As escolas municipais de Campo Grande estão passando por uma reformulação que, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação da Capital (Semed), tem o objetivo de expandir o atendimento para as crianças das séries iniciais. Assim, muitas escolas não irão oferecer o 8º e 9º ano e, em outras, as salas disponíveis para estas séries foram reduzidas.
Conforme apurado pelo Correio do Estado, uma das escolas afetadas com a mudança foi a Plínio Barbosa Martins, no Jardim das Macaúbas, que perdeu três salas, sendo uma do 9º ano e duas do 8º do fundamental.
Embora pareça ser uma diferença pequena, as salas tinham a média de 30 alunos, assim, aproximadamente 90 alunos perderam suas vagas. A maior parte dos estudantes da unidade são crianças que vivem no bairro onde se localiza a escola ou nos arredores, que precisaram se deslocar para outros bairros longe mais longe de suas casas.
De acordo com o professor de História, Hugo Cezar Fernandes Gondim, que leciona na escola desde 2019, a ideia inicial da Semed era fechar todas as turmas destas séries, inclusive o impasse sobre encerrar ou não as turmas foi mostrado pelo Correio do Estado nesta reportagem de dezembro.
Ainda segundo o professor, a secretaria voltou atrás na decisão e flexionou a mudança de forma que ainda ficassem algumas salas dessas séries porque os pais, junto com a comunidade escolar, incluindo professores e diretores, e a comunidade externa representada por associação de moradores dos bairros do entorno pressionaram a pasta.
Quando ainda se discutia a forma como a mudança se daria, o Correio do Estado questionou a Semed sobre o porquê da mudança e , em nota, a pasta informou que um dos objetivos era fazer com que os alunos mais velhos já fossem de transferência para alguma escola estadual, já que a rede de ensino de Mato Grosso do Sul está começando a atender alunos dos dois anos finais do ensino fundamental e, assim, eles já ficariam na escola onde também iriam cursar o ensino médio.
No entanto, o professor de História afirmou que uma das principais dificuldades encontradas por alunos que não conseguiram garantir uma vaga na escola por conta da redução de oferta é justamente a distância que eles moram em relação às escolas estaduais.
“Os alunos vão estudar longe de suas casas, fora de seu meio social e cultural. Vão ter que utilizar mais de um ônibus, correr riscos e há a possibilidade nos próximos anos de sua vida escolar de evasão, pois muitas vezes não conseguirá manter estudo, família e trabalho”, detalhou o professor.
Tendo referência a escola citada, os dois únicos colégios estaduais mais próximos ficam em outros bairros. Conforme exemplificado pelo professor, alguns estudantes podem optar por estudarem na Escola estadual Teotônio Vilela, que fica no Conjunto Universitária (Cohab) ou no Marçal de Souza Tupã Y e, de qualquer forma, terão que se deslocar para além de seus bairros para poderem estudar.
Além da pouca oferta de vagas, outro problema apontado pelo docente é a superlotação das salas de aula, que agora podem receber até 40 alunos por turma, prejudicando o aprendizado dos estudantes e a dinâmica do professor para com os estudantes.
Ainda segundo apurado pelo Correio do Estado, a mudança afetou outras escolas, inclusive com o fechamento total das séries e com o remanejamento de professores para outras escolas.
A reportagem entrou em contato com a Semed solicitando a relação completa das escolas onde a modificação foi feita, mas a pasta não retornou até o fechamento desta matéria. O espaço continua aberto para esclarecimentos.
Também não foi informado se nas escolas em que salas foram fechadas, turmas dos primeiros anos do fundamental foram criadas.






