Cidades

Mato Grosso do Sul

Suspeitos de chefiar esquema de corrupção tentam anular Operação Gutemberg

Giovani Paroschi Jaffar alega suspeição de magistrada, que atuou no mesmo processo que o marido, que também é juiz

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A Operação Gutemberg, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial na Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) para desarticular uma organização criminosa que fraudou licitações milionárias em Mato Grosso do Sul, agora enfrenta uma ofensiva jurídica por parte dos seus principais alvos. 

A operação foi desencadeada no dia 7 de julho. 

Investigados por crimes graves como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, peculato e organização criminosa, membros da família Jafar e outros operadores ingressaram com um pedido de exceção de impedimento contra a juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna. A estratégia da defesa busca a nulidade absoluta de todos os atos decisórios proferidos pela magistrada, o que inclui a suspensão de prisões preventivas e ordens de busca e apreensão.

O argumento central da defesa de Giovanni Paroschi Jafar baseia-se em um suposto “impedimento de ordem objetiva”. Segundo os advogados, o cônjuge da magistrada, o também juiz Eduardo Eugênio Siravegna Junior, já havia atuado na mesma investigação em 22 de agosto de 2023, quando determinou a quebra do sigilo bancário e fiscal dos envolvidos. 

O pedido sustenta que o Artigo 252, inciso I, do Código de Processo Penal e o Código de Organização Judiciária estadual vedam a atuação de um magistrado em causa onde seu cônjuge já tenha funcionado anteriormente. Caso o Tribunal aceite a tese, a consequência imediata seria a expedição de alvarás de soltura para os investigados que se encontram detidos.

A “Máfia dos Livros” e o rastro de R$ 27 milhões

A investigação do Gaeco revela que a Editora Avante (Souza & Fanaia) era utilizada como fachada para dar continuidade aos negócios ilícitos da família Jafar, após o desmantelamento da Gráfica Alvorada na Operação Lama Asfáltica. 

O esquema utilizava a inexigibilidade de licitação para vender livros paradidáticos a prefeituras, alegando falsamente exclusividade sobre obras que, na verdade, pertenciam a outra editora e eram vendidas livremente no mercado.

Entre agosto de 2022 e setembro de 2024, a organização recebeu mais de R$ 27 milhões de diversos municípios sul-mato-grossenses. Para ocultar o rastro do dinheiro, o grupo realizou saques em espécie que totalizaram mais de R$ 9 milhões, quase sempre em valores próximos a R$ 49 mil para burlar os mecanismos de controle do sistema antilavagem. O dinheiro era “pulverizado” entre familiares, laranjas e empresas sem estrutura física real, como a 7 Irmãos e a Movi Auto Center.

Leitos em troca de contratos: a face mais cruel do esquema

Um dos pontos mais chocantes da Operação Gutemberg, e que pesa contra os autores do pedido de suspeição, envolve a extorsão de prefeitos através da estrutura da Secretaria Estadual de Saúde. O servidor público Ed Carlo Britto Burgatt, então Auditor de Serviços de Saúde, é acusado de usar sua influência na central de regulação de leitos para pressionar municípios a contratarem a Editora Avante.

De acordo com o relatório que fundamentou as cautelares, Ed Carlo condicionava a liberação de cirurgias, exames e vagas de internação (“vaga zero”) ao fechamento de contratos de livros. Em diálogos interceptados, o servidor chegou a ameaçar o município de Nova Alvorada do Sul, afirmando que iria “trancar tudo” e deixar a cidade com “saúde zero” caso o contrato não fosse assinado. Frases como “só opera se fechar” e “senão vai morrer todo mundo” ilustram o modus operandi impiedoso do grupo para garantir o fluxo de recursos públicos para a organização.

A estrutura da organização e o “giro” de laranjas

A investigação aponta que a líder de fato do esquema é Rossana Paroschi Jafar, que coordenava a distribuição dos lucros ilícitos para seus filhos Giovanni, Olivia e Felipe Jafar.

O grupo utilizava Rhayane Souza Fanaia como proprietária de fachada, uma tática que foi repetida em 2024 e 2025 com a transferência formal da empresa para nomes como Joatan Gomes Peixoto e Valesca Thais Albuquerque Teixeira, esta última funcionária de um pet shop sem qualquer capacidade financeira para administrar contratos milionários.

A complexidade do esquema exigiu uma força-tarefa que identificou a participação de representantes comerciais como Gabriel Taquino, que negociava propinas diretamente com Ed Carlo, e operadores financeiros como Heyder Bartz e Francisco Anizio dos Santos, responsáveis por gerir as contas e coordenar os saques em espécie realizados por Rhayane.

Imbróglio judicial e prevenção

O pedido de suspeição da juíza May Melke Siravegna causou um impasse processual. Inicialmente, o caso foi enviado à 3ª Vara Criminal, mas a juíza Eucelia Moreira Cassal declinou da competência, argumentando que a 2ª Vara Criminal já estava preventa por ter conhecido os fatos primeiro, ainda em 2023. No entanto, por força de lei, o incidente de impedimento deve ser analisado prioritariamente pela própria juíza questionada ou pelo órgão onde ela atua (Núcleo de Garantias), seguindo o rito dos artigos 96 a 100 do CPP.

Enquanto os investigados tentam anular o processo nos tribunais, o Judiciário mantém as medidas restritivas sob o argumento de que a organização continua ativa, realizando novas contratações com prefeituras em 2025 e 2026. Para o Ministério Público, a manutenção das prisões e o prosseguimento das investigações são vitais para cessar o enriquecimento ilícito que prejudica setores fundamentais como educação e saúde em todo o estado.

Alternativa

Juíza propõe política integrada entre Brasil e Paraguai contra feminicídios na fronteira

Alternativa foi proposta pela magistrada durante a 20ª Jornada Lei Maria da Penha, realizada em Campo Grande

07/09/2026 16h00

Ao centro, juíza Thielly Dias de Alencar

Ao centro, juíza Thielly Dias de Alencar Foto: Paulo Ribas / Correio do Estado

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Na tentativa de frear o alto índice de feminicídios e violência contra as mulheres na região de fronteira, Thielly Dias de Alencar Pitthan, titular da 1ª Vara Criminal da Comarca de Ponta Porã sugeriu que autoridades brasileiras e paraguaias criem um mecanismo integrado de proteção às vítimas. 

A alternativa foi proposta pela magistrada durante a 20ª Jornada Lei Maria da Penha, realizada em Campo Grande no fim de agosto último. Ao Correio do Estado, destacou que a principal questão sobre o tema é retirar a invisibilidade característica da população fronteiriça. 

"O primeiro [ponto] é retirar a questão fronteiriça da invisibilidade, porque normalmente só as pessoas que trabalham e lidam diariamente com os desafios da fronteira se preocupam com isso. Talvez uma política pública integrada com o Pedro Juan Caballero, por exemplo, talvez esse seja a alternativa", frisou a delegada.

Para Thielly Dias de Alencar, construir uma política pública integrada para essa população exige mais recursos humanos, mais estrutura e um olhar interseccional que seja capaz de acolher as diferenças e riquezas culturais que permeiam o território fronteiriço. 

"A desembargadora Jaceguara Dantas está trabalhando, em fase de estudos, um protocolo interseccional, onde o objetivo é atender a mulher em uma perspectiva de prevenção da violência e atendimento rápido das vítimas de violência, mas também numa perspectiva de promoção de direitos, que vai atingir não apenas as mulheres, mas outros grupos vulneráveis, como por exemplo as próprias crianças, uma vez que a violência contra as mulheres e a violência contra as crianças são fenômenos que caminham juntos", destacou.

Segundo a delegada, o entendimento de mulheres fronteiriças sobre segurança pública é carregado por fatores muito negativos, sobretudo quanto à facilidade de fuga por parte dos agressores. 

"Estar em região de fronteira trabalha duas questões muito negativas: a possibilidade de fuga fácil e, portanto a impunidade. Há possibilidade constante [do agressor] se esquivar da aplicação da lei penal, aliada a sensação negativa de temor e de desconfiança e descrença das vítimas na própria lei, porque muitas vezes elas não acreditam que serão efetivamente protegidas", disse.

Questionada sobre meios práticos que viabilizariam uma política pública integrada, disse que, certamente o mecanismo, seja qual for, terá de levar em consideração a complexidade dos dados já disponíveis no judiciário brasileiro.

"O que a gente sabe é que o judiciário, assim como os outros órgãos, estão passando por um movimento constante de digitalização, tem a Justiça 4.0 e diversos programas do Conselho Nacional de Justiça nesse sentido, então certamente a questão informatizada será levada em consideração, o que vai atingir não apenas o Judiciário, porque é um protocolo intersetorial, mas os demais agentes da rede de proteção também", finalizou.

Violência e mortes

Neste ano, 14 dos 25 feminicídios catalogados pela Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) ocorreram na faixa de fronteira. Desde o início da série histórica iniciada em 2016, foram registrados 13 feminicidios em Ponta Porã.

Ao longo dos últimos 10 anos, 379 mulheres fora vítimas deste tipo de crime em Mato Grosso do Sul. Dentro desse universo, 163 mulheres foram mortas em cidades fronteiriças. 

Dentro deste universo, o judiciário sul-mato-grossense concedeu 11.458 medidas protetivas de urgência desde o início do ano, 1,4 mil por mês, 47 todos os dias. 

 

 

 



 

 

 

 

 

 

 

 

Interior

Denúncia de homem armado em bar acaba em prisão de foragido em cidade de MS

Suspeito não estava com arma, mas tinha mandado de prisão em aberto e admitiu ter rompido tornozeleira eletrônica

07/09/2026 15h30

Reprodução/PMMS

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Uma denúncia de que um homem estaria armado dentro de um bar terminou com a prisão de um foragido da Justiça na noite de domingo (6), em Rio Brilhante, a cerca de 160 quilômetros de Campo Grande. O suspeito, de 39 anos, foi localizado durante uma abordagem da Polícia Militar em um estabelecimento na Rua Prefeito Theofanes.

Segundo a PM, a equipe foi acionada para verificar a informação sobre a suposta arma de fogo. Os policiais abordaram pessoas que correspondiam às características informadas, mas nenhuma arma foi encontrada.

Durante a checagem dos documentos, os militares descobriram que um dos abordados tinha um mandado de prisão em aberto.

Ainda conforme a polícia, o homem contou que utilizava uma tornozeleira eletrônica, mas havia rompido o equipamento. Ele também indicou aos policiais onde o dispositivo estava.

A equipe foi até a residência indicada e encontrou a tornozeleira rompida sobre um guarda-roupa, confirmando a informação apresentada pelo suspeito.

O homem recebeu voz de prisão e foi levado para a Delegacia de Polícia Civil, junto com o equipamento eletrônico apreendido.

De acordo com a Polícia Militar, o homem possui registros por crimes como tentativa de homicídio, porte ilegal de arma de fogo, homicídio e roubo.

 

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