Cidades

transporte coletivo

Prefeitura é pressionada para reajustar tarifa em ano eleitoral

Desembargador do Tribunal de Justiça reviu a própria decisão de dezembro e determinou que o município deve realizar o reajuste da passagem de ônibus

Continue lendo...

O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) Eduardo Machado Rocha  resolveu rever a decisão que ele próprio deu em dezembro do ano passado, a qual congelava a tarifa do transporte coletivo da Capital.

Com isso, a Prefeitura de Campo Grande volta a ser pressionada para concedero reajuste da passagem de ônibus justamente neste ano eleitoral, quando a chefe do Executivo municipal, Adriane Lopes (PP), tenta sua eleição.

Na decisão, Rocha afirma que a reversão é motivada por novos fatos apresentados pelo Consórcio Guaicurus, responsável pela concessão  do transporte coletivo e urbano de Campo Grande.

"Após uma melhor análise das questões trazidas em recurso, inclusive com audiência realizada  nesta Corte, em 19/12/2023, não tenho dúvidas em exercer juízo de retratação, para restabelecer a decisão proferida em primeiro grau", escreveu o desembargador na decisão assinada nesta quarta-feira.

A decisão inicial citada por Rocha foi proferida pela juíza Cíntia Xavier Letteriello no dia 30 de setembro do ano passado, quando ela havia concedido 15 dias para que a prefeitura definisse o reajuste e também determinou que esse aumento ocorresse sempre em outubro, conforme prevê o contrato assinado no fim de 2012.

A prefeitura, porém, recorreu da decisão, alegando que não poderia conceder dois reajustes no mesmo ano, já que a tarifa havia sido corrigida em março do ano passado. A administração municipal argumentou ainda que poderia haver nova correção em março deste ano.

Contudo, na nova decisão, o desembargador refuta essa alegação: "De outro vértice, 
o reajuste ocorrido em março de 2023 não pode ser entrave para descumprimento do contrato, pois, como verificado em cognição não exauriente, isso se deu em razão da omissão do poder concedente".

Outro trecho da decisão trata da revisão contratual, a qual deveria ser feita a cada sete anos. O Consórcio Guaicurus alega que ela não foi realizada.

"No Termo de Ajustamento de Gestão (cláusula 5.1 f. 501 dos autos), ficou assentado que a Agereg [Agência Municipal de Regulação de Serviços Públicos de Campo Grande] finalizaria até 31/3/2021 os processos instaurados para o reequilíbrio econômico-financeiro e para revisão do contrato de concessão. Os documentos ainda revelam que houve análise e estudo para remodelagem econômico-financeira do contrato, aprovada pela Agereg, todavia, nada fora efetivamente finalizado e decidido", diz o texto.

Segundo o procurador-geral de Campo Grande, Alexandre Ávalo, até a tarde de ontem, 
a prefeitura não havia sido notificada sobre a decisão, porém, ele já afirmou que após intimação vai "estudar qual medida cabível pode ser tomada para proteger o município e os usuários".

A gestão municipal já havia informado que não pretende realizar o reajuste tarifário antes de março.

REAJUSTE

No ano passado, a Agereg divulgou que a tarifa técnica, aquela que seria a ideal para que o consórcio operasse no azul, teria de ser elevada em R$ 0,15, passando de R$ 5,80 para R$ 5,95.

Porém, essa correção, segundo a prefeitura, seria aplicada somente a partir de março deste ano e que, mesmo assim, o aumento na tarifa real dos passageiros não deve chegar a esse valor.

O consórcio explica que, por conta desse represamento do reajuste, está sofrendo prejuízo mensal de quase meio milhão de reais.

"O município fez um reajuste bem abaixo do esperado, aliás, do necessário, concernente a apenas R$ 0,15, que nem sequer foi implementado até o momento, causando um prejuízo a cada dia, um atraso na sua implementação, de aproximadamente R$ 15.750,00, alcançando R$ 472.500,00 mensais", cita a alegação do Consórcio Guaicurus anexada na decisão do desembargador.

Os empresários confirmam que o valor de R$ 7,79 seria o ideal para que pudessem operar. A tarifa atual está em R$ 4,65, uma diferença de R$ 3,14.

Parte desse deficit é coberto pela isenção de ISS que a prefeitura concede ao consórcio, que chega a cerca de R$ 12 milhões por ano. Além disso, a administração municipal e o governo do Estado repassam outros R$ 22 milhões anuais para bancar o transporte dos estudantes das redes públicas.

NOVA MODELAGEM

O governador Eduardo Riedel (PSDB) afirmou ontem que investirá mais de R$ 20 milhões na requalificação das linhas e na modernização do transporte coletivo de Campo Grande neste ano.
Em 2023, Riedel havia destinado R$ 10 milhões ao pagamento do Passe do Estudante para alunos da Rede Estadual de Ensino (REE). Já para este ano ele destinará verba milionária para melhoria da mobilidade urbana da Capital.

"Eu vou ajudar sempre Campo Grande a pensar em um projeto dessa natureza. A prefeita veio conversar comigo a respeito disso ontem", detalhou o governador. (Colaborou Naiara Camargo)

              

Varejo em Crise

Casas Bahia fecha lojas em MS em corte que atinge 298 unidades no Brasil

Quatro unidades encerraram as atividades em Dourados, Naviraí e Nova Andradina; reestruturação nacional também prevê a demissão de cerca de 1,9 mil trabalhadores.

14/08/2026 19h03

Casas Bahia fecha quatro unidades em Mato Grosso do Sul em meio à reestruturação que atinge centenas de lojas no País.

Casas Bahia fecha quatro unidades em Mato Grosso do Sul em meio à reestruturação que atinge centenas de lojas no País. Foto: Divulgação/Casas Bahia.

Continue Lendo...

Pelo menos quatro lojas das Casas Bahia em Mato Grosso do Sul fecharam as portas nesta sexta-feira (14), em meio a uma ampla reestruturação promovida pela varejista em todo o País. Duas unidades atingidas ficam em Dourados, enquanto as outras estão localizadas em Naviraí e Nova Andradina. O fechamento no Estado ocorre no mesmo dia em que a companhia promove uma das maiores reduções recentes de sua rede física.

Conforme informações publicadas pelo jornal Valor Econômico, 298 estabelecimentos estão sendo encerrados em diferentes regiões brasileiras, acompanhados do desligamento de aproximadamente 1,9 mil trabalhadores.

O número chama atenção pela dimensão da operação. Ao final de 2025, as Casas Bahia mantinham 1.042 lojas em funcionamento. Com isso, os 298 pontos atingidos pela atual reestruturação equivalem a aproximadamente 28,6% desse total.

Em Mato Grosso do Sul, os primeiros reflexos foram percebidos já nas primeiras horas desta sexta-feira.

Funcionários são surpreendidos em Dourados

Em Dourados, as duas lojas físicas das Casas Bahia localizadas na Avenida Marcelino Pires, na região central da cidade, amanheceram fechadas. Conforme informações, funcionários teriam sido surpreendidos pela medida e tomaram conhecimento do encerramento das atividades somente quando chegaram aos locais para trabalhar.

Até o momento, não foi informado oficialmente quantos empregados das duas unidades foram desligados nem se existe possibilidade de aproveitamento de parte dos trabalhadores em outras operações da companhia.

O impacto também chegou a Naviraí, onde a unidade da rede encerrou as atividades nesta sexta-feira. Ainda não há detalhamento sobre o número de funcionários atingidos pela decisão.

Em Nova Andradina, outra loja das Casas Bahia entrou na lista de estabelecimentos fechados. Informações divulgadas pela imprensa local apontam que os trabalhadores da unidade foram desligados com o encerramento das operações.

Com os casos identificados até agora, Mato Grosso do Sul contabiliza ao menos quatro lojas atingidas pela reestruturação nacional, distribuídas por três municípios.

O número, entretanto, ainda poderá aumentar caso outras unidades existentes no Estado estejam incluídas no plano de redução da rede física.

Quase 300 lojas fechadas de uma vez

A dimensão da mudança ganha ainda mais peso quando comparada ao movimento recente da companhia. No fim de 2023, a rede possuía 1.078 lojas. O número caiu para 1.064 em 2024 e chegou a 1.042 estabelecimentos ao término de 2025.

Diferentemente de ajustes graduais realizados ao longo dos últimos anos, desta vez a redução estaria concentrada praticamente em um único movimento.

Aproximadamente 600 funcionários teriam sido desligados já na quinta-feira (13), enquanto outros 1,3 mil a 1,4 mil cortes estavam previstos para esta sexta. O enxugamento poderia chegar a 3 mil trabalhadores.

A companhia deve apresentar ao mercado mais detalhes sobre a estratégia de redução de despesas e reorganização de suas operações.

Prejuízo bilionário aumenta pressão sobre varejista

A reestruturação ocorre em um momento de forte pressão financeira sobre as Casas Bahia. No primeiro trimestre de 2026, a empresa registrou prejuízo líquido de R$ 1,06 bilhão, resultado influenciado principalmente pelas despesas financeiras.

Apesar do prejuízo, a receita líquida avançou 6,1% na comparação anual e alcançou R$ 7,4 bilhões. As despesas com vendas, gerais e administrativas, por sua vez, cresceram 5,4%, chegando a aproximadamente R$ 1,7 bilhão.

O cenário econômico também representa um obstáculo para a companhia. Juros elevados, endividamento das famílias e pressão sobre a renda disponível afetam diretamente um segmento fortemente dependente das vendas parceladas e da concessão de crédito.

A própria direção das Casas Bahia vinha indicando ao mercado uma estratégia de maior disciplina financeira, com prioridade para rentabilidade, geração de caixa, controle do crédito e aumento da eficiência operacional, em vez da expansão das vendas a qualquer custo.

O grupo ainda carrega os efeitos do processo de recuperação extrajudicial iniciado em 2024, que envolveu aproximadamente R$ 4 bilhões em obrigações financeiras.

Balanço foi adiado

Em meio à reestruturação, a varejista também adiou a divulgação dos resultados referentes ao segundo trimestre de 2026. O balanço, inicialmente previsto para quarta-feira (12), foi transferido para esta sexta-feira (14), enquanto a teleconferência da administração com investidores está programada para segunda-feira (17).

A expectativa é de que os próximos comunicados da companhia esclareçam a dimensão completa do corte de despesas, os impactos financeiros do fechamento das lojas e os próximos passos para a operação física da rede.

 

caso lívia

Discord aponta que responsáveis por estimular suicídio em MS teriam se unido no TikTok e no Telegram

Menina de 13 anos teve a morte transmitida ao vivo na plataforma Discord, incentivada por grupo extremista que agia online

14/08/2026 19h00

Lívia foi induzida a tirar a vida em live transmitida no Discord

Lívia foi induzida a tirar a vida em live transmitida no Discord Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

Continue Lendo...

O Discord afirmou que há evidências de que os grupos que incitaram a adolescente de 13 anos, que se matou em Naviraí, a praticar violência contra si mesma teriam se articulado previamente no TikTok e no Telegram. A afirmação foi feita pela plataforma em resposta enviada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Nesse mesmo documento, o Discord também admite falhas em seu sistema automatizado para alertas de risco. A reportagem questionou o TikTok e o Telegram, mas ainda não obteve resposta.

Nesta semana, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), responsável por fiscalizar o cumprimento do ECA Digital, determinou a suspensão do recurso de transmissão ao vivo do Discord até que a plataforma implemente medidas para garantir a segurança de crianças e adolescentes. As lives devem estar fora do ar a partir da próxima semana.

No documento de 20 páginas enviado às autoridades brasileiras, a plataforma afirma que "as evidências disponíveis também indicam possível coordenação prévia ou paralela em outros serviços digitais, incluindo Telegram e TikTok, antes do ingresso no servidor investigado."

Na carta enviada às autoridades brasileiras para prestar explicações sobre o caso da adolescente de 13 anos que se suicidou, o Discord afirma que é relevante reconstruir a cronologia do fato e diz:

"A Discord não apresenta essa informação para deslocar responsabilidades, mas para delimitar tecnicamente os dados que seus sistemas poderiam processar antes do ingresso dos usuários no servidor."

O argumento da plataforma é de que medidas de incitação à violência podem ter começado antes de que o grupo criminoso começasse a transmissão nos canais do Discord. A empresa afirma que "a capacidade da Discord de identificar ou intervir proativamente depende dos sinais disponíveis na plataforma e das salvaguardas técnicas e de privacidade aplicáveis".

Neste mesmo documento, o Discord admitiu que seu sistema automático de alertas falhou em identificar potencial risco na transmissão ao vivo envolvendo a incitação de violência à adolescente. O sistema classificou a live com uma pontuação de risco que era apenas 1/8 da nota necessária para ativar as travas da rede. Procurado para comentar o documento, a plataforma não falou.

O Discord sustenta que não chegou a transmitir o suicídio, pois conseguiu derrubar o servidor antes da morte, ao ser alertada pela polícia. E afirma ainda que a transmissão da morte ocorreu em outras plataformas.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).