Cidades

ENTREVISTA - ANA CAROLINA NARDES

"Vamos promover uma compra pública qualificada, eficiente e transparente"

Em entrevista ao Correio do Estado, a secretária de Estado de Administração explica as mudanças que ocorrerão com o novo Plano de Contratações Anual do programa Agiliza MS

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Para obter condições mais favoráveis à administração pública nos processos de compras do Estado, a Secretaria de Estado de Administração (SAD) lança o Plano de Contratações Anual (PCA), como parte do Agiliza MS Facilidade em Gestão de Compras Públicas. O PCA é uma ferramenta de planejamento das contratações públicas que abrange aquisição de bens e contratação de serviços e obras, garantindo a integração ao planejamento estratégico e orçamentário das unidades.

O PCA entrará em vigor até 2024, com lançamento previsto para esta segunda-feira.

Para a secretária de Estado de Administração, Ana Carolina Nardes, a implementação do plano garante uma maior racionalização das contratações, com a previsibilidade das demandas e a padronização dos produtos e serviços. 

"O objetivo é garantir o alinhamento com o planejamento estratégico, o plano diretor de logística sustentável e outros instrumentos de governança existentes, evitando o fracionamento de despesas", explicou Ana Carolina ao Correio do Estado.

O programa Agiliza MS foi lançado no dia 19 de setembro e busca atualizações técnicas na gestão dos processos de compras públicas de Mato Grosso do Sul.

Durante o lançamento, houve a assinatura do termo de cooperação para atualizar os servidores que atuam nos setores de compras dos municípios sobre a nova legislação e promover a participação das cidades nas atas de registro de preços gerenciadas pelo governo do Estado.

Com a nova Lei de Licitações, diversas inovações nas compras públicas foram implementadas, como a atualização anual dos valores de contratação direta de acordo com indicadores econômicos, maior transparência nos resultados de licitações realizadas eletronicamente e atualização das modalidades de licitação, incluindo o pregão e o diálogo competitivo como novas alternativas.

"A partir da divulgação do plano, os municípios vão ter ciência de quais compras centralizadas o Estado realizará e terão a possibilidade de participar das contratações formuladas pelo Estado", explicou a secretária de Estado.

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O governo do Estado lança na próxima semana o Plano de Contratações Anual (PCA). Fale um pouco sobre o projeto e como ele pode beneficiar a gestão pública.

O PCA, regido pelo Decreto nº 16.121/2023, tem como objetivo divulgar as expectativas das contratações para o mercado fornecedor e, assim, contribuir para obter condições mais favoráveis à administração pública nos processos de aquisição.

Com a implementação do plano, haverá a racionalização das contratações, por meio da promoção de contratações centralizadas e compartilhadas, aprimorando a fase preparatória das contratações por meio da previsibilidade das demandas com vistas à eficiência e à qualidade do gasto público, à padronização de produtos e de serviços e à redução de custos processuais, bem como subsidiar a elaboração das leis orçamentárias.

O objetivo é garantir o alinhamento com o planejamento estratégico, o plano diretor de logística sustentável e outros instrumentos de governança existentes, evitando o fracionamento de despesas e possibilitando a divulgação das expectativas de contratações para o mercado fornecedor, contribuindo, principalmente, para a obtenção de condições mais favoráveis à administração pública estadual nos seus processos de aquisição.

Assim, haverá previsibilidade das demandas, o que garantirá mais eficiência e qualidade nos gastos públicos, com a padronização de produtos e de serviços. Dessa maneira, vamos promover uma compra pública qualificada, eficiente, transparente e econômica em todo o Estado. 

O PCA faz parte do programa Agiliza MS Facilidade em Gestão de Compras Públicas. Qual o objetivo do programa? Ele já começou a ser implantado em algum município?

O objetivo é oferecer aos municípios de Mato Grosso do Sul apoio técnico e atualização na gestão dos processos das compras públicas, em conformidade com a Lei n° 14.133/21, a nova Lei de Licitações.

A parceria foi firmada entre o governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Administração, o Sebrae-MS e a Escolagov [Fundação Escola de Governo de MS], com apoio da Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul [Assomasul]. 

A partir da divulgação do plano, os municípios vão ter ciência de quais compras centralizadas o Estado realizará e terão a possibilidade de participar conjuntamente das contratações formuladas pelo Estado.

Pode dar exemplos de como o Agiliza MS pode funcionar em processos de compras públicas?

Será ofertado o apoio técnico e a atualização sobre a gestão dos processos de compras públicas, de acordo com a Lei n° 14.133, de 1º de abril de 2021, e alterações posteriores, de forma a fornecer ferramentas e conhecimentos necessários para que possam realizar os processos de forma mais eficiente, promovendo a transparência, a qualidade e a economia dos recursos públicos, além de contribuir para o crescimento e o desenvolvimento econômico do Estado.

Já temos um cronograma das capacitações e oficinas que serão ministradas aos servidores, com as temáticas definidas conforme votação dos municípios. Em fevereiro, as capacitações serão voltadas para o regime de atuação do assessoramento jurídico, a formação de preços e a dispensa, inexigibilidade e instrução segura dos processos.

Em março, serão apresentadas as funções, as responsabilidades e a segregação de funções, o pregão eletrônico e os atos do agente de contratação da fase externa, julgamento das propostas e modo de disputa e a impugnação, pedidos de esclarecimento e fase recursal.

Também há um cronograma para abril com a aplicação dos benefícios às microempresas e às empresas de pequeno porte e sobre reajuste, repactuação e reequilíbrio.

Com a nova Lei de Licitações, Mato Grosso do Sul visa a implantar um sistema de maior transparência nas licitações. Esse é o caminho para a administração na atualidade? Quais as principais dificuldades para que esse programa seja implantado em todo o Estado?

Sim, a nova Lei de Licitações traz uma série de inovações referentes às compras públicas, como novos valores de contratação direta, que serão atualizados anualmente de acordo com indicadores econômicos, assim como o processo de transparência, que obriga a divulgação dos resultados da licitação de forma eletrônica e ainda atualiza as modalidades de licitação, extinguindo a tomada de preço e o convite e incluindo o pregão e o diálogo competitivo como novas modalidades.
Precisamos da adesão dos municípios, acredito que não será difícil. Nosso objetivo é que seja uma realidade para todos os municípios e precisamos de apoio e olhar pelos servidores para que sejam capacitados, ouvidos e apoiados no processo.

Recentemente, o governo concedeu um novo reajuste no salário dos professores concursados e, hoje, MS paga quase o triplo do piso nacional da categoria. Como esse aumento vai impactar as contas públicas e como manter essa política de valorização da categoria para os próximos anos, visto que, a cada aumento, maior será o impacto nas contas públicas?

O projeto encaminhado à Alems [Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul] teve como objetivo o cumprimento da valorização dos profissionais da educação, levando em conta também o compromisso de manter o equilíbrio orçamentário-financeiro do Estado, que fez e tem feito lição de casa do ponto de vista de gestão, o que lhe permite ser não apenas o que paga o melhor salário do País a professores, como também o que mais cresce no Brasil nos últimos anos. 

Conquanto, diante do atual cenário de mudanças na política fiscal, gerando incertezas em relação à previsão orçamentária e ao consequente equilíbrio fiscal, aliado à necessidade de estabelecer e de avançar na política de alinhamento salarial dos professores convocados, foi necessária a alteração do cronograma de integralização previsto no §2º do art. 49 da Lei Complementar Estadual nº 87/2000.

É importante destacar que esta política de valorização do professor da Educação Básica, iniciada em 2015 com a aplicação do valor do piso nacional de 40 horas para 20 horas em Mato Grosso do Sul, representou ganhos salariais para 20.146 professores e especialistas de Educação Básica do quadro efetivo, sendo 7.064 ativos e 13.082 inativos.

Hoje, a maioria dos professores em atividade não é de concursados, e sim de contratados. Esses servidores não recebem o mesmo salário dos concursados, essa diferença tem previsão de ser reduzida? 

A gestão já tem feito estudos com esse objetivo. Vale destacar que esse processo de correção de distorção se iniciou em maio deste ano, com o reajuste de 5%, e agora em outubro terão outro reajuste, de 10%.
Ainda na educação, os servidores do administrativo, que tem um salário inferior aos outros servidores da área, estão em negociação para melhora das condições.

A Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems) pede abono de R$ 400, esse valor deverá ser concedido?

Estão sendo realizados estudos de viabilidade técnica e financeira para atender a esta demanda.
 

Perfil

Ana Carolina Araujo Nardes 

Advogada, tem especializações em Direito Público e em Direito Civil e Processual Civil. É pós-graduada em Controle Externo da Administração Pública e mestranda em Direito Público pela IDP. Já trabalhou em diversos órgãos públicos, como a Polícia Federal e o governo do estado do Paraná, tendo coordenado por sete anos o setor de Compras e Contratos da Presidência da República, em Brasília. Já foi titular da Secretaria de Estado de Administração de Mato Grosso do Sul por dois anos e meio, de 2020 a 2022, na gestão do governador Reinaldo Azambuja. Neste ano, foi reconduzida à SAD pelo governador Eduardo Riedel.

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CRIME

Polícia investiga se jovem foi morto por engano em garagem de Dourados

Investigação aponta que o empresário Claudio Henrique procurou a garagem demonstrando interesse na compra de uma Toyota SW4, para atrair o verdadeiro alvo da execução

25/08/2026 08h10

Jovem foi executado com três tiros na cabeça, na garagem do pai, em Dourados

Jovem foi executado com três tiros na cabeça, na garagem do pai, em Dourados Reprodução

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A Polícia Civil de Dourados trabalha em uma nova linha de investigação sobre o homicídio de Vitor Orsini, de 19 anos. As autoridades investigam se o crime pode ter sido ocorrido por engano durante uma emboscada que teria como alvo outro homem.

Informações preliminares apontam que o jovem foi confundido pelos pistoleiros com a pessoa que deveria ser executada na tarde de 7 de agosto, dentro da garagem de veículos da família, na Avenida Hayel Bon Faker.

Claudio Henrique de Arruda, de 43 anos, dono de uma academia e preso preventivamente no decorrer das investigações, é suspeito de ter participado da preparação da armadilha. O alvo seria um homem com quem ele já havia sido preso por tráfico de drogas anos atrás.

Ainda conforme as informações sobre a investigação, Claudio procurou a garagem demonstrando interesse na compra de uma Toyota SW4. Conversas encontradas no telefone celular de Vítor indicam que o empresário informou que uma pessoa (o alvo) iria ao estabelecimento por volta das 14h para avaliar a caminhonete.

A negociação, porém, teria servido apenas como estratégia para levar o verdadeiro alvo ao endereço justamente no horário em que os pistoleiros pela execução chegariam.

O homem esperado pelos criminosos não apareceu no momento combinado. Quando os autores chegaram à garagem, encontraram o jovem de 19 anos próximo aos veículos. A suspeita é de que, por ele estar de costas, os pistoleiros tenham acreditado que estavam diante da pessoa indicada para morrer.

Até o momento, não há indício que aponte a participação de Vitor na disputa que motivou o suposto plano de execução.

O homem que seria o alvo original mora na região sul de Dourados e, até o momento, não é apontado como participante da morte de Vítor.

Presos

As primeiras prisões ocorreram no dia 11 de agosto, quando Denis Barbosa de Mello, de 25 anos, foi localizado em um hotel no distrito de Nova Itamarati, em Ponta Porã. Ele é apontado pelas investigações como autor dos disparos contra Vitor. Um adolescente de 17 anos também foi apreendido por suspeita de participação no crime.

No dia 17 de agosto, Alexsander Gonçalves Borges, de 27 anos, foi preso em Ponta Porã. Conforme a apuração, ele teria pilotado a motocicleta utilizada para levar o suspeito dos disparos até a garagem e auxiliado na fuga após o crime.

Já no dia 21, a Polícia Civil prendeu preventivamente Cláudio Henrique de Arruda, de 43 anos, empresário e proprietário de uma academia em Ponta Porã. Ele foi o quarto investigado detido no caso, durante operação que também cumpriu cinco mandados de busca e apreensão na região de fronteira. A participação dele no homicídio ainda é investigada.

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul divulgou, nesta segunda-feira (24), as imagens de mais dois investigados que permanecem foragidos. São eles: Jeferson Lopes, de 31 anos, e Marcos Antônio Olmedo Vera, de 23. 

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Jagueretê-oeste

Operação do Exército na fronteira já soma apreensões milionárias

Ação militar intensifica fiscalização e impõe prejuízo ao crime

25/08/2026 08h00

Militares durante fiscalização de ônibus, na BR-262, perto de Corumbá; iniciativa é uma das ações da Operação Jaguaretê-Oeste

Militares durante fiscalização de ônibus, na BR-262, perto de Corumbá; iniciativa é uma das ações da Operação Jaguaretê-Oeste Foto: Divulgação

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A Operação Jaguaretê-Oeste, coordenada pelo Comando Militar do Oeste (CMO), já resultou em mais de R$ 41,2 milhões em prejuízos estimados às atividades criminosas na faixa de fronteira brasileira. A ofensiva, que tem Mato Grosso do Sul como um dos principais centros de coordenação, mobiliza mais de 600 militares e conta com a participação de órgãos federais e estaduais no combate ao tráfico de drogas, contrabando, descaminho e crimes ambientais.

Os primeiros resultados oficiais divulgados pelo Exército confirmam, na prática, a dimensão da operação que havia sido antecipada pelo Correio do Estado em julho.

Até o início deste mês, as equipes haviam apreendido 34 quilos de cocaína, 6,5 toneladas de maconha, 94 kg de skunk, 12 kg de pasta base de cocaína e 11,9 kg de drogas sintéticas.

Também foram recolhidos outros 194 kg de substâncias ilícitas, além de armas de fogo, munições, 21 veículos e mais de 79,9 mil pacotes de cigarros.

A soma das apreensões representa um prejuízo estimado de R$ 41,2 milhões às organizações criminosas e demais atividades ilegais alcançadas pela operação. O valor considera não apenas as drogas e os produtos de contrabando retirados de circulação, mas também veículos e outros bens empregados nas práticas criminosas.

Os números dão uma primeira dimensão do alcance da Operação Jaguaretê-Oeste, concebida para atuar de maneira ampla em uma das regiões mais sensíveis do território nacional.

A operação abrange os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina e reúne unidades militares distribuídas ao longo da faixa de fronteira.

OPERAÇÃO

A ofensiva foi planejada pelo Exército com o objetivo de ampliar a capacidade de dissuasão e repressão aos crimes transfronteiriços, especialmente em áreas utilizadas por organizações criminosas para a entrada e circulação de drogas, armas, cigarros e outros produtos ilegais.

A atuação também busca apoiar as forças de segurança pública sem comprometer investigações ou operações que já estejam em andamento.

Em entrevista ao Correio do Estado antes do início da operação, o comandante do CMO, general Alcides Valeriano de Faria Júnior, explicou que a dimensão da Operação Jaguaretê-Oeste exigia planejamento prévio e uma coordenação cuidadosa com as demais instituições.

Segundo ele, o Centro de Coordenação de Operações do CMO realizou reuniões com diferentes órgãos para evitar sobreposição de ações.

A preocupação é especialmente relevante em regiões de fronteira, onde a atuação simultânea de diferentes forças pode comprometer operações sigilosas.

“Se a Polícia Federal, por exemplo, pode estar conduzindo uma operação dela e eu vou na mesma área em que ela está, uma pode atrapalhar a outra”, afirmou o general, na ocasião.

Por isso, um dos principais pilares da Operação Jaguaretê-Oeste é justamente o compartilhamento de informações entre as instituições. A operação é realizada em integração com as Polícias Federal, Rodoviária Federal, Receita Federal, Polícias Civil e Militar e órgãos especializados, como o Departamento de Operações de Fronteira (DOF) de Mato Grosso do Sul.

Na prática, as equipes empregam patrulhamentos terrestres e fluviais, estabelecem postos de bloqueio e controle e realizam fiscalizações de pessoas, veículos e embarcações.

O emprego de viaturas e embarcações amplia a presença das forças de segurança em áreas que, pela extensão territorial e pelas características geográficas, são difíceis de serem monitoradas de maneira permanente.

Em MS, a operação envolve unidades como a 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, sediada em Dourados; a 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal.

Parte dessas estruturas está inserida no Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), considerado uma ferramenta estratégica para ampliar a capacidade de vigilância do território.

O alcance da operação, porém, ultrapassa as fronteiras do Estado. Em Cuiabá (MT), a 13ª Brigada de Infantaria Motorizada e em Cascavel (PR), a 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada, também intensificaram as ações de combate aos crimes transfronteiriços.

A atuação conjunta alcança ainda unidades militares em Santa Catarina, formando um corredor de fiscalização que se estende por uma parcela significativa da fronteira brasileira.

Antes mesmo da divulgação dos primeiros números oficiais, a dimensão da estratégia já havia sido revelada pelo Correio do Estado.

Em julho, o general Alcides havia explicado que a operação seria coordenada a partir de MS e envolveria tropas desde Santa Catarina até Rondônia. Na estrutura do Exército, a operação foi classificada como “singular”, por ser executada com recursos próprios da Força Terrestre.

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