Diante da suspensão temporária da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, voltou a gerar debates nas redes sociais e rodas de conversa sobre a eficácia da vacina nacional.
Diante da disseminação de "fake news" e dúvidas da população, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) reafirmou que a vacina contra a doença, ofertada pelo Sistema Único de Saúde, em Campo Grande, é segura e continua disponível, já que não foi afetada pela medida anunciada pelo Ministério da Saúde.
Segundo a Sesau, a vacina aplicada na Capital destinada a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos contra a dengue é a Qdenga. O imunizante desenvolvido pelo Butantan era voltado apenas aos profissionais de saúde.
O alerta das autoridades de saúde é para que a população não deixe de se imunizar por influência de notícias falsas, já que a vacinação é uma das principais formas de proteção a doenças.
“A disseminação de informações falsas pode gerar medo e insegurança na população, reduzindo a procura pela vacinação. Como consequência, aumenta o número de pessoas suscetíveis às doenças, favorecendo a ocorrência de surtos, internações e óbitos evitáveis”, destaca a superintendente de Vigilância em Saúde da Sesau, Veruska Lahdo.
Imunizante aplicado em crianças e adolescentes é a Qdenga / Foto: Gerson Oliveira - Correio do EstadoA medida preventiva de suspensão temporária da aplicação da vacina do Butantan foi adotada em consenso com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária quando foram registrados casos de reação severa e duas mortes foram para investigação.
No entanto, a Sesau reforça que "as duas vacinas são distintas e não interfere na imunização do público infantil e adolescente".
A vacina Qdenga ainda continua disponível para o público alvo e está sendo aplicada normalmente nas unidades de saúde de Campo Grande.
Baixa adesão
Mesmo disponível de forma gratuita nas Unidades de Saúde da Família, a cobertura vacinal contra a dengue continua baixa na Capital e longe da meta.
Para o Ministério da Saúde, o ideal é que 90% das crianças e adolescentes até 14 anos estejam imunizados contra a doença. No entanto, a meta atingida até agora é de aproximadamente 40,4%.
Isso quer dizer que foram aplicadas 43.617 primeiras doses e 24.663 segundas doses. Como o esquema vacinal é concluído somente após a aplicação da segunda aplicação, cerca de 24,7 mil adolescentes dos 61 mil de Campo Grande estão imunizados.
Mesmo assim, Campo Grande apresenta um cenário considerado positivo em relação à dengue, não registrando óbitos nem casos graves da doença até o momento.
De acordo com a Vigilância em Saúde, das cerca de mil notificações, menos de 50 tiveram confirmação da doença. Além disso, a Capital não registra uma epidemia de dengue há seis anos, rompendo um ciclo histórico onde surtos aconteciam a cada três anos.
E quem recebeu a vacina do Butantan
A orientação da Vigilância em Saúde é que as pessoas vacinadas há mais de 21 dias que não tiveram reação, fiquem tranquilas, pois não há indicação de sintomas após este período.
Quem se vacinou recentemente, deve observar a ocorrência de febre, vômitos persistentes, sangramento ou dor abdominal. Caso um desses sintomas seja observado, deve procurar atendimento médico.
No total, 1.033 profissionais da saúde receberam o imunizante em Campo Grande. Destes, 56 notificaram reações leves, como dor no local da aplicação e desconforto temporário, nenhuma reação considerada grave.
A Sesau salienta que todas as ocorrências foram acompanhadas e não houve registro de eventos graves relacionados à vacinação no município e em todo o Estado.
“Se houver qualquer dúvida, a recomendação é procurar um profissional de saúde ou órgão competente. As vacinas utilizadas pelo SUS passam por rigorosos processos de avaliação e monitoramento de segurança”, concluiu a superintendente Veruska Lahdo.

