Cidades

Campo Grande

ONG ligada a ex-vereador põe milhares de empregos na construção civil em risco

Sindicatos do setor, dos patronais aos de trabalhadores, condenam "ação inconsequente" contra empreendimentos

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Entidades ligadas ao setor da construção civil em Campo Grande e Mato Grosso do Sul condenaram a tentativa da organização não governamental (ONG) Auditar Brasil de paralisar 65 projetos ou obras da cidade na Justiça. Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Campo Grande (Sintracom), José Abelha Neto, a ação civil pública é inconsequente e põe em risco milhares de empregos do setor na cidade. 

Já o presidente da Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção de Mato Grosso do Sul (Acomac), Diego Canzi Dalastra, é categórico: “Não traz benefício nenhum, só traz tumulto e insegurança jurídica”. 

A ação civil pública cujo titular é a ONG quase desconhecida Auditar Brasil é assinada pelo ex-vereador Marcelo Bluma (PV). Ele alega que a Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb) não realizou audiências públicas para debater os Estudos de Impacto de Vizinhança (EIVs) de 65 projetos, a maioria de residenciais, e por isso pede na Justiça que todos eles sejam paralisados. 

Ao todo, os 65 projetos somam mais de 15 mil unidades habitacionais que estão sendo ou que seriam levantadas na cidade, as quais abrangem desde imóveis do Programa Minha Casa, Minha Vida, da MRV, até imóveis de alto padrão da incorporadora Plaenge. 

O presidente do Sindicato da Habitação de Mato Grosso do Sul (Secovi-MS), Geraldo Paiva, também disse que recebeu negativamente a tentativa da ONG ligada a Bluma de barrar dezenas de projetos residenciais em Campo Grande. 

“A atividade da construção civil é a segunda que mais emprega em Mato Grosso do Sul. A ação impacta não só empreendimentos de alto padrão, mas também obras do Minha Casa, Minha Vida, projetos de caráter social para atender a população mais carente”, afirma. 

Assim como o presidente da Acomac, Paiva ressalta a insegurança jurídica caso o Judiciário aceite o pedido feito por Bluma. “A insegurança jurídica vai repercutir inclusive nos agentes financeiros que se propuseram a financiar os empreendimentos com licenças suspensas”, disse. 

Conforme José Abelha, presidente do Sintracom, aproximadamente 40 mil pessoas trabalham no setor no Estado. “Quantos pais de família vão ficar sem o seu trabalho? É uma forma inconsequente de agir. Tudo isso só para fazer uma audiência pública de uma obra que já está terminando ou em andamento. Não é o melhor caminho”, afirmou.

OBRAS JÁ COMEÇARAM

Entre as obras que poderão ser suspensas ou embargadas estão edifícios já concluídos da construtora Northern Capital, cujo nome fantasia é Jooy, no Bairro Mata do Jacinto. Nesse residencial, denominado Jooy Style, todos os apartamentos foram vendidos.

Em outro residencial da mesma construtora, o Jooy Wonder, no Bairro Vila Planalto, as obras estão 68% concluídas e quase todas as unidades habitacionais foram comercializadas. 

Ao lado delas, outro residencial, que integra o Projeto Reviva Campo Grande, cujo objetivo é revitalizar o centro da cidade, também poderá ter as suas obras embargadas. As 792 unidades do Reviva, levantadas pela Cesari Construtora, já estão sendo comercializadas e o canteiro de obras já foi todo mobilizado.

“PEDIDO INCONSEQUENTE”

A MRV, construtora que teve franca ascensão com o Programa Minha Casa, Minha Vida, é outra que poderá ser prejudicada com a ação ajuizada pela ONG representada pelo ex-vereador. Ao todo, 14 projetos, alguns deles em comercialização e com obras em andamento, são alvos do pedido de suspensão das Guias de Diretrizes Urbanísticas (GDUs). Só da MRV, mais de 4 mil unidades estão comprometidas.

As construtoras Plaenge e Vanguard, que integram o mesmo grupo e que foram pivô da reação de Bluma e de vizinhos do Bairro Chácara Cachoeira, também poderão perder mais de R$ 100 milhões em investimentos na aquisição de terrenos, na mobilização de canteiros de obras e nos projetos de prédios que não foram lançados. São quase 500 unidades habitacionais da Plaenge e mais de 700 da Vanguard na mira da ação de Bluma.

As construtoras Jooy, Plaenge, Vanguard e MRV já pediram para integrar a ação civil pública, por serem potencialmente prejudicadas pelo pedido da ONG Auditar Brasil. Nas petições, elas classificam o pedido como “inconsequente”, uma vez que poderá gerar grande prejuízo não somente às empresas, mas a toda a cadeia da construção civil.

A Procuradoria-Geral do Município entende que o pleito de Bluma é equivocado, pois a realização de audiência pública não deve ocorrer necessariamente durante a expedição do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), e sim em outras fases da obra, como no licenciamento ambiental, por exemplo.

O Plano Diretor e o Estatuto das Cidades são genéricos ao requererem a participação popular nos projetos de expansão urbana. O primeiro exige que a população seja consultada, sem especificar a fase, enquanto o segundo apenas menciona a participação popular como um de seus princípios básicos.

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS), em seu parecer, reconhece a necessidade de consulta à população, e não necessariamente a realização de audiências públicas em cada um dos projetos. A instituição, porém, não vê problema em suspender algumas das GDUs, ainda que temporariamente, até a realização da consulta. 

A ação civil pública tramita na 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, cujo titular é o juiz Marcelo Ivo de Oliveira.

SAIBA

O pedido feito na Justiça pela ONG Auditar Brasil, ligada ao ex-vereador Marcelo Bluma (PV), pode paralisar a incorporação de mais de 15 mil unidades habitacionais em Campo Grande. 

FRIO

MS registra temperatura de um dígito pela primeira vez no ano

Ponta Porã bateu os 8,8°C na manhã deste sábado (9)

09/05/2026 09h35

Casaco, luva, touca, cachecol e calça fazem parte do look do campo-grandense neste frio

Casaco, luva, touca, cachecol e calça fazem parte do look do campo-grandense neste frio MARCELO VICTOR

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O frio chegou com tudo, pela primeira vez no ano, em Mato Grosso do Sul.

Em pleno outono, a 43 dias do inverno, o Estado registrou a primeira temperatura de apenas um dígito do ano.

A chuva desta sexta-feira (8) abriu espaço para a chegada da primeira onda de frio de 2026.

O sábado (9) amanheceu gelado em todas as regiões do Estado, com termômetros que variam entre 8,8°C e 19,1°C. Ponta Porã foi quem estreou a temperatura de um dígito: o município bateu os 8,8°C nas primeiras horas de hoje (9).

Confira as temperaturas registradas na manhã deste sábado (9):

MUNICÍPIO

TEMPERATURA (°C)

Campo Grande

15,2°C

Corumbá

17,1°C

Dourados

10,2°C

Ponta Porã

8,8°C

Bonito

13,3°C

Três Lagoas

21,9°C

Sonora

19,4°C

Sete Quedas

11,5°C

Paranaíba

17,7°C

Coxim

19,3°C

Chapadão do Sul

19,1°C

Fonte: Inmet

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alertas amarelos de Declínio de Temperatura e Chuvas Intensas em MS.

  • Declínio de Temperatura – alerta amarelo – perigo potencial: declínio de temperatura entre 3ºC e 5ºC em 24 horas, com leve risco à saúde
  • Chuvas Intensas – alerta amarelo – perigo potencial: chuva de 20-30 mm/h ou até 50 mm/dia e ventos intensos de 40-60 km/h

De acordo com o Inmet, massa de ar polar atingiu o Estado na sexta-feira (8) e deve permanecer até segunda-feira (11).

A previsão é que a temperatura caia ainda mais nas próximas horas. De acordo com o meteorologista Natálio Abrahão, o domingo (10) e segunda-feira (11) devem ser extremamente frios em Mato Grosso do Sul.

Na terça-feira (12), o tempo começa a esquentar. Na quarta-feira (13), o calor volta com tudo e os dias seguintes serão quentes e de sol.

ONDA DE FRIO

Onda de frio é um evento climático caracterizado por uma queda significativa na temperatura do ar, que permanece abaixo de um determinado limiar por vários dias consecutivos.

Também é caracterizada pelo arrefecimento do ar, com rápida queda de temperatura em um período de 24 horas. Esse fenômeno pode causar geada, e em alguns locais, até neve.

Normalmente, está associada à irrupção de ar muito frio causada pelo deslocamento de uma massa de ar polar ou de alta latitude para latitudes mais baixas.

RECOMENDAÇÕES

De acordo com o Inmet, o ser humano deve tomar cuidados indispensáveis durante o frio. Confira:

  • Se agasalhe
  • Beba água
  • Evite tomar banhos muito quentes
  • Continue usando protetor solar
  • Evite ambientes pouco ventilados
  • Hidrate a pele
  • Cuide da alimentação
  • Não se exponha ao tempo

 

Lotesul

Após 14 meses, licitação da jogatina é concluída e dá vitória a empresa local

A Dodmax Tecnologia, de Campo Grande, ofereceu 31% da arrecadação ao Estado e deve garantir faturamento bilionário

09/05/2026 09h00

Sede da Dodmax está localizada no Bairro Carandá Bosque, região nobre de Campo Grande

Sede da Dodmax está localizada no Bairro Carandá Bosque, região nobre de Campo Grande Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A disputa pela Loteria Estadual de Mato Grosso do Sul (Lotesul) chegou ao fim depois de 14 meses, com vitória da única concorrente local, que “derrotou” três empresas experientes no mercado e deve garantir faturamento bilionário durante os 30 anos em que estará à frente da jogatina no Estado.

Na edição desta sexta-feira do Diário Oficial do Estado (DOE) consta que a empresa Dodmax Tecnologia S.A. foi aprovada na prova de conceito da licitação, mesma fase em que as outras três empresas que participaram anteriormente foram desclassificadas. 

Porém, desta vez, o Executivo estadual deu uma segunda chance para a Dodmax sanar um erro na prova de conceito, o que teria beneficiado a empresa local.

A empresa não conseguiu cumprir as exigências na primeira vez, mas os responsáveis pelos testes atenderam a um pedido dos representantes da Dodmax e concederam uma nova chance para a empresa sanar um erro que apareceu durante a apresentação feita no dia 27 de abril.

Diante disso, uma nova prova de conceito foi agendada para terça-feira. De acordo com os organizadores do certame, o edital prevê a concessão de dois dias úteis neste tipo de situação.

Mas, como um dos integrantes da equipe de leilão estava sem agenda para segunda-feira, foi concedido prazo maior, resultando na vitória da empresa local.

Na licitação disputada com grupos de outros estados, a Dodmax Tecnologia entrou pretendendo ficar com 69% da arrecadação para operar a Lotesul.

Em outras palavras, isso significa que o Estado deve receber R$ 31 milhões a cada R$ 100 milhões arrecadados, ou seja, a empresa deve ficar com R$ 69 milhões.

Conforme apurou a reportagem, a Dodmax Tecnologia S.A. é de Campo Grande e foi fundada em junho de 2024, sendo administrada pelo pecuarista Mauro Luiz Barbosa Dodero, que ocupa o cargo de tesoureiro na Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul).

Inclusive, no mês passado, quase uma semana depois de a empresa ter sido chamada para realizar a prova de conceito, o pecuarista foi homenageado pela Câmara Municipal de Campo Grande por “contribuições do agronegócio para a economia”, sendo um dos escolhidos pelo vereador Leinha (Avante).

Antes de convocar a empresa do pecuarista, a administração estadual desclassificou a LottoPro Jogos de Apostas e Gestão de Lotéricas Ltda. (atuante no Paraná, Maranhão, Paraíba, Tocantins, Rio de Janeiro e Mato Grosso), que havia oferecido ao Estado 43,36% da arrecadação.

Outras desclassificadas foram a Prohards Comércio, Desenvolvimento e Serviços em Tecnologia da Informação, controlada pela família Baungartner, tradicional no mercado de jogos em vários estados, com proposta de 36,11%, e a Idea Maker Meios de Pagamento e Consultoria, que tem sede em São Paulo e tinha oferecido 35,33%.

Vale destacar que a licitação está suspensa desde o dia 7 de abril, quando foi paralisada justamente para a realização da prova de conceito.

De acordo com a publicação no Diário Oficial do Estado, os licitantes serão convocados na quarta-feira, às 8h30min, para o prosseguimento do certame e, muito provavelmente, a confirmação do fim da disputa.

LOTESUL

A empresa campo-grandense poderá ter um faturamento anual bilionário, segundo estimativa feita pelo governo do Estado.

Apesar de no edital de licitação constar que a “estimativa da receita média anual de remuneração da plataforma é de R$ 51.474.339,31”, no termo de referência feito pela Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), organizadora do certame, o valor que a ferramenta pode alcançar é muito maior, chegando a 0,85% do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso do Sul.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB de Mato Grosso do Sul em 2022 foi de R$ 166,8 bilhões. Sendo assim, a fatia de 0,85% significaria uma receita de R$ 1,417 bilhão.

Na última divulgação feita pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), o PIB foi de R$ 184,4 bilhões. A estimativa para 2025 era de mais de R$ 227,8 bilhões, o que representaria mais de R$ 2 bilhões ao ano.

Caso a receita da vencedora chegue a esse valor, o governo do Estado, que terá direito a, no mínimo, 31% da receita bruta, pode receber anualmente cerca de R$ 600 milhões com a exploração dos jogos.

INTERESSADOS

Recentemente, a Operação Successione revelou que as famílias Name e Razuk estavam interessadas na licitação, já que ambas entraram com pedidos de impugnação. Inclusive, o pedido feito por Jamil Name Filho, o Jamilzinho, foi realizado de dentro do Presídio Federal em Mossoró (RN).

Os pedidos afirmavam que o texto do certame estava direcionado para favorecer uma concorrente, apesar de não dizer diretamente. A referida seria a paranaense PayBrokers, que gere a Loteria do Estado do Paraná (Lottopar). No entanto, ambos foram rejeitados pela Sefaz.

Porém, o certame acabou paralisado em março do ano passado, por determinação do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), que viu favorecimento no edital.

Apenas após mudanças no texto do edital a licitação foi posta novamente sobre a mesa.

* SAIBA 

A prova de conceito em uma licitação é uma etapa técnica em que o licitante demonstra na prática que seu produto ou serviço atende aos requisitos funcionais do edital.

A prova valida a viabilidade técnica e a qualidade da solução antes da contratação final, sendo comum em tecnologia da informação (TI).

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