Correio B

Correio B

20% dos brasileiros dormem menos de 6 horas e 31,7% têm sintomas de insônia, revela Vigitel

A frequência de duração curta de sono é maior entre aqueles com 65 anos ou mais (23,1%) e é particularmente alta entre mulheres sem instrução ou com o ensino fundamental incompleto (29%)

Continue lendo...

O Ministério da Saúde divulgou nesta quarta-feira, 28, os resultados do Vigitel 2025, com informações sobre a prevalência de diabetes e hipertensão no País, e dados sobre hábitos alimentares e de prática de exercícios. Pela primeira vez, o estudo traça também um panorama do sono dos brasileiros.

Os dados mostram que 20,2% dos moradores das capitais dormem menos de seis horas por noite (21,3% entre mulheres e 18,9% entre homens). A frequência de duração curta de sono é maior entre aqueles com 65 anos ou mais (23,1%) e é particularmente alta entre mulheres sem instrução ou com o ensino fundamental incompleto (29%).

Considerando as diferentes localidades, um em cada cinco adultos (18 anos ou mais) da capital paulista (20,9%) dorme menos de seis horas por noite. A taxa é semelhante em capitais como Aracaju (20,9%), Fortaleza (20,6%), João Pessoa (20,2%) e Manaus (21%). Maceió lidera a lista, com 24,8%, e Campo Grande apresenta a menor taxa, 14,8%.

As informações do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) também revelam que 31,7% dos adultos residentes nas capitais apresentam ao menos um sintoma de insônia e reforçam que a questão é mais frequente no sexo feminino (36,2%) do que no masculino (26,2%). Em São Paulo, o problema foi relatado por 28% dos homens e 34% das mulheres; no Rio de Janeiro, por 26% e 37%, respectivamente, e, em Belo Horizonte, por 22% e 36%. Em Maceió, 46% das mulheres relatam ao menos um sintoma de insônia

Obesidade, diabetes e hipertensão

De acordo com o levantamento, a prevalência de excesso de peso em adultos brasileiros aumentou de 42,6%, em 2006, para 62,6%, em 2024.

No mesmo período, os casos de obesidade cresceram 118%, de 11,8% para 25,7%. Desde o início da série histórica, as mulheres apresentam maior prevalência da doença do que os homens, com crescimento de 12,1% para 26,7%.

O relatório também aponta que, entre 2006 e 2024, a prevalência de diabetes entre adultos aumentou 153%, passando de 5,5% para 12,9%. Entre as mulheres, a taxa é de 14,3% e, entre os homens, 11,2%. Entre os idosos com 65 anos ou mais, três em cada dez (31,4%) têm o diagnóstico.

Segundo o documento, entre os adultos com a doença, 81,3% fazem tratamento medicamentoso - em 2023, eram 84,7%.

Já a prevalência de hipertensão arterial aumentou de 22,6% em 2006 para 29,7% em 2024. Ela é maior entre as mulheres (31,7%, contra 27,4% nos homens), entre idosos com 65 anos ou mais (60,2%) e pessoas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto (49,8%).

Alimentação e exercício físico

A ingestão de frutas e hortaliças em cinco dias por semana ou mais, o chamado consumo regular, variou de 33%, em 2008, para 31,4%, em 2024. Entre pessoas com ensino médio incompleto, houve queda de 30,2%, em 2019, para 25,7%, em 2024.

Em relação ao consumo adequado, ou seja, cinco ou mais porções diárias de frutas e hortaliças, apenas 21% dos brasileiros atingiram a recomendação em 2024, percentual semelhante ao observado em 2008 (20%). Entre adultos sem instrução ou com ensino fundamental incompleto, o consumo adequado foi de 15,4%, enquanto entre aqueles com ensino superior completo chegou a 30%

Quanto aos ultraprocessados, o levantamento mostra que o consumo de refrigerantes ou sucos artificiais em cinco dias da semana ou mais caiu de 30,9%, em 2007, para 16,2%, em 2024. Já o consumo de cinco ou mais produtos ultraprocessados no dia anterior à entrevista atingiu 32,6% em Porto Alegre, o maior percentual entre as capitais, enquanto São Luís registrou o menor índice, com 18%.

A prática de ao menos 150 minutos semanais de atividade física moderada aumentou de 30,3%, em 2009, para 42,3%, em 2024, embora com disparidades importantes: 47,7% entre os homens e 37,9% entre as mulheres. Por outro lado, a atividade física no deslocamento para o trabalho ou escola caiu de 17% para 11,3% no mesmo período.

Novo programa do Ministério da Saúde

O relatório foi apresentado durante o lançamento de uma nova estratégia do Ministério da Saúde para a prevenção de doenças crônicas e a promoção da qualidade de vida, o programa Viva Mais Brasil. Segundo a pasta, serão investidos R$ 340 milhões em políticas de promoção da saúde.

O programa foca em iniciativas de incentivo à atividade física, alimentação saudável, redução do tabagismo e do consumo de álcool, diminuição das doenças crônicas e ampliação da vacinação no País.

"Queremos reforçar e criar, com o Viva Mais Brasil, um verdadeiro movimento que reúna a população, as mais de 100 mil equipes da atenção primária espalhadas pelo País e outras áreas do governo em prol de mais qualidade de vida", afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

CAMPO GRANDE

Carnaval 2026 promete atrair 130 mil pessoas e movimentar R$ 25 milhões

Além da Esplanada Ferroviária, 20 mil pessoas são esperadas, por noite, nos desfiles das escolas de samba na Praça do Papa

28/01/2026 11h30

Marcelo Miranda, secretário de Cultura de MS

Marcelo Miranda, secretário de Cultura de MS MARCELO VICTOR

Continue Lendo...

Carnaval 2026 está chegando: faltam 17 dias para folia, bloquinhos, cordões, glitter, axé, samba, fantasia e marchinhas.

De acordo com o secretário de Cultura de Mato Grosso do Sul, Marcelo Miranda, 130 mil foliões são esperados, de 14 a 17 de fevereiro de 2026, entre 15h e 23h, na Esplanada Ferroviária, durante o Carnaval, em bloquinhos de rua localizados na avenida Calógeras, em Campo Grande. A entrada é gratuita.

Os blocos mais tradicionais são Calcinha Molhada, Capivara Blasé, Cordão Valu, As Depravadas, Reggae, Barra da Saia, Êita, Farofolia, entre outros.

Além disso, 20 mil pessoas são esperadas, por noite, nos dias 16 e 17 de fevereiro, às 19h, nos desfiles das escolas de samba da Praça do Papa, localizada no quadrilátero das ruas Alfredo Scaff, Zákia Nahas Siufi, Américo Marques e Crisântemos. A entrada é gratuita.

As escolas de samba mais tradicionais são Unidos do Aero Rancho, Vila Carvalho, Deixa Falar, Vai Vai, Cinderela José Abrahão, Igreja, Catedráticos, Unidos do Cruzeiro, entre outros.

O Carnaval 2026 terá três pontos de folia em Campo Grande: Esplanada Ferroviária, Praça do Papa e Praça Aquidauana.

Segundo Miranda, O Carnaval de Campo Grande recebeu verba de R$ 2,4 milhões do Governo de MS, destinado à ligas de escolas de samba e bloquinhos.

A festa popular promete movimentar R$ 25 milhões na economia nos ramos de bares, restaurantes, hotéis, comércio, lojas, serviços, turismo e empregos temporários.

Guarda Civil Metropolitana (GCM) e Polícia Militar (PMMS) estão responsáveis pela segurança do local, com 180 policiais por noite. O efetivo diário da GCM não foi divulgado.

Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MS) e Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) estão responsáveis pelo organização do trânsito e fechamento de ruas no quadrilátero da Praça do Papa, Praça Aquidauana e Esplanada Ferroviária.

Corpo de Bombeiros Militar (CBMMS), Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e médicos e enfermeiros da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) prestarão socorro à quem precisar no local.

Neste ano, haverá o Camarote da Rodada, espaço exclusivo para quem não consome bebida alcoólica.

Objetos cortantes, armas, explosivos e vidros estão proibidos de entrarem na área carnavalesca. Gelo (raspado e em cubos) e cooler são permitidos.

Carnaval é formado por um conjunto de força e trabalho de vários órgãos e entidades que fazem a festa acontecer. Confira:

• Bloquinhos (Bloco Reggae, Bloco as Depravadas, Cordão Valu, Capivara Blasé)

• Escolas de samba

• Sesau

• Policia Militar

• Bombeiro Militar

• SAMU

• Cruz Vermelha

• Guarda Civil Metropolitana

• DETRAN

• Defensoria Pública

• Tribunal de Justiça

• Fundação de Cultura de MS

• Prefeitura de Campo Grande

• Governo de MS

Confira a programação do Carnaval de rua em Campo Grande:

7 de fevereiro

  • 9h - Bloco As Depravadas – Bar do Zé (Barão do Rio Branco, 1213)
  • 15h - Bloco Nada Sobre Nós Sem Nós – Arena do Horto Florestal (Av. Fábio Zahran, 316)
  • 16h - Bloco Calcinha Molhada – Praça Aquidauana (Rua Aquidauana, 28)

8 de fevereiro

  • 15h - Farofa com Dendê – Monumento Maria Fumaça, na Esplanada Ferroviária
  • 16h - Bloco de Laricas - Orla Ferroviária, Avenida Noroeste

12 de fevereiro

  • 20h - Bloco Evoé Baco - Rua Antônio Maria Coelho, com 14 de julho

13 de fevereiro

  • 15h - Bloco do Reggae – Monumento Maria Fumaça
  • 16h - Bloco Farofolia – Esplanada Ferroviária (Rua Dr. Temístocles, 103)
  • 16h - Bloco Só Love – Esplanada Ferroviária (Rua General Melo, 91)

14 de fevereiro

  • 15h - Bloco do Reggae – Monumento Maria Fumaça
  • 15h - Cordão Valu – Esplanada Ferroviária
  • 16h - Bloco Ipa Lê Lê – Avenida Mato Grosso, 68
  • 9h às 14h - Bloco Acorda o Galo - Morada dos Bais

15 de fevereiro

  • 14h - Bloco Capivara Blasé – Esplanada Ferroviária

16 de fevereiro

  • 14h - Bloco Capivara Blasé – Esplanada Ferroviária
  • 15h - Cia Barra de Saia - Orla Morena (voltado para mulheres, mães e crianças)
  • 16h - Bloco Ipa Lê Lê – Avenida Mato Grosso, 68
  • 16h - Bloco Subaquera – Rua Abdala Roderbourg, 692, Vila Margarida

17 de fevereiro

  • 15h - Cordão Valu – Esplanada Ferroviária

21 de fevereiro

  • 14h - Bloco Eita! – Monumento Maria Fumaça
  • 17h - Bloco dos Forrozeiros MS – Esplanada Ferroviária (Rua Dr. Temístocles)

COMPORTAMENTO

Lançamento da primeira Barbie com transtorno do espectro autista reacende debate sobre inclusão

Lançamento da primeira Barbie com transtorno do espectro autista (TEA) reacende debate sobre inclusão e representatividade, provocando uma reflexão sobre o papel dos brinquedos para as crianças e toda a sociedade

28/01/2026 10h00

Muito mais que loira: a Barbie autista chega para acrescentar mais uma versão para a galeria de mais de 170 bonecas, desde 1959

Muito mais que loira: a Barbie autista chega para acrescentar mais uma versão para a galeria de mais de 170 bonecas, desde 1959 Divulgação

Continue Lendo...

Durante décadas, brinquedos ajudaram a contar para as crianças quem elas poderiam ser. Bonecas, em especial, sempre funcionaram como espelhos simbólicos da infância, ainda que para muitas meninas esse reflexo nunca tenha parecido com a própria realidade. Criada pela norte-americana Ruth Handler (1916-2002), a Barbie surgiu em 1959 e logo se tornou ícone da beleza feminina, loira e linda.

Mas, ao longo de décadas, a conjunção entre as mudanças comportamentais e um afiado faro de marketing levou a boneca a ter mais de 175 versões, assumindo diferentes tons de pele, tipos de cabelo e corpos. Até contemplar o politicamente correto, a partir da Barbie negra, em 1980. O engajamento se intensificou mais recentemente. Em 2023, foi lançada a primeira Barbie com Síndrome de Down. Em 2024, surgiu a primeira com deficiência visual. Em 2025, inspiradas em brasileiras, vieram as bonecas PCDs da consagrada linha.

É por isso que o recente lançamento da primeira Barbie com transtorno do espectro do autista (TEA), pela Mattel, vem provocando uma discussão que vai muito além do universo dos brinquedos, pois toca diretamente em temas como pertencimento, identidade, desenvolvimento emocional e representatividade na infância.

Já disponível no mercado norte-americano, ou em todo o mundo pelo comércio eletrônico, a Barbie autista foi anunciada pelo marketing brasileiro da fabricante há duas semanas e tem previsão de chegar às prateleiras em julho, com preço em torno de R$ 120. Ao trazer uma boneca pensada para refletir experiências comuns a pessoas no espectro, o lançamento reacende um debate fundamental sobre o quanto ver a si mesma representada influencia a forma como uma criança constrói sua autoestima e sua relação com o mundo.

Muito mais que loira: a Barbie autista chega para acrescentar mais uma versão para a galeria de mais de 170 bonecas, desde 1959Nova boneca tem tablet com aplicativo de comunicação aumentativa e alternativa (CAA), fones de ouvido cor-de-rosa antirruído, fidget spinner (ferramenta sensorial terapêutica) e vestuário sensível ao toque

AUSÊNCIA DE ESPELHO

Para meninas com TEA, historicamente sub-representadas tanto nos diagnósticos quanto nas narrativas culturais, esse gesto simbólico pode ganhar ainda mais relevância. Essa ausência de espelhos na infância é algo vivido na prática por muitas mulheres que só receberam o diagnóstico na vida adulta. É o caso da psicopedagoga Fabiana (nome fictício), de 27 anos, que descobriu ser autista tardiamente.

“Recebi o diagnóstico de TEA tardiamente, e acredito que a falta de conhecimento sobre autismo foi um dos principais fatores para isso. Enquanto minha mãe buscava respostas, ninguém pensava que pessoas com TEA poderiam circular por aí, em meio aos neurotípicos”, afirma.

Ela constata que comportamentos atualmente reconhecidos como características do espectro sempre estiveram presentes, mas foram interpretados de forma equivocada. “Eu, assim como outras meninas autistas, era apenas ‘fresca’, ‘problemática’, ‘esquisita’. As hipersensibilidades, a dificuldade de fazer contato visual, o deficit nas interações sociais. Sempre esteve tudo ali. Mas não havia informação suficiente, muito menos representatividade”, diz Fabiana.

RÓTULO OU VALIDAÇÃO?

Para a psicóloga Isabella Roque, especialista em neurodesenvolvimento, relatos como esse ajudam a dimensionar a importância de iniciativas simbólicas na infância. “A infância é um período em que as crianças estão constantemente buscando referências para entender quem são e como pertencem ao mundo”, afirma.

“Quando uma menina com autismo não se vê representada em histórias, personagens ou brinquedos, a mensagem implícita pode ser a de que há algo de errado com ela. A representatividade funciona como um fator de validação emocional, não como um rótulo”, explica a psicóloga.

A especialista destaca que meninas com TEA, muitas vezes, aprendem desde cedo a mascarar comportamentos para se adaptar socialmente, o que pode atrasar diagnósticos e gerar sofrimento emocional ao longo da vida. “Quando falamos de representatividade, estamos falando também de visibilidade, de escuta e de reconhecimento dessas vivências”, afirma Isabella.

MAIS AUTONOMIA

Do ponto de vista de quem vive o espectro, a representatividade também está diretamente ligada à possibilidade de um diagnóstico mais precoce e a uma vida com mais autonomia. “A intervenção precoce é o melhor caminho para uma vida com maior independência. E a melhor forma de construir um mundo menos capacitista é ensinando desde cedo que pessoas podem ser diferentes”, ressalta Fabiana.

Isabella reforça que é fundamental compreender que o espectro autista é amplo e diverso, e que nenhuma representação será capaz de abarcar todas as experiências possíveis. Ainda assim, ela destaca o valor simbólico da iniciativa. “Não se trata de dizer ‘é assim que toda pessoa autista é’, mas de afirmar que pessoas autistas existem, são diversas e merecem ser vistas desde a infância. A representatividade não simplifica o espectro, ela inaugura o diálogo”, complementa.

EMPATIA E EDUCAÇÃO

Fabiana chama atenção para o impacto educativo desses símbolos, tanto para crianças autistas quanto neurotípicas. “Como profissional da psicopedagogia, vejo esses brinquedos como um recurso lúdico de ensino sobre diferenças e respeito. Como mulher autista, vejo essa Barbie, sim, como uma forma importante de representatividade”, afirma.

O debate convida pais, cuidadores e educadores a refletirem sobre como pequenas escolhas do cotidiano, como os brinquedos oferecidos às crianças, podem contribuir para uma educação mais empática e inclusiva.

“Quando uma criança neurotípica brinca com uma boneca que traz características diferentes das suas, ela aprende, de forma natural, que a diversidade faz parte da vida”, destaca a psicóloga Isabella Roque.

Para a especialista, que atua em uma instituição de acolhimento e educação para crianças e adolescentes neurodivergentes, a Barbie autista se insere em um movimento mais amplo de revisão das narrativas sobre infância, saúde mental e neurodiversidade. Esse movimento lembra que inclusão não começa apenas em políticas públicas ou diagnósticos, mas também nos símbolos, nas histórias e nos espelhos que oferecemos às crianças desde cedo.

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).