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PCC domina o contrabando de cigarros na fronteira de MS

Para o superintendente da PRF em Mato Grosso do Sul, a entrada de facções na prática criminosa está diretamente ligada ao lucro que o produto ilegal rende

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O mercado de contrabando de cigarros em Mato Grosso do Sul está em uma nova escalada depois da pandemia e, diante do pouco investimento e do alto lucro, grandes facções criminosas, especialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC), estão com os olhos voltados para a fronteira para dominar o setor no Estado.

No estudo “O Novo Mapa do Contrabando: A Ascensão das Facções nos Mercados Ilegais”, publicado pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf), foi apontado que as facções criminosas entraram de vez no mercado de contrabando de cigarros, tendência que foi observada principalmente nos últimos 10 anos.

“Outra singularidade, observada por meio das investigações realizadas pelos órgãos fiscalizatórios, é a intensificação da participação de organizações criminosas com o contrabando e descaminho. Antigamente, a atuação destes grupos era mais restrita ao tráfico de drogas e de armas, mas aos poucos foram percebendo a lucratividade da prática do contrabando e as ‘oportunidades’ de ganhar dinheiro ilegal a partir de crimes cuja pena é muito branda”, explica.

Como dito pelo estudo, a questão do contrabando ser um crime mais leve em comparação ao tráfico de drogas é um dos motivos para a entrada das facções neste mundo. 

Conforme consta no Código Penal, a prática de importar ou exportar mercadorias proibidas no Brasil prevê pena de 2 a 5 anos de reclusão, enquanto o tráfico de drogas é consideravelmente maior, de 5 a 15 anos de prisão.

Porém, o que mais chama a atenção das facções criminosas é o lucro diante do pouco investimento que precisa ser feito para contrabandear os cigarros.

Ainda segundo o levantamento, o mercado ilegal entre Paraguai e Brasil chegam a ultrapassar os R$ 60 bilhões por ano, sendo que os cigarros e similares representam 34% dos principais itens apreendidos pela Receita Federal.

Na Capital, cigarro contrabandeado do Paraguai é vendido livremente nas ruas, sem fiscalizaçãoNa Capital, cigarro contrabandeado do Paraguai é vendido livremente nas ruas, sem fiscalização - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Um maço de cigarros no Paraguai chega a custar cerca de R$ 1,20 se comprado no atacado, mas quando chega no Brasil as marcas são vendidas a cerca de R$ 4,46 (em média), o que representa um ganho que pode chegar a mais de 500%, dependendo do valor pago e do comercializado.

Para piorar a situação, o volume do contrabando já supera a balança comercial oficial entre os dois países. Na prática, o ilegal está “movimentando” mais do que o comércio formal. 

De acordo com pesquisas da Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (Ipec), em parceria com o Idesf, a marca mais vendida em Mato Grosso do Sul é o Fox. 

Vale destacar que o Fox não possui registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser comercializado, produzido ou distribuído no Brasil e, por isso, é considerado ilegal no País.

Em conversa com o Correio do Estado, o superintendente da Polícia Rodoviária Federal em Mato Grosso do Sul (PRF-MS), João Paulo Pinheiro Bueno, afirmou que o contrabando de cigarros alimenta as facções para que outros crimes de maior logística sejam realizados, como o tráfico de drogas e armas.

“Ele [o contrabando] alimenta toda essa organização criminosa, tráfico de armas, tráfico de drogas e as comunidades locais. É isso que o cigarro representa hoje dentro dessa logística do crime organizado. É um crime realmente muito rentável, pouco investimento para muito lucro. Então, isso chama a atenção dessas organizações, eles sabem que isso dá um retorno”, pontua.

Em especial, o superintendente citou que o PCC e o Comando Vermelho (CV) já atuam no Estado há um tempo, justamente por Mato Grosso do Sul ser um corredor para o ilícito chegar em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. João também fala que o desenvolvimento do Estado deve afetar a segurança pública nos próximos anos.

“A gente sabe que operam todas as facções [no contrabando de cigarros], Comando Vermelho e PCC principalmente. O estado do Mato Grosso do Sul é um corredor para isso, então a droga, o contrabando, ele tem que passar por aqui para poder chegar em São Paulo, para poder chegar no Rio de Janeiro, para poder chegar em Minas”, destacou o superintendente.

BALANÇO

Vale destacar que, segundo dados enviados pela PRF à reportagem, Mato Grosso do Sul registrou uma nova escalada nas apreensões de cigarros. Em 2025, um salto de 62,8% foi identificado em relação a 2022 e alta de 45,8% em comparação com o ano anterior, com 9,8 mil toneladas de maços apreendidos.

De janeiro a abril deste ano, 1,9 mil toneladas de maços de cigarros já foram apreendidos pela PRF em rodovias federais de Mato Grosso do Sul, uma média de aproximadamente 16,5 mil maços retidos por dia.

De acordo com o Idesf, o cigarro ilegal tem uma participação de 74% no mercado sul-mato-grossense. Em outras palavras, a cada 10 cigarros vendidos em solo pantaneiro, sete são ilegais. Diante disso, o Estado deixou de arrecadar R$ 3,7 bilhões de 2019 até agora por conta do cigarro contrabandeado.

Na avaliação do presidente do instituto, Luciano Barros, 60% do cigarro que é hoje comercializado no Brasil passou por MS, com sua maior parte entrando pelas fronteiras secas do Estado, pela facilidade e proximidade dos territórios.

Campo Grande

Prefeitura moderniza licenças para tornar táxi atrativo

Para melhorar a adesão ao tradicional serviço de táxi, que sucumbiu aos aplicativos de transporte, prefeitura de Campo Grande liberou picapes e criou categoria Black

22/09/2026 08h05

Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Prefeitura de Campo Grande impôs novas regras para o serviço de táxi, que perdeu força depois da popularização dos motoristas de aplicativos, especialmente depois da pandemia da Covid-19, e busca retomar parte da força que teve no passado nas ruas da Capital. As mudanças flexibilizam o serviço e têm objetivo de, em tese, torná-lo mais atrativo à população.

No decreto assinado pela prefeita Adriane Lopes (PP), publicado pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), há, entre outras mudanças, a criação de novas categorias de serviço, a liberação de caminhonetes, entre outras novas regras. 

“A categoria tem enfrentado dificuldades desde a chegada dos transportes por aplicativos, e essas novas medidas são incentivos para os taxistas. Nós estamos atualizando e modernizando as legislações que envolvem a categoria”, disse a chefe do Executivo municipal durante o evento.

Uma das principais adições é a criação do Táxi Black, nome dado a um serviço mais exclusivo dos taxistas, que oferece mais conforto aos passageiros. Ao mesmo tempo, ele será mais caro do que o táxi padrão. Em conversa com Flávio Panissa, presidente do Sindicato de Taxistas de Mato Grosso do Sul (Sintaxi-MS), ele revelou que esta é uma reivindicação da classe há muito tempo.

“É um pleito antigo dos taxistas campo-grandenses, acho que todas as capitais já têm esse serviço. Hoje a gente entende que o taxista é um vendedor, então não é só vender, ele precisa de um produto, e quem quiser ter um táxi executivo, esse taxista poderá vender esse tipo de serviço, aqui em Campo Grande, de forma que o taxista possa escolher e aderir a essa modalidade”, relatou à reportagem.

Além disso, a partir de agora, caminhonetes também poderão ser credenciadas como táxis, uma demanda que atende, principalmente, passageiros da zona rural que precisam transportar volumes que não comportam em veículos convencionais. Porém, não serão todas as caminhonetes que poderão circular como táxis, havendo um limite de tamanho.

O presidente do Sintaxi-MS disse que a ideia é que as caminhonetes terão que ser “quatro portas” – as famosas cabines duplas. Ele evitou especificar o tamanho limite que será permitido, mas citou exemplos de veículos, como a Volkswagen Saveiro e a Chevrolet Montana, e deixou de lado tipos maiores, como a Dodge Ram.

As alterações não se restringem aos tipos de novos veículos que passam a rodar como táxis, mas também os taxistas estão liberados a rodarem nas faixas exclusivamente destinadas ao transporte público, sem que isso se caracterize infração de trânsito.

Menos burocracia

Serviço de táxi em Campo Grande terá regras mais flexíveis - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Outra mudança que foi publicada é a permissão que condutores permissionários atuem como condutores auxiliares, em situações específicas. Em suma, o taxista está autorizado a dirigir um veículo regulamentado em parceria com o titular da permissão ou alvará (o permissionário), ajudando na prestação do serviço.

“A medida busca evitar que o profissional fique sem renda quando o veículo estiver temporariamente indisponível para manutenção ou reparos. Para evitar irregularidades, a possibilidade será condicionada ao cumprimento de critérios e procedimentos de fiscalização”, explica a Prefeitura, em nota.

Com o decreto também foi prorrogado por seis meses o prazo para substituição de veículos da frota que atingiriam a idade máxima permitida no fim deste ano, passando o prazo final para junho de 2027. Atualmente, a idade máxima permitida para os veículos de táxi rodarem é de 10 anos de fabricação.

Cenário atual

Em nota enviada ao Correio do Estado, a Agetran informou que Campo Grande possui 516 taxistas cadastrados. Desse total, 318 estão com cadastro renovado e ativo. Os outros 198 cadastros “permanecem registrados no sistema, mas não estão atualmente ativos ou renovados”.

Em setembro do ano passado, a tarifa cobrada pelos taxistas campo-grandenses aumentou em 15%, saltando o preço do quilômetro rodado de R$ 3,36 para R$ 3,86 na bandeira 1 (válida para horários normais) e de R$ 3,83 para R$ 4,41 na bandeira 2 (válida para horários especiais). 

O preço da taxa de saída (bandeirada) está fixada em R$ 5,00, com exceção na região do Aeroporto, que está em R$ 9,00.

Houve a tentativa de conseguir o levantamento da evolução do número de taxistas dos últimos 10 anos em Campo Grande, a fim de poder comparar a situação atual com a da época antes da popularização dos motoristas de aplicativo. Porém, até o fechamento desta edição, a Agetran não forneceu a relação.

Justiça

AGU reitera ação para obrigar Discord a proteger usuários

Medidas propostas pela plataforma foram consideradas genéricas

21/09/2026 21h00

Discord é uma plataforma social de mensagens instantâneas e VoIP que permite a comunicação por meio de chamadas de voz, videochamadas, mensagens de texto e mídias

Discord é uma plataforma social de mensagens instantâneas e VoIP que permite a comunicação por meio de chamadas de voz, videochamadas, mensagens de texto e mídias Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

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A Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou nesta segunda-feira (21) novo pedido à Justiça Federal, em Brasília, para que a plataforma Discord seja obrigada a efetivar medidas para proteger mulheres, crianças e adolescentes na internet.

Na petição, a AGU diz que a empresa apresentou uma proposta de conciliação genérica e insuficiente para resolver as falhas apontadas pelo governo federal.

"Dotada de caráter genérico, com exceções e condicionantes dos mais diversos, [a proposta] não é apta a debelar a gravidade dos problemas associados, com a urgência e extensão que a demanda exige", afirmou a AGU no novo pedido.

No início deste mês, o juízo da 14ª Vara Federal Cível da Justiça Federal do Distrito Federal deu prazo de dez dias para o Discord apresentar a proposta.

A decisão foi proferida após o governo federal entrar com a ação judicial para obrigar a adoção das medidas. Na ação civil pública, a AGU também pede a condenação da empresa por dano moral coletivo no valor de R$ 500 milhões. 

O Discord passou a ser cobrado pelo governo após a repercussão do caso de uma adolescente que foi induzida a tirar a própria vida durante uma live transmitida pela plataforma. O episódio ocorreu em julho.

A plataforma foi consultada. O espaço está aberto para manifestação.

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