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Comércio em Espera

Shopping com 74 lojas anunciado em Campo Grande ainda não saiu do papel

Dez meses após o anúncio, empreendimento previsto para a Avenida dos Cafezais segue sem obras e sem previsão de inauguração; projeto promete 74 lojas, novos empregos e opções de lazer para a região sul da Capital.

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Dez meses depois de ser anunciado como uma oportunidade de impulsionar a economia e ampliar as opções de comércio e lazer para moradores da região sul de Campo Grande, o shopping de 74 lojas previsto para a Avenida dos Cafezais ainda não saiu do papel.

Apesar das expectativas de geração de empregos e fortalecimento da atividade comercial, nenhuma obra foi iniciada no terreno destinado ao empreendimento, e a população continua sem previsão de quando o investimento poderá se concretizar.

O centro comercial foi anunciado em dezembro de 2025 e deverá ocupar um terreno de aproximadamente 15,8 mil metros quadrados, localizado entre as ruas Araraquara e Caraíba, ao lado do Atacado Mister Júnior, no Bairro Centro-Oeste, região que passou por expansão residencial e comercial nos últimos anos.

A proposta prevê 74 lojas, praça de alimentação, estacionamento e espaços de convivência, com a perspectiva de criar um novo polo de consumo para famílias que atualmente dependem de estabelecimentos espalhados pela região ou precisam se deslocar para outros pontos da Capital em busca de determinados serviços.

Entretanto, quase um ano depois da divulgação do projeto, o cenário ainda é de expectativa. O terreno permanece sem obras, enquanto os empregos, a movimentação econômica e as novas opções de lazer anunciadas continuam restritos ao planejamento.

Apenas promessas, por enquanto

O que poderia representar um avanço para o desenvolvimento econômico da região sul da Capital ainda não se tornou realidade. As 74 lojas, os espaços de convivência e os mais de 100 empregos previstos para o funcionamento do empreendimento permanecem apenas nas projeções.

Para os moradores, a expectativa de contar com um novo centro comercial próximo de casa contrasta com a ausência de movimentação no terreno e, principalmente, de uma data concreta para o início da construção.

A situação ganha relevância porque o próprio Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) reconhece a necessidade de ampliar a infraestrutura comercial e as alternativas de lazer disponíveis à população do entorno.

O documento aponta o potencial do empreendimento para atender uma região em crescimento, mas os benefícios projetados ainda dependem da execução das obras.

Apesar da ausência de construção, não há informações suficientes para afirmar que o shopping tenha sido cancelado ou que exista atraso formal.

O cronograma apresentado pelo empreendedor condiciona o início dos trabalhos à aprovação do empreendimento pela Prefeitura de Campo Grande, e ainda não há confirmação sobre a conclusão dessa etapa.

Assim, enquanto não houver uma definição sobre o andamento do projeto, o shopping anunciado em 2025 continuará representando uma promessa de investimento para uma região que aguarda novas oportunidades de comércio, emprego e lazer.

Região com mais de 37 mil moradores poderia ganhar novas opções de lazer

A escolha da Avenida dos Cafezais não ocorreu por acaso. De acordo com o EIV, elaborado em novembro de 2025, o Bairro Centro-Oeste apresenta crescimento populacional e uma demanda por estabelecimentos comerciais e serviços próximos das residências.

O levantamento aponta que a região reúne aproximadamente 37,6 mil habitantes e registrou taxa média anual de crescimento populacional de 3,54% entre 2010 e 2022, indicando uma expansão superior à média municipal no período.

A transformação também é percebida na própria Avenida dos Cafezais, que passou a concentrar supermercados, estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços, consolidando-se como um dos eixos de desenvolvimento econômico de Campo Grande.

Em abril de 2025, a Prefeitura sancionou, com veto parcial, a Lei nº 7.399, que autoriza a criação de um corredor comercial em trecho da avenida. A iniciativa prevê ações de estímulo às atividades econômicas e melhorias nas condições de circulação e estacionamento.

Nesse cenário, o novo centro comercial representaria mais uma alternativa para descentralizar o comércio da Capital e aproximar serviços dos bairros residenciais.

Para a moradora da região, Francielly Riquelme, a construção do novo centro comercial representa uma oportunidade de ampliar o acesso a serviços, fortalecer o comércio local e oferecer mais opções aos consumidores, sem a necessidade de deslocamento para outras regiões de Campo Grande.

“É muito importante, porque a gente percebe que os bairros estão crescendo cada vez mais. Antigamente, tínhamos que ir até o Centro para ter acesso a farmácias, bancos e lojas. Hoje, já encontramos muitos desses serviços dentro dos próprios bairros. Um investimento como esse é muito bom, porque estimula a concorrência. A gente espera preços mais atrativos e mais opções, o que é muito importante para a comunidade”, destacou Francielly.

O próprio estudo destaca a necessidade de reduzir deslocamentos para outras regiões da cidade, oferecendo aos consumidores a possibilidade de realizar compras e frequentar espaços de convivência mais próximos de casa.

A perspectiva ganha relevância diante de outra informação apresentada no documento: a área de influência delimitada para o empreendimento não dispõe de espaços de lazer próximos, condição que poderia ser parcialmente compensada pela construção de uma praça de uso coletivo.

Por enquanto, no entanto, os benefícios previstos para a população permanecem condicionados à implantação do projeto.

Projeto prevê 74 lojas e praça aberta de 2,5 mil metros quadrados

O empreendimento foi planejado para ocupar uma área construída de aproximadamente 7,8 mil metros quadrados, distribuídos em um terreno de quase 16 mil metros quadrados.

Conforme o EIV, a estrutura deverá abrigar 74 estabelecimentos comerciais, sendo quatro lojas âncoras, 49 lojas satélites e 21 unidades voltadas à alimentação.

As lojas âncoras são estabelecimentos de maior porte, geralmente responsáveis por atrair consumidores e estimular a circulação de clientes pelos demais espaços comerciais.

Além das lojas, o projeto prevê uma praça de alimentação coberta e uma praça central aberta de 2.500 metros quadrados, destinada à convivência e integração com o entorno.

O empreendimento também contará, conforme o planejamento, com 225 vagas para automóveis, 30 para motocicletas e 15 para bicicletas.

A ideia apresentada pelos responsáveis é criar um espaço que reúna diferentes atividades em um mesmo endereço, permitindo que moradores encontrem alternativas de compras, alimentação e lazer sem precisar percorrer grandes distâncias.

O estudo sustenta que a implantação do centro comercial poderá contribuir para a valorização imobiliária do entorno e estimular o funcionamento de outros estabelecimentos comerciais.

Entretanto, até o momento, as estruturas previstas não começaram a ser construídas, e ainda não existe uma data de inauguração confirmada.

Mais de 100 empregos previstos ainda dependem da construção

A geração de empregos é outro aspecto apontado como benefício da implantação do centro comercial.

Segundo o Estudo de Impacto de Vizinhança, a fase de construção deverá mobilizar aproximadamente 100 trabalhadores, considerando a dimensão do empreendimento e a quantidade de serviços necessários para sua execução.

Depois da inauguração, a estimativa é de aproximadamente 109 funcionários atuando nos estabelecimentos comerciais.

O levantamento também projeta uma circulação de 675 visitas por dia, número calculado a partir da capacidade do estacionamento e de parâmetros técnicos utilizados na avaliação de empreendimentos semelhantes.

Essa movimentação poderá beneficiar não apenas os estabelecimentos instalados no shopping, mas também outros comerciantes das proximidades, que poderão receber parte dos consumidores atraídos pelo novo centro de compras.

Os números, contudo, representam estimativas técnicas e não garantias de contratação ou de movimentação comercial.

Sem a execução das obras, as oportunidades de emprego continuam no campo das projeções, assim como a possibilidade de ampliação da oferta de serviços à população.

Construção levaria 18 meses após início das obras

Apesar de o projeto ter sido divulgado em dezembro do ano passado, o cronograma apresentado no EIV não estabeleceu uma data fixa para a inauguração.

Na página 12 do documento, o empreendedor informa que os trabalhos deverão começar um ano após a aprovação do empreendimento, com prazo estimado de 18 meses para execução.

Isso significa que o início da construção depende diretamente do andamento e da conclusão dos procedimentos administrativos necessários para autorizar o projeto.

Em 9 de dezembro de 2025, a Prefeitura de Campo Grande publicou a convocação para uma audiência pública destinada à apresentação e discussão do Estudo de Impacto de Vizinhança.

O encontro foi marcado para 2 de fevereiro de 2026, na sede da Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb), com a finalidade de permitir que a população conhecesse a proposta e apresentasse sugestões sobre seus possíveis impactos.

O empreendimento consta no processo administrativo nº 64.467/2025-44 e tem como responsável a Embrascop (Empresa Brasileira de Construções e Projetos Ltda.).

A realização da etapa de participação pública, entretanto, não significa necessariamente que o empreendimento tenha recebido autorização definitiva para começar a ser construído.

Os documentos disponíveis não esclarecem se o EIV foi aprovado posteriormente, se o alvará de construção já foi emitido ou se houve alterações no cronograma apresentado inicialmente.

Shopping também exigirá atenção ao trânsito e à drenagem

Além dos impactos econômicos, o projeto apresenta possíveis mudanças na rotina de quem utiliza a Avenida dos Cafezais.

O estudo de mobilidade estima que a implantação do centro comercial poderá ampliar a circulação de veículos no trecho próximo aos acessos do empreendimento.

Em parte da avenida, o nível de serviço viário poderá passar da classificação A para B, indicando aumento da densidade de tráfego, embora ainda dentro de condições consideradas adequadas de circulação.

Para reduzir os impactos, o documento recomenda a implantação de uma faixa de acumulação com capacidade para quatro veículos, facilitando as manobras de entrada e saída do estacionamento.

Também são previstas medidas para organizar o acesso de pedestres e controlar o escoamento das águas da chuva, considerando a impermeabilização provocada pela construção.

O EIV reconhece impactos negativos sobre o sistema de drenagem e aponta a necessidade de estruturas destinadas à retenção e infiltração das águas pluviais.

Sem obras, futuro do investimento permanece indefinido

O empreendimento de 74 lojas foi apresentado em um momento de expansão comercial da região sul de Campo Grande, acompanhado da perspectiva de novos empregos e alternativas de consumo para a população.

A proposta poderia fortalecer a Avenida dos Cafezais como polo de comércio e serviços, além de oferecer um espaço de convivência para moradores dos bairros próximos.

Dez meses após o anúncio, entretanto, o cenário ainda é de expectativa. O terreno destinado ao shopping continua sem obras, enquanto os empregos, as lojas e os espaços de lazer permanecem apenas nos documentos do empreendimento.

O principal ponto a ser esclarecido agora é a situação administrativa do projeto, especialmente a aprovação do EIV, a existência de alvará de construção e a manutenção do cronograma inicialmente apresentado.

Também permanece sem confirmação o investimento financeiro total previsto e se já existem empresas interessadas em ocupar os espaços comerciais.

Sem essas definições, ainda não é possível estabelecer uma data para o início das obras ou para a inauguração.

Para a população da região, a concretização do projeto poderia representar novas oportunidades de trabalho, compras e lazer mais próximas de casa. Por enquanto, porém, o shopping anunciado em 2025 segue sem sair do papel.

Empresa e Prefeitura não respondem aos questionamentos

A reportagem do Correio do Estado procurou a Embrascop (Empresa Brasileira de Construções e Projetos Ltda.), responsável pelo empreendimento, e a Prefeitura de Campo Grande para obter esclarecimentos sobre o andamento do projeto, a situação das autorizações necessárias e a previsão para o início das obras.

Até a publicação desta matéria, não houve retorno de nenhuma das partes. O espaço permanece aberto para manifestações.

menos agressivo

Lula e Flávio mudam o tom, debatem propostas e exploram pontos fracos

Uma mudança na regra foi que apenas o candidato com a palavra pôde se movimentar livremente no palco, enquanto o adversário aguardava no púlpito

24/10/2026 07h25

Os três blocos iniciais foram dedicados a assuntos predefinidos que precisavam ser relacionados a regiões

Os três blocos iniciais foram dedicados a assuntos predefinidos que precisavam ser relacionados a regiões

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O último debate presidencial antes do segundo turno das eleições, realizado na noite desta sexta-feira, 23, pela TV Globo, foi um resumo da campanha dos candidatos nos últimos dias

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentou enfatizar que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) colocará em risco programas sociais e levará a uma piora do serviço público. Flávio, por sua vez, prometeu não fazer ajuste fiscal às custas dos mais pobres e acenou às famílias endividadas com a promessa de refinanciar dívidas e recuperar o poder de compra dos brasileiros.

Diferentemente do encontro anterior, os candidatos conseguiram expor suas propostas e visões de País, deixando acusações de corrupção e ataques pessoais para o último bloco, único em que o tema foi livre. Os três blocos iniciais foram dedicados a assuntos predefinidos que precisavam ser relacionados a regiões brasileiras.

Uma mudança na regra foi que apenas o candidato com a palavra pôde se movimentar livremente no palco, enquanto o adversário aguardava no púlpito. No debate anterior, a campanha do PT reclamou que Flávio tentou desconcentrar Lula ao se posicionar atrás ou muito próximo do presidente enquanto ele falava.

Um dos raros confrontos pessoais antes da reta final ocorreu após o senador se referir ao presidente como "nove dedos". Lula se irritou, chamou Flávio de "miliciano" e o acusou de ter sido funcionário fantasma quando era jovem. "Ele nunca trabalhou na vida", disse. Flávio se desculpou em seguida. "Se eu te ofendi, peço desculpas de verdade".

O investimento para aumentar as exportações brasileiras foi o primeiro tema do debate. Flávio disse que o País voltou a ser um "cemitério de obras" sob o governo Lula e prometeu "rasgar o Brasil" com ferrovias e realizar concessões rodoviárias com isenção de pedágio para motociclistas.

Segundo aliados, essa pergunta foi uma sugestão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que ajudou Flávio a se preparar para o debate. Ao longo do programa, o candidato do PL mencionou Tarcísio em diversos momentos. A avaliação na campanha é que há espaço para Flávio ampliar sua votação em São Paulo.

Lula mencionou o novo Programa de Aceleração de Crescimento e disse que há obras em andamento em todas as regiões. Ele afirmou que o governo federal está "colocando dinheiro" para fazer o túnel Santos-Guarujá, que é uma das bandeiras de Tarcísio.

O petista defendeu a política de valorização do salário mínimo implementada por ele - que prevê ganhos reais - e disse que, se o rival vencer, não concederá reajuste acima da inflação para o mínimo nem para as aposentadorias.

A fala foi imediatamente rebatida por Flávio, que se comprometeu a corrigir o piso salarial e os benefícios dos aposentados acima da inflação, além de não privatizar a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil.

"Não vou fazer economia em cima dos mais pobres", afirmou o senador, acusando o petista de "dar com uma mão" e tirar com "nove dedos" com a elevação da carga tributária.

Flávio também tentou explorar a idade avançada de Lula, que completa 81 anos daqui a pouco dias. Ele disse que não conseguia entender o que o adversário falava e que o presidente tinha dificuldade em ouvir suas respostas. Lula também se atrapalhou com o tempo em uma ocasião, quando terminou sua resposta com mais de um minuto disponível no relógio.

Após o candidato do PL dizer que o rival trata mal o agronegócio, Lula respondeu que "nunca se exportou tanto" e que procurou abrir novos mercados para os produtos brasileiros após o tarifaço imposto pelos Estados Unidos. "É por isso que quando meu adversário ficou lambendo Trump para taxar o País, eu não fiquei preocupado", declarou.

A discussão migrou então para a região Norte. Flávio criticou o PT por ter votado contra o Marco Legal do Saneamento, medida que, na visão dele, melhorará os índices de abastecimento de água e de tratamento de esgoto, um dos principais problemas da região.

"Ele não conhece o Brasil. Só ouviu falar de Manaus quando o pai dele apareceu rindo e imitando uma pessoa morrendo por falta de oxigênio", respondeu Lula, mencionando uma fala de Jair Bolsonaro (PL) durante a pandemia.

Flávio negou que o pai estivesse debochando das pessoas que morreram com falta de ar na capital do Amazonas. Quando o tema mudou, prometeu construir uma ferrovia ligando todas as capitais do Nordeste e completou: "Vou ser o carioca mais nordestino da face da Terra".

Políticas sociais abrem segundo bloco

No segundo bloco, Lula escolheu abordar políticas sociais e perguntou a Flávio por que ele se referiu ao Bolsa Família como "bolsa-farelo" - o senador apagou publicações antigas no X em que utilizava o termo - e o motivo de ter votado contra o aumento do período de licença-maternidade para as mulheres quando era deputado estadual do Rio de Janeiro.

Flávio disse que, à época, pensou que a medida atrapalharia as mulheres a conseguir emprego, mas que mudou de ideia após casar e ter filhos. "Eu estava errado", disse.

Sobre o Bolsa Família, o candidato do PL não respondeu diretamente à questão, mas disse que Lula precisa pedir desculpas aos beneficiários do programa por tê-los deixado quatro anos sem reajuste - o reajuste foi anunciado pelo petista já durante a campanha eleitoral.

Em seguida, Flávio insistiu no debate econômico, afirmando que o governo Lula gasta mais do que arrecada, endividando o País e, por tabela, reduzindo o poder de compra dos brasileiros por causa da inflação e da elevação de impostos. Ele disse que a mera perspectiva de que se torne presidente levou à queda dos juros futuros e abriu espaço no orçamento. Parte do dinheiro, disse Flávio, será utilizado para refinanciar a dívida da população.

"Eu vou comprar sua dívida dos bancos e refinanciar", prometeu. Lula acusou o oponente de copiar uma proposta já apresentada por ele e aproveitou para citar medidas do pacote de bondades que anunciou na reta final da campanha, como aquelas direcionadas aos microempreendedores individuais (MEIs).

Na rodada seguinte, o petista disse que Cláudio Lottenberg, médico escolhido por Flávio para comandar o Ministério da Saúde em caso de vitória, já defendeu que recursos públicos não fossem destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS).

O senador rechaçou essa possibilidade, disse ter orgulho do SUS e que é "óbvio" que haverá dinheiro para a saúde pública. Ele prometeu reajustar os valores pagos pela União por exames e cirurgias realizados por hospitais estaduais e municipais.

Após Flávio criticar suas posições na segurança pública, contrárias ao fim das saídas temporárias e à redução da maioridade penal, Lula trouxe para o debate o caso da menina Ana Clara Gomes Machado, morta com um tiro de fuzil durante uma ação policial.

Flávio integrou em 2024 a defesa do policial Bruno Dias Delaroli, acusado de efetuar o disparo. A equipe do PT levou a mãe da menina, Cristiane Gomes da Silva, para acompanhar o debate no estúdio.

Lula questionou Flávio o motivo dele ter atuado como defensor do policial. O bolsonarista afirmou que a morte de Ana Clara ocorreu em um território dominado por "narcoterroristas" que o presidente não quer combater e saiu em defesa de Delaroli. Porém, nesta ocasião, Flávio se confundiu e chamou a mãe, Cristiane, pelo nome de sua filha, Ana Clara.

"Foi uma tragédia o que aconteceu. [...] Era uma troca de tiros numa comunidade conflagrada, com tráfico de drogas. Eu quero ajudar a senhora a saber quem foi o autor desse disparo, porque eu tenho a confiança que não foi esse policial. Ele nem foi julgado ainda", declarou ele.

As bets apareceram na discussão de forma superficial. Lula disse que Flávio não gostou de ele ter proibido o funcionamento das casas de apostas. O senador respondeu que o petista é o "pai do tigrinho" e dos cassinos online, afirmando que foi o presidente que liberou as atividades durante seu governo.

As apostas foram legalizadas no final do governo Michel Temer (MDB), em 2018, e passaram pelo governo Bolsonaro sem serem regulamentadas. As regras para o funcionamento das bets foram propostas pelo governo Lula e aprovadas pelo Congresso Nacional em 2023.

Ataques pessoais no último bloco

As acusações e ataques pessoais ficaram para o último bloco e pouco acrescentaram à discussão discussão. Lula citou o caso do jogador Richarlison, que diz ter perdido a posse de uma ilha em Angra dos Reis (RJ) para uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio. O senador nega ter relação com o caso.

O petista também mencionou o pedido de R$ 134 milhões feito por Flávio ao banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, que conta a história de Jair Bolsonaro.

Flávio, por sua vez, perguntou a Lula sobre uma suposta garrafa de uísque de R$ 500 mil que o presidente teria recebido de presente de Vorcaro, mencionou as investigações sobre a lobista Roberta Luchsinger e Fábio Luís da Silva, o Lulinha, e rememorou os casos do sítio de Atibaia e do triplex do Guarujá, que resultaram na condenação, anuladas posteriormente, de Lula na Operação Lava Jato.

O debate terminou, mais uma vez, com Lula desafiando Flávio a abrir os sigilos das contas bancárias perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O senador devolveu o desafio ao presidente. As campanhas já concordaram em proceder com o levantamento dos sigilos, mas não há qualquer indicativo que isso ocorrerá antes da votação no domingo, 25.

Crime Brutal

Suspeito de matar mulher a tiros em casa noturna é preso em MS

Homem de 41 anos foi localizado em Três Lagoas menos de 24 horas após o assassinato de jovem de 25 anos; suspeito nega ter efetuado os disparos.

24/10/2026 07h23

Suspeito de 41 anos foi preso pela Polícia Militar na madrugada deste sábado (24), em Três Lagoas, após o assassinato de uma jovem de 25 anos a tiros.

Suspeito de 41 anos foi preso pela Polícia Militar na madrugada deste sábado (24), em Três Lagoas, após o assassinato de uma jovem de 25 anos a tiros. Foto: Reprodução/24h News MS.

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Um homem de 41 anos, suspeito de envolvimento no assassinato de Thais de Souza Moraes, de 25 anos, foi preso na madrugada deste sábado (24), em Três Lagoas. A prisão ocorreu menos de 24 horas depois de a jovem ser morta a tiros enquanto estava sentada em uma cadeira na área externa de uma casa de entretenimento adulto, no bairro Vila Alegre.

O crime aconteceu na manhã de sexta-feira (23), após uma discussão dentro do estabelecimento. A captura foi realizada por uma equipe da Rádio Patrulha do 2º Batalhão da Polícia Militar (2º BPM), que localizou o suspeito em uma residência no bairro Jardim Novo Aeroporto, após receber informações sobre seu possível paradeiro.

Os policiais realizaram diligências e intensificaram o patrulhamento na região até identificar o imóvel onde o homem estaria escondido. No endereço, a equipe conseguiu localizá-lo e realizar a abordagem.

Durante a ação, os militares constataram que o suspeito vestia a mesma camiseta que, segundo as informações policiais, aparece nas imagens de câmeras de segurança registradas no momento do assassinato.

Outra descoberta ocorreu durante as buscas na residência. Uma motocicleta Honda XRE preta, apontada como pertencente ao investigado, foi encontrada escondida em um dos quartos do imóvel.

O veículo foi apreendido e encaminhado, juntamente com o suspeito, à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) de Três Lagoas, onde foram adotados os procedimentos policiais.

A motocicleta e as imagens de segurança deverão ser analisadas durante as investigações para esclarecer a participação do homem no crime. Até o momento, não foi informado se o veículo apreendido foi utilizado diretamente na ação criminosa ou em uma eventual tentativa de fuga.

Suspeito nega ter efetuado os disparos

Apesar de ter sido localizado e detido como suspeito do assassinato, o homem negou ser o responsável pelos tiros que provocaram a morte de Thais.

Após a prisão, ele chegou a conversar com a reportagem local, mas preferiu não conceder entrevista gravada. Durante o diálogo, afirmou que não havia efetuado os disparos contra a jovem.

A negativa será confrontada com os elementos reunidos pela investigação, incluindo imagens de câmeras de segurança, depoimentos de testemunhas e resultados dos exames periciais realizados no local do assassinato.

A Polícia Civil deverá dar continuidade às apurações para esclarecer a dinâmica do homicídio, identificar todos os possíveis envolvidos e determinar o que motivou o ataque.

A prisão representa um avanço nas investigações, mas ainda não esclarece quem efetuou os disparos nem se houve participação de outras pessoas no assassinato.

Jovem foi morta após discussão em casa noturna

Conforme noticiado pelo Correio do Estado na sexta-feira (23), Thais de Souza Moraes foi assassinada por volta das 10h50, na área externa de uma casa de entretenimento adulto conhecida como Tia Lika, localizada na Rua Joaquim Murtinho, no bairro Vila Alegre.

Natural de Goiás, a jovem estava sentada em uma cadeira de plástico quando foi surpreendida pelos disparos, que atingiram sua cabeça, tórax e um dos braços.

As primeiras informações apontam que o assassinato foi precedido por uma discussão envolvendo dois homens que haviam chegado ao estabelecimento por volta das 5h, em um Volkswagen Golf branco, modelo Sportline.

Durante a permanência no local, os dois teriam consumido bebidas alcoólicas. Em determinado momento, um deles teria contratado um programa com uma mulher que trabalhava no estabelecimento.

Após o atendimento, houve um desentendimento cujas circunstâncias ainda não foram esclarecidas. Diante da discussão, a dupla foi convidada a deixar o imóvel.

Os homens seguiram em direção ao veículo estacionado nas proximidades e, pouco depois, ocorreram os disparos que atingiram Thais.

Segundo os relatos iniciais, a vítima não havia participado da discussão que antecedeu o assassinato, circunstância que passou a ser considerada pelos investigadores na tentativa de compreender a motivação do ataque. Após os tiros, os dois homens deixaram o local no automóvel branco.

Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas, mas encontraram a jovem já sem vida. Os socorristas identificaram aproximadamente oito ferimentos provocados por disparos de arma de fogo.

Cápsulas de munição deflagradas ficaram espalhadas pelo chão, nas proximidades da cadeira onde a vítima estava sentada, e foram consideradas parte dos vestígios a serem analisados pela Perícia Criminal.

Investigação busca esclarecer motivação

O assassinato mobilizou equipes da Polícia Militar, da Polícia Civil e da Polícia Científica. Integrantes do Setor de Investigações Gerais (SIG) e da Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) também participaram dos levantamentos iniciais.

Um dos principais pontos que ainda precisam ser esclarecidos é se Thais era o alvo pretendido dos disparos ou se foi atingida em decorrência da discussão envolvendo outras pessoas dentro do estabelecimento.

A investigação também deverá esclarecer a relação entre o homem preso neste sábado e os dois suspeitos mencionados nos relatos iniciais, além de apurar a participação de eventuais outros envolvidos.

Até a divulgação das informações sobre a prisão, não havia confirmação de que a arma utilizada no assassinato tivesse sido localizada.

O caso permanece sob investigação da Polícia Civil, que deverá reunir os resultados das perícias e os depoimentos para esclarecer as circunstâncias do homicídio e definir a responsabilidade criminal dos envolvidos.

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