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Prefeitura pode retomar concessão do transporte coletivo

Se o Consórcio Guaicurus cumprir ameaça e interromper o transporte coletivo, prefeitura poderá assumir o serviço

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Diante da ameaça do Consórcio Guaicurus feita na semana passada, de paralisar as atividades a partir desta semana em Campo Grande caso um plano emergencial (que inclui socorro financeiro com uso de dinheiro público) não seja aprovado pelo município, o prefeito da Capital, Marcos Trad (PSD), não descarta o encampamento do serviço (uma espécie de intervenção) caso o concessionário do transporte coletivo descumpra o seu contrato. “Na situação do transporte coletivo de nossa cidade, na hipótese de eles interromperem o serviço, deixando a população sem condições de se locomover, pode ser, sim, um dos caminhos plausíveis para a administração”, disse o prefeito.  

Marcos Trad respondeu desta forma ao ser perguntado sobre as ameaças (na Justiça e fora dela) de o Consórcio Guaicurus deixar de funcionar a partir desta semana, por problemas financeiros, e qual seria uma das saídas da administração em caso de descumprimento do contrato. “Os contratos extinguem-se quando atingem o seu termo final. Isso é chamado no Direito Administrativo de uma morte natural. Mas existem mortes traumáticas, cujos contratos podem ser rescindidos antes de seu término. O encampamento, trata-se de uma retomada coercitiva do serviço pelo poder concedente, mas devem ocorrer alguns requisitos, principalmente o interesse público, e depende de lei específica. Se caso eles interromperem o serviço, deixando a população sem condições, a meu ver, pode ser sim um dos caminhos plausíveis para isso", explicou Trad. 

Desde que a pandemia do coronavírus ganhou força no Brasil e as medidas de isolamento social tiveram início, a partir da segunda quinzena de março, o volume de passageiros transportados e o faturamento do Consórcio Guaicurus caíram drasticamente.  

Nos 20 dias do mês de março a média diária de passageiros foi de 154,8 mil passageiros. Entre os dias 6 e 22 de abril (quando todas as linhas foram reativadas após suspensão de 16 dias) a mesma média diária caiu para 37,6 mil passageiros.

Quanto ao faturamento, nos primeiros dias de março, o Consórcio Guaicurus faturou R$ 9,3 milhões (média diária de R$ 465 mil), e entre os dias 6 e 22 de abril, a receita bruta caiu para R$ 2,2 milhões, média de R$ 145 mil por dia.

Na semana passada, o Consórcio Guaicurus ajuizou mandado de segurança contra o município de Campo Grande, pedindo que a Justiça obrigasse a administração a conceder ajuda emergencial para que o grupo continuasse operando. O pedido de ajuda solicitado administrativamente em março, e negado no mesmo mês por Marcos Trad, foi considerado ousado nos corredores da prefeitura.  

O Consórcio Guaicurus quer isenção de impostos, acabar com as gratuidades, adequar oferta do serviço à demanda (reduzir linhas) e dinheiro público para continuar operando. Como se tudo isso ainda não bastasse, o concessionário do transporte cobrou da prefeitura que reivindique ao governo federal o fim das gratuidades garantidas por lei federal (idosos e algumas deficiências) e solicite ao governo do Estado que isente o consórcio de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em produtos de toda a cadeia do transporte (óleo diesel, pneus e outras peças).

Depois de não ter conseguido liminares favoráveis, em primeira e em segunda instância, o advogado do Consórcio Guaicurus, André Borges, pediu para desistir da ação. A petição ainda não foi analisada pelo Judiciário.  

 

caso lívia

Após morte de garota em MS, Discord entra na mira de agência

Menina de 13 anos cometeu suicídio em Naviraí no dia 22 de julho e a morte foi transmitida pela internet

08/08/2026 19h00

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A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) instaurou, nesta sexta-feira (7), processo de fiscalização contra a plataforma Discord para apurar indícios de falha na proteção a crianças e adolescentes.

Conforme despacho que instaurou o procedimento, a investigação é motivada pelas notícias de um caso de automutilação e suicídio de uma adolescente de 13 anos, em 22 de julho, na cidade de Naviraí, região sul de Mato Grosso do Sul. O episódio foi transmitido ao vivo pela plataforma.

O processo vai analisar se o Discord descumpriu deveres previsto no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), em especial se a plataforma falhou em adotar medidas para prevenir e mitigar o risco de exposição de menores a conteúdos sobre automutilação e suicídio.

Outros pontos de atenção são a falta de mecanismos para verificação de idade e falha na remoção de conteúdos irregulares e comunicação às autoridades, obrigações previstas no ECA Digital.

“O Discord terá cinco dias úteis para apresentar informações sobre mecanismos existentes para prevenir e combater violações graves contra crianças e adolescentes”, informou a ANPD, em nota. A agência alertou que legislação prevê multa de até R$ 50 milhões pelas violações investigadas.

Também na sexta-feira (7), integrantes da Advocacia-Geral da União (AGU) se reuniram com representantes da Discord para tratar de falhas intensificadas na verificação de idade e proteção de crianças e adolescentes que utilizam a plataforma. 

Mais cedo, o advogado-geral da União, Jorge Messias, disse que o órgão deverá mover uma ação pedindo a retirada da plataforma do ar.

O caso do suicídio induzido da jovem de 13 anos é investigado no âmbito da Operação Lívia, conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e realizada com o apoio técnico do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp/MJSP).

serviço público

Apesar do tarifaço, Energisa informa queda significativa no lucro

Contas de energia subiram 12,1% em 22 de abril e mesmo assim a concessionária reportou em seu balanço uma retração de 66% no lucro do segundo trimestre do ano

08/08/2026 16h32

No 1º semestre de 2025 a concessionária teve lucro líquido de R$ 259 milhões, ante R$ 152 milhões em igual período de 2026

No 1º semestre de 2025 a concessionária teve lucro líquido de R$ 259 milhões, ante R$ 152 milhões em igual período de 2026

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Apesar do aumento 12,1% nas tarifas a partir do dia 22 de abril, a Energisa de Mato Grosso do Sul informou queda de 41% no lucro do primeiro semestre deste ano na comparação com igual período do ano passado. Uma das principais explicações é o aumento nos gastos com o pagamento de juros, conforme balanço disponibilizado nesta sexta-feira (7).

A concessionária, que distribui energia para os moradores de 74 dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul, disse ter obtido lucro líquido de R$ 259,5 milhões no primeiro semestre do ano passado, ante R$ 152,4 milhões nos primeiros seis meses deste ano.

O aumento da tarifa entrou em vigor am 22 de abril, duas semanas depois da data inicialmente prevista. E foi justamente depois disso que foi registrada a maior queda no lucro, da ordem de 66%. No segundo trimestre do ano passado (abril, maio e junho), o lucro líquido oficial foi de R$ 108 milhões. Agora, no mesmo período, de R$ 36 milhões. 

Mas, se for considerado apenas o chamado lucro líquido ajustado recorrente, que é op ganho final da empresa, já livre de eventos extraordinários e que é utilizado para para mostrar aos donos e investidores o lucro real e contínuo do negócio, a que da foi ainda maior, de 57%. Ele recuou de R$ 194 milhões para R$ 83 milhões entre um semestre e outro. 

E, de acordo com os dados oficiais, as chamadas despesas financeiras (principalmente pagamento de juros) saltaram de R$ 319 milhões para R$ 439 milhões. Essa diferença a maior de R$ 121 milhões é superior à queda no lucro, que nominalmente foi de R$ 107 milhões.

Estes gastos com juros são muito mais do que uma mera questão contábil.  O custo de captação de recursos das concessionárias de serviços públicos (como energia elétrica) impactam diretamente a tarifa paga pelos consumidores e essa foi uma das explicações para o aumento superior a 12% aplicado em abril.

Se for computada a receita operacional bruta deste ano, ela apresentou crescimento de 6,3%, passando R$ 3,274 bilhões para R$ 3,482 bilhões. O índice é inferior ao do reajuste tarifário, mas supera o crescimento da venda de energia, que teve um acréscimo de 3%, passando de 3.189 gigabites para 3.292.

E por conta desta ligeira alta no volume de energia vendido pela concessionária, a arrecadação de ICMS, o principal imposto dos cofres estaduais, também teve pequeno acréscimo, de 1,3%, ficando abaixo do índice da inflação. Nos primeiros seis meses do ano passado foram recolhidos R$ 411,6 milhões, ante R$ R$ 417 milhões. 

Renovação do contrato

O serviço de distribuição de energia foi privatizado em Mato Grosso do Sul em dezembro de 1997. Porém, a Energisa chegou somente em 2014, depois de incorporar a Rede Energia. Desde então, segundo a empresa, foram destinados R$ 5,4 bilhões à modernização e expansão da rede, à construção de subestações e à melhoria do fornecimento.  

No dia 8 de maio, quando da assinatura da ampliação do contrato de concessão até dezembro de 2057, a direção da empresa prometeu investir R$ 4,4 bilhões nos próximos cinco anos. O valor representa um aumento de cerca de 20% na média anual na comparação com os anos anteriores. 

Do total de investimentos previstos para os próximos cinco anos, R$ 2,2 bilhões devem ser destinados à expansão das redes, viabilizando 125 mil novas ligações para que mais famílias e novos empreendimentos tenham acesso ao serviço de energia elétrica. Outros R$ 2 bilhões serão investidos em obras de melhoria e modernização das redes, propiciando maior qualidade, eficiência e segurança para todos os clientes. 

Em 2025, a Energisa teve lucro líquido de R$ 407 milhões, conforme o balanço da concessionária. No ano anterior este montante havia sido de R$ 603,7 milhões. Uma  das explicações para este recuo foi a queda no consumo, o que foi resultado da expansão dos sistemas de energia solar e da queda  nas temperaturas, explicou a empresa. 
 

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