Cidades

DEMISSÃO

Sejusp demite ex-Garras envolvido em escândalo de propina e contrabando

Apesar de ter sido absolvido das acusações no mês passado, o policial foi demitido por descumprir deveres da função e infringir proibições

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O policial civil Augusto Torres Galvão Florindo, acusado de receber propina no valor de R$ 130 mil para facilitar os crimes de contrabando e descaminho, teve sua demissão publicada no Diário Oficial do Governo do Estado. O Secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira assinou a demissão.

De acordo com a publicação, Augusto Torres descumpriu os deveres do artigo 155, que tratam sobre:

  • exercer a função policial com probidade, discrição e moderação (ou zelar pela dignidade da função) - inciso V;
  • desrespeito a padrões ético-morais condizentes com a instituição - inciso VI;
  • deixar de manter lealdade e constância no cumprimento dos preceitos legais e institucionais - inciso VII;
  • dever de assiduidade, pontualidade, urbanidade no trato com o público, zelo pelo patrimônio público e cumprimento estrito de ordens legais superiores - incisos XVII, XVIII e XXVIII.

Ele também infringiu proibições do artigo 156, por agir com deslealdade no exercício da função; praticar insubordinação grave, abandono de cargo ou conduta irregular de natureza grave; valer-se do cargo para ter proveito pessoal, em detrimento da dignidade da função policial; e praticar ato que concorra para comprometer o prestígio da instituição ou que configure crime contra a administração pública.

Absolvido

No dia 19 de agosto deste ano, a Justiça Federal absolveu o ex-policial do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros) Augusto Torres Galvão Florindo, o ex-guarda civil municipal Marcelo Raimundo da Silva e a esposa dele, Ana Claudia Olazar dos crimes de corrupção ativa e passiva.

Na decisão, o juiz Luiz Augusto Iamassaki Fiorentini entendeu que não ficou comprovado o envolvimento ilícito dos acusados nem a finalidade da entrega dos R$ 130 mil a Augusto Torres, mas decretou o perdimento da verba em favor da União.

Porém, o titular da 5ª Vara Federal de Campo Grande afirma não ter “dúvida alguma” de que o dinheiro seja decorrente de atividade ilícita. Entre os motivos, estão o alto valor entregue em espécie no estacionamento de um supermercado pela janela dos carros e o fato de ter um pedido de um homem, identificado como Ângelo ‘Moela’, envolvido na prática de contrabando e descaminho, como confessou o ex-guarda Marcelo em depoimento.

Denúncia

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o trio por participação em um esquema de contrabando de cigarros eletrônicos. Augusto Torres participava da cobrança e entrega de propina pelos contrabandistas. Após a prisão, em novembro de 2025, o policial foi afastado do cargo no Garras.

A investigação do caso teve início após uma denúncia anônima, que relatava o saque de uma grande quantia de dinheiro, para ser entregue como propina a um agente de segurança. A esposa do ex-guarda realizou o saque, e a quantia seria entregue a Marcelo Raimundo da Silva que repassaria ao policial civil.

Marcelo relatou que entregou R$100 mil a Augusto a pedido de um contrabandista de São Paulo. Ele contou também que completaria com R$ 30 mil que guardava em casa para outra carga de produtos vindos do Paraguai.

O valor total foi depositado na conta de uma empresa de carros usados registrada no nome da esposa de Marcelo. Após o saque, ele pegou os R$ 30 mil restantes e seguiu para o ponto de encontro no estacionamento de um supermercado na Avenida dos Cafezais, em Campo Grande. No momento da entrega da sacola com o dinheiro, a dupla foi presa pela Polícia Federal.

Sem provas

O juiz Luiz Augusto Iamassaki Fiorentini, em sua sentença, diz que o MPF não juntou qualquer prova de que Augusto Torres atuava, de fato, em auxílio às atividades de contrabando e descaminho e que os valores que recebeu seriam decorrentes de tal prática. Também considera não haver evidências suficientes de que tais pagamentos estariam relacionados ao exercício de sua atividade como policial civil.

“A denúncia se ampara basicamente nas declarações prestadas pelos próprios réus (Augusto e Marcelo) em sede policial, quando, em tese, teriam admitido tal atuação ilícita”, afirma o magistrado. “Ocorre que a confissão extrajudicial é insuficiente para amparar a condenação, quando retratada em juízo e não amparada em outros elementos”.

Para o titular da 5ª Vara Federal, faltou comprovar qualquer conversa ou negociação entre os réus sobre a atividade ilícita, além da apreensão de mercadorias ilícitas.

“Ainda que a entrega dos valores tenha efetivamente ocorrido, não restou demonstrado, para além da dúvida razoável, qual a natureza de tal transação, ou a finalidade a que se destinava. As próprias testemunhas afirmam que desconheciam que os pagamentos seriam feitos a um policial civil”, relata o magistrado.

O juiz Luiz Augusto Iamassaki Fiorentini decidiu então absolver os três acusados, uma vez que o tipo penal de corrupção exige que o pagamento seja indevido e decorrente da função pública, e a ausência de prova inconteste de tal fato impede a condenação.

O valor total apreendido, de R$ 153.500,00, foi decretado seu perdimento em favor da União, para ser direcionado ao Fundo Penitenciário Nacional (Funpen).

Cidades

Caos financeiro da Santa Casa eleva o risco de paralisação

Por conta de falta de insumos e atrasos salariais, equipes médicas estão comunicando desligamento e continuidade dos serviços do hospital é colocado em xeque

09/09/2026 07h45

Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Diante da falta de materiais e dos atrasos salariais que chegam a quatro meses, anestesistas e cirurgiões especialistas estão deixando a equipe médica da Santa Casa de Campo Grande, elevando o risco de paralisação total do maior hospital de Mato Grosso do Sul, que acumula imensas dívidas e grave crise financeira nos últimos anos.

Desde o dia 29 de julho, as cirurgias eletivas e os atendimentos ambulatoriais estão suspensos pela equipe médica do hospital.

Porém, a situação se agravou a partir desta semana, depois dos cirurgiões cardíacos pediátricos, que trabalham no modelo de Pessoa Jurídica (PJ) terem comunicado o desligamento do quadro de profissionais da Santa Casa.

Diante disso, as crianças continuam internadas no Centro de Terapia Intensiva (CTI), sem perspectiva de quando vão receber o tratamento. Para piorar, os mais de 100 anestesistas que compõem a equipe médica do hospital também revelaram o desejo de deixar o complexo, o que paralisaria grande parte dos exames e cirurgias da instituição.

Em conversa com o presidente do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed-MS), Marcelo Santana, ele explica que toda essa situação é motivada diante do cenário crítico de falta de insumos essenciais para a realização dos procedimentos de forma adequada, além dos salários atrasados que ultrapassam quatro meses.

“A gente vê que é uma situação que se arrasta já há muito tempo com períodos de piora e melhora, mas, dessa vez, as reclamações estão vindo de uma forma muito mais contundente e dizem que o que está sendo exposto é a falta de materiais, inclusive materiais básicos, para fazer o atendimento”, disse à reportagem.

Em específico sobre a situação das cirurgias cardíacas pediátricas, Santana disse que a Santa Casa é o único hospital de Mato Grosso do Sul habilitado pelo Ministério da Saúde a realizar este tipo de procedimento.

Caso aconteça o descredenciamento em razão da falta de profissionais, é provável que os pacientes tenham que ser transferidos para outros estados.

Sobre a ameaça da classe de anestesistas em deixar o hospital, o presidente disse que é a situação que mais preocupa, pois a categoria é “responsável pela condução dos procedimentos cirúrgicos”, o que poderia acarretar uma paralisação total do hospital, já que a ausência dos mais de 100 anestesistas seria sentida em quase todas as cirurgias e procedimentos realizados no complexo.

“A probabilidade é gravíssima [de paralisação total]. Se houver uma paralisação dos anestesiologistas, você para uma cadeia extremamente importante de atendimento. Vai impactar, principalmente, os procedimentos cirúrgicos e vai paralisar um monte de exames invasivos que necessitam da participação dos anestesistas”, alerta Santana.

Hoje, o Sinmed-MS fará uma assembleia geral com as equipes médicas da Santa Casa para organizar de forma oficial a saída das categorias que querem deixar o quadro de profissionais do hospital. A reunião acontece às 19h30min, na sede do sindicato.

A Santa Casa foi contatada pelo Correio do Estado para detalhar a situação e quais ações estão sendo tomadas para que a paralisação não ocorra. Porém, até o fechamento desta edição, não houve retorno.

Vale lembrar que, na semana passada, representantes das secretarias municipal e estadual de saúde reuniram-se com representantes da Santa Casa para alinhar ações emergenciais e um aporte pontual de R$ 4 milhões após o hospital suspender as cirurgias eletivas e os atendimentos ambulatoriais.

Neste momento, o hospital decidiu priorizar casos de urgência e emergência em razão de dificuldades relacionadas à disponibilidade de insumos e à composição das equipes médicas, conforme informou a instituição.

Porém, ao que parece, o montante não foi suficiente para reabastecer os materiais em alguns setores.

MUNICÍPIO

Em nota enviada ao Correio do Estado, a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Sesau) afirmou que “recebeu, até o momento, apenas de maneira informal a informação acerca do eventual encerramento do serviço de cirurgia cardíaca pediátrica” do hospital.

Ainda de acordo com a Pasta, caso seja oficializada a paralisação dos serviços, essa notificação teria que ocorrer com a antecedência de 180 dias.

Mesmo que não tenha sido comunicada oficialmente, a Sesau disse que “vem trabalhando preventivamente na estruturação de edital de credenciamento para serviços de cardiologia pediátrica, atualmente em fase de estudos técnicos”.

“Quanto aos recém-nascidos com cardiopatias que demandem assistência especializada, a Sesau esclarece que o atendimento deverá ser assegurado pelo estabelecimento hospitalar que detenha a habilitação correspondente para a assistência prevista, conforme os fluxos regulatórios e assistenciais do SUS”, ressalta.

Por fim, a Pasta destacou que, caso seja constatada qualquer alteração ou interrupção unilateral do serviço em desacordo com as obrigações assumidas no convênio, adotará as providências administrativas cabíveis, como “penalidades previstas no instrumento contratual”, que não foram detalhadas à reportagem.

Santa Casa de Campo Grande é o maior hospital do Estado, mas enfrenta constantes paralisações - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

CAOS

Matéria recente publicada pelo Correio do Estado revelou que a Santa Casa fechou 2025 com deficit de R$ 124,582 milhões, o que equivale a um prejuízo diário da ordem de R$ 341 mil.

Ao mesmo tempo, conforme números do balanço anual publicado em julho, diz ter nada menos que R$ 714,259 milhões a receber da Prefeitura de Campo Grande, do governo do Estado e do governo federal.

Mesmo assim, por conta das dívidas, os auditores que assinam o balanço do hospital apontam que a Santa Casa não tem mais condições de operar.

Mas, em meio a deficits seguidos e dívidas astronômicas, a direção da Santa Casa diz que ganhou na Justiça o direito a uma indenização de R$ 275,593 milhões relativos ao reequilíbrio financeiro referente ao período compreendido entre 7 de outubro de 2011 e maio de 2018.

Atualizando este montante, o crédito já chega a R$ 667,87 milhões, em valores atualizados até dezembro do ano passado.

Além disso, o hospital também recorreu à Justiça e obteve ganho de causa para receber outros R$ 46,381 milhões. A ação é relativa a uma lei federal de abril de 2020, durante a pandemia. Esta lei determinou o pagamento integral dos valores dos tetos de produção. 

O município, porém, emitiu uma portaria contrariando o descrito na lei e efetuou pagamento por meio de médias históricas, disse a direção do hospital na publicação feita no Diário Oficial da Prefeitura de Campo Grande.

E, na esperança de receber estes mais de R$ 714 milhões, a direção do hospital vai acumulando empréstimo após empréstimo. Eles somam mais de R$ 261,7 milhões e a taxa de juros chega a 1,85% ao mês.

De acordo com os números do balanço, mesmo que a Santa Casa vendesse todo o seu patrimônio, ainda ficaria devendo quase R$ 640 milhões. Se fosse uma empresa qualquer, isso significa que ela está falida.

*SAIBA

Atualmente, a Santa Casa recebe R$ 392,4 milhões por ano (R$ 32,7 milhões por mês) do convênio com a Prefeitura de Campo Grande, o governo do Estado e a União para atendimento via Sistema Único de Saúde (SUS). Porém, o hospital alega que o valor não seria o suficiente.

OPERAÇÃO NEXUM

PF desmantela grupo que contrabandeava até geladeira paraguaia

São cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, além de dois mandados de prisão preventiva em Campo Grande

09/09/2026 07h30

Operação Nexum foi deflagrada na manhã desta quarta-feira (9)

Operação Nexum foi deflagrada na manhã desta quarta-feira (9) Divulgação: Polícia Federal

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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (9), a Operação Nexum, com o objetivo de reprimir organização criminosa suspeita de promover o crime de descaminho de mercadorias eletrônicas com origem no Paraguai. A ação ocorre em Campo Grande, onde são cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão preventiva, expedidos pela 5ª Vara Federal do Município.

Entre os objetos apreendidos pela Polícia Federal estão geladeiras, video games, caixas de som, celulares e televisão. De acordo com a resposta da PF ao Correio do Estado,  a maioria dos alvos estava localizada na região do bairro Los Angeles. Além disso, a corporação respondeu que a princípio, as investigações indicam atuação apenas em Campo Grande e que o grupo atuava há pelo menos um ano.

De acordo com as autoridades, o grupo publicava os produtos em redes sociais e comercializava de forma parcelada e informal. A cobrança das dívidas era mediante grave ameaça, inclusive com arma de fogo de grosso calibre. 

Há também indícios de empréstimos informais, extorsão, tráfico de drogas, posse e porte irregular de armas de fogo e lavagem de capitais.

Um terceiro investigado não foi preso, porém está submetido a medidas cautelares, entre elas a proibição de acesso à região de fronteira, a proibição de contato com os demais envolvidos e o monitoramento por tornozeleira eletrônica.

A Justiça Federal determinou a indisponibilidade de imóveis e o bloqueio de ativos financeiros de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo, no valor limite de R$ 10 milhões. Também foram determinados o sequestro de quatro veículos e a suspensão das atividades de três empresas utilizadas.

A operação conta com a participação de mais de 50 policiais federais de unidades da Superintendência Regional em Mato Grosso do Sul, além do apoio da Receita Federal do Brasil nos locais de depósito e comercialização de mercadorias.

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