Apontado como predador sexual, José Carlos Santana Júnior, de 37 anos, foi descrito pela delegada Analu Ferraz, como alguém que queria chamar atenção, não tinha um perfil específico de vítimas, e circulava “para predar” pelas ruas da Capital

“Ele escolhia de forma aleatória. Uma que ele observasse que tivesse vulnerabilidade maior que ele conseguisse predar”, pontuou a delegada.
Foi possível levantar durante o interrogatório que José Carlos escolhia às vítimas aleatoriamente. Ele não tinha um perfil específico ou padrão.
Pela manhã, desta quarta-feira (4) uma vítima de estupro na forma tentada, que não teve a idade divulgada, registrou a ocorrência. No dia 21 de setembro ela seguia pela Eduardo Elias Zahran quando foi perseguida pelo predador sexual, mas conseguiu correr e se esconder em um comércio da região.
Além disso, uma adolescente de apenas 14 anos, registrou ocorrência na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA).
Levantamento
Mais três vítimas devem comparecer a DEAM, na quinta-feira (5) para realizar o reconhecimento. Nesta fase, conforme explicou a delegada, o enfoque são os casos de estupros de data anterior, em que ele trabalhou como motorista de aplicativo.
“Às vítimas que estamos identificando estamos pedindo para vir até a delegacia. Então, acredito que até o final de semana a gente já tenha um levantamento maior de vítimas que a gente conseguiu”, explicou a delegada.
Quando terminarem de cruzar ocorrências nesta primeira fase irão partir para os crimes que José Carlos cometeu enquanto exerceu a função como motorista de aplicativo. “Ele está solto tem um tempo e em um intervalo curto fez essas vítimas. Acredito que vai ser um pouco mais difícil a gente fechar [a quantidade de vítimas]”, observou a Delegada.
Ao ser questionada pelo Correio do Estado se acredita na possibilidade do predador sofrer de algum distúrbio, foi enfática em negar. A Delegada explicou que ele tem plena consciência dos crime que cometeu.
“Ele está sobre plena consciência das faculdades mentais dele. Durante o interrogatório exerceu o direito de permanecer em silêncio. Disse que só falaria em juízo, mas quando eu questionei que tinha vídeos que ele estava inclusive com a camisa que ele estava usando [no momento do crime] mostrei os vídeos e ele disse que era ele nos dois vídeos”, apontou a delegada.
Enquanto passava pelo interrogatório, José Carlos não fez uso de algemas, o comportamento foi de tranquilidade beirando a frieza enquanto era inquirido acerca dos casos.
“Ele não esboça nenhum tipo de agressividade, não é agressivo. Eu questionei sobre uma das vítimas que fez o reconhecimento se ele chegava a agredir às vítimas e ele falou ‘não senhora, não bato em ninguém, só tenho minhas fraquezas’”, contou a delegada.
Desespero durante o reconhecimento
A delegada relatou que durante o reconhecimento do estuprador o momento foi de grande choque para todas as vítimas. O bandido fica posicionado em uma sala e a mulher o observa por um vidro em que apenas elas podem vê-lo.
Sala de Reconhecimento / DEAM“O momento do reconhecimento das vítimas foi um momento bem marcante. Porque todas às vítimas se emocionaram muito. No momento em que elas entraram na sala de reconhecimento e elas viram ele do outro lado, todas ficaram emotivas, chorando demais, teve uma senhora que estava incontrolável”, relatou a delegada.
Cerco
A denúncia da vítima de 20 anos, estuprada no de 22 de setembro de 2023, na Avenida Afonso Pena, foi cabal para elucidar o caso. Após o registro de ocorrência imediatamente agentes da DEAM traçaram o percurso por meio de ajuda da vítima para definir possíveis rotas que o estuprador usou quando foi embora.
“Quando teve ocorrência do dia 22 no sábado mesmo, a gente foi a campo para pegar algumas imagens. Só que a maioria [dos locais] é monitorado por empresas de segurança de monitoramento. Então, a gente só teve acesso na segunda-feira. Na segunda, eu e a investigadora a gente foi até a região central e refizemos todo o trajeto. Verificamos o local onde a menina viu. Pegamos todos os pontos de câmera, fizemos um mapa do trajeto e a gente foi atrás de câmera. A gente conseguiu uma câmera que pegava um homem de blusa preta colocando a menina exatamente dentro do veículo”, detalhou a delegada.
A partir de então a delegada e a investigadora começaram a “montar o quebra cabeça” conseguindo levantar ruas que ele seguiu para chegar até o local onde atacou a jovem. Com ajuda da Guarda Municipal conseguiram a imagem da placa do veículo que é do carro usado como motorista como aplicativo.
Ele queria ser notado
Para a delegada Analu, o estuprador pode ser definido como “serial” e que claramente demonstrava prazer em ser reconhecido ou notado.
“Ele estava até sendo coaching, estava vendo nas redes sociais, que ele estava trabalhando como coaching motivacional. Acredito que sim [ele queria ser notado]”, apontou a Delegada Analu.
O que chamou atenção para outros casos de possíveis vítimas veio por meio de relatos, como a camiseta na cor preta que se repete em diversos casos, indicando possivelmente que ele usasse a mesma roupa durante a prática dos estupros. Detalhes como a cor do veículo, forma de agir. Padrões, na prática da violência sexual em que duas mulheres relataram que foram obrigadas a praticar atos libidinosos.


Reprodução/PCMS
Reprodução/PCMS
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