Cidades

Violência Indígena

Relatório aponta sequestro de indígenas e cães enterrados vivos em MS

Documento do Cimi relata ataque contra comunidade Guarani-Kaiowá em Caarapó, com disparos, indígenas levados para sede de fazenda e destruição de pertences.

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Indígenas teriam sido sequestrados, levados para a sede de uma fazenda e integrantes de uma comunidade Guarani-Kaiowá teriam sido recebidos a tiros ao tentar buscá-los durante um ataque registrado em Caarapó, Mato Grosso do Sul. O episódio, ocorrido em setembro de 2025, é relatado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, Dados de 2025.

O documento descreve uma sequência de conflitos envolvendo a Terra Indígena Guyraroka e afirma que, em um dos episódios, dois cães foram enterrados vivos em um ato de intimidação. O relato é atribuído pelo Cimi à apuração de uma comissão de direitos humanos que esteve no local. 

O ataque ocorreu em 25 de setembro de 2025, na retomada da Fazenda Ipuitã, área que, conforme o relatório, está sobreposta à TI Guyraroka.

A comunidade havia retomado a propriedade dias antes, em meio a uma disputa territorial e a denúncias relacionadas à pulverização de agrotóxicos nas proximidades das moradias indígenas. 

Indígenas teriam sido levados para sede de fazenda

Segundo o relato apresentado pelo Cimi, o episódio do dia 25 teria envolvido jagunços e forças policiais. O documento afirma que indígenas foram sequestrados e levados para a sede da propriedade rural.

Ao tomarem conhecimento da situação, outros integrantes da comunidade Guarani e Kaiowá foram até o local para tentar recuperá-los. Conforme o relatório, eles foram recebidos a tiros por pistoleiros, que posteriormente deixaram a área. 

O documento não informa quantos indígenas teriam sido sequestrados, por quanto tempo permaneceram retidos nem identifica os supostos autores. Também não detalha eventual responsabilização criminal relacionada especificamente ao episódio.

Além dos disparos, o Cimi afirma que uma comissão de direitos humanos esteve no local e apurou outras formas de violência.

De acordo com esse relato, pertences dos indígenas teriam sido destruídos e dois cães foram enterrados vivos, em uma ação descrita como forma de intimidação.

O relatório classifica o episódio entre os ataques contra comunidades, aldeias e retomadas e afirma que situações dessa natureza representam graves violações de direitos humanos. 

Conflito havia começado dias antes

O episódio não aparece isoladamente no documento. O relatório descreve uma sucessão de confrontos em Guyraroka após a retomada realizada pela comunidade em setembro.

Três dias antes do ataque relatado, em 22 de setembro, a Tropa de Choque da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul atuou na retomada da Fazenda Ipuitã.

Na versão apresentada pelo Cimi, a ação resultou em um despejo realizado sem ordem judicial e sem a presença da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). 

Ainda conforme o documento, pelo menos dois indígenas foram atingidos por disparos de balas de borracha e outros sofreram agressões.

O Cimi registra também que indígenas recolheram cápsulas de bombas de gás que estariam vencidas. Essas informações são apresentadas pelo relatório com base em relatos de lideranças, do Cimi Regional Mato Grosso do Sul e da assessoria de comunicação da entidade. 

A retomada havia ocorrido no dia anterior. Conforme a versão registrada no relatório, uma das motivações da comunidade era impedir a pulverização de agrotóxicos nas proximidades das moradias e pressionar pela conclusão do procedimento de demarcação do território. 

Violência continuou após setembro

O relatório aponta que os conflitos não terminaram naquele mês. Em 17 de outubro, a comunidade voltou a entrar em confronto com a Tropa de Choque durante um protesto contra o avanço de tratores e a pulverização de agrotóxicos em uma área próxima à aldeia.

De acordo com o Cimi, os indígenas mantinham uma estrada vicinal bloqueada desde o dia anterior. O protesto teria começado após a comunidade perceber movimentação para o plantio em uma área próxima à ocupação.

O documento relata a utilização de drones, escudos, bombas de gás e disparos de balas de borracha durante a ação policial. 

O próprio relatório apresenta Guyraroka como um dos casos emblemáticos de sobreposição de diferentes formas de violência registradas em 2025.

Segundo o Cimi, a maior parte da Terra Indígena permanece ocupada por fazendeiros enquanto o processo demarcatório aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).

O documento também menciona recorrentes episódios de intoxicação relacionados à pulverização de agrotóxicos nas proximidades das moradias Guarani e Kaiowá. 

MS teve 18 tentativas de assassinato de indígenas

Os episódios de Guyraroka estão inseridos em um cenário mais amplo retratado pelo relatório. Em 2025, o Cimi contabilizou 38 casos de tentativa de assassinato de indígenas no Brasil, e 18 ocorreram em Mato Grosso do Sul.

Com isso, o Estado respondeu por aproximadamente 47% das ocorrências registradas no País nessa categoria.

O relatório afirma que ataques contra comunidades e retomadas em diferentes territórios Guarani e Kaiowá resultaram em diversas tentativas de assassinato contra lideranças. 

Mato Grosso do Sul também aparece entre os estados com maior número de invasões, exploração ilegal de recursos naturais e danos ao patrimônio indígena. Foram 18 ocorrências envolvendo 13 terras indígenas no Estado durante 2025. 

No indicador mais grave, o de assassinatos consumados, 37 indígenas foram mortos em Mato Grosso do Sul em 2025, conforme os dados reunidos pelo relatório. O Estado teve o terceiro maior número do Brasil, atrás de Roraima, com 82, e Amazonas, com 47. 

Entre as mortes citadas pelo documento está a de Vicente Fernandes, indígena Guarani-Kaiowá, morto com um tiro na cabeça durante um ataque contra uma retomada no tekoha Pyelito Kue, na Terra Indígena Iguatemipegua I, em 16 novembro de 2025. 

Os episódios descritos nesta reportagem têm como base o relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, Dados de 2025, elaborado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), e refletem as informações, relatos e denúncias reunidos pela entidade.

O documento cita, entre as fontes utilizadas para os acontecimentos em Mato Grosso do Sul, lideranças indígenas, o Cimi Regional MS, a assessoria de comunicação da organização e, em determinados episódios, apurações de entidades que estiveram nos locais.

As circunstâncias narradas correspondem, portanto, à versão apresentada pelo Cimi no relatório

novidade

Paraguai começa a entregar compras no Brasil e facilita acesso a produtos importados

País que faz fronteira com o Brasil é um famoso reduto de compras de brasileiros devido aos preços competitivos, mas até então, compras só podiam ser feitas presencialmente

18/08/2026 18h00

Brasileiros poderão comprar no Paraguai pela internet e receber no Brasil

Brasileiros poderão comprar no Paraguai pela internet e receber no Brasil Foto: Marcos Labanca

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Os brasileiros que têm o Paraguai como um destino para compras internacionais agora terão mais uma facilidade, a possibilidade de compra on-line com entrega no Brasil, através de uma parceria com os Correios. Até então, o comércio no país vizinho de Mato Grosso do Sul, famoso pelos preços competitivos e atrativos de diversos produtos, era possível apenas de forma presencial.

A nova operação, com entrega via Correios, será feita inicialmente pela New Zone Importados, que tem lojas em Ciudad del Este.

De acordo com o anúncio da empresa, os brasileiros poderão acessar a plataforma online, escolher entre os produtos disponíveis, realizar a compra e receber o produto em um endereço do Brasil. As operações seguirão as normas da Receita Federal para compras internacionais, respeitando a legislação tributária vigente.

No site, os preços já estarão em dólar e real e o próprio sistema fará o cálculo do imposto. As compras até US$ 50 são isentas de importação.

Inicialmente, a operação começa com perfumes e fragrâncias, cosméticos e maquiagens, que são as categorias de maior destaque na loja, além de artigos de cama, mesa e banho, mas a proposta é ampliar gradualmente o número de categorias e itens disponíveis para entrega em território brasileiro.

O tempo estimado de entrega será no máximo em 21 dias, com cota de US$ 3 mil para cada consumidor.

"Durante muito tempo, nossos clientes brasileiros precisaram atravessar a fronteira para viver a experiência de compras. Agora queremos estar mais perto deles e levar nossos produtos diretamente para suas casas. Dar esse passo representa uma conquista histórica para a New Zone e também para Ciudad del Este, porque estamos avançando para uma nova forma de conectar nossa cidade ao consumidor brasileiro", afirma Franciele de Souza, gerente de Marketing da New Zone.

Entrega no Brasil ainda patina

Paraguai é um famoso destino para compras internacionais dos brasileiros devido à facilidade de ir até o país, que faz fronteira terrestre com o Brasil por várias cidades, e os preços mais baixos em produtos diversos, especialmente eletrônicos.

O chamada paraíso das compras dos brasileiros, onde há concentração de várias lojas, está localizado nas regiões de fronteira, sendo em Pedro Juan Caballero (PY) com Ponta Porã (MS), Ciudad del Este (PY) com Foz do Iguaçu (PR), e Salto del Guairá (PY) com Guaíra (PR) e Mundo Novo (MS).

É comum que pessoas de todo o País façam o turismo de compras presenciais no país vizinho.

No entanto,embora várias lojas paraguaias ofereçam serviços de e-commerce, não havia, até então, entrega direta para o Brasil.

Um dos fatores que torna o comércio eletrônico internacional não atrativo são as burocracias e taxações, que ocorrem neste tipo de transação.

Estrangeiros que compram presencialmente no Paraguai têm isenção do Imposto de Valor Agregado (IVA). Por ser possível ir ao país de carro ou ônibus, esta modalidade de compra presencial é bastante adotada. 

O limite de compras mensal no Paraguai para trazer ao Brasil, sem pagamento de impostos, é de 500 dólares americanos por via terrestre e 1 mil dólares americanos por via aérea ou marítima. Isso inclui todos os itens adquiridos e deve ser respeitado para evitar a cobrança de impostos adicionais na alfândega brasileira. 

No caso das compras online, a isenção é para valores bem mais baixos, de 50 dólares, com as demais passíveis de taxação, que, aliada as demais cobranças de importação aplicadas pela Receita Federal quando os produtos entram no País, acabam por aumentar o preço, fazendo com que não seja vantajosa a compra e venda.

No site da Receita Federal é disponibilizada uma calculadora de impostos, onde é possível fazer cálculos com a estimativa dos impostos para mercadorias comuns.

Compra presencial

Para as compras presenciais, como já citado, o limite para isenção é de 500 dólares por via terrestre e 1 mil dólares americanos por via aérea ou marítima. 

Esses valores são válidos por um período de 30 dias. Se um viajante retornar ao Brasil antes desse prazo e realizar novas compras, essas não estarão cobertas pela isenção da cota. 

Além do valor, também existem limites quantitativos para determinados produtos, como bebidas alcoólicas, cigarros, perfumes e eletrônicos. Por exemplo:

  • Bebidas alcoólicas: até 12 litros
  • Cigarros: até 10 maços (ou 200 unidades)
  • Perfumes: até 10 unidades
  • Eletrônicos: geralmente limitados a um por categoria (por exemplo, um celular, um notebook, etc.)

Esses limites estão sujeitos a alterações, por isso é sempre bom verificar as regras atuais da Receita Federal antes de viajar.

Se as compras excederem esses limites, o viajante deve declarar os bens e pagar um imposto de 50% sobre o valor que ultrapassar a cota.

Saúde Indígena

MS tem o maior número de mortes de indígenas por falta de assistência à saúde do País

Estado registrou 14 das 62 mortes contabilizadas no País em 2025, ficando à frente de Pará e Mato Grosso, segundo relatório do Cimi.

18/08/2026 17h42

Indígenas recebem atendimento de saúde na Aldeia Te'ýikue, em Caarapó; MS teve o maior número de mortes por desassistência à saúde indígena em 2025.

Indígenas recebem atendimento de saúde na Aldeia Te'ýikue, em Caarapó; MS teve o maior número de mortes por desassistência à saúde indígena em 2025. Foto: Divulgação.

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Mato Grosso do Sul registrou, em 2025, o maior número de mortes de indígenas por falta de assistência à saúde do Brasil, conforme dados reunidos pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Foram 14 óbitos no Estado, o equivalente a quase um quarto das 62 mortes contabilizadas em todo o País nessa categoria. 

O número coloca Mato Grosso do Sul à frente de todas as demais unidades da Federação. Depois de MS aparecem Pará, com 11 mortes, e Mato Grosso, com nove. Amazonas, Acre e Paraná tiveram seis registros cada. 

Os dados integram o relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, Dados de 2025, elaborado pelo Cimi.

As informações sobre as mortes por desassistência foram obtidas junto ao Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), secretarias estaduais de Saúde e Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), por meio da Lei de Acesso à Informação e de consultas a bases públicas.

MS responde por quase uma em cada quatro mortes

As 14 ocorrências registradas em Mato Grosso do Sul representam 22,6% das 62 mortes por falta de assistência à saúde identificadas no Brasil. Em outras palavras, aproximadamente uma em cada quatro mortes dessa natureza ocorreu no Estado.

A distribuição entre homens e mulheres em MS foi exatamente igual: sete vítimas eram do sexo feminino e sete do masculino. 

O relatório classifica esses casos dentro do capítulo de “Violência por Omissão do Poder Público” e utiliza a denominação “morte por desassistência à saúde”.

Portanto, o indicador não representa o total de indígenas que morreram por doenças ou outras causas em Mato Grosso do Sul, mas especificamente os óbitos enquadrados pelo levantamento nessa categoria. 

Idosos são maioria das vítimas no País

Embora o documento apresente o total de mortes por estado, o recorte de idade divulgado nesse trecho é nacional e, portanto, não permite afirmar a faixa etária das 14 vítimas especificamente de Mato Grosso do Sul.

No Brasil, indígenas com 60 anos ou mais representaram quase metade das mortes atribuídas à falta de assistência à saúde. Foram 30 óbitos nessa faixa etária, correspondentes a 48,4% do total.

Outras 17 vítimas tinham entre 20 e 59 anos, o equivalente a 27,4%. Entre crianças indígenas de até quatro anos, foram 14 mortes, ou 22,6% dos registros. Houve ainda uma morte na faixa entre cinco e 19 anos. 

Dessa forma, os extremos de idade chamam atenção no levantamento nacional: 44 das 62 vítimas eram crianças de até quatro anos ou idosos com pelo menos 60 anos, correspondendo a cerca de 71% dos registros.

Estado também aparece em outros indicadores

A liderança em mortes por desassistência à saúde não é o único indicador do relatório que coloca Mato Grosso do Sul entre os estados com números elevados relacionados à violência contra indígenas.

Em 2025, 37 indígenas foram assassinados em MS, terceiro maior número do Brasil, atrás de Roraima, com 82, e Amazonas, com 47. Das vítimas contabilizadas em Mato Grosso do Sul, 33 eram homens e quatro mulheres. 

O Estado também concentrou 18 dos 38 casos de tentativa de assassinato de indígenas registrados no País, conforme o Cimi.

Isso representa aproximadamente 47% das ocorrências nacionais dessa categoria. O relatório associa parte dos episódios registrados em MS a ataques contra comunidades e retomadas Guarani e Kaiowá. 

Outro indicador é o de invasões possessórias, exploração ilegal de recursos naturais e danos ao patrimônio. Mato Grosso do Sul contabilizou 18 ocorrências envolvendo 13 terras indígenas em 2025. 

Conflitos em territórios de MS aparecem no relatório

Entre os episódios de Mato Grosso do Sul destacados pelo documento está a situação da Terra Indígena Guyraroka, em Caarapó. O Cimi afirma que a maior parte da área permanece ocupada por fazendeiros enquanto o processo demarcatório aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).

O relatório também relata ocorrências de intoxicação associadas à pulverização de agrotóxicos nas proximidades das moradias Guarani e Kaiowá.

Após uma retomada realizada em setembro de 2025, os meses seguintes teriam sido marcados por episódios violentos envolvendo a comunidade. 

Em outro trecho, o documento registra denúncias feitas pela comunidade de Guyraroka sobre dificuldades de acesso a serviços públicos e demora na resposta estatal diante de ameaças e conflitos territoriais. As afirmações são atribuídas às lideranças indígenas ouvidas pelo Cimi. 

Os números referentes à saúde colocam, porém, Mato Grosso do Sul isoladamente na primeira posição do levantamento: 14 das 62 mortes de indígenas classificadas como decorrentes de falta de assistência à saúde em 2025 ocorreram no Estado, mais que em qualquer outra unidade da Federação.

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