Cidades

Pobreza

Sem renda, nem auxílio afasta a fome de comunidade na Capital

Com desemprego e diminuição no valor do auxílio emergencial, famílias sobrevivem com doações de alimentos

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Sem renda fixa, muitas famílias sobrevivem apenas com o auxílio emergencial em Campo Grande. O valor do benefício – que pode variar de R$ 150 a R$ 375 – é insuficiente para custear a alimentação e as necessidades básicas de uma parte da população, que acaba dependendo de doações para se manter ao longo do mês.  

Jorge Cristiano Souza Araújo, 63 anos, é um dos que conseguiram se cadastrar e receber o auxílio de R$ 150 do governo federal, mas o dinheiro não é suficiente.  

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“Eu vivo de doação. A comunidade ajuda com as doações ou quando aparece algum bico para eu fazer. Eu estava com um emprego fixo, mas aconteceu um acidente com o meu pé e não deu mais para trabalhar. Quanto à aposentadoria, eu luto para conseguir, mas não dá para tirar por causa da idade. Eles disseram que ainda é cedo para eu conseguir me aposentar”, lamenta. 

Aos 20 anos, Kettlyn Naiara de Jesus Divino é mãe solo e, com três crianças para criar, tem passado por um período difícil. Ela recebe o benefício de R$ 150 do governo federal, mas diz que sobrevive por meio de doações.  

“Eu vivo com o auxílio emergencial. Não tenho renda nenhuma, não tenho Bolsa Família, Vale Renda e nem nada. E eu só consegui me cadastrar no auxílio emergencial porque a minha tia fez para mim. Só que quando ela fez [o cadastro], o documento das crianças não estava comigo, então, as crianças não foram cadastradas. Antes eu conseguia pegar os R$ 600, agora só os R$ 150 que eu ainda vou pegar”, explica.

Nesta semana, Kettlyn foi uma das que receberam a cesta básica distribuída pelas líderes da comunidade.

“A situação aqui é difícil. Criança gasta com fralda, leite, essas coisas. Ainda bem que a comunidade ainda ajuda um pouco, mas quanto à fralda e ao leite, como que faz? É difícil, ainda mais sozinha, né? Vou tirar de onde? Tem que sair pedindo, para ver quem pode, quem tem sobrando para poder ajudar. E três é demais, só consigo alimentar eles pedindo ajuda, porque, se não pedir, não tem”, explica.  

Doações

“Nunca mais a gente viu carne aqui. Graças a Deus tem alguns trabalhadores que doam ovos, e a gente agradece muito, porque o ovo também está caro”, afirma Adriely da Silva, de 29 anos, moradora e representante da Comunidade Mandela, localizada na região norte de Campo Grande.

Adriely está desempregada e, com seus quatro filhos, depende da renda do marido, que ganha um salário mínimo, mas não o suficiente para arcar com as necessidades de uma casa com quatro crianças.  

“Mas tendo arroz e feijão na panela para os nossos filhos está bom. Graças a Deus não está faltando”, diz. Adriely faz parte do grupo de sete mulheres, todas mães, que fazem o possível para ajudar os moradores da comunidade. 

Segundo ela, conseguir um trabalho é difícil para os moradores, já que a comunidade não é bem-vista de fora – e com a pandemia, a situação piorou.  

“A realidade daqui é que a gente tenta ajudar uns aos outros. Nós queremos a nossa casa, não estamos aqui por vontade nossa. Somos discriminados porque moramos aqui na comunidade, e muitas vezes as pessoas não querem nos contratar. A gente sofre preconceito por isso. Aqui tem gente que não consegue nem comer, pensa pagar um aluguel”, reclama.  

Nesta sexta-feira, a comunidade recebeu cestas básicas para distribuir para os moradores. A responsável por fiscalizar essa distribuição é Adriely, e, segundo ela, para que todos consigam receber o alimento, é feito um rodízio.  

“Nós temos aqui 175 famílias, muitas delas não recebem o auxílio emergencial e não têm nenhum outro tipo de renda. Então, para que todos possam receber a cesta, nós intercalamos as famílias. Quem recebe hoje não recebe da próxima vez, até que todos tenham ganhado – e, assim, a gente começa o rodízio de novo”, explica.  

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EXPULSO DA BOLÍVIA

Gerson Palermo chega a Campo Grande nesta quarta-feira (27)

Recente prisão é resultado de investigação iniciada após megatraficante ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) mandar sequestrar a própria filha em Campo Grande

27/05/2026 12h29

Gerson Palermo foi preso na Bolívia

Gerson Palermo foi preso na Bolívia Reprodução/Felcn

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Megatraficante com ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), Gerson Palermo estava refugiado e vivendo como um "próspero empresário do ramo agrícola" na Bolívia, sendo capturado ontem (26) e tendo sua chegada ao Brasil nesta quarta-feira (27), sendo deixado inclusive na Capital do Mato Grosso do Sul. 

Como confirmado na noite de ontem (26), pelo vice-ministro da Defesa Social e Substâncias Controladas da Bolívia, Ernesto Justiniano, Palermo já estaria realizando as medidas necessárias para ser "buscado" por agentes policiais federais brasileiros. 

"Já temos as autorizações correspondentes, amanhã chegará um avião da Polícia Federal brasileira para levá-lo", confirmou o vice-ministro ao portal boliviano El Deber. 

Além disso, é repassada a situação de Palermo que, sem possuir processos judiciais na Bolívia, o mandado de prisão internacional neste caso e a posição de seu nome em "alerta vermelho", deve ser "expulso" do País vizinho. 

"Sendo brasileiro, certamente, com uma posição ilegal em nosso país, corresponde imediatamente à expulsão, não à extradição, que é um processo diferente", esclarece o vice-ministro de Defesa Social da Bolívia, Ernesto Justiniano.

Informações apontam que o megatraficante Gerson Palermo deve deixar o território da Bolívia em avião da PF, para posteriormente ser transferido ao sistema penitenciária sul-mato-grossense, deixado na penitenciária de Campo Grande. 

Palermo: o pivô

Piloto de aeronaves, Gerson Palermo é apontado pela atuação no tráfico de drogas e sua última prisão havia sido registrada em 2017, figurando em noticiários policiais muito antes disso. 

Após a virada do milênio, em agosto de 2000, Gerson colaborou no sequestro de um Boeing que transportava R$5 milhões pertencentes ao Banco do Brasil.

Enquanto cumpria regime semiaberto na Colônia Penal Agrícola de Campo Grande, foi preso pela Polícia Federal, em setembro de 2007, acusado de liderar quadrilha que estava com 1,5 tonelada de maconha.

Sendo mais um entre os homens da quadrilha de Marcelo Borelli, homem condenado a 177 anos de cadeia e morreu no presídio ainda em 2011, além do envolvimento neste caso, Palermo foi condenado principalmente por envolvimento com o narcotráfico, atuando principalmente como piloto de avião. 

Depois de uma série de prisões e fugas, ele cumpriu pelo menos 8 anos de prisão de um total de 59 anos das ações das quais não cabem mais recursos.  Porém, ele tem mais 67 anos de pena a pagar, que ainda não aparecem na lista de sua execução penal, porque ainda cabe algum tipo de recurso. 

Pivô do afastamento do desembargador Divoncir Schreiner Maran de suas funções do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, Gerson Palermo é conhecido para além de sua pena superior a um século de prisão, sendo acusado do sequestrou avião e até de comandar a considerada "maior rebelião em presídios da história do Estado", que acabou com sete mortes no presídio de Campo Grande. 

Durante o dia das mães de 2005, o presídio de Segurança Máxima da Capital viveu um motim, que levou sete presos à morte, além da destruição de diversas alas do complexo. 

A mais recente prisão de Gerson Palermo é resultado de investigação iniciada pela Polícia Civil de Campo Grande, após o megatraficante com ligações com o PCC mandar sequestrar a própria filha, motivado por disputa envolvendo dinheiro relacionado ao tráfico de drogas.

PCC e CV em distrito na Bolívia

Capturado nas proximidades da cidade boliviana de Cotoca, o megatraficante com ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), Gerson Palermo, estaria vivendo como um "próspero empresário do ramo agrícola" refugiado no País vizinho, mesmo condenado em território brasileiro a cerca de 126 anos de prisão. 

Esse criminoso estava vivendo em uma confortável casa boliviana, no momento em que foi surpreendido pelos agentes. Conforme as autoridades bolivianas, há uma "link" compartilhado entre ambos os países, no qual foi relatada a localização aproximada do indivíduo que era conhecido na Bolívia como "Gilero". 

Palermo foi preso por volta das 07h de terça-feira (26), com as autoridades bolivianas sendo informadas pelas brasileiras de que ele teria sido libertado após decisão judicial que lhe colocou em prisão domiciliar por motivos de saúde. 

Cabe destacar que, além da figura ligada ao PCC, outra organização criminosa teve um de seus representantes preso no mesmo município boliviano de Cotoca há aproximadamente 10 dias, com a localização de Klever Nóbrega Pereira, o "Kekeu" do Comando Vermelho (CV). 

Acusado de ser um dos líderes do CV, Kekeu também vivia como um empresário em terras bolivianas, tal qual o próprio Palermo, sendo preso por agentes da Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico (Felcn) e da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol).

 

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TRIBUNAL DO JÚRI

Colegas de trabalho entregaram homem que matou esposa e filha à polícia

Em depoimento, funcionário relatou que mostrou conversas do acusado ao gerente, que repassou o material ao patrão e, depois, à polícia; réu nega ter planejado os assassinatos e diz que testemunhas mentem

27/05/2026 12h02

 João Augusto Borges é julgado nesta quarta-feira (27), em Campo Grande, pelo assassinato da companheira Vanessa Eugênia Medeiros e da filha do casal, Sophie, de 10 meses

João Augusto Borges é julgado nesta quarta-feira (27), em Campo Grande, pelo assassinato da companheira Vanessa Eugênia Medeiros e da filha do casal, Sophie, de 10 meses Marcelo Victor

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O julgamento de João Augusto Borges, acusado de matar a companheira Vanessa Eugênia Medeiros, de 23 anos, e a filha do casal, Sophie Eugênia, de 10 meses, nesta quarta-feira (27), em Campo Grande, trouxe à tona depoimentos que ajudaram a polícia a desmontar a versão inicial apresentada pelo réu após o crime.

Entre os relatos prestados à Justiça, um dos que mais chamam atenção é o do colega de trabalho Welisson, que afirmou ter recebido mensagens e ligações insistentes de João logo após os assassinatos e que mostrou o conteúdo das conversas ao gerente da empresa, responsável por encaminhar o material ao proprietário do estabelecimento e, posteriormente, à polícia.

Conforme o depoimento, João já vinha comentando havia algum tempo com colegas de serviço que pretendia matar Vanessa e a filha do casal. O funcionário afirmou que, inicialmente, ninguém acreditou nas ameaças.

Segundo Welisson, o acusado chegou a perguntar "quem fazia o corre" para matar uma pessoa e, dias depois, voltou a dizer que queria matar a esposa porque ela "não deixava fazer nada". O colega relatou ainda que João falava repetidamente sobre o assunto no ambiente de trabalho.

No dia do crime, o funcionário contou que João saiu para o almoço por volta das 15h e retornou perto das 18h. Ao chegar, teria se aproximado e dito apenas: "Está feito".

Welisson afirmou ainda que João estava com o pescoço arranhado e um dos dedos machucado. Pouco depois, o acusado deixou novamente o trabalho.

Mais tarde, já fora do expediente, o colega relatou que começou a receber mensagens e ligações insistentes de João. Segundo ele, o acusado dizia que "o corpo estava começando a feder" e perguntava onde ele estava, numa tentativa de conseguir ajuda para ocultar os cadáveres e queimá-los.

O funcionário disse que ignorou os contatos e, no dia seguinte, mostrou as conversas ao gerente da empresa. O material foi encaminhado ao patrão, que o repassou à polícia.

Em outro trecho do depoimento, Welisson afirmou ter oferecido ficar com a bebê após João dizer que mataria Vanessa e que "a menina iria junto". Mesmo assim, disse que acreditava se tratar apenas de ameaças.

João, por outro lado, negou durante interrogatório que tivesse planejado os assassinatos. À Justiça, afirmou que matou Vanessa após perder o controle durante uma discussão motivada por compras domésticas e por ter levado um tapa no rosto da companheira.

O réu admitiu os crimes, mas alegou ter agido em um "acesso de raiva". Ele também afirmou que testemunhas mentiram ao dizer que o assassinato havia sido premeditado.

"Essas pessoas estão mentindo. Eu não tinha programado nada", declarou.

João também confirmou que voltou ao trabalho após os assassinatos e, mais tarde, colocou os corpos no carro do pai e ateou fogo em uma área na região do Indubrasil.

Crime chocou Campo Grande

O caso aconteceu na tarde de 26 de maio de 2025, na região do Indubrasil, em Campo Grande. Conforme a investigação, João chamou Vanessa para o quarto sob o pretexto de conversar e a matou com um golpe de "mata-leão". Em seguida, estrangulou a filha do casal, que estava sobre a cama.

Após os assassinatos, ele saiu para trabalhar normalmente. Horas depois, comprou gasolina, colocou os corpos em um carro da família e ateou fogo em uma área da Rua Desembargador Ernesto Borges.

Durante audiência realizada em agosto do ano passado, João afirmou que cometeu os crimes após um "acesso de raiva" depois de levar um tapa da companheira. Na ocasião, também admitiu já ter pensado anteriormente em matar Vanessa e a filha.

O réu foi preso em 27 de maio de 2025 e responde por duplo feminicídio e ocultação de cadáver.

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