Cidades

Rescaldo Chuva

Sem luz há quase 24 horas, moradores da Capital improvisam rotina

Famílias enfrentam falta de água, risco de estragar alimentos e comércio funcionando com caixas térmicas após temporal

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Moradores de diferentes pontos de Campo Grande passam por uma sexta-feira (11), daquelas  tentando manter a rotina possível depois de completarem quase 24 horas sem energia elétrica. Na Vila Olinda, famílias precisaram recorrer a caixas térmicas para preservar alimentos e bebidas, enquanto em outras casas a falta de luz também interrompeu o abastecimento de água. O problema é consequência dos estragos provocados pelo temporal que atingiu a Capital na tarde de ontem, quinta-feira (10).

Na Vila Olinda, Izabella Gomes Escobar, 22 anos, estudante, conta que a rua onde mora permanece sem energia desde as 18h de quinta-feira. A família vive sobre um comércio e também mantém outro estabelecimento na mesma região, ambos foram afetados pela falta de luz.

Segundo ela, a principal dificuldade é a falta de uma previsão precisa para o restabelecimento. “Cada hora eles dão uma previsão diferente. Ontem falaram que ia voltar às 6h da manhã de hoje, depois falaram às 9h e agora disseram que até 16h poderia voltar, mas havia chances de não voltar hoje.”

Sem energia para carregar os aparelhos em casa, Izabella precisou sair do bairro para conseguir recarregar os celulares dela e dos pais. O problema também chegou diretamente ao comércio da família. No restaurante, alimentos que precisam de refrigeração, como carnes e sorvetes, estão entre as maiores preocupações. No bar, as bebidas foram colocadas em caixas térmicas com gelo e sal para tentar preservar a temperatura. “É meio que se virar com o que dá, mas não saber se vai ou não voltar a energia hoje complica tudo”, relata.

Mesmo com as limitações, a família decidiu abrir o restaurante nesta sexta-feira na expectativa de que o fornecimento fosse normalizado. Sem energia, porém, o buffet não pôde ser utilizado para manter a comida aquecida. “O plano B que era possível nós fizemos. Fizemos almoço hoje com o que dava e, mesmo sem luz, tivemos um movimento bom. Colocamos as bebidas em caixas térmicas com gelo para manter refrigerado. Agora resta esperar e torcer para voltar logo essa energia!, disse a jovem em entrevista ao jornal Correio do Estado. 

A preocupação aumenta diante da possibilidade de novas chuvas. “Preocupado a gente fica, ainda mais que tem outro alerta de chuva para hoje. Fica difícil quando as coisas não estão no nosso controle”, afirma Onivaldo Mandacari, 57 anos, proprietário do comércio.

Na casa da servidora pública Lindalva Gomes de Lima, 53 anos, o problema ganhou uma dimensão ainda maior. A residência utiliza água de poço, bombeada para a caixa d'água por meio de um sistema elétrico. Com a falta de energia, o abastecimento também foi interrompido.

Ela conta que, durante o temporal, houve um curto-circuito na rede elétrica em frente à residência. Depois de um período sem energia, o fornecimento voltou parcialmente, mas com oscilações que impedem o uso dos aparelhos.

“De repente voltou meia fase e permanece até hoje. Só que essa meia fase está assim: a geladeira não liga, todos os eletrodomésticos têm que ficar desligados porque está oscilando muito."A situação, segundo Lindalva, afeta tarefas básicas do dia a dia. Sem ventilador, a família enfrenta o calor e o aumento dos mosquitos. Sem a bomba elétrica, também ficou sem água.

O contato com a concessionária já foi feito, mas a moradora afirma que ainda não recebeu uma solução para o problema.

“Ficaram de dar um retorno, que a cidade toda está em um caos, porém acredito que não fizeram nada até agora para ajudar a amenizar a nossa situação. Porque do jeito que está, ficou ontem e está até hoje. Permanece da mesma forma, a meia fase oscilando, não tem como ligar nada. Sem energia, está um caos!, lamenta a servildora.

Temporal

Os relatos são consequência direta dos estragos provocados pelo temporal que atingiu Campo Grande no fim da tarde de quinta-feira. Segundo dados citados pelo Correio do Estado, foram registrados 24,4 milímetros de chuva em apenas 28 minutos e 3.095 raios em um intervalo de 36 minutos. As rajadas chegaram a 83 km/h.

A força da tempestade derrubou árvores em diferentes regiões, atingiu postes, provocou alagamentos, danos em imóveis e deixou dezenas de bairros com interrupções no fornecimento de energia. Até o início da manhã desta sexta-feira, mais de 100 registros de árvores caídas haviam sido contabilizados.

A Energisa informou que, até as 13h00 desta sexta-feira, havia restabelecido o fornecimento para 82% dos consumidores afetados. A concessionária ampliou as equipes e trouxe trabalhadores de outros estados para atuar na recuperação da rede, incluindo a substituição de postes e reparos em estruturas danificadas.

 

vai à promulgação

PEC da Segurança Pública é aprovada por unanimidade no Senado

Texto prevê mudanças na estrutura da segurança pública e no combate ao crime organizado; Maioridade penal tramitará em projeto à parte

03/11/2026 18h41

PEC da Segurança foi aprovada por unanimidade no Senado

PEC da Segurança foi aprovada por unanimidade no Senado Foto: Jonas Pereira / Agência Senado

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O Senado aprovou nesta terça-feira, 3, em dois turnsos, a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, uma das principais apostas do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para 2026.

Em 1º turno, foram 73 votos a favor e nenhum contra e, em 2º turno, foram 75 favoráveis e nenhum contra. Com a aprovação, a PEC vai para promulgação.

A oposição queria usar a PEC da Segurança para aprovar uma redução da maioridade penal para 16 anos de forma geral e para 14 anos nos crimes hediondos, mas o plenário aprovou um requerimento para transformar em um projeto à parte as duas emendas que tratavam sobre o tema.

Apresentada pelo Executivo, a PEC 18/2025 reorganiza o sistema de segurança pública - com ampliação de atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF), por exemplo - e visa a fortalecer a integração entre as forças de segurança, sobretudo no combate ao crime organizado.

O texto prevê a criação de polícias municipais, de ouvidorias autônomas e do Sistema de Políticas Penais, para melhorar a administração do sistema prisional brasileiro. Além da destinação de mais recursos para a área da segurança, com a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição.

O presidente Lula tem sinalizado que, após a aprovação da PEC, criará o Ministério da Segurança Pública. A ideia é que a pasta centralize a interlocução com os Estados na área e coordene medidas para um combate ainda mais efetivo em relação ao avanço de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

nesta quarta

Avanço do sarampo mobiliza ação de orientação e vacinação em MS

O Brasil registrou 61 casos importados de sarampo neste ano e o aumento da ocorrência acende alerta para medidas preventivas; Em MS, ação acontecerá no aeroporto

03/11/2026 17h53

Ação de prevenção também terá vacinação em Campo Grande

Ação de prevenção também terá vacinação em Campo Grande Divulgação/ Governo de MS

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O avanço do sarampo nos Estados Unidos e em outros países das Américas levou o Ministério da Saúde a  reforçar o alerta de monitoramento do risco da doença no Brasil. Em Mato Grosso do Sul, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) realizará ação nesta quarta-feira (4) para reforçar a prevenção no Estado.

A ação de orientação e vacinação contra o sarampo será no Aeroporto Internacional de Campo Grande, a partir das 10h.

Conforme a SES, durante a mobilização, haverá oferta da vacina tríplice viral para pessoas de 1 a 59 anos sem registro de vacinação. A tríplice viral protege contra o sarampo, caxumba e rubéola.

A vacinação é a principal forma de proteção. A tríplice viral está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), com a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. Adolescentes e adultos que não foram vacinados também devem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e conferir a caderneta.

Casos importados

O aumento da ocorrência em outros países aumenta a pressão sobre o Brasil, que, conforme a última atualização do Ministério da Saúde, de 21 de outubro, registrou 61 casos de sarampo neste ano, a maioria com origem importada.

O País permanece como área livre do sarampo, pois não há transmissão sustentada da doença em território nacional desde 2024, mas a manutenção desse status é desafiadora, segundo o diretor do Programa Nacional de Imunizações do Brasil, Eder Gatti.

"O nosso certificado foi conquistado em 2016 e perdido em 2019, porque houve a reintrodução da doença na região Norte. Ela se espalhou pelo país e teve um grande surto em São Paulo, com 19 mil casos", lembra Eder Gatti. 

"Há uma diferença de postura e resposta muito evidente, que se observa pelos resultados", acrescenta. 

Em 2023, ano anterior à reconquista do certificado, os índices de vacinação da tríplice viral, dentro do calendário básico infantil, foram de 88% na primeira dose e de 66% na segunda. Já em 2024, a cobertura subiu para 96% e 78%, respectivamente. Neste ano, as taxas preliminares são de 95% na primeira dose e 80% na segunda. 

"Apesar do contexto internacional, o Brasil segura a sua certificação e espero que a gente consiga manter esse cenário, porque a gente está falando de uma doença que mata crianças, causa abortos e complicações obstétricas. É uma doença que tem um índice de letalidade muito maior para as populações mais vulneráveis, indígenas e pessoas em situação de pobreza", afirmou Garri à Agência Brasil.

Avanço no exterior

Os Estados Unidos registram o pior surto de sarampo em mais de 35 anos, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), com quase 5 mil casos confirmados em 2026, contra 2.289 no ano passado.

Seis mortes foram confirmadas nos EUA neste ano. 

Mais de 90% dos casos confirmados são pessoas não vacinadas ou com situação vacinal desconhecida.  

Na região, EUA, Guatemala, México, Peru e Canadá concentram 99,5% dos casos confirmados em 2026, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Transmissão e prevenção

A transmissão do vírus do sarampo ocorre de pessoa a pessoa, por via aérea, ao tossir, espirrar, falar ou respirar. O sarampo é tão contagioso que uma pessoa infectada pode transmitir para 90% das pessoas próximas que não estejam imunes. 

A transmissão pode ocorrer entre 6 dias antes e 4 dias após o aparecimento das manchas vermelhas pelo corpo.

O sarampo é uma doença prevenível por vacinação. 

Todas as pessoas de 12 meses a 59 anos de idade têm indicação para serem vacinadas contra o sarampo. Adolescentes e adultos não vacinados ou com esquema incompleto contra o sarampo devem iniciar ou completar o esquema vacinal de acordo com a situação encontrada, respeitando as indicações do Calendário Nacional de Vacinação.

Há duas vacinas disponíveis para proteção contra o sarampo: vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e a tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela).

A vacina tríplice viral é contraindicada durante a gestação. As gestantes não vacinadas ou com esquema incompleto deverão receber a vacina no puerpério.

 

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