Cidades

ENTREVISTA

Secretária diz que surpreende rede ter 10,9 mil professores temporários

Para ela, o professor precisa investir na formação e ter a segurança de que terá uma carreira

CRISTINA MEDEIROS

01/02/2015 - 18h00
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Basta ler o currículo de Maria Cecilia Amendola da Motta para perceber que, profissionalmente, ela abraçou a área da Educação com firmeza. Relacionando vários cargos e funções, ela mostra que a prática condiz com o pensamento de que o professor precisa investir na carreira com formação de qualidade. Este é um dos assuntos que ela aborda nesta entrevista ao Correio do Estado, na qual também fala sobre o início das aulas, de investimentos na área, de como retirar da gaveta o projeto pedagógico da escola é de suma importância.

CORREIO PERGUNTA – A senhora completa quase um mês à frente da gestão na Secretaria Estadual de Educação. Quais os principais problemas encontrados logo de início? Algum deles a deixou muito surpresa?

MARIA CECILIA AMENDOLA DA MOTTA –  Encontrei um organograma que estou reestruturando; fiquei muito surpresa com o número de professores convocados, muito maior do que eu imaginava. A palavra certa é esta, surpresa, ao ver que a Rede Estadual de Ensino tem 9 mil professores efetivos e 10,9 mil professores temporários contratados. E isso não é bom para a educação. Meu pensamento é que o professor de carreira tem de ser efetivo. Não estou aqui desmerecendo o papel do temporário, já que eu fui temporária, já fiz parte deste contingente, mas o professor precisa ter uma carreira, uma segurança de que terá uma carreira, que investirá na formação, fará mestrado, curso de pós-graduação, para ter a perspectiva de trabalho seguro. 

E o que faltou para que este cenário se tornasse realidade?

Talvez concurso público. Eu não sei por que não tem este quadro, mas é um desafio que nós vamos enfrentar, de ter um número maior de professores efetivos. Estamos trabalhando de maneira que possamos ter mais vagas puras para oferecer concurso público. Estamos fazendo este levantamento de onde existe, quais as disciplinas e até o fim do ano pensar num concurso público. Já que existe a meta de se melhorar a educação, você tem de ter profissional competente. Então, a minha surpresa quando cheguei aqui na secretaria foi o número grande de temporários, não pensei que fossem tantos. 

O governador Reinaldo Azambuja acenou com os 13% de reajuste dado nacionalmente aos professores. E falta, ainda, decidir como chegar aos 25,42% solicitados pela categoria. Como o governo pretende obter os 13 milhões de reais? Eles existem em caixa?

O que nós recebemos foi uma lei do governo anterior passando o piso de 40 (horas) para 20 (horas). Esta diferença recebida em 4 anos. Um tanto seria agora, e destes 13% para chegar a 25,42%. Essa diferença nós estamos em negociação com o sindicato. Já tivemos quatro reuniões com a Fetems e teremos outra. O governador não está negando que o professor mereça ir de 40 para 20 horas, o que nós estamos negociando é o tempo deste escalonamento, porque primeiro é preciso ver as contas públicas. Ele já garantiu os 13% de aumento, vai pagar tudo isso em março com os retroativos de janeiro e fevereiro. Agora, para o restante que está faltando, propusemos uma comissão da Fetems e do governo do Estado para abrir planilhas e ver não só como é que paga agora mas também fazer toda uma projeção. Não se pode propor um aumento sem a projeção de receita, do contrário, estaremos sendo inconsequentes! E este será um ano no País muito pesado, é preciso ter o pé no chão. O perfil do governador Reinaldo Azambuja é democrático e aberto, ele vai discutir com a categoria, aliás, já está discutindo. 

E tudo ruma para que dê certo?

No 40 [horas] para 20  [horas] nós acreditamos, nós vamos cumprir. O tempo que levará  para ser feito isso é que nós não sabemos. Mas cadê a receita? Para você pagar é preciso de receita. Nós trabalharemos para isso.

A senhora não acha que o piso de R$ 1.917, para 2018, é um valor nacionalmente ainda muito baixo considerando a importância do professor?

É muito baixo, mas nós temos que ver que este valor de R$ 1.917 é um professor do Normal, não é de um professor universitário. Nós temos dois professores nesta condição. Assim que ele tem curso superior, é 50% a mais. Quando se fala em R$ 1917, nós não temos este professor, temos o professor já com 50% a mais, temos professor com graduação, especialização, com mestrado.

As prefeituras solicitaram e foi acordado que o ano letivo começará apenas após o Carnaval. Por quê?

Nós fizemos um levantamento, e mais de 50% dos prefeitos enviaram ao governador a solicitação para que o ano letivo fosse adiado. E democracia é isso. Adiamos para dia 19 de fevereiro. E, entendendo o professor, estamos prorrogando as férias até o dia 11 de fevereiro. Porque ele vai trabalhar esses dias tirando algumas emendas de feriados ou sábados.

E isso será compensado para frente, no calendário escolar?

Sim, tanto para os professores quanto para os alunos. Prorroga-se as férias dos  professores porque ele terá depois de trabalhar estes dias a mais. Nos dias 12 e 13 de fevereiro, os professores efetivos estarão na escola planejando, e dia 19 as aulas se iniciam para os alunos. Agora, quando será reposta, há uma comissão estudando, porque o calendário da Capital, da Rede Estadual, tem de combinar com o calendário da Rede Municipal já que quem transporta o aluno do Estado é o município. E é por isso que o governador seguiu o município. Não adianta nós termos um calendário e o município outro. 

O Estado contabiliza 20 mil professores e 365 escolas. E uma das promessas de campanha do governador Azambuja é de investimentos no setor da educação e valorização do profissional. O que há de concreto sobre isso até agora?

Valorização caminha em duas frentes: valorizar é ganhar bem, e valorizar também é ter um bom currículo, ter conhecimento. Não adianta eu ter conhecimento e ganhar pouco,  nem ganhar muito e não ter conhecimento. Então, estamos propondo cursos de formação. Fazer uma especialização, por exemplo, que o governo possa bancar. Mas que esta especialização tenha uma relação com a prática. Vamos supor: eu tenho que ter um TCC no final do meu curso de especialização. Eu tenho que apresentar no final o que é que aquele curso mudará na minha prática, como professora ou como diretora. Do contrário, aquele curso não vai me valer de nada. A gente não quer apenas o diploma para poder ascender na carreira. A gente quer que aquilo que foi estudado mude a prática em sala de aula. Penso que valorizar é se sentir seguro e competente naquilo que está fazendo. E, logicamente, eu estou estudando, vou ganhar melhor, estou ascendendo profissionalmente e isso vai me dar um valor maior no meu bolso. Não consigo descasar conhecimento do foco na aprendizagem do aluno, do foco na minha mudança de prática pedagógica e da avaliação em termos financeiros. Tudo tem de caminhar junto.

A secretaria tem uma radiografia das reais necessidades da totalidade das escolas estaduais no que se refere à falta ou excesso de pessoal, estrutura física precisando de consertos ou, até mesmo, a necessidade da construção de mais unidades?

Estamos terminando de fazer esta radiografia. Tem bastante escolas que precisam de reformas e reparos. Na fala do governador, esta semana, com todos os diretores, ele determinou que fossem visitadas as escolas em tempo mínimo para priorizar as demandas do pior para o melhor. Há uma equipe já com autonomia para verificar estas estruturas, o material que está faltando assim como as carteiras. E para resolver a situação também de pessoal administrativo (merendeira, etc), tentaremos terceirizar algumas escolas e chamar, por meio de concurso, quem está pronto para poder dar conta da demanda que tem de funcionários. 

O recebimento dos kits escolares foi adiado porque o pregão para compra ainda vai ocorrer no início deste mês. Por que não foi possível priorizar a entrega? 

Bem, não ficou uma ata de registro do governo passado e é preciso fazê-la. O processo é lento. Esperamos que quem ganhar a licitação agilize esta entrega. Acredito que 10 dias após o início das aulas conseguiremos fazer isso. 

Uma das grandes queixas de professores (e isso ocorre nacionalmente) é o índice de indisciplina e violência nas escolas. A senhora teria alguma receita para tentar reverter ou, pelo menos, minimizar esta situação? O que pode ser feito para aumentar a autoestima do professor?

Bem, eu sou conhecedora de todos os problemas. Os do professor são a violência, a família, a droga, a indisciplina. Mas eu acredito que o projeto psicopedagógico da escola não é um documento de gaveta, é um documento escrito pela comunidade escolar. Quando você diz o que quer para sua escola, quando não vem de cima para baixo o seu projeto pedagógico, quando você é partícipe, então se consegue melhorar. Na reunião que tivemos com os diretores, pedimos para eles priorizarem, na primeira reunião, qual é a filosofia da escola, como é a metodologia de ensino, como veem a avaliação, para que os alunos possam participar e a família também. Democracia não é uma coisa muito fácil, ela demanda tempo, demanda argumentação. Dar uma ordem é fácil – “faça assim ou assado”. Mas o que é que nós queremos? Hoje (quarta-feira), por exemplo, eu me reuni com minha equipe durante todo o período da manhã, e nenhuma decisão que sair daqui será só minha, será do grupo. E isso demanda tempo, porque usamos nossos argumentos, as ideias são diferentes, e entrar em consenso é uma coisa muito difícil. Mas tudo o que sair da secretaria será consenso de minha equipe. Na escola, quando eu era diretora, eu nunca escutava apenas um lado da moeda. Se era um pai e um professor, ouvia o pai e o professor. Eu era a mediadora, mas a decisão final nunca era minha, era tomada em conjunto com eles. E eu acredito nisso, que as decisões devem ser tomadas em conjunto, as responsabilidades do fracasso ou do sucesso são divididas. Sendo assim, todo mundo abraça a causa e vai junto. Por isso que eu acredito que o projeto político-pedagógico é a alma da escola. E ainda acredito no diálogo e no poder da argumentação. Acredito que conseguiremos trazer a família para dentro da escola quando ela se sentir partícipe das decisões da escola – e o próprio aluno também. E o governador vai cobrar dos secretários suas metas. A nossa meta aqui é melhorar a proficiência de aprendizagem e diminuir o abandono e a reprovação, dois indicadores que formam o Ideb.

Há planos de se criar escolas em tempo integral e incentivar o ensino profissionalizante? Como será feita esta ação?

Bem, esta área está se caminhando. Tem o Pronatec, tem vários cursos concomitantes, está indo muito bem o profissionalizante. O que nós temos de fazer é colocar na região a demanda daquele curso que a comunidade precisa. É preciso analisar a região e, ali, oferecer o curso que promoveria o desenvolvimento do lugar, porque educação é para desenvolver. Quanto ao ensino integral, isso é algo que eu gostaria muito. O que está posto pelo governo federal, o projeto “Mais Educação”, não é ensino integral, é tempo integral, tempo ampliado. Educação integral é diferente de tempo integral. O tempo integral é ficar na escola o tempo todo. Agora, a educação integral transcende o tempo integral. A educação integral, no sentido da palavra, vai demandar um estudo, um tempo de preparo.

balança comercial

Cotação da soja melhora, mas produtor não vê a cor do dinheiro

Mesmo com a queda do dólar, exportador está faturando mais neste ano. Para o produtor, porém, o preço em 2026 está menor que em 2025

04/07/2026 16h15

Mesmo com a queda do dólar, exportadores faturaram, em média, R$ 9 a mais por saca no primeiro semestre. Os produdores, porém, receberam menos que em 2025

Mesmo com a queda do dólar, exportadores faturaram, em média, R$ 9 a mais por saca no primeiro semestre. Os produdores, porém, receberam menos que em 2025

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Com aumento de 10,5% na comparação com o ano passado, Mato Grosso do Sul nunca faturou tanto com as exportações como no primeiro semestre de 2026, somando 5,9 bilhões de dólares, conforme dados divulgados nesta sexta-feira (3) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. 

O resultado só não é melhor por conta da queda nos preços da celulose e do minério de ferro. Em compensação, verificou-se  significativa melhora nos preços internacionais da soja e da carne bovina.

Por conta disso, a soja voltou a ocupar o primeiro lugar nos produtos de maior relevância nas exportações de Mato Grosso do Sul, com 33,5% do total faturado, somando US$ 2 bilhões. Isso representa aumento de 30,5% ante igual perído do ano anterior. 

Porém, a melhora nos preços não chegou ao bolso dos produtores, que no último ciclo fizeram a maior colheita da história do Estado, com 16,774 milhões de toneladas. No primeiro semestre do ano passado foram exportadas 4,076 milhões de toneladas, ante 4,687 milhões de toneladas em igual período de 2026. 

A diferença, porém, foram os valores faturados. Em 2025, conforme os dados oficiais, as vendas externas renderam US$ 1,51 bilhão, com a tonelada rendendo 372 dólares. Neste ano, o faturamento ficou um pouco acima dos US$ 2 bilhões, ou US$ 427 a tonelada, uma alta de quase 15%. 

Traduzindo: no primeiro semestre do passado a saca de 60 quilos rendeu uma média de R$ 125,00 aos exportadores. Neste ano, o valor saltou para a casa dos R$ 134,00. Estes nove reais por saca faturados a mais pelos exportadores e que não chegaram ao produtor podem não parecer muito.

Mas, levando em consideração que 16,774 milhões de toneladas da última safra equivalem a cerca de 280 milhões de sacas, os exportadores elevaram em cerca de R$ 2,5 bilhões o seu faturamento e os agricultores não viram a cor deste dinheiro. 

Pelo contrário, os produtores receberam menos em 2026 do que no ano anterior. No primeiro semestre do ano passado o preço médio da soja ao produtor em Campo Grande, por exemplo, ficou entre R$ 117,00 e 121,00. Neste ano, o valor médio ficou entre R$ 108,00 e R$ 115,00.

Uma das explicações é a queda na cotação do dólar, que teve uma desvalorização média da ordem de 50 centavos de um ano para outro. No dia 30 de junho do ano passado, a saca em Campo Grande estava em R$ 116,00. Na mesma data deste ano, R$ 114,00. 

CARNE BOVINA

Outro setor fundamental para a economia de Mato Grosso do Sul é a carne bovina, cujas vendas externas renderam 49,3% a mais que no primeiro semestre do ano passado, passando de US$ 759 milhões para US$ 1,1 bilhão. 

Em média, a cotação da tonelada saltou de US$ 5,2 mil para US$ 6,2 mil. E, com preço melhor, o volume também aumentou, passando de 146 mil toneladas para 182 mil toneladas. O setor respondeu por 19,2% das exportações estaduais no primeiro semestre.

E, ao contrário daquilo que ocorreu com os produtores de soja, os pecuaristas estão colhendo os frutos deste bom momento. A cotação média da arroba no primeiro semestre de 2025 oscilou entre RS$ 294,00 e R$ 311,00. Neste ano, os valores melhoraram e oscilaram entre R$ 330,00 e R$ 355,00.

MINÉRIOS

Mas, os setores da agricultura e pecuária têm motivos para comemoração, o setor da mineração está literalmente entrando em apuros. O volume de minérios exportados saltou de 3,94 milhões de toneladas para 5,11 milhões de toneladas. Isso representa aumento da ordem de 30%.

O faturamento, contudo, despencou de US$ 187,5 milhões para apenas US$ 108,8 milhões nos primeiros seis meses. Em média, o vaturamento por toneladas caiu de US$ 46,3 para apenas US$ 21,2, uma queda superior a 50% na cotação. 

Esta retração não significou queda somente no faturamento dos exportadores. A arrecadação dos royalties da mineração registrou queda de 23% no primeiro quadrimestre de 2026, acendendo um alerta sobre a dependência econômica de municípios que tem forte dependência da mineração, como Corumbá e Ladário. 

Entre janeiro e abril, o volume arrecadado pela Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) caiu de R$ 15,3 milhões em 2025 para R$ 11,7 milhões neste ano, segundo dados recentes. 

No ano passado, o faturamento com exportações de minério representaram 3,8% daquilo que o Estado exportou. Neste ano, a participação é de apenas 1,8%. 

CELULOSE

Fenômeno semelhante está ocorrendo com as exportações de celulose. Em 2025, a produção das três indústrias em atividade no Estado equivaleu a 28,9% dos US$ 10,8 bilhões faturados com as exportações. No primeiro semestre dese ano, o setor responde por 24,3%, ficando atrás da soja (33,5%). 

Por conta da queda no preço, as indústrias até reduziram as vendas externas, que passaram de 3,522 milhões de toneladas para 3,187 milhões, uma redução de quase 10%. O faturamento, contudo, teve queda maior, de 16,6%, passando de US$ 1,7 bilhão para US$ 1,4 bilhão no semestre.

Morenão

Revitalização do Morenão prevê R$ 16,7 milhões e mira retomada do estádio

Projeto reúne investimentos do Governo de Mato Grosso do Sul, CBF e Federação de Futebol para recuperar a principal praça esportiva do Estado e devolver partidas oficiais ao estádio

04/07/2026 14h30

Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Como noticiado na sexta-feira (3) pelo Correio do Estado, o processo de revitalização do Estádio Universitário Pedro Pedrossian, o Morenão, entrou em uma nova fase com o início da recuperação do gramado.

Agora, novos detalhes revelam a dimensão do projeto, que prevê investimentos de R$ 16,7 milhões para devolver a principal praça esportiva de Mato Grosso do Sul ao calendário do futebol profissional em 2027.

O projeto de revitalização da principal praça esportiva do Estado prevê investimentos de R$ 16,7 milhões em obras estruturais, além de recursos específicos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para a recuperação completa do gramado e adequações voltadas ao retorno das competições em 2027.

A primeira etapa da recuperação será oficialmente apresentada pela Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS) na próxima segunda-feira (6), durante coletiva de imprensa realizada no próprio estádio.

O cronograma marca o início da substituição integral do gramado, considerada a principal intervenção para permitir que o Morenão volte a receber jogos do Campeonato Sul-Mato-Grossense já na temporada de 2027.

O que será revitalizado

O projeto prevê uma modernização completa da estrutura do Morenão. Entre as intervenções programadas estão a adequação dos acessos, das rotas de fuga e das rampas para atender às normas de segurança e acessibilidade, além do fechamento dos fossos, da instalação de guarda-corpos, corrimãos, barras antiesmagamento e novos portões.

Também fazem parte do pacote de obras a modernização da rede elétrica, a implantação do sistema de prevenção e combate a incêndio, a instalação de novos refletores, a construção de um sistema de irrigação de última geração e a substituição integral do gramado.

As intervenções ainda incluem a reforma da pista de atletismo e melhorias no sistema de drenagem, consideradas essenciais para que o estádio volte a receber partidas oficiais e grandes eventos a partir de 2027.

Gramado terá irrigação moderna

Paralelamente às obras estruturais conduzidas pelo Estado, a FFMS ficará responsável pela recuperação do campo de jogo em parceria com a CBF.

O trabalho prevê a retirada completa do gramado atual, implantação de um moderno sistema de irrigação, instalação de uma nova cobertura vegetal, além da recuperação dos bancos de reservas, dos vestiários e da pista que circunda o campo.

Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

Segundo a Federação, uma empresa especializada em gramados esportivos foi contratada para executar o serviço. A expectativa é que essa fase esteja concluída até o fim deste ano, respeitando o período necessário para enraizamento e adaptação da nova grama.

Projeto será executado em etapas

O plano de recuperação do Morenão foi dividido em três fases. A primeira consistiu na transferência da gestão do estádio da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) para o Governo do Estado, encerrando um impasse administrativo que se arrastava havia aproximadamente uma década.

A segunda etapa corresponde às obras de revitalização atualmente em andamento. Além da recuperação do campo, serão realizadas intervenções estruturais para adequar o estádio às exigências de segurança e acessibilidade.

Já a terceira fase prevê a concessão do Morenão à iniciativa privada. O modelo em estudo admite contratos de longo prazo, podendo chegar a 35 anos, além da exploração comercial por meio da venda dos naming rights, estratégia adotada por diversas arenas brasileiras para ampliar receitas e garantir manutenção permanente do equipamento público.

Futebol profissional volta em 2027

A meta da Federação é concluir todas as intervenções necessárias para que o Morenão receba novamente partidas oficiais a partir de janeiro de 2027.

A intenção é que o estádio seja palco da abertura do Campeonato Sul-Mato-Grossense da Série A, marcando o retorno do principal palco esportivo do Estado ao calendário do futebol profissional.

Além dos jogos, o projeto também prevê a retomada da realização de grandes eventos e shows no estádio.

Para isso, deverão ser adotados protocolos específicos de proteção ao gramado, permitindo a utilização multifuncional da arena sem comprometer as condições técnicas do campo para as competições esportivas.

O Morenão não recebe uma partida oficial do Campeonato Sul-Mato-Grossense desde 2022. Desde então, problemas estruturais e a falta de investimentos impediram a utilização do estádio, considerado um dos maiores símbolos do esporte em Mato Grosso do Sul.

Com a injeção de recursos públicos e privados e o início efetivo das obras, a expectativa das autoridades esportivas é devolver ao Estado uma arena apta a sediar competições estaduais, nacionais e grandes eventos culturais.

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