Em endereço alvo de mandado, foi constatado que suspeitos misturavam vodka com conhaque e vendiam como uísque
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS) desmantelou um esquema clandestino de falsificação de bebida alcoólica em Campo Grande, onde dois casais produziam misturas baratas e vendiam como uísque de marcas famosas para conveniências espalhadas pela Capital.
De acordo com o inquérito policial, chegou ao conhecimento da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo (Decon), no mês passado, por meio de uma denúncia anônima, que um casal no Bairro Zé Pereira estaria produzindo e comercializando bebidas alcoólicas falsas, o que foi percebido pela movimentação intensa de garrafas cheias e vazias indo e vindo no local.
Diante disso, na manhã do dia 20 de março, os agentes cumpriram mandado judicial para averiguar a situação de perto. Ao chegarem na residência, foram recebidos pelo casal, que mesmo sabendo da possibilidade de um desfecho ruim, colaboraram com a investigação.
Na parte interna do imóvel, foram encontrados diversos vasilhames de bebidas alcoólicas das mais variadas marcas, com destaque para Red Label, White Horse e Jack Daniel’s. O homem explicou que as bebidas eram preparadas a partir de uma mistura de conhaque com vodka e, em alguns casos, com adoçante.
Ao final do processo, eram vendidas às conveniências como uísque, pelo valor de R$ 40 a R$ 70.
Ainda conforme relato do comerciante ilegal, as garrafas vazias eram adquiridas com ajuda de moradores de rua e usuários de entorpecentes.
Casa estava cheia de garrafas vazias usadas no esquema - Foto: DivulgaçãoNo local ainda foram achadas tampas de garrafas, tambores plásticos utilizados para misturar líquidos, funis de garrafa PET, rolos de embalador a vácuo e secador de cabelo, o que também ajudaram a indicar de adulteração e envase ilegal de bebidas alcoólicas.
Após o mandado ser cumprido neste endereço, os agentes policiais foram para outra residência que também constava no mandado judicial, localizada no Bairro Jardim Tarumã, e foram recebidos por mais um casal, que também colaborou com a apuração.
Durante vistoria no local, verificou-se bebidas armazenadas em uma sala comercial fechada, em frente à residência, que estavam cheias e prontas para serem comercializadas. Além disso, garrafas vazias que seriam destinadas ao envase irregular também foram encontradas.
O homem disse que comercializava as bebidas falsificadas em eventos na Capital, utilizando-as no preparo da mistura com uísque, energético e gelo saborizado, o chamado “copão”. Ainda, informou que adquiria tais produtos com os alvos do Zé Pereira, já tendo se deslocado até o bairro para buscá-los.
O rapaz ainda tentou convencer os policiais que sua esposa não participava da atividade ilícita. Porém, foram encontradas conversas no celular da mulher, relativas à comercialização das bebidas falsas e ao esquema clandestino.
Ao fim do cumprimento do mandado, os aparelhos celulares de todos os envolvidos foram apreendidos, como parte de autorização do mandado de busca e apreensão expedido.
Os quatro foram encaminhados à sede da Decon para prestarem mais esclarecimentos e ficarem à disposição da Justiça.
CONSTATAÇÕES
Poucos dias depois das apreensões, a Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) enviou um parecer ao departamento policial afirmando que, conforme análise sensorial do material apreendido nos dois locais, como tampas, invólucros, rótulos, contra rótulos e selo IPI, foi atestado divergências com os padrões de autenticidade. Portanto, possui fortes indícios de falsificação ou produto de reaproveitamento.
No laudo pericial dos objetos realizado pela a Coordenadoria-Geral de Perícias, da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS), a equipe responsável pelas análises concluiu que a primeira residência realmente era utilizada para a prática de envase, adulteração e preparação de bebidas alcoólicas falsificadas.
“O conjunto dos achados evidencia a substituição do conteúdo original das bebidas por misturas de menor valor, com posterior tentativa de conferir aparência de produto legítimo, mediante técnicas rudimentares de envase e lacração”, pontua o documento.
Em seguida, no laudo pericial acerca do outro endereço, foi constatado que o local era utilizado para armazenamento e manipulação de bebidas alcoólicas em “condições incompatíveis com os padrões industriais e sanitários exigidos para produtos destinados ao consumo”, o que foi notado a partir dos elementos encontrados na residência.
* Saiba
No fim do ano passado, casos de adulteração de bebidas com metanol, substância tóxica causadora de contaminações, explodiram em todo o País, com mais de 800 confirmados e 23 mortes.
Em Mato Grosso do Sul, um caso ganhou forte repercussão, após um jovem morrer depois de ingerir uma cachaça, mas a intoxicação por metanol foi descartada semanas depois.
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