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Vítimas de alcoolismo se reúnem em Brasília e expõem dramas familiares

Psicólogo João Bezerra, amigo do AA, explica que o primeiro passo para a recuperação é admitir o problema

agencia brasil

06/06/2015 - 16h39
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Comemorando 40 anos de existência, o grupo Al-Anon  (Alcoólicos Anônimos) está reunido neste final de semana em Sobradinho, região administrativa do Distrito Federal, para discutir o tema "Alcoolismo, a Doença da Família". O movimento foi criado por mulheres de alcoólicos para apoiar parentes e amigos de pessoas viciadas em álcool. A reunião ocorre simultaneamente ao Encontro Anual do Alcoólicos Anônimos do DF.

Doença que pode deixar sequelas por toda a vida, o alcoolismo marca não só quem bebe, mas toda uma família. “Eu tinha revolta contra o meu pai e não queria ser igual a ele, queria ser pior do que ele”, relembra a estudante de psicologia Magali*, 45 anos, filha de pai alcoólico. Ela também adquiriu o vício.

Em recuperação, há 4 anos sem beber, Magali conta que começou a ingerir álcool aos 11, pegando bebidas do pai em casa, e que, aos 12, começou a usar drogas. “Eu não tinha amigos no colégio e me escondia”. Na faculdade de enfermagem, ela conta que só conseguia frequentar as aulas sob efeito do álcool, e que, depois de formada, trabalhou muitas vezes alcoolizada. "Tinha dia que eu não conseguia pegar uma veia do paciente se não tivesse bebido, tremia tudo, eu precisava beber", relembra.

Magali desabafa que hoje se sente livre. “Eu não conseguia fazer planos, era tudo naquele momento. Hoje não tenho marido, filhos, vivi a vida toda com a minha mãe, que só conseguia orar por mim. Fiquei com efeitos no corpo e na alma. Eu poderia ser uma pessoa melhor hoje. Tem muita coisa que eu queria ter feito e só agora vejo que eu tirei a oportunidade de mim mesma”, lamenta a estudante. Ela, depois de entrar para o Alcoólicos Anônimos (AA), em 2011, não voltou a ingerir bebida alcoólica.

Hortência*, membro do Al-Anon, programa de apoio a familiares e amigos de alcoólicos, conta que é muito comum os filhos de bebedores seguirem o mesmo vício. “Geralmente, o filho que mais odeia o alcoolismo do pai é o que terá problemas com álcool se não buscar ajuda antes”.

Segundo Arlete*, coordenadora do Al-Anon no Distrito Federal, no grupo as pessoas veem que o alcoolismo é uma doença que atinge toda a família, e que os membros precisam seguir suas vidas, apesar da doença. “Nas reuniões eles vão aprender a conviver com isso. A esposa desesperada vai aprender, por exemplo, que não adianta brigar com o alcoólico na hora que ele chega em casa bêbado, porque ele não vai nem lembrar no outro dia”.

Frequentadora do Al-Anon desde há 16 anos, Maria * é filha e esposa de alcoólico. “Com meu pai eu via que precisava de segurança, mas ele não cuidava nem dele mesmo. Eu acabei ficando muito tímida, reservada, mas sempre queria ser a melhor filha e aluna do mundo para não dar motivos de ele ficar agressivo”, relembra Maria, que começou a perceber que seu pai tinha um comportamento inadequado quando ela tinha 5 anos.

Ela conta que não tinha amigas, não levava colegas em casa e hoje vê que era para tentar esconder o problema. “Ele era duas pessoas, uma muito preocupada com os estudos dos filhos, outra agressiva e sem controle, dominada pela bebida”. Dos cinco irmãos, Maria conta que hoje três sofrem com o alcoolismo, mas ela não bebe.

Já com seis anos de casada, Maria diz que começou a perceber que o marido também tinha o mesmo problema. “No começo ele bebia, mas eu não achava nada demais, era só em festa, ficava alegre, nada que me alertasse. Com mais ou menos seis anos de casamento, ele começou a não voltar para casa, batia o carro com muita frequência e eu comecei a me preocupar”.

Em 1999, no pior período do seu casamento,, quando os filhos eram adolescentes, Maria diz que procurou o Al-Anon. No ano seguinte, o pai buscou o AA e deixou de beber, e, em seguida, em 2003, o marido também se tornou um alcoólico em recuperação. Hoje, ela conta que a relação com os dois é muito boa e que conseguiu superar o alcoolismo, mas só porque todos reconheceram o problema.

O psicólogo João Bezerra, amigo do AA, explica que o primeiro passo para a recuperação é admitir o problema. No caso do usuário, ele precisa reconhecer que é viciado, no caso da família, deve perceber que não pode lidar sozinha com a situação. “Nestes grupos, a experiência de um vai enriquecendo a experiência do outro e a gente sempre lembra que dois ingredientes não podem faltar nessa busca: amor e perdão”.

Mateus, estudante de 18 anos, também é filho de pai alcoólico. “Desde criancinha eu ia ao o AA e aos 11 anos comecei a frequentar o Al-Anon”. Quando Mateus nasceu, seu pai já não bebia mais, mas ele conta que percebia a ameaça velada de o problema voltar. “Eu não bebo, já que acredito que o alcoolismo é hereditário, prefiro não dar o primeiro gole”.

*Os grupos Al-Anon e AA pedem que seus integrantes sejam citados apenas pelo primeiro nome

Violência

Criança de 2 anos morre em ataque a tiros em conveniência na Capital

Atentado no Jardim Noroeste deixou outras três pessoas feridas; quatro suspeitos foram presos horas após o crime

17/05/2026 15h41

Atentado no Jardim Noroeste deixou outras três pessoas feridas; quatro suspeitos foram presos horas após o crime

Atentado no Jardim Noroeste deixou outras três pessoas feridas; quatro suspeitos foram presos horas após o crime Marcelo Victor/Correio do Estado

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Uma madrugada de violência terminou com a morte de uma criança de aproximadamente 2 anos durante um ataque a tiros em uma conveniência no Jardim Noroeste, em Campo Grande, neste domingo (17).

Outras três pessoas ficaram feridas no atentado, entre elas a mãe do menino, um adolescente de 16 anos e um homem. Quatro suspeitos de participação no crime foram presos pelas forças de segurança horas após a ocorrência.

O crime aconteceu na conveniência Prime, localizada na esquina das ruas Indianápolis e Barbacena. Segundo relatos de testemunhas à polícia, dois homens chegaram ao local em uma motocicleta Honda Bros vermelha e o passageiro efetuou diversos disparos contra as pessoas que estavam no estabelecimento.

Durante os tiros, a criança foi baleada e socorrida junto com a mãe, de 41 anos, sendo encaminhada para uma unidade de saúde na região do Bairro Tiradentes.

O menino, no entanto, não resistiu aos ferimentos. A mulher foi atingida no tórax. Já o adolescente ferido ficou com um projétil alojado na cabeça. Até o fechamento desta matéria, o estado de saúde das vítimas não havia sido divulgado.

De acordo com a nota divulgada pela polícia, os atiradores tiveram apoio de ocupantes de uma caminhonete Fiat Toro vermelha, utilizada para dar suporte logístico e auxiliar na fuga.

Testemunhas relataram ainda que o veículo passou diversas vezes em frente à conveniência antes do atentado, monitorando a movimentação no local.

As investigações preliminares apontam que o ataque pode ter sido motivado por uma briga ocorrida anteriormente dentro da conveniência. Conforme a apuração policial, após a confusão, o grupo teria retornado armado ao estabelecimento para cometer o atentado.

Logo após o crime, equipes da Depac Cepol, da Força Tática do 9º Batalhão da Polícia Militar e do Batalhão de Choque iniciaram buscas pela região. Durante as diligências, os policiais localizaram uma Fiat Toro com as mesmas características informadas pelas testemunhas trafegando próximo ao cruzamento das ruas Vaz de Caminha e Evaristo da Veiga.

O motorista tentou fugir da abordagem, mas foi interceptado após acompanhamento tático. A partir da prisão dos ocupantes do veículo e das informações levantadas durante a ocorrência, os policiais conseguiram identificar a participação de cada suspeito no atentado.

Atentado no Jardim Noroeste deixou outras três pessoas feridas; quatro suspeitos foram presos horas após o crimeFoto: Policia Civil.

Segundo a polícia, o homem apontado como autor dos disparos foi localizado escondido em um imóvel na Capital. Durante a abordagem, ele indicou onde havia escondido a arma utilizada no crime, uma pistola Taurus calibre .40, que acabou apreendida.

Além da arma, os policiais apreenderam munições, aparelhos celulares, R$ 440 em dinheiro, a motocicleta utilizada no atentado e os veículos usados na ação criminosa. Os quatro presos têm entre 31 e 42 anos.

Os suspeitos foram autuados por homicídio qualificado com emprego de arma de fogo de uso restrito, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, associação criminosa e desobediência.

A perícia técnica esteve no local realizando os levantamentos necessários e o caso segue sob investigação da Polícia Civil.

Vacinação

Após filas e 2 mil doses esgotadas, drive-thru da gripe é ampliado

Alta procura levou SES a manter vacinação até o dia 24 no Quartel dos Bombeiros, em Campo Grande

17/05/2026 14h52

Alta procura levou SES a manter vacinação até o dia 24 no Quartel dos Bombeiros, em Campo Grande

Alta procura levou SES a manter vacinação até o dia 24 no Quartel dos Bombeiros, em Campo Grande Marcelo Victor/Correio do Estado

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A procura intensa pela vacina contra a gripe fez a Secretaria de Estado de Saúde (SES) manter o drive-thru de imunização neste domingo (17), em Campo Grande, após as 2 mil doses disponibilizadas no primeiro dia da ação se esgotarem antes mesmo do horário previsto.

A estrutura montada no Quartel Central do Corpo de Bombeiros seguirá funcionando até o próximo dia 24 de maio para ampliar a cobertura vacinal contra a influenza no Estado.

Neste domingo, o atendimento ocorre das 7h às 19h para pessoas a partir de 6 meses de idade, tanto para quem chega de carro quanto para pedestres que procuram o posto de imunização.

Em entrevista ao Correio do Estado, o enfermeiro e gerente do drive-thru, Alberth Rangel Alves Brito, explicou que o principal objetivo da campanha é ampliar a cobertura vacinal contra o vírus da influenza em Mato Grosso do Sul.

“O intuito da campanha é imunizar a população contra o vírus da influenza. Essa vacinação acontece em todo o País e aqui no nosso Estado não é diferente”, afirmou.

Segundo Alberth, a campanha já vinha sendo realizada há mais de 30 dias para grupos prioritários, mas recentemente foi ampliada ao público em geral. A expectativa da SES é alcançar até 90% de cobertura vacinal.

“A nossa expectativa é atingir até 90% de toda a população. Esse é o nosso objetivo e estamos caminhando para isso com a realização do drive-thru”, destacou.

O enfermeiro explicou ainda que a estrutura especial no Quartel Central do Corpo de Bombeiros foi montada justamente para facilitar o acesso da população à vacina.

“Começamos ontem e seguimos até quinta-feira aqui no drive dos Bombeiros para auxiliar as pessoas a se vacinarem contra a influenza”, disse.

Durante a entrevista, Alberth também reforçou a importância da imunização neste período de aumento dos casos de doenças respiratórias e queda nas temperaturas.

“A vacina é a prevenção mais eficaz que existe hoje contra o vírus da influenza. É um vírus que acomete crianças, idosos e até adultos, podendo ocasionar hospitalizações e até óbitos quando não há prevenção”, alertou.

Ele ainda fez um apelo para que a população aproveite o período da campanha e procure os postos de vacinação.

“A gente pede para que a população procure uma unidade básica de saúde ou venha até o drive para se imunizar. É importante frisar que estamos aqui por tempo determinado, então é fundamental que as pessoas aproveitem esse momento para garantir a vacinação”, completou.

A intensa movimentação registrada no primeiro dia da ação também revelou um cenário enfrentado pelas unidades de saúde desde o início da campanha: muitas pessoas aptas a receber a vacina desde março ainda não haviam buscado a imunização.

Entre elas está o professor Edvaldo Engelotti, que aproveitou a estrutura do drive-thru para se vacinar acompanhado de familiares. Segundo ele, a divulgação pelas redes sociais e a praticidade do atendimento foram decisivas para procurar o local.

Alta procura levou SES a manter vacinação até o dia 24 no Quartel dos Bombeiros, em Campo GrandeA População aproveitou o domingo para se vacinar contra a gripe no drive-thru.

“Vi a divulgação nas redes sociais e achei importante aproveitar. A vacina é essencial para prevenção, principalmente depois de tudo o que a população enfrentou durante a pandemia”, afirmou.

Ainda conforme a SES, Mato Grosso do Sul segue entre os estados com melhores índices de vacinação do País, mas a cobertura contra a gripe ainda está abaixo da meta estipulada pelo Ministério da Saúde. O Estado já recebeu cerca de 800 mil doses e aguarda novas remessas para ampliar a campanha.

O drive-thru funciona no Quartel Central do Corpo de Bombeiros, na Rua 14 de Julho. Durante a semana, o atendimento será das 17h30 às 21h. Aos fins de semana, das 7h às 19h.

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