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STJ absolve advogada, e juiz "demitido" em MS pode ser beneficiado

A advogada Emmanuelle Alves Ferreira da Silva, esposa do juiz aposentado Aldo Ferreira da Silva Júnior, havia sido condenada a 3,5 anos por "estelionato judiciário"

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Condenada em primeira e segunda instância na Justiça de Mato Grosso do Sul por estelionato judiciário, a advogada Emmanuelle Alves Ferreira da Silva foi absolvida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). E, além de beneficiar a advogada, a decisão do ministro Sebastião Reis Júnior, do STJ, deve ser anexada às ações que tramitam na Justiça envolvendo o marido dela, o juiz Aldo Ferreira da Silva Júnior, que foi aposentado compulsoriamente depois do escândalo envolvendo a esposa.

Acusado de vender sentenças, o juiz foi aposentado compulsoriamente em fevereiro de 2022, mas já estava afastado das funções desde novembro de 2018. Ele já foi condenado em dois processos administrativos pelo Tribunal de Justiça, mas ainda tenta voltar ao cargo.

Embora a aposentadoria compulsória não tenha relação direta com a condenação que havia sido imposta à esposa, o fato de ela ter sido presa em 2018 por, supostamente, ter dado um golpe de R$ 5,3 milhões a um aposentado do Rio de Janeiro, foi fundamental para levar o Tribunal de Justiça a “demitir” o magistrado, explicou ao Correio do Estado um advogado que pediu anonimato, mas que acompanhou de perto a história do casal ao longo dos últimos anos.

Na época da prisão, em julho de 2018, a advogada Emmanuelle Alves Ferreira da Silva outros três envolvidos teriam descoberto que o aposentado Salvador José Monteiro de Barros, residente em Petrópolis, no Rio de Janeiro, tinha R$ 6 milhões em uma conta bancária da Caixa Econômica Federal.

Com essa informação, forjaram documentos simulando a confissão de uma dívida por conta da negociação da Fazenda Campo Limpo, em Tangará da Serra, no Mato Grosso. E com estes documentos, convenceram um juiz de Campo Grande a liberr  dinheiro. Eles chegaram a sacar R$ 5.317.003,95. Depois da descoberta do golpe, a maior parte do dinheiro foi devolvida.

Apesar da devolução, em decisão unânime do Tribunal de Justiça, a advogada foi condenada por “estelionato judiciário”. Por conta disso, estava prestes a perder a OAB. Agora, contudo, o STJ acatou a tese de que o crime de “estelionato judiciário” não existe e absolveu a advogada, revertendo a decisão unânime do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

“Esta Corte Superior entende que a figura do estelionato judiciário é atípica pela absoluta impropriedade do meio, uma vez que o processo tem natureza dialética, possibilitando o exercício do contraditório e a interposição dos recursos cabíveis, não se podendo falar, no caso, em 'indução em erro' do magistrado. Eventual ilicitude de documentos que embasaram o pedido judicial poderia, em tese, constituir crime autônomo, que não se confunde com a imputação de 'estelionato judicial' e não foi descrito na denúncia”, escreveu o ministro do STJ em sua decisão tomada no último dia 23.

Em sua defesa, “Emmanuelle alegou total desconhecimento das práticas criminosas, afirmando que, unicamente estava prestando serviços como advogada, pelos quais recebeu os honorários que seriam devidos, ao passo que os demais acusados, José Geraldo e Ronei Pécora, ainda que com escusas as imputações, admitiram os atos perpetrados para os fins almejados”.

José Geraldo usava o nome falso de João Nascimento dos Santos e com base em documentos falsos conseguiu convencer a Justiça de MS a sacar os mais de cinco milhões de reais da conta do aposentado carioca. Tanto ele quando Ronei Pécora e a advogada chegaram a ser presos logo depois da consumação do golpe.

E a repercussão dessa prisão e posterior condenação foram fundamentais para levar o Tribunal a demitir o juiz Aldo Ferreira, que já tinha um longo histórico de suspeitas relativas à venda de sentenças e de enriquecimento ilícito.

De acordo com o advogado ouvido pelo Correio do Estado, o casal passou a ser visto como “dupla infernal” depois da prisão e por causa desta imagem o juiz acabou sendo “demitido”. Mas, como a advogada foi absolvida agora, provavelmente os advogados do juiz vão juntar esta decisão aos processos do magistrado para tentar reintegrá-lo à magistratura, acredita o jurista.

Caso Ayla

A cada dez desaparecidos, oito são encontrados em Mato Grosso do Sul

Na contramão da série histórica, porcentual de pessoas encontradas é o pior dos últimos 10 anos

09/08/2026 17h00

Ayla Emanuelly Pereira de Souza desapareceu antes de completar um mês de vida

Ayla Emanuelly Pereira de Souza desapareceu antes de completar um mês de vida Reprodução Amber Alert/ e Arquivo Correio do Estado

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As buscas em torno do paredeiro da pequena Ayla Emanuelly Pereira de Souza, desparecida na última quinta-feira e encontrada na madrugada deste domingo (9) reacenderam um alerta sobre as forças de segurança do estado: a cada 10 desaparecidos, oito são encontrados em Mato Grosso do Sul.  

Historicamente, o desfecho positivo expõe a rápida resolução de casos deste tipo em Mato Grosso do Sul. De acordo com dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS), nos últimos 10 anos, das 14.366 pessoas desaparecidas em território sul-mato-grossense, 11.084 foram encontradas (77,1%) enquanto 3.282 seguem desaparecidas. 

Se o recorte da década é positivo, o índice de pessoas encontradas pelas forças estaduais de segurança em 2026 é o pior da série histórica.

Entre janeiro e agosto deste ano, das 713 desaparecidas, apenas 459 foram encontradas (64,30%).  Ao longo de todo esse período, o índice sempre foi superior a 73% (2016). 

Prestes a completar um mês de vida, a criança foi levada de Campo Grande no último dia 6 e encontrada com o casal Weliton Aparecido Lopes dos Santos e Suzilaine da Graça Costa na cidade de Pedro Juan Caballero, lado paraguaio da fronteira com Ponta Porã, região sul do Estado. 

Ayla estava em uma residência localizada no cruzamento entre as ruas Alejo García e Coronel Martínez, no bairro Virgen de Caacupé.

De lá, foi levada diretamente a ala emergencial do Hospital Regional de PJC, passou por exames e permanece sob supervisão médica. As investigações foram conduzidas pela Delegacia de Proteção à Criança e o Adolescente (DPCA). 

Ano Total Encontrados Desaparecidos  Percentual de encontrados 
2026 713 459 254 64,30%
2025 1254 946 308 75,40%
2024 1261 988 273 78,35%
2023 1390 1092 298 78,56%
2022 1380 1096 284 79,42%
2021 1180 922 258 78,13%
2020 1110 854 256 76,93%
2019 1521 1239 282 81,45%
2018 1487 1154 333 77,60%
2017 1601 1256 345 78,45%
2016 1469 1078 391 73,38%
Total 14366 11084 3282 77,10%
Fonte: Sejusp 

Os números da Secretaria de Justiça e Segurança Pública divergem ligeiramente dos dados apresentados 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no último (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Conforme a pesquisa, Mato Grosso do Sul registrou, junto às polícias, 1.257 casos de pessoas desaparecidas no ano passado, o que representa, em média, 104 desaparecidos por mês, três por dia, ou uma pessoa desaparecida a cada oito horas no Estado.

A publicação reúne os principais dados sobre as ocorrências criminais registradas no país em 2025. 

Em todo o Brasil, foram registrados 84.269 desaparecimentos, um aumento de 3,6% em relação aos 81.040 casos de 2024.

O Anuário destaca que entre 2019 e 2020 houve queda abrupta nos registros, possivelmente relacionada às restrições de circulação impostas pela Covid-19, mas a partir de então, observou-se uma tendência de crescimento contínuo, atingindo a taxa de 39,5 por 100 mil habitantes em 2025. 

De acordo com a Lei nº 13.812/20192, que institui a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas e cria o Cadastro Nacional, é considerada pessoa desaparecida "todo ser humano cujo paradeiro é desconhecido, não importando a causa de seu desaparecimento, até que sua recuperação e identificação tenham sido confirmadas por vias físicas ou científicas".

A norma, no entanto, não diferencia a natureza do desaparecimento, coexistindo situações que 
incluem desaparecimentos voluntários e forçados, indo desde casos envolvendo conflitos familiares, problemas de saúde mental, violência doméstica, uso abusivo de drogas, dívidas, acidentes, exploração sexual e tráfico de pessoas, até casos de pessoas que vieram a óbito e cujos corpos não foram encontrados.

O documento não traz dados regionalizados sobre o perfil das pessoas desaparecidas, mas destaca que, no geral, dados do Relatório Estatístico Anual de Pessoas Desaparecidas e Localizadas (2022-2023), publicado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), apontam que a maioria dos desaparecidos é do
sexo masculino, na faixa etária adulta, entre 18 e 59 anos.

Em relação ao recorte por raça/cor, a população negra (pretos e pardos) constitui 45,2% dos registros. O anuário, no entanto, alerta para uma limitação na qualidade da informação, visto que parte considerável das ocorrências carecem de dados de perfil racial. Em todo o país, 61.305 pessoas localizadas.

O Anuário ressalta que há subnotificação de casos solucionados e um fator que contribui para para isto refere-se à ausência de comunicação por parte de familiares quando a pessoa desaparecida é localizada por outros meios que não a polícia. Nesses casos, o registro inicial permanece ativo nas bases de dados.

Ademais, considerando a hipótese de que parte dos desaparecimentos pode tratar-se de mortes resultantes de múltiplos fatores, o Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG) tinha, no ano-base, 13.424 perfis genéticos de Restos Mortais Não Identificados (RMNI) cadastrados.

Saiba*

O alerta em busca da pequena Ayla chegou a circular na plataforma "Amber Alert Brasil", programa estabelecido nos Estados Unidos e adotado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O recurso ativa um comunicado especial encaminhado para as plataformas da Meta, que passa a publicar o alerta em um raio de até 160 quilômetros do local de onde o fato foi registrado.

Até a publicação desta matéria, a destituição e custódia da pequena Ayla estava sob competência das autoridades do país vizinho e do Ministério da Defesa Pública do Paraguai. 

Colaboraram Glaucea Vaccari e Leo Ribeiro

ACIDENTE FATAL

Homem morre e três ficam feridos em acidente na MS-352

Acidente ocorreu na madrugada deste domingo, em trecho da MS-352 conhecido como Estrada da Ponte do Grego

09/08/2026 16h30

Acidente aconteceu entre os quilômetros 18 e 20 da MS-352, em Terenos, durante a madrugada deste domingo (9)

Acidente aconteceu entre os quilômetros 18 e 20 da MS-352, em Terenos, durante a madrugada deste domingo (9) Divulgação

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Um homem identificado como Marcos Antônio Claranhan morreu e outras três pessoas ficaram feridas após o veículos em que estavam, capotar na madrugada deste domingo (9), na MS-352, no município de Terenos.

O acidente aconteceu por volta de 1h, entre os quilômetros 18 e 20 da rodovia, em um trecho conhecido como Estrada da Ponte do Grego.

De acordo com informações registradas no boletim de ocorrência, o Centro de Controle do Batalhão de Polícia Militar Rodoviária (BPMRv) recebeu a informação sobre o capotamento e acionou as equipes para atendimento da ocorrência. O Serviço de Urgência (Samu) de Terenos também foi mobilizado.

Marcos não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local, os outros três ocupantes do veículo, dois receberam os primeiros atendimentos e foram encaminhados para a Unidade de Saúde de Terenos.

Segundo informações do portal Dourados Agora, a terceira pessoa teve escoriações consideradas leves e não precisou ser levada imediatamente para uma unidade hospitalar, permanencendo no local durante os procedimentos da ocorrência.

A Polícia Militar Rodoviária isolou o trecho para preservar a área até a chegada da Perícia Técnica e do delegado plantonista da Polícia Civil de Terenos. 

As circunstâncias do capotamento, assim como os fatores que podem ter contribuído para o acidente, ainda serão investigadas pelas autoridades.

 

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