Por dia, seis pessoas são estupradas em Mato Grosso do Sul, de acordo com dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Somente neste ano, 1.174 vítimas denunciaram terem sofrido agressão sexual.
Conforme os dados da Sejusp, do dia 1º ao dia 13 deste mês, 51 vítimas denunciaram ter sofrido abuso. O mês com o maior número de registros neste ano até agora foi março, quando 221 pessoas alegaram terem sido estupradas.
Dos casos deste ano, 86% foram denunciados por mulheres (o que corresponde a 1.013 vítimas). Apenas 11% dos casos foram registrados por homens (132 pessoas).
Um dos dados mais impactantes é que grande parte das vítimas eram crianças ou adolescentes (76%). Jovens e adultos representam 20% dos casos.
Conforme a série histórica da Sejusp, que começa em 2016, o ano com o maior número de vítimas foi 2023, quando 3.003 pessoas denunciaram o crime de estupro no Estado. Desde então, porém, o número de vítimas tem reduzido ano a ano em Mato Grosso do Sul.
Em Campo Grande, nos primeiros 13 dias deste mês, 14 pessoas afirmaram terem sido estupradas, praticamente um caso por dia. Desde janeiro, já são 329 vítimas, três a cada dois dias.

REGIONAL
Um dos casos em tramitação na 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Campo Grande é referente à denúncia de uma paciente que está internada no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), na Capital.
A paciente, de 27 anos, denunciou o caso no sábado, mas o abuso teria ocorrido na sexta-feira, durante o plantão noturno.
Conforme a denúncia, a mulher estava internada na unidade de terapia intensiva (UTI) do hospital desde o dia 15 de junho, em decorrência de complicações relacionadas à gestação e ao período pós-parto.
Segundo a denúncia, o técnico de enfermagem que atendeu a paciente administrou medicamentos e, posteriormente, voltou ao leito dela, ocasião em que teria praticado o abuso sexual enquanto ela permanecia sob efeito da medicação.
A vítima afirmou que despertou durante o episódio, percebeu a presença do profissional e conseguiu identificá-lo antes que ele deixasse o quarto.
A paciente informou o ocorrido a uma técnica de enfermagem da equipe que assumiu o plantão seguinte. A profissional acionou a enfermeira responsável pela unidade e a psicóloga responsável do hospital para prestar assistência inicial à vítima.
Posteriormente, a paciente foi transferida da UTI para um quarto da maternidade, permanecendo acompanhada de familiares durante o restante do período de internação.
Ontem, dois dias após o registro da denúncia, o técnico de enfermagem, de 52 anos, foi preso pela 1ª Deam e deve passar por audiência de custódia na manhã de hoje.
O caso é investigado como crime de estupro de vulnerável.
Em nota, o HRMS informou que, “desde que tomou conhecimento da denúncia, na última sexta-feira (10), o profissional deixou de atuar na assistência aos pacientes. Na segunda-feira (13), foi formalizado seu afastamento das atividades”.
O hospital ainda instaurou sindicância para “apuração rigorosa dos fatos, assegurando ao profissional o direito ao contraditório e à ampla defesa, conforme determina a legislação vigente”.
“O HRMS prestou acolhimento e suporte à paciente e aos seus familiares, oferecendo toda a assistência necessária. O hospital esclarece ainda que na unidade de terapia intensiva (UTI) os cuidados assistenciais são realizados rotineiramente por dois profissionais”, trouxe nota do Hospital Regional.
“O HRMS reafirma seu compromisso com a segurança dos pacientes, a transparência na apuração dos fatos e o rigor na adoção das medidas administrativas cabíveis, permanecendo à disposição das autoridades competentes para colaborar integralmente com as investigações”, complementou, em nota.
Ruas esburacadas de Campo Grande voltam à mira do MPMS - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

