Cidades

enganoso

Post engana ao sugerir que governo federal banca 1,3 mil pessoas na COP28

Os custos pagos pelo governo são apenas os de representantes da administração pública federal, menos da metade da delegação brasileira

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A delegação brasileira que participou da COP28 em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, não foi toda financiada com recursos do governo federal, como indica postagem do deputado federal Kim Kataguiri (União-SP).

Lista de participantes do evento conta também com membros de outros poderes (Legislativo e Judiciário), assim como políticos de estados e municípios e integrantes de entidades privadas e de organizações da sociedade civil.

Os custos pagos pelo governo são apenas os de representantes da administração pública federal.

Conteúdo investigadoPostagem do deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) traz captura de tela do título de uma reportagem que diz “Brasil tem a maior delegação da COP28, com 1.337 nomes inscritos”.

O parlamentar escreve: “O Governo Lula é composto por um monte de deslumbrado. Isso não é preocupação com meio ambiente. É turismo pelo mundo com dinheiro público”.

Onde foi publicado: X (antigo Twitter).

Conclusão do Comprova: É enganosa a postagem do deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) que insinua que 1.337 membros da delegação brasileira que compareceram à Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP28) em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, teriam sido bancados pelo governo federal. O evento é realizado entre os dias 30 de novembro e 12 de dezembro.

O post analisado utiliza de forma distorcida os dados de uma matéria do jornal Folha de S.Paulo que diz que a delegação brasileira no evento foi a maior do mundo, com 1.337 integrantes.

Contudo, o próprio texto da reportagem esclarece que os representantes do governo federal brasileiro são cerca de 400, segundo o Itamaraty.

Como explicaram funcionários do Ministério das Relações Exteriores em comunicado à imprensa, o Brasil considera como parte da delegação nacional na COP todo brasileiro inscrito para participar, incluindo empresários, representantes de entidades privadas e de organizações da sociedade civil.

Contudo, somente representantes da administração pública federal têm os custos cobertos pelo governo federal.

Uma planilha com os nomes e funções dos participantes do evento está disponível no site da COP28.

Na parte que mostra a lista de agentes públicos brasileiros, percebe-se que há 1.337 participantes, o número divulgado pela Folha.

O grupo, porém, também é formado por governadores, prefeitos, vereadores, secretários e assessores, técnicos e profissionais de imprensa de estados e municípios.

Há ainda representantes de outros poderes como ministros do Supremo Tribunal Federal, parlamentares e representantes de partidos políticos. Um deles é Antônio Eduardo Gonçalves de Rueda, 1º vice-presidente do União-Brasil, partido do deputado autor da postagem enganosa.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; conteúdo que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

Alcance da publicação: O Comprova investiga os conteúdos suspeitos com maior alcance nas redes sociais. Até o dia 07, o tuíte enganoso tinha 122,9 mil visualizações, 560 compartilhamentos e 4 mil curtidas.

Como verificamos: Inicialmente, buscamos pelo título da matéria que aparece na postagem analisada e encontramos o conteúdo original, publicado pelo jornal Folha de S.Paulo. Em seguida, foi feita uma busca no site da COP28 pela lista de participantes citada na matéria.

O Comprova ainda consultou comunicado à imprensa de membros do Itamaraty, no qual foi informado o dado de cerca de 400 representantes do governo federal na COP28, e fez contato com o gabinete do deputado responsável pelo tuíte enganoso.

Reportagem já esclarecia a situação

O tuíte analisado nesta verificação se baseia em matéria da Folha com o título “Brasil tem a maior delegação da COP28, com 1.337 nomes inscritos”.

A leitura do texto, porém, já é suficiente para se concluir que a postagem sugerindo que os 1.337 integrantes tiveram custos da viagem bancados pelo governo Lula é enganosa.

Na matéria, há informação, atribuída ao Itamaraty, dando conta de que a delegação oficial do governo, entre autoridades e funcionários, é de cerca de 400 pessoas, e que o governo cobre apenas gastos de participação de representantes da administração pública federal.

Um dia antes da matéria da Folha, a Exame divulgou um número ainda maior de membros na delegação brasileira: 2.400 inscritos – dado, segundo o texto, divulgado pelo Itamaraty. Mais uma vez, o texto diz que “entre autoridades e funcionários do governo são em torno de 400 nomes”.

Essas informações atribuídas ao Itamaraty pela Folha e pela Exame constam no comunicado de autoridades da pasta à imprensa, no dia 20 de novembro.

Quando perguntado sobre o número de participantes da delegação brasileira, o embaixador André Aranha Corrêa do Lago, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente, esclarece que, por tradição, a delegação nacional engloba todos os brasileiros interessados em participar do evento: “Queria reiterar que só uma parte bem menor dessa delegação é paga pelo estado brasileiro”, diz o embaixador, informando mais à frente o número de aproximadamente 2.400 inscritos e, dentre estes, cerca de 400 da comitiva do governo federal.

Lista da ONU mostra membros de estados, municípios, do Legislativo e Judiciário

A lista na qual a Folha se baseou foi disponibilizada, em 30 de novembro, no site do Secretariado de Mudanças Climáticas da ONU, contendo os participantes inscritos até aquele momento.

Na planilha, é possível constatar que a contagem foi feita na aba “Parties”, onde a delegação brasileira começa na posição 1.814, com o presidente Lula, e termina na posição 3.150, com Arnaldo Zunizakae, do departamento de Projetos Estratégicos de Etnoturismo do Estado do Mato Grosso. Entre as posições 1.814 e 3.150 da planilha, contam-se 1.337 participantes brasileiros – o número divulgado pela Folha.

Como mostra a captura de tela da planilha, é possível ver a participação de representantes de diversos estados e da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

Os exemplos sinalizados estão entre as posições 3.134 (representante do Estado de São Paulo) e 3.111 (representante do Senado Federal) da planilha.

Há, ainda, a participação de representantes de partidos, como o União Brasil, partido do deputado responsável pela postagem enganosa.

Um deles é Antônio Eduardo Gonçalves de Rueda, 1º vice-presidente do União-Brasil, que aparece na posição 2.451 da tabela.

Em agosto, o Ministério das Relações Exteriores divulgou formulário para credenciamento de representantes do poder público e de entidades do setor privado e da sociedade civil brasileiras interessados em participar da delegação brasileira na COP28.

O texto traz a seguinte observação: “O governo federal não se responsabiliza por custos ou procedimentos relativos à concessão de visto, passagens aéreas e reserva de hospedagem para participar da reunião em apreço”.

A planilha da ONU tem ainda uma segunda lista, onde estão relacionados 1.744 nomes de representantes da sociedade civil, empresas, associações, universidades e outros.

O que diz o responsável pela publicação: O Comprova fez contato com o gabinete do deputado federal Kim Kataguiri. Não houve resposta até a publicação deste texto.

O que podemos aprender com esta verificação: Desinformadores usam com frequência partes de reportagens fora de contexto para fazer afirmações genéricas e sem fundamento a partir do conteúdo publicado originalmente.

Nesse caso, a leitura do texto da matéria cujo título foi usado pelo deputado bastaria para que o leitor compreendesse que a comitiva brasileira não era composta apenas de membros do governo federal. Por isso, é importante buscar a origem da informação e compreender o contexto para não ser enganado.

Por que investigamos: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas e eleições no âmbito federal e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: Outros conteúdos recentes que viralizaram nas redes sociais foram classificados como enganosos pelo Comprova: post mente ao relacionar soltura de membros do Comando Vermelho a visitas de “dama do tráfico” a ministérioagência europeia não desqualificou vacinas contra a covid-19 e médica engana ao dizer que vacinas contra a covid-19 causam infarto e morte súbita em crianças.

Infraestrutura

Ampliação da rede de esgoto na Capital tem efeito na saúde pública e no meio ambiente

Ampliação da cobertura de esgoto em Campo Grande reduz fossas, melhora a saúde pública, protege o meio ambiente e garante água tratada com qualidade cristalina nas estações de última geração

26/08/2026 13h00

Em Campo Grande, obras de ampliação da rede de esgoto não param; objetivo é a universalização da rede com obras mais complexas

Em Campo Grande, obras de ampliação da rede de esgoto não param; objetivo é a universalização da rede com obras mais complexas Divulgação

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A busca por soluções práticas para resolver dilemas urbanos complexos é um dos grandes motes no aniversário de Campo Grande. Se a gestão de uma capital exige estratégias robustas de planejamento, muitas das melhorias mais perceptíveis no cotidiano das famílias ocorrem de forma discreta, sob o asfalto, por meio da expansão do esgotamento sanitário.

O saneamento básico em Campo Grande exemplifica como uma intervenção estrutural simplificada na ponta do consumo consegue desencadear impactos profundos na saúde pública, na economia doméstica e no desenvolvimento ordenado da capital de Mato Grosso do Sul.

Gabriel Buim, diretor-presidente da concessionária Águas Guariroba, aponta que o serviço de abastecimento de água potável já está universalizado na capital. Ele detalha que, em termos de saneamento básico, o município já alcançou um nível de atendimento expressivo. “Infraestrutura de esgoto, a gente tem hoje 94% de cobertura de esgoto. A gente está chegando a 90% de atendimento da população, que é um marco muito significativo”, detalha. Atualmente, o município contabiliza cerca de 420 mil ligações de água ativas e 380 mil ligações de esgoto.

Para alcançar o patamar definitivo de universalização, o planejamento da concessionária prevê a execução de mais 40 mil novas conexões de esgoto até 2028. Esse avanço final exigirá obras maiores e mais complexas. Buim explica o planejamento para essa reta final. “Nos próximos anos, a gente quer chegar a 98% de cobertura, com as obras mais complexas”.

Em Campo Grande, obras de ampliação da rede de esgoto não param; objetivo é a universalização da rede com obras mais complexas Diretor-presidente da Águas Guariroba, Gabriel Buim (Foto: Marcelo Victor)

Ele acrescenta que, enquanto no período recente as intervenções eram pontuais nas ruas dos bairros, o foco nos próximos anos se volta para projetos de grande porte. “Atualmente, estamos fazendo um trabalho pontual, porém, significativo, em vários bairros de Campo Grande. Mas no ano que vem, vamos fazer intervenções em lugares como a Avenida Ernesto Geisel, perto do Jardim Seminário”, explica. “Então, a gente vai começar a chegar agora nas obras de grande porte, que são esses interceptores, os coletores para dar escala no crescimento da cidade”.

Entre os projetos previstos estão intervenções na Avenida Ernesto Geisel e a ampliação de um coletor de 1.000 milímetros voltado para a região do Seminário.

Adesão

Do ponto de vista prático do morador, a adesão à rede de esgoto funciona sob uma lógica de extrema simplicidade. A concessionária realiza a instalação da tubulação pública e deixa o ramal de ligação pronto e disponível na calçada do imóvel.

Buim destaca que o processo interno para o cliente é direto. “É só ele ligar. Geralmente, as casas mais novas de Campo Grande que não tinham acesso a esgoto, o morador deixava a fossa na frente da casa. Depois que a rede passa na via, é só tubulação e ligar”.

Essa facilidade de transição ajuda a explicar o alto índice de adesão na cidade, que varia entre 97% e 98% assim que a infraestrutura passa a estar disponível na rua.

O impacto financeiro dessa mudança é sentido de forma imediata pelas famílias de menor renda. Gabriel Buim exemplifica essa realidade com base em atendimentos realizados no Bairro Cristo Redentor, na periferia da capital, onde os moradores sofriam com os gastos constantes para manter as antigas fossas funcionando. Ele exemplifica um caso em que o morador apelou pela chegada da rede sob a justificativa de economia imediata. “Ele me dizia que não aguentava mais pagar R$ 300 a cada duas semanas para limpar a fossa da casa dele”.

Em contrapartida, com a chegada da tubulação de coleta, o custo cai sensivelmente. “Uma conta de esgoto de uma residência que consome 10 m³ vai ser R$ 100, R$ 120. Para manter a fossa devidamente limpa, ele estava pagando R$ 300 a cada 15 dias”, compara.

Capacitação

Para acelerar esse processo de ligação interna e ainda gerar oportunidades de emprego locais, a concessionária desenvolveu projetos de capacitação em parceria com o Senai. A empresa envia carretas de treinamento a bairros que estão recebendo rede nova, como o Itamaracá, para treinar moradores locais.

Nesses cursos práticos, os participantes aprendem a fazer a conexão residencial de esgoto e saem certificados. De acordo com o presidente da concessionária, “o morador, no fim do dia, ele também está tendo um ganho ali, porque ele está saindo com diploma, com certificado do Senai para poder trabalhar depois como pedreiro”.

Menos fossas, mais saúde

A substituição de fossas pela rede de esgoto reflete diretamente em um dos maiores gargalos da administração municipal: a saúde pública. Para detalhar essa correlação de forma científica, a Águas Guariroba divulgou um estudo abrangente elaborado em cooperação com o governo do Estado. O levantamento cruzou os dados geográficos da expansão da rede de esgoto com os registros de atestados médicos protocolados no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Buim ressalta a profundidade do levantamento ao apontar que “o estudo pega direto a quantidade de internações relacionadas a doenças de veiculação hídrica. Pega também a assiduidade do trabalhador e quanto de renda vai gerar nos próximos 10 anos após a universalização”. Ao cruzar as informações, a concessionária e o governo obtiveram resultados claros: “Pega tudo de atestado protocolado no INSS e cruza com a cobertura da rede de esgoto. Onde tem esgoto, você vê que tem menos afastamentos por doenças hídricas”. Essas doenças incluem diarreia, leptospirose e dengue.

Controle de pragas urbanas

Outro desdobramento direto da desativação das fossas domésticas e da canalização correta do esgoto é o controle de pragas urbanas. Com a rede pública, a presença de ratos nas moradias diminui consideravelmente, uma vez que “o rato não tem mais o sumidouro e a fossa para entrar. O esgoto é fechadinho, o rato não consegue entrar”.

A substituição das fossas tradicionais também interfere na questão dos escorpiões, um tema que gera preocupações frequentes entre os moradores. “Na fossa tem barata e um monte de sujeira”, explica. 

Estações

Toda a infraestrutura de tubulações subterrâneas requer estações de tratamento robustas e modernas para processar os resíduos coletados. Atualmente, Campo Grande opera com três Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) e planeja a construção de uma quarta unidade, denominada ETE Coqueiro, voltada para atender especificamente à bacia de expansão da região noroeste. Recentemente, a concessionária colocou em operação a ETE Botas para atender a região do Nova Lima.

Contudo, o principal destaque tecnológico e financeiro da Capital estará na completa reformulação da ETE Los Angeles, que se consolidará como “um dos maiores investimentos em saneamento do País”. A obra, estimada em cerca de R$ 400 milhões, adotará a tecnologia de ponta Nereda. Gabriel Buim destaca que “vai ser o maior sistema Nereda do País”, com uma capacidade de tratamento projetada para atingir patamares inovadores.

A tecnologia elevará de forma significativa a qualidade do tratamento da água devolvida à natureza. Hoje, o nível de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) na ETE Los Angeles é de 90 miligramas por litro, mas, com a nova operação, cairá drasticamente. “Com esse novo sistema, vai sair a 10 mg/l. Vai sair água praticamente cristalina”.

HOMICÍDIO

Investigação confirma que garagista foi morto por engano

Vitor Orsini, de 19 anos, foi confundido com o verdadeiro alvo de uma emboscada; autor só descobriu após o crime que havia matado a pessoa errada

26/08/2026 12h30

Vitor Orsini, de 19 anos, foi assassinado dentro da garagem de veículos da família, em Dourados

Vitor Orsini, de 19 anos, foi assassinado dentro da garagem de veículos da família, em Dourados Osvaldo Duarte/Dourados News

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A Polícia Civil confirmou que Vitor Orsini, de 19 anos, foi morto por engano na tarde de 7 de agosto, dentro da garagem de veículos da família, em Dourados. O jovem não era o alvo da execução planejada pelo grupo e teria sido confundido pelos criminosos com outro homem, que era esperado no estabelecimento naquele horário. 

Novos detalhes da investigação foram apresentados nesta quarta-feira (26) pelo delegado Lucas Albé, do Setor de Investigações Gerais (SIG) de Dourados. Segundo informações divulgadas pelo portal Dourados News, o próprio autor dos disparos, Denis Barbosa de Melo, de 25 anos, descobriu somente após retornar a Ponta Porã que havia executado a pessoa errada.

A conclusão reforça a linha de investigação revelada anteriormente, de acordo com as informações já apresentadas, uma negociação envolvendo uma Toyota SW4 teria sido utilizada para preparar a emboscada. O verdadeiro alvo deveria comparecer à garagem por volta das 14h, mesmo horário programado para a chegada dos executores.

O homem no entanto, não apareceu. Quando os criminosos chegaram ao estabelecimento, encontraram Vitor próximo aos veículos e efetuaram os disparos contra ele. 

Até o momento, não foram encontrados elementos que indiquem qualquer participação do jovem na disputa que teria motivado o plano de execução.

A Polícia Civil também descartou a versão de que Denis teria saído de Brasília (DF) especificamente para cometer o assassinato. Conforme Albé, o suspeito já estava na região de fronteira havia aproximadamente três ou quatro meses antes do homicídio.

A presença dele na região estaria relacionada ao tráfico de drogas. Segundo a investigação, Denis atuava no transporte de entorpecentes para grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro, realizando fretes para diferentes grupos criminosos.

Apesar desse histórico, a Polícia Civil afirma que ele não era um pistoleiro profissional e que sua participação no plano para matar o verdadeiro alvo teria sido acertada quando ele já estava na região de Ponta Porã.

Ainda conforme o portal Dourados News, a investigação aponta que Denis possuía uma dívida com pessoas da fronteira e teria recebido outro valor para participar da execução. 

Após o assassinato, ele retornou para Ponta Porã. Foi nesse momento, conforme relatado pelo próprio investigado durante interrogatório, que os responsáveis pela contratação comunicaram que o grupo havia matado a pessoa errada.

Denis acabou preso quatro dias depois do crime, na região de Ponta Porã. 

Emboscada

A investigação identificou conversas mantidas na manhã do homicídio relacionadas à venda de uma Toyota SW4 que estava na garagem da família de Vitor.

Cláudio Henrique de Arruda, de 43 anos, empresário e proprietário de uma academia em Ponta Porã, teria demonstrado interesse no veículo e informado que um homem iria até o estabelecimento por volta das 14h para avaliar a caminhonete.

Para a Polícia Civil, a negociação teria sido utilizada como meio de fazer com que o verdadeiro alvo estivesse na garagem justamente no momento da chegada dos executores.

Esse homem teria relação anterior com Cláudio e os dois já haviam sido presos por tráfico de drogas anos atrás.

Cláudio foi preso preventivamente no dia 21 de agosto, durante uma operação que também cumpriu cinco mandados de busca e apreensão na região de fronteira. A extensão da participação dele na preparação e execução do crime ainda é apurada.

As diligências apontam que a execução contou com uma estrutura organizada entre Ponta Porã e Dourados, envolvendo pessoas responsáveis pela contratação, deslocamento, transporte e apoio aos executores.

Jeferson Lopes, de 31 anos, e Marcos Antônio Olmedo Vera, de 23, são apontados como suspeitos de participar da contratação dos executores e de levá-los de Ponta Porã para Dourados em uma BMW. Os dois permanecem foragidos.

Em Dourados, um adolescente de 17 anos teria fornecido uma motocicleta furtada e auxiliado os envolvidos a chegar até a garagem.

Alexsander Gonçalves Borges, de 27 anos, preso no dia 17 de agosto, é apontado como responsável por pilotar a motocicleta utilizada para transportar o autor dos disparos e auxiliar na fuga após o homicídio.

Denis havia sido localizado no dia 11 de agosto, quatro dias após a morte de Vitor, escondido na região de Ponta Porã. O adolescente também foi apreendido por suspeita de participação.

Embora alguns dos investigados tenham histórico ligado a atividades criminosas, a Polícia Civil afirma que, até o momento, não há elementos que demonstrem que uma facção criminosa tenha ordenado ou organizado a execução.

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