Cidades

ponta de um iceberg

Prefeito de Terenos escancara que licitação "é coisa para inglês ver"

Empresas elaboravam propostas financeiras das concorrentes e até pagavam para propostas de concorrentes fictícios. Prefeito exigia propina de 7,5%

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A investigação que no último dia 9 colocou na cadeia o prefeito de Terenos, Henrique Wancura Budke (PSDB), revela que, pelo menos naquele município, licitação, que deveria dar lisura aos certames e derrubar os valores de obras públicas, não passa de um jogo de faz de contas, ou “coisa para inglês ver”. 

Uma série de evidências neste sentido aparece no documento em que o desembargador Jairo Roberto de Quadros determinou a prisão do prefeito e a devassa nas contas da prefeitura e de outras 58 empresas e pessoas físicas. Além do prefeito, outros 15 tiveram a prisão decretada. 

Ainda em 2021, durante os preparativos para reforma da Escola Municipal Rosa Idalina Braga Barboza, empreiteiros interessados na obra combinaram com o próprio prefeito uma série de detalhes sobre o projeto muito antes de sair a licitação. 

O principal deles era sobre o preço. Um destes empreiteiros sugeriu R$ 2 milhões. O prefeito entendeu que era demais e sugeriu em torno de R$ 1 milhão. “Consta que a proposta que se sagrou vencedora foi de R$ 1.123.417,39, da empresa Angico Construtora e Prestadora de Serviços Ltda, de propriedade do investigado Sandro José Bortoloto". 

Aparentemente ocorreu uma licitação entre as empresas Angico, Bonanza  e Tecnika. Porém, o proprietário desta terceira recebeu R$ 15 mil somente para que apresentasse uma proposta superior àquela que já havia sido combinada com o prefeito, aponta a investigação.

E, para que não houvesse algum erro, “Cleberson ficou responsável pelo preenchimento das propostas, da sua e da suposta concorrente, inclusive com papel timbrado da empresa alheia”. 

Essa prática de uma empresa preencher a proposta das demais concorrentes está longe de ser um caso isolado, aponta a investigação.  “Aliás, do que consta nas investigações, utilizavam desse expediente como praxe, eis que as empresas detinham entre si folhas timbradas uma das outras, para supostamente facilitar a consecução ilícita do esquema”, diz a investigação do Ministério Público.

Na concorrência para a reforma da escola o proprietário da empresa Tecnika Contrução, de Rinaldo Cordoba de Oliveira, recebeu somente R$ 15 mil para simular participação do certame. Mas ele posteriormente seria contemplado com um contrato melhor.. 

Sua empresa “sagrou-se vencedora do Pregão nº 006/2024, para contratação de prestação de serviços de recapeamento asfáltico em área urbana, no valor de R$ 1.850.000,00. Com efeito, no dia 11/06/2024, um dia antes do julgamento da referida licitação, Rinaldo teria instado Sandro a fornecer uma proposta "cobertura", e assim Sandro teria dado suporte a Rinaldo, no sentido de direcionar referido certame”, diz trecho da investigação. 

PROPINA

A investigação cita uma infinidade de concorrências públicas em um explícito jogo de cartas marcadas e em praticamente todas elas. E, de acorco com os investigadores, o prefeito tucano exigia o pagamento de propina em todas.

Na reforma da escola da colônia Jamic, por exemplo, sagrou-se vencedora a empresa Angico, pelo valor de  R$ 2.788,662,40. Depois dos aditivos, porém, o custo final somou R$ 3.364,085,05, aponta a investigação do Minisério Público.  

“No que se refere à corrupção do Prefeito, a propina supostamente solicitada e recebida por Henrique oriunda da fraude à Tomada de Preço 006/2022 teria totalizado a quantia de R$ 255.000,00, ou seja, aproximadamente 7,5% do valor total da obra licitada”, relata a promotoria citando a tomada de preços relativa à escola instalada na colônia japonesa. O empresário tinha até uma planilha onde constavam os valores e as datas de pagamento.

Por isso, MPE concluiu que “o grupo teria fraudado e direcionado a Tomada de Preços 006/2022, sob a liderança do Prefeito Henrique, e com a participação pessoal e direta do então Secretário de Obras de Terenos (Isaac), junto com os empresários Sandro e Cleberson, sendo que, posteriormente, teria se providenciado a contrapartida em forma de propina ao Prefeito, cujos valores foram encaminhados à empresa de Eduardo Schoier, que funcionaria como "testa de ferro" de Henrique”. 

ENRIQUECIMENTO

E por conta de cobranças de propina, o prefeito literalmente enriqueceu, segundo a investigação. “Durante as eleições de 2020, Henrique declarou ao Tribunal Superior Eleitoral patrimônio de R$ 776.210,57, enquanto na eleição de 2024 o valor passou para R$ 2.468.418,61, evolução patrimonial esta de 318%”.

Esta declaração, porém, está com valores sub-avaliados, acredita o MPE. “Em pelo menos três bens de Henrique o valor de mercado é muito maior do que aquele efetivamente declarado. A Fazenda Ipê Amarelo, com área de 161 hectares, localizada no município de Aquidauana/MS, teve valor declarado em junho de 2023 de R$ 1.500.000,00, cujo montante foi pago integralmente a vista.”

Naquela região, porém, a terra vale muito mais. “Em pelo menos 11 imóveis rurais semelhantes da mesma região, o valor médio do hectare é de R$ 27.047,98, o que, multiplicado por 161, alcançaria R$ 4.356,017,67”, aponta o despacho do desembargador. 

Por conta disso, a investigação revela que “somado o valor real de marcado, o montante dos bens alcançaria em 2024 o montante real de R$ 6.141.948,18, o que indicaria crescimento de 691% em relação ao que foi declarado na eleição de 2020.”

Mesmo que guardasse todo o seu salário recebido desde que tomou posse, o prefeito jamais teria conseguido acumular tamanho patrimômio. “O Prefeito recebe salário mensal líquido de R$ 15.630,83, de modo que de janeiro de 2021 a junho de 2025, teria auferido o total de R$ 541.410,00”, diz a investigação. 

A defesa do prefeito alega que ele é inocente. O tucano segue preso e pediu afastamento do cargo para poder se dedicar à defesa. 

DITADO ANTIGO

A expressão "para inglês ver" significa que algo foi feito apenas para aparentar, enganar ou fingir, sem uma intenção real de ser levado a sério ou de ter efeito prático.

A sua origem está ligada a uma situação do século 19, quando Brasil,, pressionado pela Inglaterra para acabar com o tráfico de escravos, criava leis que proibiam a prática, mas que não eram aplicadas de verdade. Eram somente eram uma encenação para agradar os ingleses, que exigiam o fim da escravidão. 

Justiça

PGR repete pedido por acesso integral a dados de Vorcaro

Procuradoria reafirma que ministros devem conhecer íntegra do material

12/09/2026 19h00

Supremo Tribunal Federal

Supremo Tribunal Federal Divulgação

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) reiterou neste sábado (12) o pedido para que todos os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tenham acesso integral aos dados extraídos pela Polícia Federal (PF) do celular do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. A manifestação foi encaminhada ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, em meio à disputa sobre quais documentos devem ser disponibilizados antes do julgamento marcado para terça-feira (15).

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu que os integrantes do STF tenham conhecimento prévio de todo o material necessário para formar entendimento sobre as questões em análise.

“Parece-nos relevante, sobretudo e especialmente dadas as peculiaridades da causa, que todos os ministros tenham conhecimento prévio da integralidade dos dados necessários para à formação de juízo sobre o tema posto em debate”, afirmou Gonet na manifestação deste sábado.

Dados do celular

Na sexta-feira (11), Fachin havia pedido a disponibilização integral das mensagens extraídas do aparelho de Vorcaro. O relator de parte do caso, ministro André Mendonça, afirmou, porém, que não estava com o celular e que os dados obtidos pela PF permaneciam em um envelope lacrado em seu gabinete.

Horas depois, Mendonça tornou públicas outras partes da investigação que ainda estavam sob sigilo, mas não liberou aos demais ministros o acesso às mensagens armazenadas no envelope.

Em nova manifestação, a PGR sustentou que a manutenção do conteúdo sob acesso restrito compromete a igualdade de condições entre os integrantes da Corte.

“Tal providência é necessária para que seja assegurado a todos os Ministros o conhecimento de todas as informações relevantes para o julgamento, já que a subsistência de acesso assimétrico ao acervo informativo compromete a paridade entre os integrantes da Corte e, em última análise, a própria colegialidade que deve presidir o julgamento”, escreveu Gonet.

Disputa no STF

O pedido ocorre em meio a uma série de manifestações de ministros sobre o acesso aos documentos que serão considerados pelo Plenário. Na sexta-feira, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin também defenderam que os colegas tenham acesso integral ao material relacionado ao julgamento. Neste sábado, o ministro Gilmar Mendes reiterou a posição.

O pedido deste sábado é assinado, além de Gonet e do vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand Filho, pelos subprocuradores-gerais André de Carvalho Ramos e Antônio Edílio Magalhães Teixeira.

Julgamento na terça

Está marcada para terça-feira (15) uma sessão plenária extraordinária para analisar a Petição 16.662 e decidir sobre a abertura de uma possível investigação sobre supostas relações de Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

Fachin também negou neste sábado o pedido de Moraes para que o processo relacionado a ele fosse julgado conjuntamente com outro procedimento que analisa a atuação de Mendonça como relator de parte do Caso Master.

Segundo o presidente do STF, o processo envolvendo Mendonça ainda está em fase preliminar de instrução e não reúne condições para ser levado ao plenário. A análise desse segundo caso foi marcada para 23 de setembro. 

Tempo

Campo Grande deve ter novo fim de semana de chuva e temporais

Instabilidade deve aumentar entre a noite deste sábado e o domingo, com possibilidade de chuva forte, ventos e trovoadas em quase todo o Estado

12/09/2026 18h30

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Campo Grande ainda contabiliza os estragos provocados pelo temporal de quinta-feira (10), mas o tempo instável deve continuar neste fim de semana. A previsão indica aumento das condições para chuva e tempestades entre a noite deste sábado (12) e o domingo (13), com possibilidade de trovoadas, rajadas de vento e chuva forte em pontos de Mato Grosso do Sul.

Para este sábado, o cenário permanece instável. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta a atuação de um sistema associado a um ciclone extratropical que mantém condições favoráveis à ocorrência de chuva e tempestades em partes do Centro-Oeste. O instituto também chama atenção para a possibilidade de granizo em áreas de MS.

Na Capital, a previsão indica muitas nuvens, pancadas de chuva e trovoadas. O alerta da Defesa Civil reforça o risco justamente durante a noite, período em que podem ocorrer novas ocorrências relacionadas a vento, chuva intensa e descargas elétricas.

Domingo

Para domingo (13), o Inmet prevê em Campo Grande mínima de 18°C e máxima de 34°C, com muitas nuvens, pancadas de chuva e trovoadas isoladas. A combinação de calor e umidade mantém a possibilidade de instabilidade ao longo do dia.

No interior, a instabilidade também deve atingir diferentes regiões do Estado, mas com variação nas temperaturas. Dourados, Ponta Porã, Três Lagoas, Corumbá e Aquidauana estão entre as cidades que devem ter mudança nas condições ao longo do domingo, com possibilidade de chuva associada à atuação da frente fria e das áreas de instabilidade.

Em Dourados, a estação meteorológica da Embrapa Agropecuária Oeste registrou 25 milímetros de chuva entre sexta-feira (11) e sábado, elevando o acumulado de setembro para mais de 72 milímetros.

 

 

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