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Pantanal tem 80% das propriedades afetadas por crise hídrica

A escassez de chuvas diminuiu o nível dos rios e já afeta a navegabilidade

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De acordo com dados técnicos, o nível das chuvas deste ano registrou o pior índice dos últimos 10 anos. Condição que afetou mais de 80% das propriedades estabelecidas na região do Pantanal, em menor ou maior intensidade.

As informações são do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e do Serviço Geológico do Brasil (CPRM).

O secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck avaliou a possibilidade de decretar Situação Crítica de Escassez, como já foi adotado quanto à Bacia do Rio Paraná.

“O Estado já decretou emergência ambiental e está tomando uma série de medidas para prevenir incidentes. Tivemos antecipação do período de seca, embora haja previsão de chuvas para os próximos 7 dias, não será suficiente para reverter a tendência. O inverno será mais seco que do ano passado”, disse Verruck.

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Segundo o secretário, a escassez de chuvas diminui o nível dos rios e já afeta a navegabilidade. Em Porto Murtinho, a média seria 436 centímetros (cm) acima do nível mínimo e a régua mostra apenas 148 cm, com diminuição constante.

Em Ladário, a previsão é de que em outubro, o nível fique em 40 cm abaixo do mínimo. 

“Já temos que pensar em medidas paliativas, sobretudo quanto ao abastecimento das cidades”, frisou.

Rio Paraná

Em reunião da Sala de Crise da Bacia do Paraná realizada pela Agência Nacional das Águas (ANA), na segunda-feira (7), foi apontado que não há indicativo de melhora nos próximos meses.

Segundo dados da ANA, a Bacia Hidrográfica do Rio Paraguai é a maior capacidade instalada de geração de energia hidroelétrica do país, com 57 grandes reservatórios, sendo Itaipu o de maior capacidade instalada, com 14 mil megawatts. 

Além disso, é a bacia com maior demanda por água, já que cerca de um terço da população brasileira vive nessa área. O “uso não consultivo”, como a geração de energia hidrelétrica, turismo, lazer e navegação na Bacia do Rio Paraná já está sendo prejudicado pela estiagem.

Para garantir a geração de energia e condições de navegabilidade em alguns trechos, uma das apostas é de que sejam feitos esforços conjuntos para a manutenção do nível dos reservatórios em pelo menos 15% de sua capacidade.

*Com informações da Semagro

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Nova Andradina

Corpo de boliviano é devolvido à família 75 dias após a morte em MS

Prefeitura de Nova Andradina e Consulado Boliviano em Corumbá estiveram envolvidos para cortar custos e viabilizar documentação

27/04/2026 19h22

divulgação

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Um mal súbito em 8 de fevereiro de 2026, no município de Nova Andradina, levou Roberto Castellon Choque, de 18 anos, à morte. Ele tinha saído de Cochabamba, na região dos altiplanos da Bolívia, e percorrido mais de 2,5 mil quilômetros para tentar trabalho em São Paulo, em 2025.

Acabou não se adequando à realidade das fábricas de roupa onde iria trabalhar e decidiu voltar para Bolívia. Depois que ele faleceu e exames de necrópsia identificaram o mal súbito, houve grandes desafios para encontrar familiares. Vindo de uma família humilde, o corpo de Roberto não tinha um destino certo para seguir. 

Porém, uma operação diplomática permitiu a repatriação do corpo dele, que chegou a Cochabamba nesta segunda-feira (27), mais de 75 dias após a morte.

O processo de repatriação, envolvendo custos de preparação do corpo, documentações, transporte de quase 800 km entre Nova Andradina e a fronteira do Brasil com a Bolívia, entre Corumbá e Puerto Quijarro, viagem até Santa Cruz de la Sierra por outros mais de 600 km, sendo ainda necessário mais quase 500 km até o destino final, chegaram a ser avaliados em mais de R$ 25 mil.

O que viabilizou todo o trâmite burocrático e de diplomacia para permitir a liberação do corpo de Roberto sem a presença de um familiar teve engajamento direto da Secretaria Municipal de Cidadania e Assistência Social da Prefeitura de Nova Andradina e a Cancelaria do Ministério de Relações Exteriores da Bolívia, por meio do Consulado da Bolívia em Corumbá.

Ninguém da família de Roberto conseguiria fazer a viagem por conta dos custos e a repatriação ficaria ainda mais cara. Só essa viagem teria um custo estimado em, pelo menos, R$ 2 mil, além dos valores para transporte do corpo.

Para conseguir superar entraves financeiros, além das questões burocráticas, a Secretaria de Cidadania manteve debates diretos com a agente consular em Corumbá, Nelly Roso, e também com David Alex Arancibia Suarez, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

Todos esses trâmites precisaram atender emissão de certidão de óbito, laudo médico, embalsamento por conta das viagens, autorização consular e a negociação para custeio da operação, tanto no lado brasileiro, como na Bolívia.

A Pax Regional de Nova Andradina fez a viagem e chegou à região fronteiriça no sábado (24). Por conta da mobilização no município sul-matogrossense e o fator de ineditismo sobre as tramitações, todo o traslado chegou a ser noticiado na cidade de 48,5 mil habitantes pelo site Jornal da Nova.

O agente funerário da Pax Regional, Cristiano Gomez da Silva, destacou o engajamento no município. “Foram 748 quilômetros até aqui (Corumbá). E todo mundo ajudando, desde a documentação até chegar aqui”, comentou em uma entrevista que foi acompanhada pelo canal boliviano Unitel.

Entre Puerto Quijarro até Santa Cruz de la Sierra, a Funerária Resurreción foi quem fez o translado. O proprietário da empresa, Jorge Oliva, foi quem veio buscar o corpo.

“Viemos após um chamado feito pela consulesa (agente consular) para ajudar a um compatriota boliviano. Cobramos apenas uma pequena quantia para ajudar no combustível e nada mais. Vamos levar o corpo até Santa Cruz. Depois, será entregue à empresa aérea BoA e outra funerária vai fazer os trabalhos em Cochabamba.”

Conforme apurado pelo Consulado da Bolívia em Corumbá, a pessoa mais próxima de Roberto Castellon é mãe. Ela vive em uma casa simples, feita de barro, e que fica em uma região de Cochambaba. 

Volta à Bolívia

Roberto Castellon Choque retornava de São Paulo para Corumbá em fevereiro deste ano em um ônibus fretado. Ele começou a passar mal já em Mato Grosso do Sul e o motorista tentou socorro na região de Nova Casa Verde, onde há um posto de combustível. Quando o socorro chegou, ele já tinha falecido.

A Polícia Científica fez perícia no ônibus e após passar por perícia, houve a constatação médica de morte natural, sem divulgação detalhada das causas.

Nas redes sociais, o caso de Roberto gerou grande comoção, principalmente na Bolívia. O engajamento de autoridades brasileiras, principalmente da Prefeitura de Nova Andradina, chegou a ser destacado.

Também foram feitos vários elogios para a funerária Pax Regional, que acordou fazer a viagem até a fronteira cobrindo os custos.

Jornada de trabalho

Motta deve instalar comissão especial sobre escala 6x1 nesta semana; veja pontos em discussão

As duas PECs sob análise reduzem a jornada de trabalho de 44 horas para 36 horas semanais

27/04/2026 19h00

Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta

Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta Foto: Câmara dos Deputados

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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), prometeu para esta semana a instalação da comissão especial sobre a proposta de emenda à Constituição (PEC) que dá fim à escala 6x1. É nesta etapa em que os deputados passarão a discutir o mérito do texto, ou seja, quais serão de fato as regras a serem estabelecidas na emenda constitucional.

As duas PECs sob análise reduzem a jornada de trabalho de 44 horas para 36 horas semanais. Enquanto a proposta do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) prevê um regime de transição de dez anos, o texto de Erika Hilton (PSOL-SP) estabelece transição de um ano e a redução da escala para quatro dias semanais de trabalho e três de descanso (4x3).

Nem o governo considera possível aprovar essas propostas como estão. Tanto é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de lei com regras menos ambiciosas: jornada de 40 horas, 5x2 e sem redução salarial. Porém, Motta argumenta que há insegurança jurídica no formato do projeto de lei e decidiu manter o cronograma da PEC.

A certeza dos deputados, portanto, é de que as PECs sob análise sofrerão mudanças significativas na comissão especial. Com isso, parlamentares consideram que serão abertas as portas para negociações de diferentes tipos.

Veja a seguir os principais debates levantados por líderes partidários em torno das propostas:

Dias trabalhados

Parlamentares que representam setores produtivos defendem a supressão do limite para a quantidade de dias trabalhados por semana. Segundo avaliações, haverá maior consenso com empresários se a PEC tratar somente das horas trabalhadas, porque os empregadores teriam como fazer remanejamentos com o quadro de funcionários que já têm.

Eles dizem que, se a PEC limitar os dias trabalhados, os segmentos que funcionam todos os dias terão de realizar novas contratações, o que pode transferir os custos para as mercadorias e serviços. A proposta reduziria a jornada, mas não daria fim à escala 6x1. "A redução de jornada é mais tranquila de se conversar do que a escala", sustenta o presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, deputado Joaquim Passarinho (PL-PA).

Horas trabalhadas

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse que a bancada vai defender a criação do regime "hora trabalhada, hora recebida", o que, segundo essa tese, representaria uma modernização das relações trabalhistas. Na prática, essa proposta pode reduzir os pagamentos aos empregados se cumprida uma escala menor, enquanto o governo defende a redução da escala sem a diminuição salarial.

"Não existe nenhuma legislação mais moderna de relação trabalhador e empregador do que hora trabalhada é hora recebida. E na hora certa vamos oferecer essa nossa contribuição, para melhorar esse texto horroroso do desgoverno que aí está e desta PEC que veio horrível", afirmou Sóstenes, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), em abril.

Regime de transição

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defende a redução imediata de 44h para 40 horas semanais, por considerar que "os impactos financeiros já foram, de certa forma, absorvidos ao longo dos anos". No entanto, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, disse que o governo topa negociar uma transição.

Ganha força a proposta de reduzir uma hora na jornada a cada ano, o que resultaria num período de quatro anos de transição. Há governistas, porém, que consideram a transição morosa. Segmentos do empresariado, por outro lado, defendem mais tempo para lidarem com as mudanças.

Compensação aos empregadores

Autor de uma das PECs, Reginaldo Lopes diz que não há necessidade de compensar os empregadores por supostos impactos financeiros. "Eu relatei e coordenei a reforma tributária. A grande compensação do setor produtivo, em especial, para a indústria, foi a diminuição da carga tributária", afirmou à imprensa na semana passada. O governo tem rejeitado compensações

Porém, o relator da PEC na CCJ é defensor de desonerações da folha de pagamentos ou de incentivos fiscais. "Cada setor da economia tem um peso diferente e será impactado de forma diferente. E é esse o debate que precisa ser aprofundado', declarou.

Pressão das eleições

Frentes parlamentares que representam setores do empresariado querem adiar a votação da PEC e dizem que a pressão das eleições provoca açodamento. O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Pedro Lupion (Republicanos-PR), diz ver um debate "às pressas". Segundo Motta, a comissão especial deve concluir os trabalhos para que a proposta seja apreciada no plenário da Câmara em maio. A proposta precisa passar pelo Senado até julho para que o governo veja o fim da escala 6x1 aprovado antes da eleição.

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