Cidades

CARANDIRU

Polícia apreende maconha, cocaína e armas em 'favela do crime' na Capital

Operação da Polícia Civil mirou criminosos que se escondiam em complexo de condomínios na Mata do Jacinto

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Com 46 mandados de busca e apreensão e 13 prisões cumpridas, a Polícia Civil em conjunto com a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul realizou, nesta terça-feira (6), a operação "Abre-te Sésamo", no qual mirou criminosos que moravam em um condomínio na Mata do Jacinto. O local também era usado para esconder produtos de roubos e furtos, além de armas e drogas.

Das 13 prisões realizadas hoje, 11 foram em flagrantes e tiveram como alvos duas mulheres e nove homens, dos quais um era adolescente. Também foram presas mais duas pessoas por meio de mandado de busca e apreensão. 

No residencial, conhecido como Carandiru, em referência ao antigo presídio que existia em São Paulo, a polícia ainda confiscou 50 munições, duas armas e 20 mil em espécie, além de 14 quilos de drogas, dos quais 12 eram de maconha e dois de cocaína. 

De acordo com a coordenadora da operação, Priscilla Anuda, titular da 3ª Delegacia de Polícia, além de realizar as prisões e apreensões, durante a ação também foi prestado apoio social aos moradores que não têm envolvimento com crimes e apenas alugam apartamentos no local.

Ao todo, 23 famílias habitam o espaço, sendo que todos que foram levados presos hoje também residem no complexo residencial.

O condomínio, que tem a estrutura precária por falta de manutenção, foi construído em 1994, mas, hoje, nem a planta do local é a original, o que dificultou a atuação da polícia durante a operação. 

Com a desvalorização que se abateu diante do condomínio, muitas famílias de baixa renda passaram a residir no local, mas, fizeram o mesmo criminosos que queriam se esconder da polícia, usando os apartamentos não apenas como moradia, mas também de  esconderijo para todo tipo de material ilegal, como drogas, objetos roubados e armas.

Pelas apreensões feitas nos apartamentos alvos da operação, foi possível lotar dois caminhões com notebooks, computadores, televisores, bicicletas, bem como outros objetos de valores cuja procedência não foi comprovada. A origem e a quantidade de itens ainda será apurada pela polícia. 

Em entrevista coletiva na tarde desta terça-feira (6), o Delegado-Geral da Polícia Civil, Roberto Gurgel de Oliveira, o condomínio residencial no qual a operação foi deflagrada é o ponto central de diversos crimes ocorridos na região como homicídios, roubos, furtos e tráfico de drogas. 

"O resultado saiu como o desejado e aguardado pela população da região, que é um dos diversos pontos sensíveis da cidade. A área é de extrema criminalidade, onde há ações como violência, homicídios e crimes contra o patrimônio. No fim, é uma favela dentro de um condomínio", afirmou Gurgel. 

Por sua vez, o delegado Wellington Oliveira, reforçou que os 46 mandados foram cumpridos de forma simultânea no prédio. Para ele, a forma como se deu a operação é uma demonstração de força policial, o que pode gerar um desencorajamento para os criminosos. 

"Por mais de meses fizemos o planejamento, cada órgão com sua particularidade na ação. A análise criminal e o planejamento efetivo contribuíram para o sucesso da operação.", afirmou durante a coletiva.

Pelo fato do complexo que abrange três edifícios estar com a infraestrutura precária, a polícia ainda informou que a prefeitura será informada da situação e, caso necessário, os moradores serão retirados do espaço. O Ministério Público Estadual de MS também será notificado para tomar as devidas providências. 

"Não tivemos apenas a visão de polícia judiciária, mas, sim, de dar apoio através da assistência social e Defesa Civil, pois quando chegamos [no condomínio] visualizamos um cenário perigoso. Lá existe instalação irregular com risco de incêndio, escadaria com pisos faltando, por isso, fizemos a operação com outras instituições para verificar o estado em que as pessoas estão vivendo.", concluiu.

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APOSENTADORIA

Ex-major Carvalho, o "Pablo Escobar brasileiro", receberá mais de R$ 1 milhão em precatórios

Sérgio Carvalho é acusado de tráfico internacional de cocaína e receberá valores referentes a reserva remunerada, antes de decisão que o expulsou da PM e cassou os proventos

09/03/2026 19h30

Major Carvalho foi preso em junho de 2023, em Budapeste

Major Carvalho foi preso em junho de 2023, em Budapeste Foto /Divulgação

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O ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Sérgio Roberto de Carvalho, considerado um dos maiores traficantes internacionais de drogas e conhecido como Pablo Escobar brasileiro, irá receber mais de R$ 1,3 milhão, referente a reserva remunerada que não foram pagas. A decisão é do juiz da 4ª Vara de Fazenda Pública e Registros Públicos, Marcelo Andrade Campos Silva.

De acordo com a decisão, trata-se do cumprimento de sentença de um mandado de segurança já transitado em julgado, que assegurou ao ex-major Carvalho o recebemimento de proventos que não foram pagos entre o período de 2011 a 2015.

O ex-policial moveu processo contra a Agência de Previdência Social de Mato Grosso do Sul (Ageprev) em 2011.À época, ele cobrava cobrava R$ 516.695,00 em aposentadorias, valor que alega não ter recebido devidamente.

Na ação, ele alegou que era policial militar aposentado desde 1996 e que, em junho de 2010, houve a suspensão do pagamento dos proventos de sua aposentadoria em decorrência da decisão judicial que declarou a perda de posto de patente após condenação por tráfico de drogas.

Ele alegou que a decisão judicial em questão não tinha o condão de interromper o pagamento da aposentadoria, uma vez que o pedido feito pelo Ministério Público se restringia à declaração de perda de posto de patente e defendeu que não houve qualquer tipo de procedimento que justificasse a suspensão do pagamento.

O pedido foi negado inicialmente, mas posteriormente acolhido, com determinação para pagamento de valores devidos desde a impetração da ação, sendo o valor inicial pleiteado corrigido e os cálculos homologados em novembro de 2022, fixando o crédido devido ao ex-major em R$ 1.313.732,01.

    

Mesmo com o trânsito em julgado, houve manifestações do Ministério Público Estadual (MPMS) e da Ageprev, que tentavam a extinção do cumprimento da sentença sob alegação de que, no período, outra decisão judicial determinou a perda do posto e da patente e também a cassação dos proventos adquiridos na passagem para a reforma.

O juiz Marcelo Andrade Campos Silva, no entanto, afirmou que não há possibilidade de extinção do feito executivo. Ele cita que a decisão que sobreveio oportunizou a nova suspensão dos pagamentos mensais, mas não atinge os pagamentos anteriores.

"Ocorre que, a decisão proferida nos autos da representação acima mencionada tem efeitos ex nunc, ou seja, a partir de sua publicação, haja vista seu texto (fundamentação e dispositivo) não dispor em sentido contrário, portanto, não retroagindo automaticamente para atingir período anterior à decretação da medida", diz a decisão.

Ou seja, o ex-major não tem direitos a receber qualquer remuneração a partir da sua exclusão das fileiras da corporação, mas a obrigação do pagamento de dívidas anteriores a essa decisão permanece vigente.

"Logo, obstada apenas a continuidade dos pagamentos futuros, resta viável a requisição via precatório dos valores devidos para o período anterior", acrescenta o magistrado.

"Desta feita, o presente feito, que versa sobre cumprimento de sentença que reconhece a exigibilidade de obrigação de pagar quantia certa pela Fazenda Pública (art. 534 e 535 do CPC), deve prosseguir regularmente", acrescenta.

O juiz conclui a decisão ressaltando que o pagamento deve ser feito no valor homologado anteriormente, de R$ 1,3 milhão, através da expedição de precatórios.

Major Carvalho foi preso na Hungria em 2023, com um passaporte mexicano falso e era procurado pelas polícias do Brasil e da Europa. Atualmente ele está detido na Bélgica, onde aguarda julgamento por tráfico de drogas. Outros 30 acusados também são julgados.

Major Carvalho

Conhecido como “Pablo Escobar brasileiro” , a Polícia Federal (PF) estima que Major Carvalho tenha movimentado R$ 2,25 bilhões entre os anos de 2018 e 2020, com exportações de 45 toneladas de cocaína à Europa..  

O ex-major ingressou na Polícia Militar de Mato Grosso do Sul no fim da década de 1980 como comandante do Batalhão Militar de Amambai, área de fronteira do Estado com o Paraguai.  

Na década de 1990, Carvalho já estava envolvido com atos ilícitos, como o contrabando de pneus. Anos depois, o ex-major foi pego contrabandeando uísque.

Em 1997, Carvalho já transportava cocaína da Colômbia e da Bolívia até o interior de São Paulo. No mesmo ano, o ex-major foi transferido para a reserva remunerada da Polícia Militar de MS. No ano seguinte, foi condenado a 15 anos de prisão pelo tráfico de 237 quilos de cocaína. 

Após um longo processo e perda de seu posto e patente, sua aposentadoria foi suspensa em 2010. No entanto, em 2016, conseguiu reaver na Justiça o benefício de R$ 9,5 mil mensais.

Após desaparecer de Campo Grande em 2016 e iniciar o processo de logística internacional para o tráfico de drogas, Carvalho foi inserido na lista da Interpol, em 2018.  

O megatraficante foi expulso da Polícia Militar de MS em março de 2018.

Em 2019, o narcotraficante foi novamente condenado, desta vez a 15 anos e três meses de prisão, por usar laranjas em empresas de fachada para movimentar R$ 60 milhões.  

No Brasil, o Porto de Paranaguá (PR) era o preferido da quadrilha de Carvalho para as remessas de drogas ao Velho Continente.

Aplicação de recursos

TCE-MS quer esclarecimentos da Prefeitura sobre corredores de ônibus em Campo Grande

O relator Osmar Domingues Jeronymo também pede que explicações sobre intervenções realizadas na Avenida Norte Sul

09/03/2026 18h45

Gerson Oliveira

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O conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), Osmar Domingues Jeronymo, encaminhou à prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, dois ofícios solicitando informações sobre obras públicas relacionadas à infraestrutura viária e à mobilidade urbana na capital. Os pedidos foram feitos na última quinta-feira (5).

Em um dos ofícios, o relator requisita dados sobre a aplicação de recursos municipais utilizados como contrapartida na implantação dos corredores de ônibus em Campo Grande, iniciativa vinculada ao plano de mobilidade urbana do município e financiada pelo Governo Federal por meio do Programa Avançar Cidades.

As obras incluem intervenções de infraestrutura, construção de estações de embarque e desembarque, implantação de sinalização vertical, horizontal e semafórica, além de reformas associadas ao sistema de transporte coletivo.

Além deste pedido, no outro ofício, o relator requer esclarecimentos sobre intervenções realizadas na Avenida Norte Sul, incluindo obras de infraestrutura, contenção de erosão, drenagem, recapeamento, extensão de vias, pavimentação, implantação de ciclovias e a revitalização do córrego Anhanduí/Ernesto Geisel.

O conselheiro também solicita informações sobre a origem dos recursos aplicados nessas intervenções, ou seja, se estes são provenientes de verbas municipais, estaduais ou federais. Além disso, também requer a relação dos contratos e convênios atualmente em vigor firmados pelo município para a execução das obras.

O Tribunal de Contas estabeleceu prazo de 10 dias úteis, a partir da ciência da intimação, para que o Executivo Municipal apresente os esclarecimentos solicitados pela relatoria.

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