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QUEIMADAS

Queimadas: equipes enfrentam calor e áreas de difícil acesso no Pantanal

Bombeiros e brigadistas lutam contra o fogo e encontram cenário desolador no Estado
12/10/2020 10:25 - Naiane Mesquita


“É meio desolador, queimou boa parte do nosso Pantanal”, afirma Jonatas Lira Costa e Silva de Lucena, 2º tenente do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul. Atuando há dois anos em Corumbá, cidade localizada a 428km de Campo Grande, ele enfrentou diversos incêndios desde o início do ano no Pantanal sul-mato-grossense e viu a situação piorar nos últimos meses com a seca prolongada. “As ocorrências de incêndio começaram em janeiro, depois tiveram três meses de chuva e o restante do ano foi uma ocorrência atrás da outra. Eu estava até sexta-feira passada na região do Amolar. Fiquei dez dias por lá”, explica.

A região que compreende a Serra do Amolar é uma das mais importantes em termos de conservação do Pantanal, um verdadeiro corredor da biodiversidade, essencial para a manutenção de diversas espécies. O local tem montanhas, áreas alagáveis e, por isso, muitas vezes pode ser de difícil acesso para as equipes que tentam conter o fogo. “A dificuldade maior desse período em campo é o clima e o relevo da vegetação da região. Como está muito quente por aqui, quando a gente estava lá [em campo] fazia 42ºC e 43ºC quase diariamente. Ainda tinham os longos deslocamentos, cerca de 10 km, aproximadamente, para acessar os pontos do incêndio. Era muito desgastante o trabalho durante os dias e, pelas longas distâncias, tínhamos bastante dificuldade também com acesso a água, hidratação e outras pendências logísticas”, pontua.

Segundo o bombeiro, a água era muitas vezes consumida durante o trajeto. “Quando as operações eram durante o dia, só o deslocamento que a gente fazia já consumia toda a água que a gente levava. De tempos em tempos, uma equipe acabava levando refeições e água para a gente. Nessa missão, o principal foi isso; a desidratação e a ausência de oferta de água constante foi o fator mais desgastante”, acredita.

Nesse caminho, apesar dos esforços dos bombeiros, nem sempre foi possível controlar o fogo. “Nós fizemos um trabalho certinho para impedir que o fogo avançasse a serra e surgiu o fogo em outra região, que acabou pegando onde a gente tinha impedido”, frisa. De todas as perdas, para o tenente Lucena a principal foi a flora. “É o mais impactante para a gente, ver as grandes áreas queimadas. Como eu estou aqui o ano inteiro trabalhando nessa missão, a gente vê o tanto que queimou”, conta.

 

 
 

Devastação

De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o município de Corumbá é o recordista em focos de incêndio nos últimos meses, superando Poconé, em Mato Grosso, que aparece em segundo lugar no ranking. 

As regiões da Serra do Amolar, Passo do Lontra e Porto Esperança, distritos de Corumbá, são as mais atingidas pelos focos. A situação grave dos incêndios atinge não só a flora e a fauna, mas também os moradores que dependem da região para sobreviver. No fim do mês de setembro, por exemplo, equipes militares do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul e do Paraná chegaram a resgatar sete ribeirinhos que residiam na região do Pantanal, ao norte de Corumbá, em razão do avanço das chamas. Com o nível do Rio Paraguai baixo, a subsistência também é afetada.

Estima-se, segundo o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa-UFRJ), que 26% do Pantanal foi consumido pelo fogo até a última medição, no dia 3 de outubro. O porcentual equivale a 3,977 milhões de hectares, sendo 1,817 milhão de hectares de área queimada no Pantanal de Mato Grosso do Sul e 2,160 milhões de hectares atingidos pelas chamas no Pantanal de Mato Grosso.

Para conter o fogo, são cerca de 30 bombeiros de Mato Grosso do Sul, 39 do Paraná e 21 de Santa Catarina. “Também estamos recebendo mais um efetivo da força nacional e contamos com o apoio do efetivo da Marinha, Exército e dos brigadistas do Prevfogo”, explica o tenente Lucena.

 Em Corumbá, são 30 brigadistas do Prevfogo, que também estão atuando na região da Serra do Amolar, Estrada Parque, Passo do Lontra, entre outros locais. “Também estamos na região onde há uma base avançada, na Fazenda Bodoquena, ao sul da BR-262, e que vai até a região de Porto Esperança, onde estamos concentrando esforços para controlar os incêndios. E também ao longo de toda a BR-262, entre Corumbá e Miranda, justamente pare evitar que as fumaça e as próprias chamas atinjam a rodovia e o tráfico de veículos”, explica Alexandre Matos Martins, analista ambiental do Prevfogo/Ibama-MS.

 
 

Comunidades

A agente comunitária de saúde Maria de Lourdes de Arruda, 51 anos, não desiste de conter o fogo na Área de Proteção Ambiental Baía Negra, em Ladário, onde reside. “Primeiramente é o nosso espaço e é o espaço que Deus deu para a gente”, afirma. Integrante da Brigada Comunitária Voluntária em Ladário e Corumbá, Lourdes nasceu em Aquidauana, mas aprendeu a amar a região onde mora há anos.  

Quando o fogo começou a atingir a região, Lourdes não teve dúvidas em enfrentar as altas temperaturas. “Tenho visto muito fogo. Igual a esse eu nunca vi, principalmente na nossa área aqui, que nunca foi tão queimada. O fogo vem de supetão”, explica.  

Além de Lourdes, na área moram mais três famílias. Na hora de combater o fogo, ela vai ao lado do companheiro, João. “A maior dificuldade é chegar na área que está sendo atingida. Você olha o fogo e pensa: ‘Meu Deus, eu não vou dar conta de apagar isso’. A altura que está esse fogo, é uma coisa que eu não sei explicar. Vem a fumaça, vem o calor, vem o bichinho passando pelas pernas da gente, fugindo do fogo”, conta.  

Controle

Atuando como brigadista do Prevfogo desde 2009, Jan Verues Romero, 43 anos, é experiente no combate aos incêndios no Pantanal. “A gente vai para combater em morros, áreas de difícil acesso, na Estrada Parque, onde também estão tendo muitos focos de incêndio, queimando muitas pontes de madeira. E esse dia nós estávamos lá no rabicho”, explica.

Sobre as dificuldades, Jan, conta que o principal é o difícil acesso às áreas que estão com grandes focos de incêndio.  

“Quando o fogo começa, quando ele faz a cabeça e vai avançando muito com o tempo seco, ele chega ao meio da mata e a gente não tem como entrar, porque tem muito corixo e a profundidade é grande. É difícil o acesso, às vezes a gente consegue, a gente faz o possível e o impossível”, frisa. Nesse trajeto, encontrar animais fugindo do fogo é comum.  

“Vi muitos animais pequenos, como roedores e cobras. Alguns a gente até salva, tenta tirar do fogo. Tem biólogo conosco, ele vem tentar ajudar, mas tem muitos mesmo que na rapidez de sair do fogo acabam indo de encontro com ele de novo; às vezes até morrem dentro de fogo, pelo medo que eles sentem. Já vimos vários animais mortos dentro do fogo, como bezerro, cobra e jacaré”, conta.  

Seca

Alexandre Matos Martins, analista ambiental do Prevfogo/Ibama-MS, explica que a velocidade dos incêndios tem dificultado o trabalho. “As principais dificuldades hoje no combate aos incêndios têm sido a velocidade e a intensidade desses incêndios, que estão muito velozes, muito quentes e com poder destrutivo muito grande”, ressalta.

O acesso ao Pantanal ficou ainda mais complicado com a diminuição do nível do Rio Paraguai e a formação de brejeiros em alguns pontos da região pantaneira. “Os acessos no Pantanal como um todo, o deslocamento até a região que está pegando fogo, que dificulta muito o combate aos incêndios. Chegar no Amolar, ainda mais com o [Rio] Paraguai baixo, é difícil. Não conseguimos navegar com embarcações grandes, acaba encalhando; tem que ir com pouco material e poucas pessoas”, pontua Martins. 

 

Felpuda


Ex-cabecinha coroada anda dizendo por aí ser o responsável por vários projetos para Campo Grande, executados posteriormente por sucessor. 

Ao fim de seus comentários, faz alerta para que o eleitor analise atentamente de como surgiram tais obras e arremata afirmando que não foi “como pó mágico de alguma boa fada madrinha. 

Houve muito suor nos corredores de Brasília”. Então, tá!...