Cidades

Entrevista

"O crime organizado atua em rede e a resposta do Estado precisa ser integrada"

O comandante-geral da PM de Mato Grosso do Sul foi reconduzido à presidência do Conselho Nacional dos Comandantes-Gerais das Polícias Militares (CNCGPM)

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Reconduzido à presidência do Conselho Nacional dos Comandantes-Gerais das Polícias Militares (CNCGPM), o coronel da PM Renato dos Anjos Garnes, comandante-geral da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso do Sul (PMMS), detalhou, em entrevista exclusiva ao Correio do Estado, os desafios e as prioridades de sua nova gestão à frente da entidade que reúne os chefes das corporações em todo o País.

Com foco na integração nacional, no uso de tecnologia e no enfrentamento ao crime organizado, o comandante destaca os avanços alcançados no mandato anterior e aponta caminhos para fortalecer a atuação coordenada das PMs, com reflexos diretos na segurança pública da população brasileira.

Coronel, o que representa, na prática, sua recondução à presidência do CNCGPM?

Representa, na prática, a continuidade e o fortalecimento de um trabalho construído de forma coletiva entre os comandantes-gerais das PMs do Brasil. Antes de qualquer função em nível nacional, carrego a responsabilidade de comandar a PMMS e é a partir dessa vivência no comando, do contato direto com a tropa e dos desafios do serviço operacional que se constrói uma atuação alinhada às realidades enfrentadas pelas PMs em todo o País.

Nenhuma liderança em nível nacional se sustenta sem estar conectada à sua origem, à tropa e à realidade vivida nas corporações. A recondução sinaliza um momento de unidade, alinhamento estratégico e convergência de propósitos entre as instituições, refletindo o amadurecimento institucional das corporações em nível nacional.

Recebo essa missão com elevado senso de responsabilidade, ciente de que ela expressa a confiança no trabalho que vem sendo desenvolvido de forma conjunta em todo o País.

Quais serão as principais prioridades desta nova gestão?

A prioridade central desta nova gestão é o fortalecimento da integração nacional das PMs, partindo do entendimento de que as organizações criminosas atuam de forma cada vez mais articulada, inclusive entre estados e fronteiras, exigindo respostas igualmente coordenadas.

A segurança pública exige cada vez mais integração, inteligência e atuação coordenada entre as PMs em todo o País. Nesse contexto, as PMs avançam, com o CNCGPM atuando como indutor desse processo, na integração operacional em áreas estratégicas, como fronteiras, divisas, rodovias e centros urbanos sensíveis, no fortalecimento da interoperabilidade entre sistemas e comunicações e na ampliação do uso de tecnologia e inteligência nas ações policiais.

Também trabalharemos no fortalecimento das câmaras técnicas do Conselho, que têm papel fundamental na difusão de boas práticas entre as corporações. Paralelamente, seguiremos atuando no diálogo institucional com a Câmara dos Deputados, o Senado e o governo federal, buscando o fortalecimento de políticas públicas nacionais que ampliem a eficiência das Polícias Militares e gerem resultados concretos para a segurança da população.

Como o senhor avalia os avanços alcançados e a que pretende dar continuidade?

No mandato anterior, avançamos no fortalecimento institucional do CNCGPM, ampliamos a articulação entre as Polícias Militares dos estados e consolidamos as câmaras técnicas como espaços efetivos de troca de experiências e difusão de boas práticas entre as corporações.

Também houve avanço na integração entre os comandantes-gerais, com maior alinhamento de posicionamentos e manutenção de operações integradas em nível nacional. A integração entre as PMs deixou de ser uma diretriz e passou a ser uma prática consolidada em nível nacional.

Nesse contexto, um marco importante foi o reconhecimento do Conselho como órgão consultivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil, o que amplia sua participação na construção de políticas públicas e reforça o papel das PMs no debate nacional sobre segurança.

Esses resultados foram construídos de forma conjunta, com a participação ativa de todas as corporações. Para este novo ciclo, a proposta é dar continuidade a esse processo, aprofundando a governança do Conselho e ampliando a capacidade de resposta coordenada das PMs em todo o País.

De que forma o alinhamento entre as PMs pode impactar diretamente a segurança pública?

O alinhamento entre as Polícias Militares impacta diretamente a segurança da população ao permitir respostas mais rápidas, coordenadas e eficazes no enfrentamento ao crime. Isso ocorre porque o alinhamento possibilita compreender o fenômeno criminal em sua real dimensão, nacional e, muitas vezes, internacional.

A integração de dados, o compartilhamento de inteligência e a coordenação operacional ampliam significativamente a eficiência no combate ao crime. Na prática, isso se traduz em ações conjuntas entre os estados, especialmente em áreas estratégicas como fronteiras, rodovias, divisas e regiões sensíveis, permitindo melhor emprego dos recursos e maior capacidade de resposta das corporações.

Um exemplo concreto é a Operação Força Total, coordenada pelo CNCGPM, que, em uma de suas edições mais recentes, mobilizou mais de 135 mil policiais militares em todo o País, resultando em mais de 3.700 prisões em flagrante, além da retirada de centenas de armas de fogo de circulação e da recuperação de mais de 400 veículos roubados.

Esses resultados demonstram, de forma objetiva, a capacidade de atuação integrada das PMs e o papel do Conselho na coordenação de ações com impacto direto na segurança da população. O crime não respeita fronteiras, e a resposta das Polícias Militares precisa ser igualmente integrada em todo o País.

Quais estratégias serão adotadas para fortalecer a atuação integrada das corporações?

As estratégias já vêm sendo implementadas e serão ampliadas nesta nova gestão, com foco no fortalecimento da atuação integrada entre as PMs em todo o País.

Entre os principais eixos, destacam-se o fortalecimento das câmaras técnicas do CNCGPM como espaços permanentes de inovação e padronização, a ampliação das operações nacionais integradas em áreas como policiamento ambiental, rodoviário e ostensivo, além do avanço na construção de uma doutrina comum entre as corporações.

Também seguimos avançando na integração de sistemas de inteligência e comunicação, o que é fundamental para garantir maior agilidade, eficiência e coordenação nas ações em todo o território nacional. Quanto mais integradas estiverem as PMs, maior será a nossa capacidade de resposta e mais efetiva será a proteção da população.

Como o CNCGPM pretende atuar diante do aumento do crime organizado e interestadual?

O enfrentamento ao crime, especialmente aquele com atuação interestadual, exige uma abordagem sistêmica, coordenada e orientada por inteligência, superando respostas pontuais. O crime organizado atua em rede e a resposta do Estado precisa ser integrada e estruturada.

Nesse contexto, o CNCGPM tem atuado na intensificação de operações interestaduais, no fortalecimento da presença em rodovias e corredores logísticos estratégicos e na ampliação da integração dos sistemas de inteligência entre as corporações.

Também avançamos na cooperação com órgãos federais e, quando necessário, com instituições internacionais, reconhecendo que o enfrentamento às organizações criminosas exige articulação em múltiplos níveis.

O objetivo é fortalecer a capacidade de antecipação, resposta e desarticulação dessas estruturas criminosas, com reflexos diretos na segurança da população.

Há planos para ampliar o uso de tecnologia e inteligência nas ações das PMs? Quais?

O uso de tecnologia e inteligência já é uma realidade consolidada nas PMs e seguirá em constante evolução. A inteligência e a tecnologia são hoje pilares essenciais da atividade policial moderna.

As corporações já utilizam a inteligência de forma estruturada no planejamento e na execução das ações operacionais, e o foco agora é o seu aprimoramento contínuo, com a incorporação de novas ferramentas e o fortalecimento da capacidade analítica.

Nesse contexto, avançamos na integração de bases de dados, na ampliação de sistemas de monitoramento, no uso de análise preditiva e na aplicação de inteligência artificial como suporte à tomada de decisão.

Destaca-se também a utilização de tecnologias como sistemas de OCR, que permitem a leitura automatizada de placas e documentos a partir de imagens, e o emprego de drones, que ampliam a capacidade de monitoramento e apoio às operações em diferentes cenários.

Esse conjunto de iniciativas amplia a eficiência operacional, fortalece a atuação integrada entre os estados e contribui para respostas mais rápidas e qualificadas no enfrentamento ao crime.

Qual será o papel da parceria com outras forças de segurança nesta nova gestão?

A integração entre as forças de segurança é indispensável para o enfrentamento qualificado da criminalidade. A PM, como força de presença permanente, exerce um papel central na segurança pública.

Nesse contexto, a cooperação com as polícias judiciárias, como a Polícia Civil e a Polícia Federal, é decisiva para fortalecer a resposta estatal e ampliar a efetividade das ações.

Nosso papel é ampliar essa sinergia, com respeito às competências constitucionais de cada instituição e foco no resultado final: a proteção da sociedade.

Como o senhor pretende atuar na valorização e nas condições de trabalho dos policiais militares?

A valorização do policial militar é um eixo estratégico permanente e essencial para a qualidade do serviço prestado à sociedade. Não há segurança pública eficiente sem profissionais valorizados, preparados e com condições adequadas de trabalho.

Esse processo envolve o aprimoramento contínuo das condições de trabalho, investimentos em equipamentos e tecnologia, além de atenção à saúde física e mental dos policiais militares.

Também passa pelo reconhecimento profissional, sempre respeitando as particularidades de cada estado e a autonomia das corporações. O papel do CNCGPM é contribuir para o fortalecimento dessas diretrizes em nível nacional, promovendo a troca de boas práticas e incentivando políticas que impactem positivamente a atuação e as condições da tropa.

 { PERFIL }

Renato Garnes

Natural de Xambrê (PR), o coronel da PM ingressou na Polícia Militar do Estado em 1995. Enviado à Academia de Polícia Militar em Brasília (DF), graduou-se no Curso de Formação de Oficiais em 1997.

Naquele mesmo ano, ele foi declarado aspirante a oficial da PM do Estado. Atualmente, Garnes tem mais de 29 anos de efetivos serviços prestados e ocupa o cargo de comandante-geral da PM de Mato Grosso do Sul.

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aponta pesquisa

MS registrou 1,7 mil mortes associadas a ondas de calor em 20 anos

Pesquisa aponta que população idosa é a mais suscetível aos efeitos das temperaturas extremas no Estado

17/06/2026 18h16

Em 20 anos, 1,7 mil pessoas morreram de causas associadas a ondas de calor em MS

Em 20 anos, 1,7 mil pessoas morreram de causas associadas a ondas de calor em MS Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Um estudo lançado nesta quarta-feira (17) estima que aproximadamente 1,7 mil mortes ocorridas em Mato Grosso do Sul entre os anos de 2000 e 2018 estiveram associadas às ondas de calor. 

O estudo 'Saúde e ondas de calor no Brasil: evidências sobre mortalidade, morbidade hospitalar e implicações para o SUS' foi elaborado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Conforme o estudo, nos 20 anos analisados, 1.722 pessoas morreram em decorrência de problemas relacionados aos períodos de temperatura extrema no Estado, o que equivale a 0,72% da mortalidade total registrada no período, excluindo os óbitos por causas externas, como acidentes e violências.

  De acordo com a Fiocruz, os resultados revelam de modo consistente a associação entre a exposição ao calor extremo e ondas de calor e o aumento da mortalidade. 

Os efeitos dos períodos de aumentos substancial das temperaturas foram mais evidentes entre idosos, com cerca de 1,3 mil óbitos entre pessoas com 65 anos ou mais em MS. O levantamento identificou, nessa população, elevada sensibilidade para doenças respiratórias, renais e metabólicas, incluindo diabetes.

Segundo os pesquisadores, do ponto de vista fisiopatológico, esses efeitos podem estar associados à redução da capacidade de termorregulação, à maior prevalência de doenças crônicas e ao uso de medicamentos que interferem no balanço hídrico e eletrolítico, favorecendo a desidratação e a disfunção renal.

O estudo sugere que, durante ondas de calor mais severas, internações por doenças cardiovasculares podem evoluir rapidamente para quadros graves, com possibilidade de óbito antes da hospitalização.

Em todo o Brasil, foram aproximadamente 120 mil mortes associadas às ondas de calor.

Em âmbito nacional, a pesquisa também explorou os efeitos do calor extremo sobre as internações hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS).

Na população em geral foi identificado um aumento consistente do risco de internação por doenças respiratórias, especialmente pneumonia, e geniturinárias, como insuficiência renal, em quase todas as regiões, mas sem trazer estatísticas regionalizadas.

O levantamento aponta que o estresse térmico sobrecarrega as funções cardiorrespiratórias, contribuindo para inflamações sistêmicas e agravando doenças respiratórias pré-existentes, além de afetar o trato urinário por meio da desidratação, da hipovolemia (redução do volume total de sangue e líquidos no corpo) e da disfunção renal.

A pesquisadora da Fiocruz Beatriz Oliveira destaca a relevância do estudo pela capacidade de fazer um diagnóstico mais abrangente do país.

“A inovação deste estudo está em integrar, em escala nacional, a caracterização das ondas de calor considerando frequência, intensidade e duração com uma análise detalhada de seus impactos sobre internações hospitalares e mortalidade”, explica a pesquisadora.

“Percebemos que os efeitos são observados em todo o território. Quando a gente olha para os resultados, consegue ter uma dimensão melhor do problema e orientar políticas públicas mais eficazes”, complementa.

O pesquisador da UFBA Ismael Silveira diz que os resultados alertam para a seriedade do problema.

“Uma importante implicação é o reconhecimento das ondas de calor como um risco importante para a saúde pública. Com isso, podemos chamar atenção para planos de contingência específicos, além de fortalecer a capacidade tanto de antecipação quanto de resposta do SUS”, diz.

o diretor de Meio Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e do projeto ProAdapta, Maurício Guerra, alerta para a necessidade de fomentar planos e projetos pra enfrentar os períodos de ondas de calor.

"A pesquisa traz uma mensagem inequívoca: o calor extremo já está custando vidas no Brasil. Os mais de 120 mil óbitos associados às ondas de calor revelam que a adaptação à mudança do clima precisa avançar com urgência, ampliando a construção de cidades verdes e resilientes", afirmou.

Segurança

Presídio de MS reforça segurança com alambrados e telas antidrones

Medidas visam impedir entrada de ilícitos e ampliar controle interno na Penitenciária de Paranaíba

17/06/2026 17h58

Foto: Divulgação

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A Penitenciária de Paranaíba, em Mato Grosso do Sul, concluiu a instalação de alambrados no perímetro externo da unidade e iniciou a implantação de telas de proteção sobre os pavilhões, em mais uma etapa de reforço na segurança do sistema prisional.

As ações são coordenadas pela Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen).

As intervenções têm como principal objetivo criar uma barreira física próxima à muralha da unidade, dificultando o arremesso de materiais ilícitos por pessoas do lado de fora, além de conter o uso de drones para o transporte irregular de objetos para dentro do presídio.

Com os alambrados já instalados em todo o entorno da estrutura e o avanço do telamento nos pavilhões, a unidade passa a contar com um reforço significativo no controle e na vigilância.

A medida busca impedir a entrada de drogas, celulares e outros itens proibidos que comprometem a segurança, a disciplina e o funcionamento interno do estabelecimento penal.

Novos alambrados instalados na Penitenciária de Paranaíba.

De acordo com André França, diretor do presídio, a iniciativa faz parte de um conjunto de estratégias voltadas ao fortalecimento da segurança institucional e ao apoio ao trabalho dos policiais penais.

“Essa é uma iniciativa que fortalece o controle interno da unidade e proporciona mais segurança tanto para os servidores quanto para a população carcerária, dificultando práticas ilícitas que possam comprometer a rotina operacional do estabelecimento penal”, destacou o diretor André França.

O uso de drones para envio de materiais proibidos tem se tornado um desafio crescente nos sistemas penitenciários de todo o país.

Diante desse cenário, a adoção de barreiras físicas, aliada a ações de inteligência, vigilância e monitoramento, surge como uma ferramenta essencial para prevenir tentativas de acesso irregular às unidades.

A Agepen afirma que segue investindo em melhorias estruturais e operacionais nas unidades penais de Mato Grosso do Sul, com foco na ampliação da segurança, valorização dos profissionais do sistema penitenciário e manutenção da ordem e disciplina nas unidades prisionais do estado.

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