O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagrou uma operação, nesta quarta-feira (2), contra um homem investigado por perseguir e ameaçar a ex-companheira pela internet, em Campo Grande. Segundo a investigação, ele teria criado perfis falsos em redes sociais para continuar atacando a vítima após o fim do relacionamento.
Batizada de Operação Espelho de Narciso, a ação é conduzida pela Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos (UICC) e pela 72ª Promotoria de Justiça de Campo Grande. Os mandados judiciais cumpridos durante a operação foram expedidos pela 3ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.
De acordo com o MPMS, a perseguição não teria se limitado ao envio de mensagens. O investigado também é apontado como responsável pela divulgação, sem autorização, de imagens íntimas da ex-companheira e pela publicação de conteúdo ofensivos, que teriam sido utilizados para constrangê-la e expô-la perante outras pessoas.
Mesmo depois de a vítima obter medidas protetivas na Justiça, as mensagens não teriam cessado. A investigação identificou novos conteúdos de teor ameaçador enviados por contas falsas que, conforme apurado, seriam administradas pelo ex-companheiro.
Para o Ministério Público, os elementos reunidos até o momento indicam uma sequência de episódios de violência psicológica praticados no ambiente digital, com reflexos sobre a honra, a dignidade e a integrante emocional da vítima.
As medidas cautelares determinadas pela Justiça buscam impedir a continuidade das condutas investigadas, além de preservar provas consideradas importantes para o andamento da investigação e eventual responsabilização criminal.
Ao divulgar a operação, o MPMS chamou atenção para crimes praticados por meio de redes sociais e outras plataformas digitais. A instituição reforçou que divulgar, compartilhar ou expor imagens íntimas de uma pessoa sem o seu consentimento é crime e pode resultar em responsabilização do autor.
O órgão também orienta mulheres que estejam sendo vítimas de perseguição, ameaças, exposição de conteúdo íntimo ou outras formas de violência a procurarem os órgãos de segurança pública e a rede de proteção, para que os fatos sejam denunciados e as medidas legais cabíveis possam ser adotadas.
O nome escolhido para a operação faz referência, segundo o MPMS, ao comportamento atribuído ao investigado após o término do relacionamento. A expressão “Espelho de Narciso” simboliza a projeção da frustração sobre a ex-companheira por meio de atos de vingança, perseguição e humilhação.


