Vídeo gravado na segunda-feira mostra adolescente de 12 anos esfaqueando colega na saída de instituição municipal
Cerca de 500 ocorrências envolvendo brigas nas escolas são registradas todos os anos na Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (Deaij) de Campo Grande. O número representa mais de dois casos por dia letivo, já que a Rede Municipal de Ensino (Reme) tem 200 dias de aulas.
O último caso que ganhou notoriedade ocorreu na segunda-feira e resultou em um adolescente esfaqueado.
Conforme informações obtidas pelo Correio do Estado, os cerca de 500 casos anuais representam aproximadamente 40% dos registros investigados na Deaij, porém, a reportagem também apurou que houve um certo aumento de conflitos escolares nos últimos anos.
“Logo após a pandemia houve um grande aumento, depois houve uma redução e agora voltou a subir”, afirmou fonte do Correio do Estado.
A maioria dessas ocorrências é de brigas, que engloba vias de fato e lesão corporal, seguida de ameaça, injúria, e o bullying e o cyberbullying. Esses casos ocorrem tanto dentro das instituições escolares como no ambiente digital, segundo apurado.
“Muitas vezes [são cometidas] em grupos escolares ou de convívio dos alunos, às vezes, nas proximidades da escola [ocorrem] agressões físicas”, relatou a fonte.
O caso mais recente de Campo Grande ocorreu na segunda-feira, em frente à Escola Municipal Professor Arassuay Gomes de Castro, no Bairro Miguel Couto. Na ocasião dois adolescentes de 12 anos foram filmados brigando e um deles estava com uma faca.
No vídeo, os dois jovens estão discutindo, quando um deles dá um tapa no rosto do outro, que retira uma faca da cintura e parte para cima do colega. Neste momento, é possível ouvir que as outras crianças que assistem a briga percebem a arma e dizem “faca não pode”.
Um dos adolescentes teve dois ferimentos de faca e foi levado ao Centro Regional de Saúde (CRS) Tiradentes.
Os ferimentos, um na perna e outro no abdômen, foram superficiais e o adolescente já foi liberado.
À polícia, a mãe do adolescente que estava com a faca contou que o menino afirmou que era vítima de bullying por parte do menino ferido e de outros dois colegas e teria levado a faca para “se defender”, porque teria medo de apanhar dos colegas.
Apesar do relato sobre bullying, a polícia ainda não encontrou nenhuma ocorrência ou relato na escola que confirmasse essa prática, porém, o caso será investigado pela Deaij.
Ainda conforme fontes da reportagem, apesar de 500 casos de brigas ocorrerem por ano, são raros os registros com uso de armas.
O último caso registrado em Campo Grande ocorreu em maio de 2023, quando um ex-aluno da Escola Municipal Bernardo Franco Baís foi detido depois de golpear a mãe de um aluno, uma mulher de 46 anos, com uma faca.
O alvo seria uma terceira pessoa, porém, a mulher impediu que ele entrasse na escola, e, por este motivo, o agressor esfaqueou a vítima. O jovem estava com outras três facas e uma marreta na mochila.
A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Educação (Semed) para falar sobre o caso de segunda-feira, porém não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
Briga próximo à Escola Municipal Professor Arassuay Gomes de Castro envolveu faca e resultou em um adolescente ferido - Foto: Gerson Oliveira / Correio do EstadoESTADO
Segundo a Secretaria de Estado de Educação (SED), casos de brigas entre alunos e relatos de bullying e cyberbullying são tratados, desde 2022, por um protocolo rigoroso nas instituições de ensino estaduais, assim como práticas de prevenção a esse tipo de caso.
Segundo a psicóloga da SED, Paola Lopes, existe um sistema muito claro de enfrentamento à violência e de prevenção, que tem contribuído para o ambiente escolar.
“Para essas situações a gente tem uma resposta mais imediata, uma identificação dessas situações de forma mais imediata e com as tratativas a gente consegue fazer um alinhamento melhor entre a gestão escolar, entre a própria secretaria e entre a reunião com os pais, numa ação coletiva do enfrentamento dessas questões”, contou Paola.