Cidades

ALCINÓPOLIS

Prisão de prefeito e vereadores deixa município à deriva administrativa

Prisão de prefeito e vereadores deixa município à deriva administrativa

DANÚBIA BUREMA

21/07/2011 - 00h02
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As prisões do prefeito de Alcinópolis, Manoel Nunes da Silva (PR), e de três dirigentes da Câmara de Vereadores, na madrugada de ontem, deixaram o município sem comando político-administrativo. As autoridades são acusadas de encomendar o assassinato do vereador Carlos Antônio Carneiro (PDT), morto na Capital em outubro do ano passado. O vice-prefeito e pai do vereador assassinado, Alcino Carneiro (PDT), aguarda determinação da Justiça para assumir a administração da cidade.

Além do prefeito, foram detidos por força do mandado de prisão temporária, cuja duração é de 30 dias, o presidente da Câmara Municipal, Valter Roniz (PR); o vice-presidente, vereador Valdeci Lima (PSDB); e o 1º secretário da Casa, Ênio Queiroz (PR). Como os vereadores presos ocupavam cargos na Mesa Diretora da Câmara, deverão ser convocadas, nos próximos 15 dias, eleições internas para definir quem ocupará seus cargos. Enquanto isso, a representante mais velha da Casa, vereadora Izamita Alves Leite (PMDB), ficará no comando do Legislativo.

Conforme o assessor jurídico da Câmara, advogado Jordelino Garcia de Oliveira, uma sessão extraordinária deve ser realizada na próxima semana para formalizar a posse interina de Izamita na presidência, conforme determina o Regimento Interno da Casa. "A Câmara não pode continuar assim, ficou sem direção nenhuma", comentou.

A vereadora deverá permanecer no cargo até a realização das eleições internas para a Mesa Diretora. Enquanto isso, o 2º secretário da Câmara, vereador Jacson Martins França, assume o lugar do 1º secretário, e a vice-presidência permanece vaga.

Os assentos dos vereadores presos serão ocupados temporariamente pelos seus primeiros suplentes, que deverão ser convocados nos próximos 15 dias. Alcir Amorim (PR) deverá ocupar o lugar do vereador Valter Roniz; Dorisvaldo Socorro de Souza (PDT) a vaga de Valdeci Lima; e Mônica Cordeiro Alves Taveira (PR) substitui Ênio Queiroz.

A nomeação do prefeito interino será feita pela Justiça Eleitoral de Coxim, responsável por Alcinópolis onde não há instalações do Poder Judiciário. Conforme o Tribunal Regional Eleitoral do Estado, a escolha deve ser feita com base na Lei Orgânica do Município. Segundo o assessor jurídico da Câmara, não há impedimento legal para o vice-prefeito e, portanto, é ele quem deve assumir a administração até a situação legal do prefeito ser definida.

 Mandatos

Sobre a possível cassação dos mandatos dos vereadores e do chefe do Executivo acusados de assassinato, o vereador Nilton de Jesus Oliveira (PMDB) afirmou que ainda não há posicionamento oficial da Câmara. "A gente não se reuniu para saber que decisão será tomada, como vai ser. O correto a gente vai fazer", disse.

Pelo Regimento Interno da Câmara, o mandato dos vereadores pode ser requerido apenas de duas formas — por meio de pedido do Ministério Público, ou após abertura de comissão processante na Câmara e aprovação da perda do mandato pela maioria. Da mesma forma ocorre com o prefeito, segundo previsto na Lei Orgânica do Município.

Em setembro do ano passado, Dourados também ficou sem comando após ser desencadeada operação que resultou na prisão de 41 pessoas incluindo o prefeito, vice-prefeito e presidente da Câmara, além de vereadores, empresários, ex-secretários municipais e servidores públicos.

ENCONTRO

Oposição cobra afastamento de Gonet após foto com Vorcaro em Londres

O advogado Ciro Soares disse que a foto é de um evento de 2024, quando não havia nenhuma investigação sobre Vorcaro

19/09/2026 18h00

Encontro de Paulo Gonet, procurador-geral da República, com o banqueiro Daniel Vorcaro

Encontro de Paulo Gonet, procurador-geral da República, com o banqueiro Daniel Vorcaro Divulgação: Polícia Federal

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Lideranças da oposição cobraram neste sábado, 19, o afastamento do cargo do procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a divulgação de uma foto em que ele aparece ao lado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em uma degustação de charutos em Londres.

O registro foi enviado no dia 19 de junho de 2025. "PG mandou agora", disse o advogado Ciro Soares, que intermediava as conversas entre Gonet e o banqueiro, em mensagem logo em seguida A informação foi publicada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão.

Ao O Globo, a assessoria de Gonet confirmou o encontro, mas lembrou que o ministro André Medonça, do Supremo Tribunal Federal, atestou durante sessão da Corte que não encontrou ilícito envolvendo o procurador-geral. Na sessão da terça-feira, 15, Mendonça fez menção a encontros sociais apenas vinculados ao nome de Gonet.

Em nota via assessoria de imprensa, o advogado Ciro Soares disse que a foto é de um evento de 2024, quando não havia nenhuma investigação sobre Vorcaro. "Não há qualquer irregularidade na foto", afirma.

Candidato do Novo ao Senado pelo Rio Grande do Sul, o deputado federal Marcel van Hattem acusa Gonet de ter mentido na sessão do Supremo Tribunal Federal realizada na última terça-feira, 15. Na ocasião, a corte analisou uma petição que trata da possibilidade de que seja aberta uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

"(A foto) Mostra mais uma vez que eles acham que estão acima de qualquer crítica, inclusive mentindo deslavadamente na sessão do Supremo Tribunal Federal", disse Van Hattem. "Se não tinha proximidade, talvez seja só porque ele apareceu na foto do outro lado da mesa, o que obviamente é um escárnio, uma ironia. Ele precisa ser investigado também e sair da procuradoria-geral da República", afirmou.

Na sessão, Gonet afirmou que não teve proximidade com o dono do Banco Master e disse que esteve com o empresário em ocasião com outras autoridades no mês de abril de 2024.

O senador Carlos Viana (PSD-MG), candidato à reeleição, também acusou Gonet de ter mentido. "Disse que não tinha proximidade, que Vorcaro era desconhecido, que o encontro foi breve, banal, no meio de muita gente", escreveu em uma rede social. "Há 17 dias eu protocolizei no STF o pedido de afastamento de Paulo Gonet do caso Master. Ele continua no cargo e o Senado continua em silêncio", continuou.

Ex-secretário da Pesca no governo de Jair Bolsonaro (PL), o senador Jorge Seif (PL-SC) defendeu que o procurador-geral da República renuncie ao cargo. "O PGR de Lula, Gonet, também está enrolado com Master/Vorcaro. Mentiroso. Por isso na última semana protocolei o impeachment desse sujeito", disse, em postagem em uma rede social. "Não tem a menor condição de seguir à frente da PGR. Se tivesse vergonha na cara, renunciaria. Mas o que esperar dessa gente? Caras de pau", concluiu.

Para o deputado federal Zucco (PL-RS), candidato ao governo do Rio Grande do Sul, a foto "reforça a percepção de que, no Brasil, dinheiro e influência abrem portas que permanecem fechadas ao cidadão comum".

"Enquanto milhões de brasileiros esperam anos por uma decisão judicial, personagens poderosos circulam com desenvoltura entre ministros, magistrados e as autoridades que deveriam fiscalizá-los", disse.

Líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ) argumentou que quem ocupa cargos públicos precisa respeitar distanciamento. "As relações são institucionais", disse. Para ele, o procurador-geral escolheu "se aproximar de investigados e dos clientes". "Como disse em sua sabatina no Senado: 'Gonet, você fracassou'", escreveu.

CAMPO GRANDE

Projeto que suspende descontos do Master na folha dos servidores é aprovado

Câmara Municipal de Campo Grande aprovou a medida que alcança servidores ativos, aposentados e pensionistas

19/09/2026 17h00

Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) aplicou dinheiro no Banco Master

Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) aplicou dinheiro no Banco Master Gerson Oliveira

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Nesta semana, a Câmara Municipal de Campo Grande aprovou o Projeto de Lei que determina a suspensão dos descontos em folha de pagamento relacionados ao Banco Master, ao CredCesta e às instituições e empresas vinculadas às operações. A medida alcança servidores municipais ativos, aposentados e pensionistas.

O projeto de lei é de autoria da vereadora Luiza Ribeiro (PT) e do vereador Jean Ferreira (PT). Com a aprovação da Casa de Leis, o projeto segue agora para sanção da Prefeitura de Campo Grande. 

A proposta foi aprovada em única discussão e votação e estabelece a suspensão do processamento dos descontos referentes a empréstimos consignados, cartões de crédito consignados, cartões de benefício consignado e outras modalidades de crédito vinculadas às instituições.

O texto também prevê a suspensão de novas averbações em folha e determina que o Município adote medidas para verificar a regularidade dos contratos e das operações. Entre as providências previstas estão: a disponibilização aos servidores de cópia integral dos contratos; demonstrativo atualizado do saldo devedor; e memória discriminada do cálculo da dívida. 

No projeto apresentado em setembro, Luiza Ribeiro voltou a questionar a regularidade das consignações e do credenciamento das instituições no sistema municipal. A justificativa cita, entre outros pontos, requisitos previstos no Decreto Municipal nº 13.870/2019 e sustenta que a utilização da folha de pagamento deve observar as regras estabelecidas pelo próprio Município.

A suspensão dos descontos não significa perdão ou extinção de eventuais dívidas. A medida interrompe o desconto automático em folha enquanto são realizadas as apurações necessárias sobre a regularidade das consignações e dos contratos.

A proposta aprovada estabelece, portanto, uma proteção imediata à folha de pagamento dos servidores municipais e cria mecanismos para que as operações vinculadas ao Banco Master e ao CredCesta sejam analisadas antes da continuidade dos descontos.

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