A Polícia Federal de Minas Gerais cumpre na manhã desta sexta-feira (21) mandado de busca e apreensão no escritório de Zanone Manuel de Oliveira Júnior, um dos advogados de Adelio Bispo de Oliveira, que é o autor da facada contra Jair Bolsonaro (PSL), no dia 6 de setembro, em Juiz de Fora (MG). Ele está preso no Presídio Federal de Campo Grande desde o ocorrido.
O Correio do Estado apurou que um dos próximos passos da PF será o de descobrir quem paga pelas viagens do advogado à Capital para as conversas com Adelio. Informação inicial apontou que as passagens são bancadas por cartão de crédito de um terceiro, de nome ainda não revelado.
Na casa onde morava em Juiz de Fora, os agentes federais descobriram cartões de crédito no nome de Adélio.
Desde que entrou na carceragem da Penitenciária Federal, o agressor de Bolsonaro não recebeu visitas a não ser de médicos e dos advogados. Depois de um psiquiatra de São Paulo (SP) fazer um laudo contratao por Júnior para atestar a alegação de insanidade, a Justiça recomendou outros dois profissionais médicos de saude mental de Campo Grande para fazerem uma espécie de 'contra prova'. O resultado é aguardado para o início do próximo ano.
Segundo o delegado responsável pelas investigações, Rodrigo Morais Fernandes, o objetivo da operação é apreender e periciar documentos, celulares e computadores para descobrir quem paga a defesa de Adelio.
O delegado disse à reportagem da 'Folha de S. Paulo' que a polícia trabalha com a hipótese de que o advogado poderia estar sendo financiado por uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas ou por um grupo político.
A operação faz parte das coletas de prova do inquérito 503, que investiga as circunstâncias em torno do atentado, focando na possibilidade de Adelio ter cometido o crime a mando de terceiros. Outro inquérito já foi concluído, no qual a PF afirma que, no dia do crime, Adelio agiu sozinho.
Em depoimento após a prisão em flagrante, o agressor disse que atacou Bolsonaro por divergências políticas.
Adelio é réu em uma ação pelo crime de "atentado pessoal por inconformismo político", descrito no artigo 20 da Lei de Segurança Nacional.
A reportagem tentou entrar em contato com o advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior, mas até a publicação deste texto não obteve resposta.
*Com Agências
Presidente eleito Jair Bolsonaro após ser esfaqueado por Adélio Bispo, no dia 6 de setembro

