Diário Oficial do município, a Prefeitura prorrogou por mais 180 dias o prazo de execução das obras que ligam os terminais Aero Rancho e Bandeirantes e aumentou em R$ 100,5 mil o valor do contrato firmado com a Engevil Engenharia Ltda. 

Com o segundo termo aditivo ao Contrato nº 43/2025, celebrado em 20 de agosto, o novo prazo de execução passou a ser de 24 de agosto de 2026 a 19 de fevereiro de 2027. O valor contratual, que era de R$ 9.638.000,00, subiu para R$ 9.738.559,27, conforme extrato publicado.

Apesar de o impacto líquido ser de R$ 100.559,27, o aditivo envolve alterações significativamente maiores na planilha da obra. Foram autorizados R$ 1.292.115,99 em acréscimos e R$ 1.191.556,72 em supressões de serviços. Na prática, considerando o contrato de R$ 9,638 milhões como base, os acréscimos equivalem a aproximadamente 13,4% do valor, enquanto as supressões representam cerca de 12,4%. O aumento líquido fica próximo de 1%.

Segundo o extrato, as mudanças estão respaldadas nos artigos 111, 124 e 125 da Lei Federal nº 14.133/2021 e têm como base justificativa técnica e novo cronograma físico-financeiro anexados ao Processo Administrativo nº 56044/2024-16.

Obra atravessa anos de paralisações

O novo adiamento acrescenta mais um capítulo a uma intervenção que há anos enfrenta dificuldades para ser concluída.

O Corredor Sudoeste integra o projeto de modernização do transporte coletivo da Capital, financiado originalmente dentro de um pacote de intervenções de mobilidade urbana. Na Marechal Deodoro, uma das principais etapas das obras começou em fevereiro de 2021, quando estavam previstos 1,1 quilômetro de drenagem, cerca de 5,5 quilômetros de recapeamento e a implantação das estações de pré-embarque. Na ocasião, a previsão era concluir os trabalhos ainda naquele ano.

O investimento estava estimado em R$ 12,58 milhões e o contrato anterior havia sido firmado com a Engepar por aproximadamente R$ 11,41 milhões.

O cronograma, porém, não foi cumprido. A intervenção acabou paralisada e, em 2023, o Correio do Estado mostrou que os trabalhos na Marechal Deodoro já estavam interrompidos havia pelo menos um ano, enquanto a prefeitura mantinha tratativas para viabilizar a retomada.

A tentativa de destravar definitivamente a obra ganhou força somente no fim de 2024. Em novembro daquele ano, uma nova licitação foi lançada para executar cerca de 5,22 quilômetros, considerando os dois sentidos do corredor. O projeto previa serviços de microdrenagem, restauração de pavimento, acessibilidade, sinalização e conclusão das estruturas das estações que haviam ficado inacabadas. O orçamento estimado da licitação era de aproximadamente R$ 10,4 milhões.

Em dezembro de 2024, a Engevil Engenharia Ltda. foi declarada vencedora da concorrência por R$ 9,638 milhões, cerca de R$ 840 mil abaixo do valor máximo previsto no edital. Conforme mostrou o Correio do Estado na época, a empresa foi a terceira colocada inicialmente na disputa e acabou assumindo a primeira posição após problemas na documentação de concorrentes que apresentaram propostas menores. 

O contrato com o município foi celebrado em 7 de março de 2025, e seu extrato foi publicado no fim daquele mês. O prazo previsto para a execução era de 360 dias. A contratação era tratada pela prefeitura como a solução para concluir o trecho do Corredor Sudoeste que havia permanecido inacabado. 

Os trabalhos começaram efetivamente a aparecer novamente na Marechal Deodoro no primeiro semestre de 2025, com movimentação de máquinas e intervenções no trecho da Avenida Gunter Hans, nome assumido pela via em parte do percurso. Em abril daquele ano, equipes já atuavam na retirada de terra e preparação da área. 

O projeto prevê quatro estações de ônibus entre o Terminal Aero Rancho e a região do Trevo Imbirussu e a continuidade da ligação até o Terminal Bandeirantes. Com a implantação do corredor, pontos de embarque são deslocados para a região central da via e parte da pista passa a ser destinada prioritariamente ao transporte coletivo. 

Em março deste ano, a administração formalizou o primeiro termo aditivo, prolongando a execução até agosto. Agora, antes mesmo do encerramento desse período, um segundo aditivo adicionou outros seis meses ao cronograma.

SUSPENSÃO

TCE trava andamento do pacote de obras de R$ 188 milhões de Adriane

Decisão do conselheiro Osmar Domingues Jeronymo foi baseada na análise prévia da Divisão de Fiscalização de Obras, Serviços de Engenharia e Meio Ambiente

04/09/2026 12h00

Pavimentação deve contemplar 40 bairros da Capital até 2028

Pavimentação deve contemplar 40 bairros da Capital até 2028 FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) decidiu pela suspensão cautelar dos itens 1 e 11 do procedimento licitatório da Prefeitura de Campo Grande, a qual trata-se da contratação de empresas especializadas para execução das obras de pavimentação asfáltica e drenagem de águas pluviais em diversos bairros do Município. Ao todo, o investimento é de aproximadamente R$ 188,5 milhões. 

O item 1 em questão trata-se de obras nos bairros Vila Nossa Senhora Aparecida e o Bosque da Saúde, com investimento total de R$ 16.821.643,03; já o 11 refere-se ao lote no Jardim São Conrado, com R$ 9.959.984,17 de recursos previstos na licitação.

Além disso, a Corte de Contas também determinou a suspensão cautelar da formalização dos contratos dos itens 4 e 9, adjudicados e homologados pelo Executivo, no dia 24 de agosto de 2026.

O investimento de R$ 4.995.603,89 é previsto no item 4, que engloba obras no bairro Complexo Jardim Itatiaia. A empresa Gradual Engenharia e Consultoria Eireli venceu esta licitação.

A do item 9 teve como vencedora a TST Construções e refere-se ao lote nas regiões do Coophavilla II e Batistão, com valores de R$ 13.080.365,52.

A prefeita Adriane Lopes terá o prazo de cinco dias úteis para comprovar o cumprimento das suspensões cautelares, sob pena de responsabilização, reparação de eventual dano ao erário e aplicação de multa de 1.800 Uferms. A decisão foi do relator Osmar Domingues Jeronymo.

Análise do certame

Uma análise prévia da equipe técnica da Divisão de Fiscalização de Obras, Serviços de Engenharia e Meio Ambiente identificou pendências de instrução e propôs a intimação da prefeita de Campo Grande para manifestação e envio de documentos pertinentes.

Diante do pedido, a prefeita de Campo Grande compareceu aos autos, apresentando justificativas e documentos que foram submetidos à nova análise da equipe técnica.

Com base nos procedimentos de auditoria realizados, o controle prévio do certame quanto aos aspectos relevantes está com atendimento parcial, com os critérios aplicados. Portanto, a Divisão de Fiscalização de Obras opinou por:

  • determinar à Administração a suspensão da licitação para os Lotes 01 e 11, além de republicar o edital para tais itens, com as planilhas orçamentárias revisadas, e reabrir o prazo legal para a formulação de novas propostas;
  • autorizar o prosseguimento regular da licitação para os lotes (02 ao 10 e 12 ao 18, incluindo o 13), e retificar os memoriais descritivos quanto às referências normativas do DNIT;
  • solicitar à Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (SISEP) que, antes de iniciar a execução contratual e emitir as ordens de serviço dos lotes liberados, defina, em Especificação Técnica/Termo de Referência, a faixa granulométrica a ser utilizada e espessura mínima do CBUQ;
  • determinar que as medições somente sejam processadas mediante apresentação dos relatórios de controle tecnológico; não processar e/ou atestar, nenhuma medição para pagamento, se, junto a ela, não anexar relatório de controle da qualidade com resultados dos ensaios laboratoriais e determinações devidamente interpretados, caracterizando a conformidade técnica do serviço executado.
  • após às providências cabíveis quanto aos lotes 1 e 11, nos quais a revisão técnica repercutiu sobre a solução, os quantitativos e o orçamento, remeter a documentação para análise do Projeto Básico/Orçamentos dos lotes.

Pacote de obras

O pacote de R$ 188 milhões divulgado pela Prefeitura de Campo Grande é parte do planejamento municipal de ampliação da infraestrutura urbana, com intervenções para diversas regiões da Capital.

Conforme divulgado, esses recursos fazem parte do planejamento do Executivo de Campo Grande a serem empregados para cobertura da pavimentação e drenagem. A previsão da Capital do Mato Grosso do Sul é alcançar um volume de 640 milhões de reais em investimentos até o ano de 2028.

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