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Espírito Santo

Sabia demais, afirma rapaz que diz ter matado a ex-namorada

Sabia demais, afirma rapaz que diz ter matado a ex-namorada

G1

19/03/2014 - 12h41
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"Ela sabia demais da minha vida, não podia deixar ela sair dali viva", afirmou na manhã desta quarta-feira (19), Christian Cunha, 19 anos, que confessou ter assassinado por estrangulamento e a golpes de cavadeira a ex-namorada Bárbara Richardelle, 18 anos, após fotos seminuas vazarem na internet. O corpo da jovem foi velado no Centro Comunitário de Reviera da Barra, em Vila Velha, na Grande Vitória, e o enterro acontece às 16 horas. A família não informou o local. Para a polícia, Christian desenhou o caminho que fez até abandonar o corpo.

O jovem Christian Cunha se apresentou na Delegacia de Homicídios e Proteção a Mulheres (DHPM) e confessou o assassinato da ex. O corpo da jovem foi encontrado nesta terça-feira (18), às margens da Rodovia Darly Santos, cinco horas depois de ser morta. De acordo com a polícia, Bárbara estava com sinais de estrangulamento, com o olho roxo e uma lesão na cabeça.

Em depoimento, Christian contou que ele e Bárbara namoraram durante 1 ano e 3 meses, mas que o namoro terminou um pouco antes do Carnaval. O motivo foi o vazamento de fotos seminuas da jovem na internet. Revoltada que as imagens foram parar nas mãos de desconhecidos e alegando que só havia enviado as fotos para o namorado, a jovem terminou o relacionamento. Desde então, os dois começaram a discutir frequentemente.

Os pais acompanharam o depoimento do jovem e se mostraram inconsoláveis com o desfecho do desaparecimento da filha. O que mais chocou a polícia, foi o fato de Christian manter contato com a família de Bárbara durante toda a noite e madrugada, dizer que não sabia sobre o paradeiro da menina e demonstrar preocupação.

Crime
Nesta segunda-feira (17), Christian pediu para que Bárbara passasse em uma obra na Praia da Costa, em Vila Velha, sob responsabilidade da empresa do seu pai, por volta das 17 horas. No local, os dois discutiram mais uma vez, e a menina foi embora.
No entanto, de acordo com o rapaz, a ex-namorada retornou ao local por volta das 19 horas, mas outra discussão aconteceu. Nervosa, a menina disse que não queria continuar a conversa, e citou que "o atual namorado iria buscá-la". A família da moça diz desconhecer um novo namorado de Bárbara.

Transtornado com a informação, Christian disse ter surpreendido Bárbara, que tinha lhe dado as costas, e a esganou. Com o ato, ela desmaiou, e ele acreditou que a ex-namorada estava morta. Ele então arrastou o corpo da menina para dentro da obra, e permaneceu ao lado dele até às 22 horas.

Christian relatou à polícia que, em um determinado momento, saiu da obra para comprar churrasquinho e guaraná. Segundo o delegado, ele se alimentou ao lado do corpo da ex-namorada e, ao perceber que Bárbara se mexeu, pegou uma cavadeira de obra e a golpeou na cabeça. De acordo com o depoimento do rapaz, por volta das 2 horas, ele abriu uma caixa de papelão no porta-malas do carro, colocou o corpo da ex-namorada e o levou para a Rodovia Darly Santos. “Ele ficou comendo e bebendo ao lado do corpo. Quando a mãe ligou a procura da filha, Cristian disse que não tinha notícias”, disse o delegado.

No início da noite desta terça-feira, a polícia fez a uma simulação do crime, na obra onde Bárbara foi assassinada. Christian Cunha esteve presente e não demonstrou nenhum traço de emoção, chocando a polícia.

Desaparecimento
Segundo a família, a jovem trabalhava como vendedora em Vila Velha e não voltou para casa após o trabalho, na segunda. A família procurou a polícia por conta do desaparecimento, e foi informada sobre a morte na manhã desta terça.
Números

Segundo o Mapa da Violência 2012, realizado pelo Instituto Sangari, o Espírito Santo é o estado com o maior número de homicídios de mulheres no Brasil. A taxa capixaba, de 9,4 mortes em cada 100 mil mulheres, é maior que o dobro da média nacional.

Identidade Sul-mato-grossense

MS faz 49 anos com 116 mil indígenas e diversidade cultural

Censo mostra presença indígena nos 79 municípios; historiador destaca influência de migrantes, países vizinhos e diferentes tradições

10/10/2026 17h32

 Pantanal de MS

Pantanal de MS Foto: Divulgação/DLR

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Mato Grosso do Sul completa 49 anos neste domingo (11), com uma identidade cultural construída por diferentes povos, tradições e influências de regiões brasileiras e países vizinhos. O Estado abriga 116.469 pessoas indígenas, a terceira maior população indígena do Brasil, segundo o Censo Demográfico de 2022, e registra presença indígena em todos os seus 79 municípios. 

A formação cultural sul-mato-grossense vai além das imagens mais conhecidas do Estado, como o Pantanal, a música regional e o tereré. A proximidade com Paraguai e Bolívia, a migração de famílias de diferentes partes do País e a presença de povos originários contribuíram para a formação de hábitos, sotaques, manifestações artísticas e tradições gastronômicas que variam entre as regiões.

Em entrevista publicada pelo Correio do Estado, o historiador Roberto Figueiredo destacou justamente essa pluralidade ao abordar a identidade cultural do Estado.“Reforço uma frase da saudosa professora Glorinha, que disse que nós somos um povo que mistura tudo, gaúchos, mineiros, japoneses, paraguaios, bolivianos, nordestinos e árabes. É essa mistura que faz a nossa identidade cultural”, afirmou.

A formação do Estado reúne referências indígenas, fronteiriças, pantaneiras, rurais e urbanas, além de manifestações culturais trazidas por famílias que migraram para a região ao longo de diferentes períodos históricos.

Indígenas

O Censo de 2022 identificou 116.469 indígenas em Mato Grosso do Sul, contingente equivalente a cerca de 6,9% da população indígena brasileira. O Estado fica atrás apenas do Amazonas e da Bahia nesse indicador.

A presença indígena também está distribuída por todo o território estadual. Os 79 municípios registraram moradores que se declararam indígenas no levantamento do IBGE, embora a proporção varie bastante entre as cidades.

Japorã, no extremo sul do Estado, apresenta uma das situações mais expressivas: 57,81% da população municipal se declarou indígena no Censo. Paranhos e Tacuru também estão entre os municípios com maiores proporções de moradores indígenas.

Em números absolutos, Campo Grande reúne a maior população indígena do Estado, seguida por Dourados e Amambai. Isso evidencia que a presença desses povos não está restrita às aldeias ou às áreas rurais, mas também integra a realidade das cidades.

A distribuição territorial revela outra característica importante: em 2022, aproximadamente 64% da população indígena sul-mato-grossense vivia em áreas rurais, enquanto cerca de 36% residia em áreas urbanas. A diferença mostra a importância dos territórios tradicionais e, ao mesmo tempo, a presença crescente dos povos indígenas nos centros urbanos.

Os povos indígenas fazem parte da realidade social, cultural e urbana do Estado.

A discussão sobre o que define a identidade sul-mato-grossense não é recente. Desde a criação do Estado, artistas, escritores, pesquisadores e instituições culturais debatem quais elementos representam uma unidade federativa formada a partir de diferentes origens.

Essa trajetória mostra que a identidade cultural não se formou apenas a partir da divisão territorial. Ela foi sendo construída por artistas, comunidades, movimentos culturais e gerações que deram novos significados às referências locais.

Da divisão à formação de um Estado

A criação de Mato Grosso do Sul foi oficializada pela Lei Complementar nº 31, assinada pelo então presidente Ernesto Geisel em 11 de outubro de 1977. A implantação efetiva ocorreu em 1º de janeiro de 1979, quando o novo Estado passou a funcionar administrativamente.

A divisão estabeleceu uma nova unidade federativa, mas não criou do zero as populações e as tradições que já existiam no território. A região possuía vínculos históricos com povos indígenas, comunidades fronteiriças, atividades rurais e centros urbanos que continuaram a influenciar a formação social e cultural sul-mato-grossense.

Quase cinco décadas depois, Mato Grosso do Sul tem 357,1 mil quilômetros quadrados e população de 2,76 milhões de habitantes, conforme o Censo de 2022. A extensão territorial e a distribuição dos moradores ajudam a compreender a diversidade entre regiões como o Pantanal, o sul de forte presença agropecuária, a faixa de fronteira e os centros urbanos.

Aos 49 anos, a história do Estado continua sendo construída pela convivência entre essas diferentes realidades. Mais do que um conjunto de símbolos, a identidade sul-mato-grossense reúne povos, memórias e tradições que se transformam ao longo das gerações.

Acesso a Serviços

Guarani facilita acesso de indígenas à perícia em MS

Marlene Ortiz atua na Polícia Científica desde 2024 e ajuda indígenas a compreender procedimentos

10/10/2026 15h13

Reprodução/Gov MS

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Um em cada quatro moradores de Amambai é indígena, realidade que torna a comunicação em guarani importante para o acesso a serviços públicos no município. Na Polícia Científica, a pedagoga e técnica de enfermagem Marlene Ortiz atua como ponte entre a comunidade e os profissionais durante atendimentos médico-legais, orientações sobre exames de DNA e emissão de documentos de identidade.

Segundo o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Amambai tem 9.988 moradores indígenas, o equivalente a 25,4% da população. Desde 2024, Marlene trabalha na Unidade Regional de Perícia e Identificação (URPI), por meio de parceria com a prefeitura, auxiliando pessoas que enfrentam dificuldades para compreender as orientações em português.

“Quando chegam aqui e encontram uma pessoa indígena, elas confiam mais. Conversam, tiram dúvidas e falam comigo”, relatou Marlene.

A atuação ocorre em situações que exigem compreensão de procedimentos técnicos e, muitas vezes, envolvem medo, insegurança ou sofrimento. Além de ajudar os usuários a entender as informações recebidas, ela auxilia os servidores a compreender o que é relatado em guarani.

missão de documentos

O apoio também é prestado no Núcleo Regional de Identificação, onde indígenas procuram atendimento para solicitar a Carteira de Identidade Nacional (CIN). Nesses casos, Marlene esclarece dúvidas e ajuda a explicar as etapas necessárias para a emissão do documento.

A necessidade de comunicação acessível tem relação com a realidade linguística do município. Amambai reconhece o Guarani Kaiowá como língua cooficial desde 2024, por meio da Lei Municipal nº 2.905.

A barreira do idioma pode dificultar a compreensão de orientações em serviços que exigem informações precisas, como os procedimentos periciais. Nesses atendimentos, Marlene auxilia na comunicação e no acolhimento, enquanto exames e produção de provas técnico-científicas continuam sob responsabilidade dos profissionais habilitados.

A unidade regional também recebe demandas de moradores de Coronel Sapucaia, Paranhos, Sete Quedas e Tacuru, municípios do Cone Sul de Mato Grosso do Sul.

Desenhos

A experiência anterior de Marlene com crianças, mulheres, gestantes e idosos da comunidade indígena também influencia a forma como conduz o acolhimento.

Ela recorda o caso de uma criança que resistia a interagir durante um atendimento. Em vez de insistir nas perguntas, sentou-se ao lado dela e começou a desenhar uma gatinha. A criança respondeu com outro desenho e, depois, conseguiu seguir para o exame.

“Quando a criança chega muito irritada, ela brinca e vai se acalmando. Depois dá para chamar para fazer o exame”, contou.

Em situações de violência e morte, o trabalho também envolve ajudar familiares a compreender os procedimentos e as informações repassadas pela equipe. A atuação é especialmente importante quando parentes chegam à unidade em busca de orientações após a morte de alguém da família.

“Se o meu povo indígena chega, já me procura. Talvez eu não esteja aqui, mas me chamam para conversar”, afirmou.

Para Marlene, o vínculo com a comunidade é parte importante desse trabalho. “Me colocaram aqui para ajudar a minha comunidade, mas também ajudo qualquer pessoa que precise. Eu gosto de ajudar. Se precisar, estou aqui”, finalizou.

 

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