Cidades

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PF pede apoio político de MS para obter R$ 30 milhões e intensificar combate ao crime organizado

Articulação está correlacionada com a megaoperação realizada no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho

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A Polícia Federal em Mato Grosso do Sul articula com o setor político municipal, estadual e federal para conseguir ampliar as ações de combate ao crime organizado na fronteira com a Bolívia. A força de segurança tentar direcionar entre R$ 28 milhões e R$ 30 milhões de emendas para conseguir construir uma nova sede da Delegacia da PF em Corumbá.

Articulação para tratar desses recursos tem capítulo nesta segunda-feira (3), com previsão de reunião de setores políticos. Essa informação foi repassada à direção da PF em Mato Grosso do Sul.

O terreno e o projeto técnico para a nova delegacia, bem como a autorização para a ampliação dessa estrutura já possuem autorização, mas ainda não existe o dinheiro canalizado para a obra.

O assunto foi tema da posse do novo chefe da Delegacia da PF em Corumbá, Alexsandro Pereira de Carvalho, que aconteceu no dia 31 de outubro, no auditório do Sindicato Rural de Corumbá, e foi abordado pelo superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, Carlos Henrique Cotta Dangelo.

Houve um pedido direto ao governador Eduardo Riedel para articulação política, justamente quando ele foi ao Rio de Janeiro, no dia 30 de outubro, para tratar da formação do Consórcio da Paz com outros 6 governadores.

Além do assunto estar correlacionado com a megaoperação realizada no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho, localmente existe outra demanda.

O novo chefe da Delegacia da Polícia Federal em Corumbá, delegado Alexsandro Pereira de Carvalho, possui experiência anterior em atuação contra organizações criminosas e trabalho conjunto internacional.

Ele já foi delegado em Ponta Porã e atuou em parceria com forças de segurança do Paraguai contra o tráfico de drogas naquela região. O policial também já foi do 17º Batalhão de Fronteira, do Exército, na década de 1990. 

Alexsandro assume o posto agora em novembro, no lugar do delegado Bernardo Marques Pacheco, que teve atuação destacada contra o tráfico de pessoas, crimes ambientais e recebeu condecoração neste dia 31 de outubro. Bernardo vai assumir novo posto na PF em Campo Grande.

“Conversei com o governador (Eduardo Riedel), que estava no Rio de Janeiro, e pedi a ele para se empenhar junto à bancada de Mato Grosso do Sul (para obter recursos). Ele me garantiu que na reunião que terão, nesta segunda-feira, vai pedir esse apoio para termos, finalmente, a construção dessa sede. A atuação dos prefeitos, dos membros do Legislativo municipal, todos podem contribuir muito com essa demanda e, se tudo der certo, ela ficará a cargo do nosso novo chefe, doutor Alexsandro”, detalhou o superintendente da PF no Estado.

A delegacia da Polícia Federal em Corumbá atua em uma das regiões de maior fluxo para entrada e saída de estrangeiros e nacionais do Brasil, atrás da Tríplice Fronteira (Foz do Iguaçu – Ciudad del Leste, Paraguai – Puerto Iguazú, Argentina) e Tabatinga-Letícia (Colômbia), por exemplo.

“(Em Corumbá) É uma das delegacias mais importantes do Brasil. Mantemos aqui (em Mato Grosso do Sul) uma das maiores portas de entrada e saída de nacionais e estrangeiros, com a fronteira com dois países (Paraguai e Bolívia) e quatro estados (Paraná, São Paulo, Goiás e Mato Grosso)”, elencou o superintendente Dangelo.

A atual delegacia da PF em Corumbá fica na área central da cidade, ao lado da Catedral Nossa Senhora da Candelária e na frente da Praça da República. Sem garagem para as viaturas, por exemplo, todos os carros da Polícia Federal precisam ficar estacionados na rua.

Também não há entrada privativa para encaminhamento de materiais de apreensão e quando há prisões. O entorno também é cercado e só existe uma única saída para as viaturas.

Ao abordar a dependência de recursos e apoio político, Dangelo direcionou sua fala diretamente para os prefeitos de Corumbá, Dr. Gabriel Alves de Oliveira, e de Ladário, Munir Sadeq Ramunieh. Ambos participaram da solenidade de posse do novo chefe da delegacia de Corumbá.

"Temos um grande desafio aqui e precisamos contar com a ajuda do prefeito de Corumbá e também com o prefeito de Ladário para ter a construção da nova delegacia da Polícia Federal.”

Gabriel fez declaração que apoia a construção da nova delegacia, mas não deu detalhes sobre medidas que já poderia interceder. “Reafirmo nosso compromisso em colaborar para que a nova sede da Polícia Federal se torne realidade. A cidade precisa dessa estrutura para fortalecer o combate à criminalidade.”

Pleito antigo

As demandas por ter novas delegacias em Ponta Porã e Corumbá já existem, pelo menos, há 10 anos. Em 2023, houve a promessa de avanços com recursos sendo liberados para a construção do prédio em Ponta Porã.

Essa obra foi orçada R$ 25 milhões, quando o superintendente da PF em Mato Grosso do Sul era o delegado Agnaldo Mendonça Alves. A construção dessa delegacia na fronteira com o Paraguai ainda não foi finalizada.

Essa nova unidade tem 33 mil metros quadrados de área, pouco mais de 3 mil metros quadrados de construção contra a atual estrutura, de 800 metros quadrados.

Já para Corumbá, o projeto executivo foi finalizado em maio de 2023 e, na época, a construção estava orçada em R$ 22 milhões. A obtenção dos recursos ainda não conseguiu ser priorizada desde então para haver essa instalação.

Caso a verba seja destinada, ainda haverá etapa burocrática para licitação da obra e o prazo de intervenções, que deve ser de pelo menos dois anos.

MEIO AMBIENTE

Pantanal será centro do debate global sobre migração de espécies durante a COP 15

A Convenção será sediada em Campo Grande e terá a participação de mais de 100 países, com cerca de 3 mil visitantes

02/02/2026 18h45

Coletiva de imprensa sobre a COP 15, que será sediada por Campo Grande em março

Coletiva de imprensa sobre a COP 15, que será sediada por Campo Grande em março FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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De 23 a 29 de março, Campo Grande será o centro das atenções da comunidade ambiental internacional ao sediar a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre as Espécies Migratórias, a COP 15. 

O evento vai reunir mais de 100 países e deve atrair cerca de três mil participantes de diferentes nacionalidades, com foco na preservação das espécies migratórias e na cooperação internacional para garantir a continuidade desses ciclos naturais. 

Na tarde desta segunda-feira (2), representantes do evento apresentaram os detalhes e a confirmação da conferência durante uma coletiva de imprensa realizada no Dia Mundial das Áreas Úmidas, data simbólica para o debate ambiental.

Estiveram presentes o secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco; o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck; e a Secretária Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais, Rita Mesquita. 

Durante a coletiva, Capobianco destacou a relevância do Pantanal no cenário ambiental global e o papel estratégico do Brasil na preservação das espécies migratórias. 

“Nós estamos aqui na maior área úmida continental do planeta Terra, que é o Pantanal, e que concentra parte do esforço internacional na proteção das áreas úmidas, que tem papel absolutamente fundamental para a biodiversidade, para o controle climático e para a manutenção dos recursos hídricos”, afirmou. 

O secretário ressaltou que a Convenção sobre Espécies Migratórias representa uma das maiores expressões da cooperação internacional na área ambiental, já que trata de espécies que atravessam fronteiras e dependem do esforço conjunto entre países para concluir suas travessias em segurança. 

“As espécies migratórias passam por vários países. Elas não são, necessariamente, espécies nativas permanentes daquele país, mas estão circulando pelo planeta. Quando um país assume o compromisso de garantir espaços habitáveis para essas espécies, garantindo pouso, alimentação, descanso ou reprodução, está contribuindo para que essa cadeia de espécies continue existindo”, explicou. 

Segundo ele, sediar a COP 15 é uma oportunidade para o Brasil reafirmar seu compromisso com o multilateralismo e com a cooperação internacional, já que o País é visto internacionalmente como uma liderança ambiental. 

Além disso, é uma oportunidade de apresentar o Estado de Mato Grosso do Sul para outros países, bem como o Pantanal. 

“O Pantanal é uma espécie de hub biológico, onde as espécies passam, encontram o ambiente necessário para recuperar energias, se alimentar e seguir sua trajetória”. 

Já o secretário da Semadesc destacou que o evento tem caráter técnico, voltado ao estudo científico e discussões sobre os temas apresentados, sendo mais importante o que “for acontecer depois dela”, como destacou. 

“Essa é uma COP muito técnica, com uma série de estudos científicos sobre essas espécies migratórias. O fundamental é o resultado da COP, o que vai acontecer depois dela. Nós vamos receber mais de 100 países. As pessoas estarão no nosso território, conhecendo o Pantanal, conhecendo a nossa realidade, e teremos a capacidade de mostrar como o Estado trabalha a sustentabilidade”, disse Verruck. 

Além do debate ambiental, as secretarias estaduais estão mobilizadas para garantir a estrutura do evento e toda a logística, envolvendo profissionais de segurança pública, turismo, cultura, transporte, recepção dos visitantes e alimentação. 

Verruck destacou que, durante o período, serão ampliados voos para Campo Grande, como está sendo discutido com a Aena e, localmente, o aumento da disponibilidade do transporte coletivo para deslocamento dos turistas e participantes. 

A convenção

A coletiva também abordou os aspectos técnicos da COP 15 sobre Espécies Migratórias que, atualmente, conta com 133 países signatários. 

Segundo a secretária Rita Mesquita, um dos objetivos do Brasil na Convenção é a ampliação desse número. 

“Alguns países críticos para espécies que nos preocupamos não fazem parte da Convenção, e o nosso esforço precisa reverberar nesses países”, destacou. 

Ela ressalta que o encontro trata de espécies que vão “de mosquito à baleia” e busca fortalecer políticas de conservação por meio do consenso e cooperação. Visto como uma liderança ambiental respeitada, o Brasil tem proposto resoluções importantes em edições anteriores, como a conservação de baleias no Atlântico Sul. 

Atualmente, são 1.189 espécies migratórias listadas, sendo: 962 espécies de aves, 94 de mamíferos terrestres, 64 de mamíferos aquáticos, 58 de peixes, 10 de répteis e 1 de insetos. 

Campo Grande é morada e espaço de passagem de um bom número de espécies de aves e peixes migratórios. Esse é um dos pontos que contribuíram para a votação e aprovação da Capital como sede da 15ª edição do evento. 

“Campo Grande tem uma infraestrutura extremamente interessante, uma cidade de altíssimo nível e de qualidade muito alta. Ao mesmo tempo, tem uma relação com o meio ambiente muito diferenciada. Em várias áreas, é uma mistura do urbano com a natureza, e é justamente isso que queremos passar para os visitantes, até porque um dos temas centrais da Cop do Clima, em Belém, foi justamente a adaptação e a resiliência do meio ambiente humano. É uma cidade diferenciada, que permite a convivência com espécies, e em um ambiente que está fazendo parte do bioma humano”, destacou João Paulo.

Em Campo Grande, a estrutura principal da COP 15 será o Bosque Expo, localizado no Shopping Bosque dos Ipês. Essa estrutura será a chamada “blue zone”, uma área de responsabilidade das Nações Unidas (ONU). 

Também estão previstos eventos paralelos em espaços como o Aquário do Pantanal (Bioparque), a Casa do Pantaneiro e o Teatro Rubens Gil de Camilo. 

O envolvimento dos diferentes setores deve gerar impacto ambiental e socioeconômico, além do objetivo principal, segundo os organizadores, de aumentar o conhecimento da sociedade sobre a importância das espécies migratórias. 

“O impacto ambiental direto é ampliar o conhecimento da sociedade sobre a migração como um fenômeno da natureza com o qual a gente deve se preocupar”, afirmou Verruck. 


 
 

AMEAÇA

Mulher pega arma de capitão do Corpo de Bombeiros após acidente de trânsito

A condutora afirma ter agido dessa forma por receio de que o militar efetuasse disparos contra seus familiares

02/02/2026 17h45

Ambos os condutores apresentavam sinais de embriaguez

Ambos os condutores apresentavam sinais de embriaguez Divulgação: Polícia Civil

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Um acidente de trânsito envolvendo dois veículos, entre uma mulher identificada como Jussimara Teixeira, de 39 anos, e o capitão do Corpo de Bombeiros Militar, Alex Fernandes, de 46, ocorreu no cruzamento entre as ruas Petrópolis com a Avenida Prefeito Lúdio Martins Coelho, no Conjunto União, em Campo Grande. 

Antes da chegada dos policiais ao local, os envolvidos teriam ido até a Rua das Maria Luiza Moraes, onde Alex mora, com o intuito de tentar firmar um acordo amigável.

A equipe policial, então, deslocou-se até o endereço, onde encontrou os envolvidos discutindo de forma calorosa.

Segundo relato de Jussimara, ela trafegava pela Rua Melvin Jones, no sentido oeste/leste, quando veio a colidir transversalmente com o veículo de Alex, que trafegava pela Avenida Prefeito Lúdio Martins Coelho, no sentido sul/norte.

A mulher conta  que após a colisão, Alex propôs que ambos se deslocassem até sua residência para tentarem um acordo amigável. As partes deslocaram, então, para a Rua das Maria Luiza Moraes, contudo, em dado momento, o homem passou a se exaltar, elevando o tom de voz e adotando postura agressiva.

Jussimara informou, ainda, que Alex teria chamado seu esposo, Saulo David Nantes Pimenta, para definir o valor a ser transferido no acordo.

Relatou que, em determinado momento, abriu a porta do veículo de Alex e, em seguida, pegou uma arma de fogo no porta-luvas, afirmando ter agido dessa forma por receio de que o bombeiro efetuasse disparos contra seus familiares.

A arma foi entregue espontaneamente à equipe policial por Jussimara, tratando-se de uma pistola, calibre .380.

Durante a coleta de dados, houve uma discussão, na qual Alex passou a alegar que a condutora estaria tentando extorquí-lo, exigindo a quantia de R$ 10 mil, fato que, segundo ele, teria motivado o desentendimento.

Em dado momento, Alex passou a proferir ofensas e ameaças contra o o sobrinho de Jussimara, identificado como Leandro Kaue Teixeira Silva.

Os policiais identificaram que ambos os envolvidos no acidente apresentavam visíveis sinais de embriaguez, tais como comportamento agressivo, odor etílico, olhos avermelhados e fala arrastada. Os dois se recusaram a fazer o teste do etilômetro.

Os envolvidos foram levados até a Delegacia de Polícia. Os veículos foram liberados para terceiros, como o sobrinho de Jussimara e a um homem chamado Rafael Evangelista. O armamento foi entregue para a Polícia Civil.

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