Projeto que promete resolver o transbordo do Lago do Amor, localizado dentro da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), que ocorre em dias de chuvas intensas, deve custar cerca de R$ 15 milhões. A Prefeitura de Campo Grande, porém, ainda não tem esse recurso e busca formas de conseguir o financiamento.
De acordo com o titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Marcelo Miglioli, o projeto executivo para a região está em construção.
“Temos aquele problema lá do Lago do Amor, que é um problema grave. Estamos construindo ali uma solução, já temos uma parte de engenharia formatada do que é preciso fazer ali, mas é uma obra cara. Hoje, para resolver definitivamente a questão do Lago do Amor, nós estamos falando em algo de R$ 15 milhões”, afirmou Miglioli.
O projeto deve ser dividido em três fases, o desassoreamento do Lago do Amor, o desassoreamento da bacia de contenção localizada nos fundos do Rádio Clube Campo e a construção de outras duas bacias, estas para contenção de materiais sólidos, “para que esse material sólido não volte”.
“Não adianta desassorear o Lago do Amor e, depois de um ano, dois anos, estar voltando tudo a como era. Então é um projeto que não é barato, mas a gente está tentando tabelar para ver como que a gente consegue resolver essa situação”, explicou o secretário.
DESMORONAMENTO
Nos últimos dois anos, a barragem do Lago do Amor desmoronou duas vezes após fortes chuvas na região.
A primeira ocorreu em março de 2023, quando o Lago do Amor transbordou durante a chuva e levou ao desmoronamento de parte da ciclovia localizada sobre a barragem do lago, no Córrego Bandeira. A calçada quebrou no espaço ocupado por dois vendedores.
Na época, a barragem já estava parcialmente interditada desde o dia 5 de janeiro, quando também sofreu avarias durante uma forte chuva.
A reforma, que na época custou R$ 3,8 milhões, por meio de contrato com a CCO Infraestrutura Ltda., não foi suficiente para suportar a quantidade de água, que invadiu a Avenida Filinto Müller após o transbordamento do Lago do Amor.
A obra era complexa, e envolvia a construção de um segundo vertedouro e a reestruturação da calçada, ciclovia e asfalto (avenida). As obras começaram em abril de 2023 e terminaram em setembro daquele ano.
Vertedouro é uma estrutura que permite o escoamento controlado de água em excesso, evitando enchentes. Ele permite que o excesso de água seja liberado de forma segura, prevenindo inundações e danos à estrutura. Sua função principal é garantir a segurança e a estabilidade da infraestrutura hídrica.
Entretanto, mesmo com essa solução, a barragem desmoronou novamente neste ano, após chuvas na região.
O segundo vertedouro deveria estar aberto durante as chuvas, mas estava fechado, o que contribuiu para o novo desabamento. Oficialmente, porém, a prefeitura informou que o fato ocorreu porque uma árvore estava caída em cima do vertedouro há dias, o que teria impedido a água de passar.
Os reparos, desta vez, foram refeitos pela prefeitura, já que a CCO Infraestrutura, que fez as obras de 2023, não pôde ser acionada por seguro.
Agora, segundo o secretário, novo problema como esse pode ser registrado, já que o lago está assoreado.
“Corre o risco de cair novamente da forma como está ali, não vou mentir. Ali tem um problema de engenharia que se junta a um problema ambiental”, contou Miglioli.
“Quando foi feita uma solução de comporta, a intenção é de que, quando eu tenho uma previsão de que vai chover ou no período da chuva, eu deixo a comporta aberta, eu abaixo o lago e crio um reservatório no lago, só que, como o lago está muito assoreado, à medida que eu abaixo o lago, eu praticamente seco ele, aí eu tenho um problema ambiental. Se eu deixo a comporta fechada, eu preservo o lago, mas tem o problema da engenharia, então, como é que faz esse casamento? É complicado, então, a solução definitiva mesmo seria fazer uma obra mais complexa ali”, explicou o secretário ao Correio do Estado.
A prefeitura ainda procura parcerias para financiar essa obra.
INVESTIGAÇÃO
Por conta da situação em que se encontra a região, o Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul abriu um inquérito civil para investigar as causas do assoreamento do Lago do Amor e a segurança da barragem que dá origem ao lago, que sofreu esses rompimentos, conforme matéria do Correio do Estado de abril deste ano.
*SAIBA
O grupo de pesquisa Hidrologia, Erosão e Sedimentos (Heros), da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), estima que o Lago do Amor pode chegar ao fim em 2036, em função de seu assoreamento.


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