Cidades

CAMPO GRANDE

Poder público socorre a Santa Casa com novos repasses milionários

Pelo menos até julho, hospital terá R$ 7 milhões a mais mensalmente

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A Santa Casa de Campo Grande receberá cerca de R$ 7 milhões a mais em repasses mensais, pelo menos até o meio deste ano. Termo aditivo foi publicado no Diário Oficial do Município desta sexta-feira (28).

São repasses da prefeitura, governo do Estado, União e emenda parlamentar. Só do governo do Estado, são R$ 30 milhões no total.

Conforme o extrato, são cinco tipos de repasses que serão feitos ao hospital, sendo acréscimo pontual de valor de emenda parlamentar, a ampliação do orçamento estimado para produção do Fundo de Ações Estratégicas e Compensação (FAEC); acréscimo para incentivo financeiro estadual para procedimentos de hemodiálise e acréscimo financeiro estadual pontual ao convênio de apoio ao custeio do hospital.

Ontem, a Santa Casa barrou a entrada de novos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), alegando superlotação. A medida de restrição foi revogada nesta sexta-feira, mas, segundo o hospital, o atendimento ainda está acima da capacidade.

Em nota, o hospital afirma que, "por meio da análise do diretor técnico, Dr. William Lemos, e coordenadores médicos entendeu ser pertinente o retorno para não prejudicar mais a assistência à saúde da população".

Não há informação se o retorno está relacionado com o aumento de repasses.

O recurso referente a emenda parlamentar é no valor de R$ 250 mil, em parcela única. 

Já o Fundo de Ações Estratégicas e Compensação (FAEC) terá acréscimo mensal de R$ 1 milhão ao convênio, a contar de janeiro deste ano, com recursos federais para atendimento ao aumento da produção financiada com este orçamento.

Quanto ao convênio entre a Santa Casa e a prefeitura, o repasse mensal passará de R$ 25,5 milhões para R$ 26,5 milhões, aumento de R$ 1 milhão por mês, também contado a partir de janeiro de 2023.

O Correio do Estado entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para saber a justificativa do aumento do convênio, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

O hospital também receberá o valor pontual de R$ 347.539,50, com recursos estaduais, para pagamento de incentivo financeiro para procedimentos de hemodiálise ambulatorial para pacientes crônicos.

O último repasse acrescenta, pontualmente ao convênio estadual, seis parcelas mensais no valor de R$ 2 milhões, como apoio financeiro ao custeio do hospital para as competências de janeiro a julho de 2023, totalizando R$ 12 milhões.

Também de recurso pontual estadual, serão pagas seis parcelas no valor de R$ 3 milhões para custeio do hospital, de fevereiro a julho, somando R$ 18 milhões. Ou seja, só do governo, são R$ 30 milhões.

Superlotação

Na quinta-feira (27), pela segunda vez em menos de um mês, a Santa Casa de Campo Grande anunciou que não receberia nenhum novo paciente pelo prazo de seis horas.

Em comunicado, o hospital alega que enfrenta superlotação constante nos serviços de urgência e emergência no Pronto-socorro adulto e pediátrico do Sistema Único de Saúde (SUS).

No dia 3 de abril, a Santa Casa também deixou de receber pacientes alegando superlotação. Na ocasião, o diretor-técnico do hospital, Willian Lemos, disse ao Correio do Estado que houve aumento na entrada de novos pacientes, impactando no atendimento.

Na manhã desta sexta-feira (28), a medida de restrição de novos pacientes foi revogada, mas ainda com quantidade de pacientes acima do limite, segundo o hospital.

Conforme dados da Santa Casa, na área vermelha havia 19 pacientes, com 13 destes internados e dois em estado grave, intubados, sendo que a capacidade é seis leitos.

Na área verde, são 28 pacientes, sendo 17 internados aguardando leitos de enfermaria. Na unidade, a capacidade é de sete leitos.

Há ainda três pacientes no centro cirúrgico aguardando vagas e ocupando a sala, impossibilitando a utilização do local para procedimentos no período.

Leitos pediátricos

A Prefeitura de Campo Grande abriu, nesta sexta-feira, 10 leitos pediátricos na Santa Casa, para dar suporte a rede pública de saúde.

A previsão é que os leitos fossem abertos no dia 14 de abril, mas segunda a prefeitura, trâmites burocráticos impediram a abertura antes.

Conforme extrato publicado hoje no Diogrande, foi acrescido ao convênio o valor estimado de R$ 507 mil para atendimento em internações hospitalares de pediatria. O contrato prevê pagamento apenas mediante utilização dos leitos, ou seja, se o leito não for ocupado, não será pago.

O chamamento para contratar leitos pediátricos hospitalares na rede privada foi aberto devido à superlotação de postos de saúde, com filas de espera na rede pública.

O El Kadri chegou a informar que teria como disponibilizar 30 leitos, mas devido à falta de documentos obrigatórios, como a Certidão Conjunta de Débitos relativos a Tributos Federais e à Dívida Ativa da União e o Certificado de Regularidade do FGTS, ficou impossibilitado de participar do chamamento.

Santa Casa foi o único hospital a apresentar proposta e ofereceu espaço para dez vagas, sob a condição de que o poder público fornecesse equipamentos e profissionais para atender as crianças.

Para o funcionamento dos leitos, a Sesau fez a cedência de dois médicos pediatras e do mobiliário, conseguido por meio de empréstimo com o Hospital El Kadri e o Hospital Regional, além de dois respiradores infantis completos.

Sobreaviso

Com mais de mil denúncias Conselho Tutelar Norte suspende atendimento

Responsável por região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes fechou as portas ao público para tentar reduzir demanda acumulada por falta de servidores

24/08/2026 17h40

Conselho Tutelar região Norte

Conselho Tutelar região Norte Foto: Paulo Ribas

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Uma região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes, cinco conselheiros tutelares e, atualmente, apenas uma servidora administrativa trabalhando seis horas por dia. O resultado dessa conta é uma fila de 1.581 denúncias e relatórios ainda sem atendimento no Conselho Tutelar da Região Norte de Campo Grande.

Diante do acúmulo, os conselheiros decidiram suspender temporariamente o atendimento ao público para concentrar esforços na demanda represada. A medida, segundo as conselheiras, foi tomada após quase dois meses de quadro administrativo incompleto e semanas de espera pela reposição de funcionários.

“Hoje nós fizemos um levantamento e vimos que temos, em média, 1.581 denúncias e relatórios que ainda não receberam atendimento por conta da falta da equipe administrativa”, afirmou a conselheira Suellen Gomes, em entrevista ao jornal Correio do Estado. 

A situação é considerada crítica porque as demandas recebidas pelo Conselho Tutelar passam primeiro pela equipe administrativa. São os servidores que fazem a triagem, registram as denúncias, verificam documentos e localizam os históricos das famílias antes de os casos chegarem aos conselheiros.

Sem essa estrutura, o atendimento praticamente trava.“Tudo que chega dentro do Conselho Tutelar primeiro passa pela equipe administrativa. Quando chega à mesa do conselheiro, já deveria estar tudo certo para a gente notificar a família, fazer o atendimento e aplicar as medidas de proteção”, explicou Suellen.

O número, inclusive, não para de crescer. Poucos minutos depois de concluído o levantamento das 1.581 denúncias e relatórios pendentes, uma escola chegou ao Conselho com mais 60 fichas escolares, ampliando imediatamente a demanda.

A área atendida pelo Conselho Norte é uma das maiores de Campo Grande e se estende do fim da região do Nova Lima até o José Abrão. Segundo levantamento citado pelas conselheiras, realizado pela Planurb em 2023 para a divisão das áreas dos conselhos tutelares, a região concentra cerca de 58 mil crianças e adolescentes.

Portões fechados 

A suspensão do atendimento ao público, segundo as conselheiras, não significa a interrupção completa do serviço. Casos emergenciais continuam sendo atendidos, assim como as ocorrências acionadas pelo plantão, que permanece disponível 24 horas.Conselho Tutelar região Norte

A decisão, porém, expõe um problema mais profundo: para tentar dar conta das denúncias já acumuladas, o Conselho precisou fechar temporariamente as portas para novas demandas presenciais.

Administrativamente, a unidade é vinculada à SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social). De acordo com o relato das conselheiras, houve solicitação para reposição dos servidores e a situação também foi levada ao Ministério Público, responsável pela fiscalização dos Conselhos Tutelares.

A expectativa era de que funcionários fossem encaminhados para a unidade, o que não ocorreu até o momento. Conforme informado durante a entrevista, a prefeitura teria indicado a possibilidade de envio de servidores, mas, até a decisão pela suspensão do atendimento, a equipe não havia sido recomposta.

Para a conselheira Eliane Diniz, a medida é extrema, mas foi considerada necessária diante da dimensão da demanda e da natureza dos casos atendidos pela unidade.

“Isso é muito ruim, tanto para nós quanto para a população. A gente atende pessoas em situação de vulnerabilidade, que às vezes não têm nem dinheiro para uma passagem de ônibus e chegam aqui com o portão fechado. Isso, para a gente, é frustrante. Não é o que queremos”, afirmou.

Ela ressalta que o acúmulo não representa apenas números ou procedimentos burocráticos, mas casos envolvendo crianças e adolescentes em situações de vulnerabilidade. “A gente trabalha com vidas. Às vezes é preciso tomar medidas drásticas para as pessoas acordarem. Do jeito que está, precisamos de socorro”, declarou Eliane.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para questionar a falta de servidores, a previsão de reposição e quais medidas serão adotadas diante das mais de 1,5 mil denúncias e relatórios pendentes. O espaço permanece aberto para manifestação.

Acidente Fatal

Estudante de medicina de Campo Grande morre após acidente no Paraguai

Jovem de 26 anos sofreu fratura na perna e trauma no tórax e aguardava transferência para Campo Grande ou Dourados, mas não resistiu aos ferimentos.

24/08/2026 17h25

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero.

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero. Foto: Reprodução.

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O estudante de medicina Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu na noite deste domingo (23), após permanecer internado em estado grave em decorrência de um acidente de trânsito ocorrido no sábado (22), em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã. O jovem era de Campo Grande.

Segundo informações policiais, Lucas conduzia uma motocicleta Kenton Blitz, de cor preta, quando se envolveu em uma colisão com uma caminhonete Toyota Hilux. As circunstâncias que provocaram o acidente ainda são apuradas pelas autoridades paraguaias.

Com o impacto, o estudante sofreu ferimentos graves e precisou ser socorrido. Ele foi encaminhado inicialmente ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, onde a equipe médica constatou fratura na perna direita, diversas escoriações nos membros inferiores e trauma no tórax.

Diante da gravidade do quadro clínico, Lucas foi posteriormente transferido para o Hospital Regional de Ponta Porã, já em território brasileiro. Ele permaneceu internado na unidade enquanto era articulada uma nova transferência para um centro com maior estrutura hospitalar.

Transferência não pôde ser realizada

A previsão era de que o estudante fosse levado para Campo Grande ou Dourados por meio de uma “vaga zero”, mecanismo utilizado em situações de urgência e emergência para garantir atendimento mesmo quando não há leito previamente disponível na unidade de referência.

No entanto, o estado de saúde de Lucas se agravou antes que a remoção pudesse ser realizada. Sem condições clínicas para enfrentar o deslocamento, ele permaneceu em Ponta Porã e morreu na noite de domingo.

O motorista da Toyota Hilux foi identificado como Lucas Ariel Agüero Soria, de 25 anos. Ele também precisou receber atendimento hospitalar em razão do acidente, mas teve alta médica ainda na tarde de sábado.

A motocicleta e a caminhonete envolvidas na colisão foram apreendidas. Equipes do Departamento de Criminalística realizaram levantamentos no local do acidente para reunir elementos que possam esclarecer a dinâmica da batida e as circunstâncias que levaram à colisão.

Após a confirmação da morte, o corpo de Lucas foi levado para Campo Grande. O sepultamento estava previsto para ocorrer nesta segunda-feira (24).

A investigação deverá apontar, a partir das perícias e demais elementos reunidos, como ocorreu o acidente e se houve responsabilidade de algum dos envolvidos.

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