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Super-El Niño já contribuiu para alta de 53% nas chuvas de Campo Grande

Dados do Inmet revelam que a Capital acumulou mais de 118 milímetros de precipitação em apenas 16 dias deste mês

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Mesmo que ainda não esteja no seu ápice, o super-El Niño já ajudou a trazer para Campo Grande mais de 118 milímetros de chuva neste mês. Os dados indicam aumento de 53% com relação ao esperado para os 30 dias de setembro, o que coloca o mês entre os mais chuvosos dos últimos 18 anos.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a Capital registrou 118,4 milímetros em 16 dias, na região da Vila Popular, onde fica a estação da Embrapa.

Em outras regiões, a precipitação foi ainda maior, como no Jardim Panamá (146 mm), no Bairro Universitário (155,4 mm), na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) (158 mm) e no Córrego Anhanduizinho (172,4 mm).

Independente da área, Campo Grande passou sua própria média histórica do mês, que é de 77,6 milímetros. O cenário atual fica mais expressivo quando comparado com setembro de outros anos. Conforme o banco de dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS), este já é o quarto setembro mais chuvoso da Capital desde 2008, com expectativa de entrar no “pódio” nos próximos dias.

Ontem, a Defesa Civil divulgou alerta amarelo para risco de tempestade, com base em informações do Inmet.

O aviso começa às 23h de hoje e permanece válido até as 22h59min de amanhã. O alerta diz que são esperados volumes de chuva entre 20 e 30 milímetros por hora ou até 50 milímetros ao longo do dia, acompanhados de ventos intensos.

Em conversa com a reportagem, o meteorologista Diego Silva, do Instituto de Física da UFMS, revela que este quadro de chuvas acima do normal está relacionado com o El Niño de alta intensidade que está cada dia mais forte. A precipitação aumenta com a aproximação da primavera, que vai começar na terça-feira.

Ele explica que, especialmente na região Centro-Sul do Estado, onde está localizada a Capital, o comportamento do clima e tempo tende a ficar mais semelhante ao observado nas Regiões Sul e Sudeste do Brasil, ou seja, uma situação favorável ao acontecimento de tempestades, rajadas fortes e descargas elétricas.

“O El Niño entra nesse processo como um modulador da circulação de grande escala. Ele não cria sozinho a tempestade que acontece em Campo Grande numa determinada tarde, mas pode favorecer uma configuração atmosférica mais recorrente para passagem e manutenção desses sistemas sobre o Centro-Sul do continente”, disse.

Mesmo que por enquanto as chuvas estejam caracterizando o começo do último trimestre do ano, a tendência é de que a ausência delas comece a ser sentida a partir de outubro, com estiagem e ondas de calor extremas, o que favorece o aumento de queimadas florestais e a preocupação ao redor do Pantanal.

“Com a aproximação da primavera, acrescentamos o aumento progressivo do aquecimento e da disponibilidade de energia na atmosfera. Quando esse aquecimento encontra umidade elevada e sistemas frontais ainda frequentes, cresce o potencial para convecção mais intensa”, explica o meteorologista.

TEMPORAL

Desde o dia 10, quando uma tempestade com vendaval atingiu a Capital, a Prefeitura de Campo Grande registrou 450 ocorrências, sendo 423 envolvendo quedas de árvores e galhos. Em razão dos estragos, foi decretada situação de emergência, reconhecida ontem pelo governo federal.

O prejuízo provocado pelo temporal é estimado inicialmente em, pelo menos, R$ 40 milhões, segundo a prefeita Adriane Lopes, mas o valor ainda pode aumentar à medida que avançam os levantamentos dos danos.
Entre os estragos contabilizados estão 37 escolas destelhadas, além da Esplanada Ferroviária e da Unidade de

Pronto Atendimento (UPA) do Bairro Universitário. Dezenas de famílias também foram atingidas, enquanto quedas de árvores e danos à rede elétrica deixaram moradores sem energia durante o fim de semana.

A situação foi tão alarmante que a Prefeitura de Campo Grande decretou situação de emergência, sob prazo de 180 dias e alcance às áreas comprovadamente afetadas pelo fenômeno classificado como tempestade local. O decreto determina que a extensão dos prejuízos seja detalhada em levantamento da Defesa Civil.

Na prática, a declaração permite que a Prefeitura concentre e mobilize estruturas para responder aos danos. O artigo 2º autoriza a mobilização de todos os órgãos municipais, sob coordenação da Defesa Civil, enquanto o artigo 3º prevê atuação integrada com órgãos estaduais e federais, Corpo de Bombeiros e concessionárias.

O texto também permite a convocação de voluntários e a realização de campanhas de arrecadação para atendimento das pessoas atingidas.

Ontem, o governo do Estado reconheceu a medida e autorizou uma série de ações excepcionais para auxiliar na recuperação da Capital.

RECURSOS FEDERAIS

União autoriza repasse de R$ 204 mil para Campo Grande após temporal

Portaria publicada nesta terça-feira (3) prevê recursos para ações de Defesa Civil

03/11/2026 09h15

Governo Federal autorizou mais R$ 204 mil para ações de Defesa Civil em Campo Grande após danos provocados por temporal

Governo Federal autorizou mais R$ 204 mil para ações de Defesa Civil em Campo Grande após danos provocados por temporal Marcelo Victor

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O Governo Federal autorizou um novo repasse de R$ 204.680,00 para Campo Grande, destinado à execução de ações de resposta a desastres. A medida consta na Portaria n° 3.719, publicada nesta terça-feira (3), no Diário Oficial da União (DOU), pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).

O recurso será destinado à Prefeitura de Campo Grande para a realização de ações de Proteção e Defesa Civil, conforme solicitação registrada no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres.

De acordo com a publicação, o valor será transferido em parcela única, por meio de transferência legal, e deverá ser utilizado exclusivamente nas ações previstas no pedido apresentado pelo município.

A portaria também estabelece prazo de 180 dias, contados a partir da publicação, para a execução das medidas. Após o encerramento desse período, ou do último pagamento realizado antecipadamente, a administração municipal terá até 30 dias para apresentar a prestação de contas final.

Apesar da autorização, a publicação não confirma que o dinheiro já tenha sido efetivamente depositado nos cofres municipais, tampouco informa se houve início da execução das ações previstas.

Outros repasses

Este é o terceiro repasse autorizado pelo Governo Federal para Campo Grande nas últimas semanas, após os estragos provocados pelo temporal que atingiu a Capital em setembro.  

O primeiro, no valor de R$ 496.456,89, foi autorizado pela Portaria nº 3.565, publicada em 19 de outubro, para atender ações emergenciais de resposta e Defesa Civil relacionadas aos danos causados pelas fortes chuvas.

Já o segundo repasse, de R$ 759.500,00, foi autorizado em 26 de outubro e destinado a medidas de assistência às famílias atingidas, incluindo a aquisição de materiais como telhas e kits de fixação para reparos em imóveis danificados.

Com a nova autorização publicada nesta terça-feira, os recursos federais destinados ao município por meio das três medidas ultrapassam R$ 1,3 milhão.

Entretando, os valores correspondem a autorizações de repasse, o que não significa, necessariamente, que todos os recursos já tenham sido transferidos ou utilizados pela Prefeitura.

A nova portaria, assinada pelo secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff Barreiros, determina ainda que a aplicação dos recursos fique restrita às finalidades autorizadas, com posterior prestação de contas à União.

    

BALANÇO

Chuva de 76 milímetros e ventos de 109 km/h deixam estragos no sul de MS

Houve transbordamento de rios, destelhamento de casas e comércios, queda de árvores e apagão na rede de energia e telefonia

03/11/2026 08h54

Árvores caídas pela rua após o temporal

Árvores caídas pela rua após o temporal Foto: Portal de Notícias Cenário MS

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Feriado Finados foi de temporais na região Sul de Mato Grosso do Sul.

A tempestade veio acompanha de chuvas, ventos, raios, relâmpagos, trovoadas e granizo.

O temporal ocorreu na tarde e noite desta segunda-feira (2), após calor intenso em todas as regiões do Estado, com termômetros variando entre 30°C e 36°C, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

As pancadas foram suficientes para amenizar o calorão que fez durante o dia, melhorar a qualidade de respiração e aumentar a umidade relativa do ar.

Confira os acumulados:

Árvores caídas pela rua após o temporal

Confira as rajadas de vento:

Árvores caídas pela rua após o temporal

Conforme apurado pela reportagem, o temporal causou diversos estragos na cidade, como transbordamento de rios, destelhamento de casas e comércios, queda de árvores, alagamento de ruas e avenidas, queda de energia, desabrigo de famílias, queda de postes de luz, abertura de buracos nas ruas, apagões na rede de internet e telefonia, queda de portões e muros, entre outros.

Segundo o Portal Cenário MS, em Santa Rita do Pardo, a força dos ventos arrancou o forro de um posto de combustíveis, destruiu a estrutura de um ponto de ônibus e quebrou portas de vidro.

No Dia de Finados, o acesso ao cemitério da cidade amanheceu bloqueado por cerca de oito eucaliptos derrubados sobre a estrada.

De acordo com o meteorologista Natálio Abrahão, o rio Ivinhema chegou a transbordar entre Angélica e Ivinhema.

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