Os vereadores da Câmara Municipal de Campo Grande entregaram 24.673 indicações ao Poder Executivo sobre reivindicações da população no primeiro semestre deste ano. Destas, cerca de 9 mil foram destinadas à execução do serviço de tapa-buracos em várias regiões da cidade.
Isso representa uma porcentagem de 36,5% dos encaminhamentos. Ou seja, aproximadamente 4 a cada 10 solicitações feitas pela população campo-grandense envolvem a buraqueira da cidade.
Segundo o presidente da Comissão de Obras, o vereador Flávio Cabo Almi, enquanto o Executivo não tomar medidas eficazes sobre o problema, "a gente segue cobrando".
Uma das empresas que atendia a maior região de Campo Grande, a região do Anhanduizinho, estava impedida de participar desse serviço de tapa-buracos, e isso estava sobrecarregando as demais empresas, que precisavam cumprir suas obrigações. Mas a gente espera mesmo que o Executivo faça o seu papel, que é tapar esses buracos na cidade”, frisou.
A empresa responsável por tapar os buracos na região do Anhanduizinho e outras três regiões da cidade era a Construtora Rial, alvo da Operação Buraco Sem Fim, que investigou um centro de corrupção nos contratos de tapa-buraco. As quatro regiões tiberam o serviço paralizado após a Rial se retirar por causa da Operação.
Entre 2018 e 2025, a Construtora faturou um montante de mais de R$ 114,6 milhões e desde o dia 3 de julho, a empresa foi proibida pela Justiça de participar de processos licitatórios ou firmar e renovar contratos com o Poder Público.
Quem assume agora o tapa-buraco nas regiões do Anhanduizinho, Bandeira, Segredo e Imbirussu é a RR Barros Serviços e Construções Ltda., que já é responsável pelas outras três regiões de Campo Grande.
A Câmara Municipal chegou a realizar uma proposta para a realização de uma operação emergencial, com apoio do Exército Brasileiro, para reforçar o serviço de tapa-buraco.
A iniciativa busca ampliar a capacidade operacional do Município em um momento em que parte da cidade ainda aguarda o retorno das equipes responsáveis pela manutenção do asfalto.
Ministério Público
O promotor Fabio Ianni Goldfinger, da 30ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social de Campo Grande, instaurou um novo inquérito civil para acompanhar e fiscalizar as ações para o reparo no asfalto da Capital.
A iniciativa vem após a Operação Buraco sem Fim, que investigou esquema de corrupção envolvendo o serviço, que foi paralisado após a ação.
O processo busca encontrar uma solução definitiva para um problema que atravessa décadas, que são os buracos nas ruas da cidade.
Para o promotor, a malha asfáltica de Campo Grande sofre problemas “críticos” e “recorrentes”, como a baixa qualidade e a rápida deterioração das vias, o que exige uma “reorganização estrutural nas questões sobre os serviços de tapa-buraco”.
“A portaria considera a responsabilidade da prefeitura municipal na gestão sobre a malha asfáltica do município de Campo Grande e a necessidade da construção de um plano estrutural para o auxílio da resolução do problema das questões que envolvam ‘tapa-buraco’ junto à prefeitura municipal e os demais sujeitos institucionais e da sociedade”, afirma o promotor.
Goldfinger ainda reforça a necessidade de um diagnóstico “claro e preciso” do problema da estrutura para que seja feita a recomendação de caráter geral, tendo por objetivo orientar a atuação institucional para que as ações sejam resolutivas visando à “aplicação correta dos recursos públicos”.
Esta não é a primeira vez que o excesso de buracos nas vias desencadeia uma ação do MPMS. Ainda neste ano, o Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) descobriu um esquema de corrupção milionário na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), envolvendo contratos de tapa-buraco na Capital.
A Operação Buraco sem Fim cumpriu sete mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão, incluindo dois servidores da prefeitura e o ex-titular da Sisep, Rudi Fiorese.
De acordo com o MPMS, a ação objetivou desarticular um esquema de desvio de dinheiro público que estava sendo realizado em contratos de infraestrutura em Campo Grande. Segundo levantamento do MPMS, entre 2018 e 2025, a empresa investigada, a Construtora Rial, acumulou contratos e aditivos que somam o montante de R$ 113.702.491,02.
Antes disso, em 2023, a Operação Cascalhos de Areia investigou a atuação de uma organização criminosa voltada aos crimes de peculato, corrupção, fraude e lavagem de dinheiro relacionados com os contratos para manutenção das ruas não pavimentadas e locação de maquinário de veículos. Os valores ultrapassavam R$ 300 milhões.
Como uma das primeiras medidas, o MPMS recomendou que a prefeitura apresente, em até 20 dias, informações detalhadas sobre o planejamento e a execução da operação tapa-buraco, transparência, reincidência de buracos nos mesmos locais, falhas contratuais e a responsabilização das concessionárias contratadas para os serviços.
O município deve informar quais materiais e técnicas são empregados na recuperação do pavimento, como é realizado o controle tecnológico das obras e quais medidas são adotadas quando os reparos apresentam falhas ou necessitam de um novo serviço em um curto espaço de tempo.

