Vereadores se revoltaram, nesta quarta-feira (16), durante balanço da situação financeira de Campo Grande. A apresentação, liderada pelo prefeito Alcides Bernal (PP), pontuou aumento de 443% na concessão de adicional que tinha por objetivo a correção de salários, mas era utilizado “sem critério” para acrescentar até R$ 7 mil ao holerite de servidores públicos.
Foi necessária a pressão de vereadores para que o encontro, com duração de quase quatro horas, fosse público e aberto à imprensa. Neste foram reapresentadas planilhas financeiras pelo secretário Municipal de Planejamento, Finanças e Controle (Seplanfic), Disney Fernandes.
Além dos dados divulgados na segunda-feira (14), desta vez foram acrescidas informações sobre comissionados e o impacto de gratificação de “plano de trabalho” criada por decreto em 2012. Esta teria sido responsável pela maior distorção na folha de pagamento, ao se considerar que servidores poderiam ter acrescidos aos salários até R$ 7 mil por critério dos secretários municipais.
Valores pagos nos primeiros meses deste ano, em comparação com 2013, revelam aumento de 443%. Somente em agosto, a prefeitura pagou R$ 1,4 milhão em gratificações e Bernal fez questão de citar caso de uma secretária que recebia R$ 19 mil, mas optou em preservar seu nome e holerite.
“Isso é uma coisa nova. Será que não é hora de extinguir isso? É um absurdo”, pontuou Chiquinho Telles (PSD). Já o presidente interino da Câmara Municipal, Flávio César (PTdoB), emendou que a elevação é superior a dos comissionados que, de 2013 a 2015, representou aumento de 114%.
Advogado e ex-titular da Seplanfic, André Scaff, pontuou que as disparidades com a folha de pagamento de pessoal sempre foram apresentadas ao gestor afastado Gilmar Olarte (PP). “Tudo foi apresentado no balanço do quadrimestre em abril de 2014. A falta de dinheiro atribuo a folha de pagamento que está muito alta”, admitiu durante a reunião.
Revogar o decreto do “plano de trabalho”, no entanto, será difícil conforme o atual secretário de Finanças. Isso porque “tem a questão da Central de Atendimento do Cidadão em que se complementava o salário e quando tentamos cortar decretaram greve”. Neste caso, o processo adotado é de suspensão para análise.

