Cidades

TRISTEZA

Vítimas de tragédia iriam para festa de aniversário e eram acostumadas a viajar juntas

As quatro jovens, de 28 e 29 anos, que morreram ontem à noite na saída de Campo Grande para Cuiabá eram aguardadas em festa numa chácara em Rio Verde

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As quatro amigas que morreram no trágico acidente ontem à noite na BR-163, na saída de Campo Grande para Cuiabá, estavam a caminho de uma festa de aniversário na cidade de Rio Verde de Mato Grosso e eram acostumadas a viajar juntas nos finais de semana para várias regiões do interior do Estado. 

As informações foram repassadas durante o velório de Kaena Guilhen Fernandes, na Pax Nacional do bairro Moreninhas, região sul de Campo Grande. “O pessoal de Rio Verde estava todo mundo esperando a chegada delas para começar a festa organizada para acontecer numa chácara”, relatou um dos primeiros amigos que chegou ao velório da jovem.

A viagem, de pouco mais de 200 quilômetros até a cidade que tem vários atrativos turísticos, duraria cerca de duas horas e meia e a colisão com a caminhonete aconteceu por volta das 20:30, a cerca de dez quilômetros depois do Shopping Bosque dos Ipês.

O amigo também garantiu que as cinco jovens (uma delas sobreviveu), eram amigas de longa data porque estudaram ou trabalharam juntas em algum momento e que tinham experiência em dirigir em rodovia. “Gostavam muito de ir para balneários ou festas em diferentes regiões”, relatou

Kaena trabalhava como atendente de um consultório de Psicologia e tinha o sonho de se formar na profissão. Começou o curso de Psicologia há alguns anos, chegou a trancar a matrícula, mas atualmente estava estudando novamente, conforme familiares. 

A última publicação de Kaena nas redes sociais foi com amigas de uma igreja que frequentava. “Filha única, ela era muito religiosa, muito dedicada à proteção dos animais e vivia em função dos cuidados que tinha com a mãe, que tem alguma necessidade especial”, relatou um amigo dela durante o velório. 

Outra vítima do trágico acidente, a engenheira civil Carolina Peixoto dos Santos trabalhava no Governo do Estado desde 2019. 

O Escritório divulgou nota dizendo que “a lembrança deixada por Carol é de uma mulher apaixonada pela profissão, por viagens, pelos amigos que a rodeavam e pelas pequenas alegrias diárias. A secretária especial Eliane Detoni, em nome de todos os servidores do Escritório de Parcerias Estratégicas, se solidariza com a imensa dor da família e dos amigos neste momento tão difícil. O Governo do Estado de Mato Grosso do Sul perde uma excelente e comprometida profissional. Nós, do Escritório de Parcerias Estratégicas, perdemos uma profissional e uma grande amiga.” 

O velório de Carolina foi marcado para começar às 13 horas, no cemitério Parque das Primaveras, no bairro Pioneiros, onde também acontece o sepultamento. As outras duas vítimas estão sendo veladas desde o final da manhã e serão sepultadas no cemitério Jardim das Palmeiras, na Avenida Tamandaré.

Letícia de Mello da Silva era bancária e Lais Moriningo Paim trabalhava como administradora de uma empresa de locação de caçambas de Campo Grande. A quinta ocupante do Argo foi socorrida e levada para a Santa Casa. A assessoria do hospital não informou o estado de saúde da jovem, mas os socorristas que levaram ao hospital informaram que os ferimentos eram graves. 

Conforme levantamento inicial da Polícia Rodoviária Federal, o carro em que estavam as cindo mulheres, de 28 e 29 anos, estaria fazendo uma ultrapassagem num local de faixa contínua e acabou batendo de frente com uma caminhonete Hilux. O motorista do utilitário sofreu ferimentos leves e também foi levado para a Santa Casa. 

As quatro jovens estavam num Fiat Argo que bateu de frente com uma caminhonete no KM 501 da BR-163

migração ilegal

Criminosos que atravessavam haitianos ilegalmente de Corumbá para a Bolívia são condenados

Os chamados coiotes cobravam valores abusivos para levar migrantes de forma ilegal ao país vizinho através de travessia clandestina

05/06/2026 17h30

Criminosos articulavam um esquema de travessia de haitianos pelo local conhecido como

Criminosos articulavam um esquema de travessia de haitianos pelo local conhecido como "Trilha do Gaúcho" Foto: Divulgação / PF

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A 1ª Vara Federal de Corumbá condenou oito pessoas por participação em um esquema criminoso que promovia a migração ilegal, através da travessia de estrangeiros, principalmente haitianos, na fronteira do Brasil com a Bolívia. As penas variam de três a 11 anos de prisão.

Conforme a Justiça Federal, o grupo criminoso atuou entre outubro e dezembro de 2021, transportando os estrangeiros de forma clandestino para o país vizinho de Mato Grosso do Sul, visando lucro, em ações coordenadas e repetidas, caracterizando crime continuado.

Os acusados foram presos em dezembro de 2021, durante a Operação Fom'Ale II, deflagrada pela Polícia Federal. Na ocasião foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e oito de busca e apreensão.

Conforme reportagem do Correio do Estado, a investigação que levou a prisão do grupo detectou que os criminosos articulavam um esquema de travessia de haitianos pelo local conhecido como “Trilha do Gaúcho”, na divisa do Brasil com a Bolívia.

Nos períodos da manhã e noite, os criminosos, que atuavam como coiotes, buscavam meios de atravessar ilegalmente os migrantes, entre eles diversas crianças e mulheres grávidas, sempre exigindo dinheiro para tal fim.

Já dentro da trilha, os estrangeiros eram auxiliados por “carregadores” bolivianos, que tinham a função de mostrar o percurso até a Bolívia, além de prestar apoio no transporte das malas dos haitianos, mediante o pagamento de valores abusivos.

O esquema tinha divisão de tarefas: alguns integrantes captavam migrantes na rodoviária, outros faziam o transporte até casas de passagem e a fronteira, enquanto havia responsáveis por hospedagem e articulação com atravessadores bolivianos. 

As investigações indicaram que os migrantes pagavam valores que chegavam a 150 dólares por pessoa para a travessia ilegal.

Em ocasiões em que os “coiotes” foram acompanhados pelos policiais, foi possível observar que, ao menos uma vez, cidadãos haitianos foram abandonados no meio da rua, após os criminosos perceberem a aproximação da polícia.

O Ministério Público Federal (MPF) ofereceu denúncia contra oito investigados, imputando-lhes os crimes de promoção de migração ilegal e organização criminosa.

Sentença

O juiz federal substituto, Rubens Petrucci Junior, ao julgar o processo, enfatizou que a prática envolvia “exploração econômica sistemática de migrantes em situação de máxima vulnerabilidade”, além de riscos impostos durante travessias clandestinas. 

“A atividade cruzava sistematicamente a fronteira Brasil-Bolívia, com acordos e pagamentos envolvendo bolivianos e operações até o Chile”, registrou o magistrado na sentença. 

O conjunto de provas, que incluem depoimentos, monitoramentos e dados de celulares, demonstrou, segundo o juiz federal, a atuação coordenada do grupo, resultando na condenação dos investigados pelos crimes de promoção de migração ilegal e integração em organização criminosa, nos termos da denúncia.

Investigação

Cemitério de MS entra na mira do MP por superlotação e armazenamento de ossos irregular

Denúncia de moradores afirma que o Cemitério chegou a realizar a exumação dos ossos de um familiar e não sabiam o paradeiro da ossada

05/06/2026 17h15

No local, foram encontradas ossadas humanas sem registro eficaz

No local, foram encontradas ossadas humanas sem registro eficaz Divulgação/MPMS

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) abriu uma investigação contra o Cemitério Público Municipal de Naviraí para apurar irregularidades no funcionamento. 

Entre as denúncias, a investigação foca em falhas na realização de exumações, controle administrativo ineficaz ou inexistente e possíveis violações à dignidade humana. 

A motivação do inquérito foi o relato de moradores do município, localizado a aproximadamente 350 quilômetros de Campo Grande, que afirmaram que encontraram túmulos abertos quando foram ao local sepultar familiares. 

Em um dos casos, teria acontecido a exumação dos restos mortais de um dos mortos sem a comunicação prévia à família e sem informação precisa a respeito do local exato do armazenamento dos ossos. Na tumba do familiar morto, estaria sepultada outra pessoa, que não teria relação alguma com a família.

Durante a visita do MP ao local, foram constatados vários problemas, como a ausência de registros confiáveis, a inexistência de um sistema eficiente de controle, além do armazenamento inadequado de ossadas, inclusive sem identificação. 

Foram encontrados, ainda, ossos humanos mantidos de forma irregular no ossuário, contrariando normal legais e princípios básicos de respeito à dignidade da pessoa humana. 

A investigação também identificou uma possíbel superlotação no cemitério, com indícios da utilização irregular de áreas de circulação comum para novos sepultamentos. 

O desenterramento de restos mortais deve seguir critérios estabelecidos pela legislação municipal, além da realização do registro detalhado de todas as movimentações do corpo. 

Segundo o MPMS, isso não vinha sendo cumprido no estabelecimento público. 

Diante da gravidade dos fatos, o Ministério Público instaurou inquérito civil e requisitou a abertura de investigação policial para apurar possíveis crimes de violação de sepultura e ocultação de cadáver. 

Em resposta, o município de Naviraí apresentou ao MP informações sobre medidos para reorganização do serviço, como a implantação de um sistema informatizado para controle e revisão de processos internos. 

No entanto, de acordo com o MP, o próprio levantamento reconhece falhas em gestões anteriores e lacunas nos registros de exumações.

"Mais do que uma questão administrativa, o funcionamento adequado de um cemitério envolve direitos fundamentais, como o respeito à memória dos falecidos e o direito das famílias de saber o destino de seus entes queridos. Ao conduzir a investigação, o MPMS reforça seu papel na defesa da cidadania, da dignidade humana e do interesse coletivo", afirmou o Ministério Público em nota. 

No local, foram encontradas ossadas humanas sem registro eficazFonte: Reprodução MPMS

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