Cidades

Práticas Discriminatórias

Regra contra crianças com autismo coloca condomínio na mira do MPMS em Campo Grande

Recomendação cobra o fim de regras restritivas e adverte que condutas discriminatórias podem configurar crime previsto na Lei Brasileira de Inclusão

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) expediu uma recomendação ao Condomínio Residencial Saint Martin, localizado na Rua Vista Alegre, nº 268, no Bairro Jardim São Lourenço, em Campo Grande, para impedir a criação ou aplicação de regras que restrinjam o uso das áreas comuns por crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Publicado no Diário Oficial da instituição na última sexta-feira (26), o documento alerta que práticas discriminatórias contra pessoas com deficiência podem, em tese, configurar crime previsto na Lei Brasileira de Inclusão.

A medida foi adotada pela 67ª Promotoria de Justiça após a instauração de um procedimento administrativo para apurar situações envolvendo uma criança diagnosticada com autismo e discussões internas sobre a possibilidade de estabelecer normas específicas para limitar o acesso de pessoas com deficiência às áreas comuns do condomínio.

Conforme o Ministério Público, a investigação identificou a existência de debates sobre regras diferenciadas direcionadas a moradores com deficiência.

Na avaliação da Promotoria, eventual imposição de restrições direcionadas exclusivamente a pessoas com deficiência, sem respaldo técnico ou legal, afronta princípios constitucionais da igualdade, da dignidade da pessoa humana e da inclusão.

A recomendação também cita a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), que asseguram o direito de acesso e participação plena dessas pessoas em todos os espaços da sociedade.

Regras não podem restringir pessoas com deficiência

Na recomendação, o promotor de Justiça Paulo César Zeni determina que o condomínio deixe de criar, aprovar ou aplicar qualquer norma que imponha restrições mais severas às pessoas com deficiência em relação aos demais moradores.

A orientação alcança crianças e adolescentes com TEA e envolve o uso de áreas comuns, como playgrounds, piscinas, salões de festas, quadras esportivas e demais espaços compartilhados.

O documento também estabelece que as regras de convivência devem ser aplicadas de forma igualitária, respeitando as adaptações razoáveis necessárias para garantir a inclusão e a participação das pessoas com deficiência na vida condominial.

Além disso, recomenda que a administração promova ações de conscientização voltadas a moradores, funcionários e prestadores de serviços sobre os direitos assegurados pela legislação.

MPMS alerta para possível responsabilização criminal

Um dos principais pontos da recomendação é o alerta de que práticas discriminatórias podem configurar, em tese, o crime previsto no artigo 88 da Lei Brasileira de Inclusão, que trata da discriminação contra pessoas com deficiência.

O Ministério Público ressalta que a criação de regras específicas que restrinjam direitos em razão da deficiência pode gerar responsabilização nas esferas criminal, civil e administrativa.

Apesar do alerta, a recomendação possui caráter preventivo e não representa uma condenação ou o ajuizamento de uma ação judicial. O objetivo é orientar a administração condominial para que adote medidas capazes de evitar violações de direitos e assegurar o cumprimento da legislação vigente.

Condomínio terá prazo para responder

O Condomínio Residencial Saint Martin terá 15 dias para informar ao Ministério Público quais providências pretende adotar em relação à recomendação.

A resposta será analisada pela 67ª Promotoria de Justiça, que acompanhará o caso e poderá adotar outras medidas legais caso as orientações não sejam observadas.

Entre as providências recomendadas estão a revisão de normas internas, a garantia de tratamento igualitário às pessoas com deficiência e a adoção de medidas voltadas à promoção da inclusão e da acessibilidade no ambiente condominial.

O MPMS também orienta que qualquer regra de convivência seja compatível com os princípios constitucionais e com a legislação de proteção às pessoas com deficiência.

Inclusão como dever coletivo

Na fundamentação da recomendação, o Ministério Público destaca que ambientes privados de uso coletivo, como condomínios residenciais, também estão sujeitos às normas de proteção dos direitos das pessoas com deficiência.

Para a Promotoria, assegurar que crianças e adolescentes com autismo possam utilizar os espaços comuns em igualdade de condições com os demais moradores é uma obrigação que decorre da Constituição Federal e da Lei Brasileira de Inclusão.

Com a recomendação, o MPMS busca prevenir novos conflitos, promover uma cultura de respeito à diversidade e garantir que nenhuma criança ou adolescente seja privada do convívio social ou do acesso às áreas comuns do condomínio em razão de sua condição.

Posicionamento

O Correio do Estado procurou a administração do Condomínio Residencial Saint Martin para comentar a recomendação expedida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul e esclarecer se as medidas apontadas no documento chegaram a ser discutidas ou adotadas. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno.

Homicídio

Homem mata o próprio irmão e alega legítima defesa em Campo Grande

Suspeito de 36 anos alegou ter agido em legítima defesa após ser agredido pela vítima, que, segundo ele, estava sob efeito de drogas; caso será investigado pela Polícia Civil

28/06/2026 09h59

Foto: Divulgação

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Uma discussão entre dois irmãos terminou em tragédia na madrugada deste domingo (28), no Jardim Centro Oeste, região sul de Campo Grande. Um homem de 42 anos morreu após ser atingido por golpes de faca durante uma briga dentro da residência onde os dois estavam.

O principal suspeito do crime, de 36 anos, foi preso em flagrante e afirmou à polícia que agiu para se defender das agressões sofridas.

A Polícia Militar foi acionada inicialmente para atender uma ocorrência de ameaça entre familiares. No entanto, durante o deslocamento das equipes, a informação foi atualizada e os policiais foram comunicados de que um dos envolvidos havia sido esfaqueado.

Ao chegarem ao imóvel, os militares encontraram a vítima caída no chão, apresentando diversos ferimentos, dificuldade para respirar e tentando se levantar.

Enquanto aguardavam a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), os policiais prestaram os primeiros atendimentos e orientaram o homem a permanecer imóvel até a chegada da equipe médica.

Suspeito confessou o crime

O irmão da vítima também estava na residência e, segundo a Polícia Militar, confessou ter desferido os golpes de faca. De acordo com o boletim de ocorrência, ele apresentava comportamento bastante alterado e relatou que vinha sendo ameaçado pelo irmão havia algum tempo.

Conforme o depoimento prestado aos policiais, a vítima seria usuária de drogas e estaria sob efeito de entorpecentes no momento da discussão. O suspeito afirmou ainda que foi agredido com um cabo de vassoura, que acabou quebrado durante o confronto.

Segundo sua versão, após ser atacado, os dois entraram em luta corporal. Foi nesse momento que ele pegou uma faca e atingiu o irmão para interromper as agressões.

Vítima ainda reagiu

Mesmo ferido, o homem de 42 anos conseguiu tomar a faca das mãos do irmão e revidou o ataque, provocando cortes superficiais no nariz e na panturrilha esquerda do suspeito.

O autor afirmou que não pretendia matar o irmão e que utilizou a faca apenas para afastá-lo. Ele disse ainda que, ao perceber a gravidade dos ferimentos, acionou o Samu para pedir socorro. Apesar do atendimento médico, a vítima não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local.

Tentativa de fuga e prisão

Após a confirmação da morte, os policiais deram voz de prisão ao suspeito. Nesse momento, ele tentou fugir pelos fundos da residência, mas foi alcançado e contido pela equipe, que precisou utilizar algemas para evitar a fuga.

Durante as buscas no imóvel, os militares localizaram a faca apontada como a arma utilizada no crime. O objeto estava sobre uma cama e apresentava aparentes vestígios de sangue.

Investigação

Equipes da Polícia Civil e da Perícia Criminal realizaram os levantamentos no local para esclarecer a dinâmica da ocorrência. O homem foi encaminhado para a delegacia, onde permaneceu preso.

O caso foi registrado, inicialmente, como homicídio simples. A investigação deverá apurar se o suspeito agiu em legítima defesa, como alegou em depoimento, ou se houve excesso na reação durante a briga entre os irmãos.

Orçamento

Governo de MS remaneja R$ 149 milhões para dívida, saúde e educação

Maior fatia dos recursos será destinada ao refinanciamento da dívida pública; saúde, educação, UEMS e pesquisa também terão dotações reforçadas

28/06/2026 09h13

Foto: Divulgação

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O Governo de Mato Grosso do Sul promoveu uma ampla readequação no orçamento estadual ao autorizar o remanejamento de quase R$ 149 milhões entre órgãos e programas da administração pública.

A medida, publicada no Diário Oficial do Estado da última sexta-feira (26), redistribui recursos para áreas consideradas estratégicas, como saúde, educação, ensino superior, pesquisa e gestão fiscal, sem ampliar o volume global de despesas previsto para 2026.

Na prática, o decreto abre créditos suplementares para reforçar dotações orçamentárias de diferentes órgãos do Executivo estadual.

A redistribuição alcança universidades, escolas, serviços de saúde, pesquisa científica, assistência social e outros setores da administração pública, além de assegurar recursos para o refinanciamento da dívida estadual.

O maior volume de recursos será destinado ao refinanciamento da dívida pública contratual do Estado, mas o remanejamento também amplia o orçamento de áreas consideradas essenciais para a manutenção dos serviços públicos.

A suplementação ocorre por meio da anulação parcial de outras dotações, mecanismo previsto na legislação orçamentária e que não altera o valor total do orçamento estadual.

Educação 

A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) receberá R$ 14,05 milhões para manutenção administrativa, fortalecimento dos cursos de graduação, programas de extensão universitária e ações voltadas à permanência estudantil.

O objetivo é garantir a continuidade das atividades acadêmicas e ampliar o suporte à comunidade universitária.

A Secretaria de Estado de Educação também foi contemplada com reforço orçamentário. O decreto destina R$ 13 milhões para despesas de manutenção da rede estadual de ensino e outros R$ 8,36 milhões para ações voltadas ao fortalecimento do ensino médio, garantindo a continuidade de programas e investimentos nas escolas estaduais.

Saúde também ganha recursos

Na área da saúde, o Fundo Especial de Saúde receberá R$ 8,35 milhões adicionais para fortalecer a atenção regionalizada. Os recursos serão utilizados para garantir a continuidade de serviços assistenciais e ampliar a capacidade de atendimento em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul.

Ciência, pesquisa e assistência

O decreto também contempla a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (Fundect), que contará com aproximadamente R$ 2 milhões destinados ao incentivo à pesquisa científica, à inovação tecnológica e ao desenvolvimento de projetos estratégicos.

Além disso, a redistribuição orçamentária beneficia a Agência Estadual de Metrologia (AEM-MS), fortalece ações de assistência social e garante recursos para programas voltados à promoção e à defesa de direitos, ampliando o alcance de políticas públicas em diferentes áreas da administração estadual.

Maior parcela será destinada à dívida pública

Embora o decreto contemple diversas áreas da administração pública, a maior parte dos recursos, R$ 88,87 milhões, será destinada ao refinanciamento da dívida pública contratual do Estado.

A medida faz parte da estratégia de gestão fiscal do Executivo para assegurar o cumprimento de compromissos financeiros e manter o equilíbrio das contas públicas.

Como funciona o remanejamento

Segundo o decreto publicado no Diário Oficial, os créditos suplementares serão compensados por meio da anulação parcial de dotações orçamentárias, mecanismo previsto na Lei Federal nº 4.320/1964 e autorizado pela Lei Orçamentária Anual.

Na prática, isso significa que o governo redistribui recursos já existentes no orçamento para atender novas prioridades, sem aumentar o volume total de despesas previsto para este ano.

Com a publicação da medida, os novos valores passam a integrar o orçamento dos respectivos órgãos e poderão ser executados conforme o planejamento de cada área, observadas as normas de execução orçamentária e financeira do Estado.

A readequação permite ao Executivo direcionar recursos para setores considerados prioritários ao longo do exercício financeiro, garantindo maior flexibilidade na gestão do orçamento público.

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