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Vítimas de abusos no transporte público podem ficar traumatizadas

Vítimas de abusos no transporte público podem ficar traumatizadas

R7

23/03/2014 - 16h30
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A discussão sobre abuso sexual nos transportes públicos ganhou fôlego na semana passada, após a detenção de cinco suspeitos de assédio no metrô e em trem da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e a denúncia sobre a existência na internet de grupos de “encoxadores”. O R7 conversou com especialistas em sexualidade para tentar compreender o que está por trás do comportamento dos molestadores e o que esse tipo de violência pode representar para a vítima.

De acordo com o psicólogo e terapeuta sexual Angelo Monesi, as consequências para quem sofre o abuso nem sempre são superficiais. A sensação de ter a privacidade invadida pode ser traumática.

— Muitas [vítimas] têm alterações da noção corporal. Então, toda vez que alguém a toca de uma maneira que pode ser carinhosa, aquilo se torna algo difícil. Algumas desenvolvem TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) em relação à limpeza [...] É como se, por exemplo, onde o abusador pôs a mão, passasse a ser um lugar que está sempre sujo. Então, a pessoa fica limpando, esfregando, como se tentasse tirar a mão do abusador dali. Às vezes, até esfolando a pele.

Para a sexóloga e psicóloga Carla Cecarello, a experiência de ser molestada pode também mudar a forma como a mulher encara a figura masculina.

— É uma mulher que pode, com isso, passar a ter dificuldades no seu relacionamento, ter ódio da figura masculina, principalmente, se ela já vem de um relacionamento que não está bem. Também pode ser um tipo de mulher que passa a ter dificuldade em relação ao desejo sexual, comprometimento da autoestima [...] É vítima e se sente culpada. A sociedade massacra muito a mulher em relação a isso, como se ela não pudesse sair com uma saia curta, ter cabelo longo e prendê-lo porque isso “facilita a vida dos estupradores”, o que é um absurdo.

Já em relação à maneira de agir do abusador, Monesi explica que está associada a um quadro compulsivo.

— É um perfil compulsivo. É uma pessoa que sabe que está fazendo alguma coisa errada no sentido social, mas que não consegue se controlar. É o que chamamos de frotteurismo, que é o hábito de se esfregar em pessoas, aproveitando de situações como esta [no transporte público], por exemplo.

Carla Cecarello também avalia que existe por parte do agressor uma dificuldade em lidar com regras sociais. A sexóloga diz que, na visão dele, a mulher é “somente um objeto de desejo”.

— São homens que colocam a mulher em uma posição de objeto sexual e não levam em consideração o perfil dela como pessoa provida de sentimentos, pensamentos e sensações.

O terapeuta, por sua vez, entende que não há um desprezo em relação ao outro, mas uma valorização, por parte do agressor, da própria vontade. “Uma forma de pensar promíscua”, destaca o especialista em sexualidade.

— O importante é tirar vantagem da situação. “Essa menina está com roupas mínimas e está querendo chamar a atenção. Vai atrair um machão como eu, que vai dispor, vai usar”. Só que esse sujeito tem um raciocínio muito primitivo.

Segundo Monesi, o abusador “procura uma pessoa que ele pensa que tem a possibilidade de facilitar, de favorecer ou até permitir o assédio”.

— É como um leão olhando um grupo de animais que ele vai atacar. O leão vai sempre procurar atacar a vítima que está mais distraída, que não está prestando muito atenção.

Muitas vezes, explica o terapeuta sexual, tem a ver com a forma como o agressor interpreta a maneira de a vítima se vestir.

— Uma camiseta mais mínima, de alça pode ser vista como “ela está usando uma roupa que favorece olhar, cobiçar”. Isso para eles são interpretações de sinais de que a pessoa está mais disponível, baseadas em conceitos machistas.

Histórico

Na análise da sexóloga e psicóloga Carla Cecarello, a dificuldade de relacionamento com a figura feminina também pode estar na entrelinha do comportamento do agressor.

— Ele não consegue se aproximar de uma mulher para desenvolver um vínculo afetivo com ela. Então, só consegue tratá-la como um objeto de saciação do seu próprio prazer, não se importando com os riscos sociais que isso pode causar a ele.

O histórico do “transgressor compulsivo na questão sexual” deve ser considerado, conforme enfatiza Angelo Monesi.

— Algumas vezes, ele tem um histórico de ter sido abusado, por isso ele está abusando. Ou tem um histórico de violência familiar. “Já que o mundo não me deu aquilo que eu queria, agora, vou tomar à força aquilo que eu quero”. Estão reproduzindo isso na sociedade. Acham que têm o direito de fazer, porque foram vítimas.

Infraestrutura

Prefeitura prepara obra de R$ 1,2 milhão na Avenida Europa em Campo Grande

Intervenção prevê recuperação de quase 9 mil m² de asfalto e melhorias de acessibilidade; licitação será realizada em 4 de novembro.

16/10/2026 18h17

Imagem aérea mostra equipes e máquinas trabalhando na pavimentação de uma rua de Campo Grande. Prefeitura abriu licitação de R$ 1,16 milhão para recuperar a Avenida Europa.

Imagem aérea mostra equipes e máquinas trabalhando na pavimentação de uma rua de Campo Grande. Prefeitura abriu licitação de R$ 1,16 milhão para recuperar a Avenida Europa. Foto: Divulgação Prefeitura de Campo Grande.

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A Prefeitura de Campo Grande abriu licitação estimada em R$ 1,16 milhão para contratar uma empresa responsável pela recuperação da Avenida Europa, no trecho entre as avenidas Ernesto Geisel e Bandeirantes. O projeto prevê intervenções em aproximadamente 796 metros da via, com recuperação do pavimento asfáltico e melhorias nas condições de acessibilidade.

O aviso foi publicado nesta sexta-feira (16), no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande), a pedido da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep). O processo será conduzido pela Secretaria Especial de Licitações e Contratos (Selc).

Conforme a planilha orçamentária, a intervenção contempla aproximadamente 8,9 mil metros quadrados de recapeamento asfáltico, além de serviços de remoção do pavimento deteriorado, adequações em meios-fios, sarjetas e estruturas de drenagem.

O projeto também prevê trabalhos em cerca de 480 metros quadrados de áreas destinadas a calçadas e rampas de acessibilidade, incluindo a instalação de piso tátil para facilitar a circulação de pessoas com deficiência visual.

A maior parte do investimento estimado será destinada à recuperação do pavimento, com aproximadamente R$ 889 mil previstos para os serviços de asfaltamento.

De acordo com a documentação, o cronograma de execução está distribuído em três etapas, ao longo de 90 dias. Entretanto, ainda não há data definida para o início dos trabalhos, que dependem da conclusão da licitação e da contratação da empresa responsável.

A prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou que a intervenção faz parte das iniciativas destinadas à melhoria da infraestrutura viária da Capital.

"Nosso compromisso é cuidar da infraestrutura da cidade e buscar melhorias que façam a diferença no dia a dia da população. A recuperação da Avenida Europa vai contribuir para oferecer melhores condições de tráfego, mais segurança e conforto para quem passa pelo local", destacou.

Licitação será realizada em novembro

A sessão pública para disputa de preços está marcada para 4 de novembro de 2026, às 7h45. As empresas interessadas poderão encaminhar suas propostas até as 7h44 do mesmo dia.

O procedimento será realizado por meio do Pregão Eletrônico nº 173/2026, com julgamento pelo critério de menor preço.

Após a análise das ofertas e o cumprimento das demais etapas previstas no edital, a Prefeitura poderá formalizar a contratação da vencedora.

O valor de R$ 1,16 milhão corresponde ao orçamento estimado para os serviços e poderá ser reduzido conforme as propostas apresentadas durante a disputa.

 

El niño

Após temporal, Defesa Civil prevê "tempos difíceis" com mudanças climáticas abruptas

Prefeitura afirma que tempestade é resultado do fenômeno El Niño, previsto por meteorologistas como um evento de grande intensidade entre a primavera de 2026 e o verão de 2027

16/10/2026 17h30

Defesa Civil alerta para eventos climáticos extremos devido ao El Niño

Defesa Civil alerta para eventos climáticos extremos devido ao El Niño Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Após as fortes chuvas que caíram em Campo Grande nessa quinta-feira (16) e que causou diversos estragos, principalmente relacionados a transbormamento de córregos e alagamentos, a Defesa Civil Municipal alerta que o cenário para os próximos meses é preocupante.

Conforme dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec), em cerca de 24 horas, choveu quase todo o acumulado registrado em outubro do ano passado.

"Nós vamos ter tempos difíceis agora, mudanças climáticas abruptas", disse o coordenador da Defesa Civil Municipal, Enéas Netto.

Isto porque, conforme o Executivo Municipal, a tempestade é resultado do fenômeno El Niño, previsto por meteorologistas como um evento de grande intensidade entre a primavera de 2026 e o verão de 2027.

Enéas afirmou que o órgão recebeu mais de 50 chamados relacionados ao temporal de quinta-feira e que as equipes estão nas ruas trabalhando no rescaldo.

O coordenador pediu para que a população utilize o número 199, de emergência, para reportar qualquer tipo de situação relacionada às chuvas. Através deste número, a Defesa Civil faz a coordenação, com direcionamento para cada secretaria específica tomar as devidas providências e ações necessárias.

Enéas Netto também pediu para que a população tome medidas preventivas para evitar qualquer ocorrência dutrante as chuvas.

"Orientamos a população, por exemplo, numa situação de advento climático como a que aconteceu ontem, a Defesa Civil pôde presenciar, inclusive, pessoas enfrentando fortes enxurradas, expondo a vida em risco.
Então, a partir do momento que emitir o alerta da Defesa Civil, para que a população respeite e siga as orientações", alertou.

"Tendo a possibilidade de uma chuva maior, de uma ventania e tudo mais, não deixar seus veículos embaixo das árvores, se possível não sair de casa, se tiver que sair, identificando uma situação de ponto de alagamento, não enfrente esse ponto de alagamento, preservando a vida sempre", orientou.

Rescaldo

A Prefeitura de Campo Grande está com equipes nas ruas desde a tarde de quinta-feira, com ações que incluem limpeza e desobstrução de vias, manutenção da drenagem urbana e acompanhamento de pontos de alagamento.

Entre os serviços em andamento estão a limpeza de grades e rebojos, retirada de terra acumulada e a desobstrução de bocas de lobo.

A atuação também envolve o atendimento a famílias afetadas pelas chuvas e o levantamento de possíveis danos em imóveis. 

O balanço geral das ocorrências, dos danos provocados pelo temporal e dos atendimentos realizados está em levantamento pelos órgãos municipais e não foi divulgada até a publicação desta reportagem.

Recorde para o mês

Conforme o Cemtec, nos primeiros 15 dias de outubro de 2026, houve predomínio de acumulados de chuva expressivos e acima da média climatológica mensal em grande parte de Mato Grosso do Sul.

O maior registro de precipitação acumulada em Campo Grande foi de 272,8 mm, valor que representa um excedente de 81% em relação à média esperada para todo o mês de outubro.

A média histórica utilizada para comparação é de 150,6mm, baseada nos dados climatológicos da estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), localizada na Embrapa Gado de Corte, referentes ao período 1981–2010. 

Em todo o Estado, os maiores volumes foram registrados em Itaquiraí (297,8 mm), Paraíso das Águas - Fazenda Ranchinho (294,6 mm), Dourados (290,4 mm), Amambai - Novo Horizonte (281,6 mm), Maracaju (281,2 mm) e Campo Grande (272,8 mm).

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