Cidades

DOURADINA

Para acabar com conflito, MPF oferece permuta por nova área em Anaurilândia

Lideranças indígenas e a Famasul são contra esta possibilidade, mas proprietária da terra ainda estuda se aceita oferta

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O Ministério Público Federal (MPF) fez uma proposta de permuta para a proprietária da fazenda reivindicada pelos indígenas em Douradina para tentar encerrar o conflito, que já dura quase 20 dias. O órgão da União propôs uma troca de terras que deixaria os 150 hectares reivindicados para os Guarani-Kaiowá, em troca de outra área, localizada em Anaurilândia.

Esta proposta foi feita e durante reunião com representantes indígenas e dos fazendeiros, que aconteceu na segunda-feira (29). Segundo o MPF, é possível de ser realizada esta troca porque a área geradora do conflito fundiário, a séculos atrás, foi alvo de um assentamento pelo governo do federal, e com isso, seria possível fazer uma espécie de reassentamento para outra localidade. 

O MPF estuda a possibilidade deste reassentamento acontecer em uma área na cidade da Anaurilândia, que fica a 232 km de Douradina.

Porém, a proposta não foi bem recebida pela comunidade Indígena Guarani-Kaiowá, e nem pela Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul (Famasul). 

Nas redes sociais a Assembleia Geral do povo Kaiowá e Guarani (Aty Guasu) afirmou que “indígenas da Terra Indígena Panambi-Lagoa Rica se recusam a aceitar qualquer negociação fora de suas terras, que para eles, é considerada originária, ancestral e inegociável”, declarou o Aty Guasu.

A deputada estadual Gleice Jane (PT), que está acompanhando a situação do conflito fundiário em Douradina, também informou para o Correio do Estado que há algumas questões sagradas do povo indígena que impedem o atendimento a proposta. 

“Essa disputa tem um elemento sagrado. Então é muito complexo o recuo para atender a proposta. Eles dizem ter símbolos sagrados que conectam eles ao território”, disse Gleice.

A situação na região segue tensa entre indígenas e fazendeiros. Sem uma negociação, a assembleia Aty Guasu, divulgou uma carta onde pede ajuda e teme por um conflito violento na área, que é delimitada e reconhecida como território dos Guarani Kaiowá Panambi Lagoa Rica.

Apesar da Famasul e dos indígenas serem contra a proposta de permuta feita pelo MPF, a proprietária dos 150 hectares que estão sendo reivindicados ainda avalia esta possibilidade, que cessaria o conflito na região.

DETERMINAÇÃO JUDICIAL

Mesmo com a ordem de despejo determinada na semana pasada pelo juiz federal de Dourados, Rubens Petrucci Junior, a comunidade indígena Guarani Kaiowá segue na terra Panambi-Lagoa Rica, sob risco de ser retirada à força.

O juiz que determinou a ordem de despejo na quarta-feira (24) deu prazo de cinco dias para os Guaranis Kaiowás deixarem a propriedade ocupada, este prazo portanto se encerrou ontem, um dia depois que o Ministério Publico Federal marcou a segunda reunião para tentar solucionar o conflito fundiário.

Conforme o texto do documento assinado pelo magistrado federal. O juiz pede “atenção ao governador Eduardo Riedel referente ao conflito e também uma mobilização efetiva da Polícia Militar para garantir o despejo dos indígenas no sítio  “José Dias Lima”, de 147,7 hectares, localizado na MS-470, rodovia que liga Douradina ao município de Itaporã.

Nas redes sociais a Assembleia Geral do povo Kaiowá e Guarani (Aty Guasu) se pronunciou sobre a ordem de reintegração de posse.

“Chegou a ordem de despejo para as comunidades indígenas, com um prazo de 5 dias dada por essa justiça de homens brancos ruralistas, a comunidade, os donos das terras, não irão sair”, disse em mensagem divulgada.

Porém, segundo a apuração do Correio do Estado, as lideranças seguem informando para os intermediadores do conflito que não receberam notificação oficial da justiça sobre a ordem de despejo da área.

INICIO DAS TRATATIVAS

Devido ao acampamento montado pelos proprietários com várias caminhonetes para pressionar a reintegração de posse, o Ministério Público Federal, no dia 22 de julho, realizou uma reunião entre as partes envolvidas na sede do MPF em Dourados, com o intuito de mediar uma solução para cessar o conflito e as violências entre as partes.

Nesta primeira reunião apenas ficou acordado que entre os presentes que não haveria qualquer movimento ou conflito tanto por parte dos produtores rurais, quanto por parte dos Guarani-Kaiowás, até que houvesse uma solução consensual entre as partes. 

Saiba

Início do conflito em Douradina

O fato gerador do conflito fundiário em Douradina foi um disparo de arma de fogo que teria sido feito por um funcionário de um dos fazendeiros acampados na região, que atingiu a coxa de um indígena, no dia 13 de julho, data na qual os indígenas iniciaram a retomada da terra delimitada.

COLISÃO

Homem que provocou acidente em Campo Grande fugiu de audiência há 7 anos

Após bater na moto, que transportava um casal, Harrison Jorge fugiu do local, perdeu o controle do veículo e colidiu contra uma árvore

21/09/2026 08h30

O caso foi registrado na Depac-Cepol

O caso foi registrado na Depac-Cepol Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Um homem, identificado como Harisson Jorge de Morais Paraizo, de 42 anos, dirigia o veículo Honda HR-V,  quando colidiu com uma motocicleta Yamaha YBR150, que transportava um casal, na Avenida Presidente Ernesto Geisel, em Campo Grande, na tarde deste domingo (20).

Durante a conversão à direita para ingressar na rua Bom Sucesso, a moto foi atingida pelo carro de Harisson. Após a colisão, o homem fugiu do local sem prestar socorro à mulher, que era passageira da motocicleta. No momento da fuga, o homem trafegava pela rua Floriano Paula Correa, quando, no cruzamento com a Avenida Georges Chaia, perdeu o controle do automóvel e colidiu contra o canteiro central da via e, posteriormente, contra uma área de mata às margens da avenida, chocando-se contra uma árvore.

Logo após, a Guarda Civil Metropolitana e a Polícia Militar compareceram ao local e constataram a existência de uma mandado de prisão contra o investigado. Em 2019, Harrison Jorge foi entregue à Polícia Militar e levado até o Fórum, em Campo Grande, onde passaria por interrogatório, com outros dois detentos.

No entanto, durante a noite, os policiais retornaram ao presídio sem Harrison e, logo em seguida, foi considerado fugitivo. Ele tem passagens por roubo, furto e tentativa de homicídio, quando ele tentou matar um homem a pedradas após desentendimento no bairro Aero Rancho.

A mulher que estava na moto e Harisson Jorge foram socorridas pelo Corpo de Bombeiros Militar e encaminhados para atendimento médico na Santa Casa. Ela teve fratura no fêmur, enquanto o investigado sofreu escoriações na face.

A PM permaneceu responsável pela custódia hospitalar do custodiado. Durante a busca veicular realizada no Honda HR-V, foram localizados R$ 4.900,00 em espécie, sendo 49 cédulas de R$ 100,00, além de um cartão e um celular. O veículo foi removido ao pátio do Detran-MS em razão do licenciamento atrasado. 

A autoridade policial determinou o registro e os demais procedimentos, bem como a lavratura do auto de prisão em flagrante. O autuado não foi apresentado a unidade policial devido ao seu atendimento médico hospitalar, permanecendo internado e escoltado por uma viatura da Polícia Militar.

Em relação aos itens apreendidos, a autoridade policial determinou a restituição do celular e do cartão. Quanto à quantia de R$ 4.900,00 em espécie, determinou-se a apreensão, a qual poderá ser solicitada a restituição à autoridade competente mediante comprovação de origem lícita.

Ônibus

Grupo de Goiás ainda não entregou proposta de melhorias no transporte

Dois meses após o anúncio do negócio entre Consórcio Guaicurus e o Grupo HP, prefeitura diz que ainda aguarda documento

21/09/2026 08h20

Consórcio Guaicurus vendeu a empresa e, consequentemente o contrato de concessão, para grupo que controla transporte de Goiânia

Consórcio Guaicurus vendeu a empresa e, consequentemente o contrato de concessão, para grupo que controla transporte de Goiânia Marcelo Victor/Correio do Estado

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No dia 21 de julho deste ano o Consórcio Guaicurus anunciou que havia chegado a um acordo de compra e venda com a concessionária goianiense HP Mobilidade, que é responsável pelo transporte coletivo de Goiânia (GO). Desde então a Prefeitura de Campo Grande afirma que aguarda uma proposta formal da empresa que aponte os planos de melhorias no transporte público, para decidir se aceita ou não a transação.

O Consórcio Guaicurus é responsável desde 2012 pelo transporte coletivo e urbano de Campo Grande e desde 2019, pelo menos, reclama de prejuízos no serviço. Em crise tanto interna como com a administração municipal, o serviço passa por uma intervenção desde junho deste ano.

Segundo o titular da Secretaria Municipal de Governo e Relações Institucionais (Segov), Ulisses da Silva Rocha, para que a negociação seja concretizada é necessária a aprovação da prefeitura, por se tratar de uma concessão pública. No entanto, para que esta resposta seja dada é necessário que as empresas apresentem a proposta formalmente do processo de compra e venda e também um plano de melhorias, o que ainda não foi feito.

“Eles vão apresentar, tanto o vendedor quanto o comprador, um relatório do que eles pretendem com essa venda. Desde que haja o cumprimento do contrato, porque existe um contrato vigente entre o município de Campo Grande e o consórcio Guaicurus, que estabelece muitas obrigações para o consórcio e para o Município. A empresa que vai assumir vai cumprir com essas obrigações? Vai fazer investimentos? Vão realizar entregas? Porque o que nós pretendemos com o serviço público de transporte coletivo é que as pessoas tenham a segurança de que vão sair das suas casas e vão chegar no destino. Mas aí a gente precisa de ônibus de qualidade, porque vários deles já estão vencidos, [ônibus] com ar-condicionado e regularidade no trajeto”, afirmou Rocha ao Correio do Estado.

Ainda segundo o secretário, essa entrega ainda não foi feita, mesmo dois meses após o anúncio do acordo, porque ele necessitaria de ser aprovado pelo Conselho de Administração de Defesa Econômica (Cade), órgão responsável por orientar, fiscalizar, prevenir e reprimir abusos do poder econômico no Brasil e que analisa fusões, aquisições entre empresas para evitar monopólios.

“Essa compra é regulada, então eles têm um prazo para que eles façam essa apresentação ao Conselho de Administração de Defesa Econômica, para que o Cade possa opinar se isso é monopólio ou não, porque a empresa já atua em outras capitais”, explicou o secretário. Só após esta aprovação é que as metas da nova empresa deverão ser entregues à prefeitura.

Em nota ao Correio do Estado, o Grupo HP se limitou a dizer que “acompanha as etapas relacionadas ao processo de aquisição do Consórcio Guaicurus e reforça que somente se manifestará após a conclusão dos procedimentos e aprovações necessários para sua efetivação”.

INTERVENÇÃO

A venda da concessionária aconteceu em meio ao processo de intervenção no transporte. Desde o dia 16 de junho uma comissão escolhida pela prefeitura tem tomado conta do transporte coletivo de Campo Grande.

Na semana passada a comissão entregaria um relatório dos primeiros 90 dias à frente do serviço, porém, essa entrega foi postergada para esta semana.

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