Cidades

Contrariando Pesquisa

Vendedores ambulantes preferem informalidade a carteira assinada em Campo Grande

Mesmo com flexibilidade no trabalho, pesquisa revela que, a nível nacional, 67,7% dos autônomos gostariam de ter registro profissional

Continue lendo...

Mesmo com levantamento indicando que 67,7%  dos autônomos preferem trabalhar com carteira assinada, o cenário diverge entre vendedores ambulantes de Campo Grande que optam pela informalidade.

É o que aponta a pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Economia, unidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE), no qual 5.321 trabalhadores (sendo 1.108 autônomos), foram entrevistados em todo país.

Ainda que em Mato Grosso do Sul, o número de pessoas na informalidade seja de apenas 32% - conforme pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), colocando o estado no sexto lugar de trabalhadores informais.  A sondagem abraça a ideia do grupo Nações Unidas, que busca melhorar o entendimento do conceito de "trabalho informal" e "atividade informal".

 

Odair não vê vantagem em trabalhar com carteira assinada por conta da idade e retorno financeiro - Foto: Gerson Oliveira | Correio do Estado 

Autônomo há mais de 20 anos, Odair Gonçalves (57) veio para Campo Grande por acaso, mas acabou permanecendo na cidade porque a informalidade abriu novos caminhos com a venda de doces cristalizados.

“Veja bem, essa idade minha já não permite conseguir uma oportunidade com carteira assinada e fica difícil agora, então trabalho assim. Consigo tirar em torno de R$ 3 mil a R$ 4 mil por mês, porque também vou para as feiras culturais e de rua, então acaba compensando mais que CLT”, afirma.

Conforme o FGV IBRE, não cabe colocar na mesma seara o trabalho informal com trabalhadores que exercem atividades ilegais, isto é, que não possuem licença de atuação. Com a distinção das atividades a criação de políticas públicas teria uma abordagem certeira. 


 

Perfil dos informais 

  • 74,6% dos autônomos não possuem vínculo formal com o Estado;
  • Existe uma crescente entre o micro empreendedorismo individual (os chamados Mei);
  • 60% se declaram pardos ou pretos;
  • 66% são homens;
  • 85% têm renda de até 3 salários-mínimos (SM), com uma pequena parcela auferindo mais de 10 SM.

Dentro desse contexto, os chamados autônomos, seguiram em duas categorias, a primeira por opção, que corresponde a 55% dos entrevistados e a segunda por necessidade, sendo que 44,9% dos que atuam na informalmente, disseram não ter certeza da lucratividade no mês seguinte. 

Por necessidade

  • necessidade de uma fonte de renda extra; 
  • estava desempregado e precisava de um rendimento; 
  • dificuldade em conseguir emprego com salário bom; 
  • não conseguir emprego na área de atuação e entre outros; 

Por vontade própria

  • desejo de independência; 
  • flexibilidade de horário;
  • oportunidade de começar um negócio próprio.

Adriana Barros é informal e tira média de R$ 2.000,00 mensais, vendendo bolo de pote no centro da cidade. A confeiteira está há 10 anos sem registro em carteira e não pretende voltar para o formato "CLT".    


 
Adriana Barros vende bolos de pote para ajudar nas despesas de casa - Foto: Gerson Oliveira | Correio do Estado 

"Dá mais trabalho ser informal mas ainda assim é melhor. Preciso levar meu filho na escola que fica do outro lado da cidade, então consigo ter mais flexibilidade. Já trabalhei em creche e loja mas o horário é puxado, de domingo a domingo. Quero voltar a estudar pra abrir meu próprio negócio, minha lanchonete ou um café", explica a confeiteira. 

O número de trabalhadores autônomos que demonstrou interesse em carteira assinada incindiu no grupo que não possui CNPJ, com os seguintes recortes:

  • renda mais baixa;
  • trabalhadores do sexo masculino;
  • menor nível de escolaridade.

O único recorte que demonstrou desinteresse em trabalho com registro são os autônomos que ganham acima de três salários mínimos (54,6%).

Os trabalhadores que conseguem renda de até 1 salário mínimo (SM) aparecem no perfil com maior desejo de um emprego com carteira assinada (76%), conforme os que alcançam entre 1 a 3 SM (70,8%).

Questionado sobre a possibilidade de voltar ao mercado formal, o vendedor de panelas, Márcio José Barboza (45) diz que tem muita vontade de assinar a carteira de trabalho, por conta da estabilidade financeira. 

Márcio viaja para Goiânia (GO) a cada 20 dias e sempre trás novidades em utensílios domésticos - Foto: Gerson Oliveira | Correio do Estado 

"Gostaria de assinar a carteira mas o salário teria que ser melhor porque meu custo de vida é grande. Tenho três meninas que me dão muita despesa. Não tenho experiência em outra área mas tenho boa vontade. E ser CLT, tem a aposentadoria mais na frente, né? Hoje você ganha mais, só que lá na frente perde por não ter recolhido INSS", enfatiza.

Apenas entre os trabalhadores com renda superior a três salários mínimos o índice cai para (54,6%) contrários a ideia do trabalho com carteira assinada. 

Interesse na Carteira Assinada

A pequisa ainda revela que homens e mulheres manifestaram interesse similar na carteira assinado com 69,4% e 64,4%, respectivamente. Na partição por cor e raça não se observa diferença significativa entre os diferentes grupos.

Assine o Correio do Estado 

Literatura

Escritora de MS participa da Bienal do Livro de São Paulo

Jucelia Silva apresenta o romance "Antes de Nós" no estande da Editora Flyve durante o evento, que começou nesta sexta-feira

04/09/2026 17h30

Foto: Arquivo pessoal

Continue Lendo...

A escritora campo-grandense Jucelia Silva participa da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que começou nesta sexta-feira (4), na capital paulista. Autora do romance Antes de Nós, ela representa Mato Grosso do Sul entre os escritores que integram a programação do evento.

Jucelia está no estande da Editora Flyve, onde o livro será apresentado ao público. O romance aborda temas como memória, família, ancestralidade e pertencimento, a partir da relação entre diferentes gerações.

A participação ocorre após a escritora integrar eventos literários em Mato Grosso do Sul. Nos últimos meses, ela participou da Feira Literária de Bonito (FLIB), do projeto Leituras e Conversas, da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, e do Sarau do Recanto, em Campo Grande.

Romance

Em Antes de Nós, a autora parte de uma pergunta sobre a vida dos pais e antepassados antes de eles ocuparem esses papéis dentro da família. A história transita entre campo e cidade e aborda relações familiares, diferenças sociais e raciais e as marcas deixadas pelas escolhas de gerações anteriores.

“Antes de Nós nasceu do desejo de olhar para aqueles que vieram antes e imaginar quem eram nossos pais antes de ocuparem esse lugar em nossas vidas. Estar na Bienal de São Paulo com esse romance é muito significativo para mim”, afirma Jucelia.

Além de escritora, Jucelia é professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), doutora em Letras e mestre em Estudos de Linguagens. Ela também integra a União Brasileira de Escritores de Mato Grosso do Sul (UBE-MS).

A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo segue até o dia 13 de setembro, reunindo editoras, autores e leitores no Distrito Anhembi. Antes de Nós também pode ser encontrado no site da Editora Flyve, na Amazon, com a autora e na Hámor Livraria, em Campo Grande.

Fronteira com MS

Cidade do Paraguai decreta folga em 7 de setembro e gera revolta

Prefeitura de Capitán Bado decretou ponto facultativo para liberar servidores e escolas para desfile da Independência do Brasil em Coronel Sapucaia, mas decisão provocou críticas até em Assunção

04/09/2026 17h29

Capitán Bado, separada por uma rua de Coronel Sapucaia (MS)

Capitán Bado, separada por uma rua de Coronel Sapucaia (MS) Arquivo

Continue Lendo...

Um decreto do município de Capitán Bado, cidade paraguaia distante 400 quilômetros de Campo Grande, está causando polêmica no país vizinho. É que a prefeitura do município, localizado no Departamento de Amambay, decretou ponto facultativo na próxima segunda-feira (7), feriado de Independência do Brasil.

Capitán Bado é separada do Brasil apenas por uma rua. Região de fronteira seca, o município paraguaio é vizinho de Coronel Sapucaia (MS).

O jornal paraguaio El Nacional tratou a decisão da prefeitura paraguaia como “Vergonha Inexplicável”. A explicação do prefeito de Capitán Bado, feita por meio de nota, é que a decisão se justifica pela necessidade de liberar funcionários públicos e escolas para participar do desfile de 7 de setembro em Coronel Sapucaia.

A notícia chegou à capital paraguaia, Assunção. Algumas autoridades do país vizinho já pediram explicações.

Nas redes sociais, cidadãos paraguaios mais nacionalistas condenaram a atitude do prefeito, chamado de “intendente” no país vizinho. Outros não viram nada demais em decretar o ponto facultativo em consideração a uma cidade-irmã.

Outro questionou a soberania paraguaia: “Seria uma colônia do Brasil?”, disse.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).