Correio B

Diálogo

A maioria dos partidos políticos em Mato Grosso do Sul está vivendo a fas... Leia na coluna de hoje

Confira a coluna Diálogo desta quarta-feira (14)

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Honoré de Balzac - escritor francês

A igualdade pode ser um direito, mas não há poder sobre a Terra capaz de a tornar um fato”.

Felpuda

A maioria dos partidos políticos em Mato Grosso do Sul está vivendo a fase do “copo com água pela metade” no que se relaciona à formação de chapas proporcionais (estadual e federal): não se sabe se estão “quase cheias” ou “quase vazias”. O que existe são narrativas. A realidade é que muitos são os pretendentes, porém alguns estão raquíticos de potencial de votos. As lideranças das legendas pisam em ovos para que o “copo” não transborde, mas de rancor dos preteridos. Na política, parceiro deixado de lado por ser fraco eleitoralmente veste armadura de feroz inimigo. E dê-lhe!

Articulação

O futuro político do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, Gerson Claro (PP) ainda é uma incógnita. O parlamentar vem fazendo articulações para ser o nome do partido para disputar uma das vagas ao Senado.

Mais

Gerson Claro é defensor do lançamento pela legenda de um candidato para o Senado, mesmo com o partido ocupando o governo, que pretende mantê-lo, buscando a reeleição do governador Eduardo Riedel. Caso não consiga se viabilizar, ele deverá disputar a reeleição.

Rumilda Siqueira e Ana Beatriz

 

José Olympio Pereira e Andrea Pereira

Sonho meu...

Com exceção de apenas dois parlamentares que pretendem disputar uma das cadeiras da Câmara dos Deputados, os demais 22 deverão buscar a reeleição em MS. Alguns, inclusive, estão dispostos a mudar de partido, como o deputado José Teixeira, que está de “malas prontas” para deixar o ninho tucano e se filiar ao PL. Nos bastidores, conversa é que, se reeleito, pretende concretizar um sonho: se viabilizar para ser presidente do Legislativo estadual.

No ar

O presidente nacional do PL, Waldemar da Costa Neto, continua “aterrorizando” os que pretendem disputar o Senado pelo partido. Ele dá como “martelo batido” o acordo feito em Brasília para a reeleição de Eduardo Riedel e as duas vagas para o Senado destinadas ao ex-governador Azambuja, presidente estadual da legenda, e ao ex-deputado estadual Capitão Contar. Como a eleição é em MS e não em Brasília, o jogo ainda não está encerrado...

Sem efeito

O Ministério Público em Cassilândia recomendou à prefeitura que anule imediatamente o edital de processo seletivo simplificado destinado à contratação temporária de professores e assistentes de apoio educacional. De acordo com o levantamento feito, houve falha grave no cronograma de publicidade. Embora o planejamento previsse a publicação do edital em 30 de dezembro de 2025, o documento só foi oficialmente divulgado no Diário Municipal em 5 de janeiro deste ano. Portanto...

ANIVERSARIANTES

  • Antônio Mendes Canale Filho,
  • Vitória Gabriela Gregório da Silva Vilas Boas,
  • Mônica de Souza Ribeiro,
  • Cristiane Ruiz Ilgenfritz,
  • Nicole do Amaral Nunes,
  • Abadia Rosa de Lima Ocampos,
  • Dandara Marques Mendes,
  • Albertoni Martins da Silva,
  • Ana Maria Gutierres,
  • José Hagimo Miyashiro,
  • Messias Neves,
  • Leirton Faustino Nogueira,
  • Maria Regina de Miranda Nascimento,
  • Orivaldo Gonsalves de Almeida,
  • Wilmar Souza Fortaleza,
  • Fernando Rodolfo Toledo,
  • João Federige da Silva,
  • Jocson Albino da Silva,
  • Ari Marcos Estivaldo,
  • Elza Maria de Oliveira Pereira,
  • Nolis Vieira Neto da Silveira,
  • Dr. Benedito Leal de Oliveira,
  • Oscar Pitthan Freire,
  • Ari Passos,
  • João Felix Peralta,
  • Paulo Sérgio Mackert de Lima,
  • Júlio César de Souza,
  • Anderson Leão Vargas Vieira,
  • Ana Carolina Brito Curado,
  • Raul Odemar Pitthan,
  • Cláudia Elaine Novaes Assumpção Paniago,
  • Adão Francisco Novais,
  • Jaime Gutierres Jacob,
  • Antônio Ferreira da Silva,
  • Nair Branti,
  • Marcelo de Oliveira Aguiar,
  • Rogers Alvarenga Santullo,
  • Felix Olazar,
  • Lineu Breno Paniz,
  • Rodolfo Rossi Neto,
  • Joaquim da Silva Caisceta,
  • Maria Helena Cordeiro,
  • Antônio João Vieira,
  • Dennis Stanislaw Mendonca Thomazini,
  • Dr. Márcio Reis da Costa,
  • Dra. Patrícia Rubini,
  • William Barbosa Cardoso,
  • Olivier Medeiros,
  • Thiago Alves Ribeiro,
  • João Carlos Silva Gomes,
  • Paula Lopes Silveira,
  • Tereza Cristina Fontoura,
  • Joaquina Pereira,
  • Humberto Carlos da Silva,
  • Eliane Machado Gonçalves,
  • Vivianne Lins Cardoso,
  • Selmira Fritsch Rodrigues,
  • Ione Korb Jarczewski,
  • Amilkar Herrera Virreira,
  • Irene Simão Cardozo,
  • Selma de Araújo,
  • José Carlos Bresciani,
  • Aurélio Aguiar Fortes,
  • Maria Cristina Alves Machado,
  • Jurandir Saraiva Júnior,
  • Christyane Pimentel Castro de Oliveira Lima,
  • José Antonio Pacolla Filho,
  • Ilda Gonçalves Ruiz,
  • Camilo Kettenhuber Cavalheiro,
  • Manoel Pereira de Souza Filho,
  • Cassio Azevedo de Carvalho Ferreira,
  • Tamas Peter Battonyai,
  • Valderice Volpato Porto,
  • Hilton Cassiano da Silva Filho,
  • Lucilene Guedes Soares,
  • Stela Renata Henrique,
  • Antonio Flávio Rocha de Oliveira,
  • Danielle de Castro Oliveira,
  • Gislaine Nunes Machado Queiroz,
  • Theodoro Huber Silva,
  • Teresa Cristina Nunes Batista,
  • João Lúcio Costa,
  • Maria Lima de Almeida.
  • Larissa Lima,
  • Eliane Menezes,
  • Lúcia dos Santos Lima,
  • Rogério Luiz Pompermaier,
  • José Paulo Ribeiro,
  • Alice Pereira Mendes,
  • Ademar de Freitas,
  • Cristina de Carvalho Sá,
  • José Márcio Rodrigues,
  • Michelle Camargo,
  • Maria Rita Nogueira,
  • Esther Moreira Souza,
  • Semiramis Silva,
  • Lorena Oliveira Vieira,
  • Vanderley Souza Pires,
  • Mário de Paula Santos,
  • Sarita Gonçalves,
  • Paulo Souto de Lima,
  • Lúcio da Silva Vieira,
  • Leilane Alves Lima,
  • Corina Oliveira,
  • Paula Almeida,
  • Ana Lúcia Alves Correia.

*Colaborou Tatyane Gameiro

 

Diálogo

Políticos que já foram campeões de votos em Mato Grosso do Sul, receberam... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quinta-feira (15)

15/10/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Theodore Roosevelt - Estadista americano

"A justiça não consiste em ser neutro entre o certo e o errado, mas em descobrir o certo e sustentá-lo, onde quer que ele se encontre, contra o errado".

FELPUDA 

Políticos que já foram campeões de votos em Mato Grosso do Sul, receberam, sem dó nem piedade, cartões vermelhos dos eleitores. Um deles já chegou a ter mais de 100 mil votos para ficar "de boa" no Congresso, em Brasília, mas nas eleições deste ano o que recebeu dos eleitores, dá até vergonha de falar. Outro, considerado líder de expressão, com vários mandatos, foi colocado para fora pelo eleitor. Como diria vovó, citando famoso provérbio: "Um dia da caça, outro do caçador". Como nada é para sempre... 

Apoio

O governador Eduardo Riedel gravou vídeo junto ao Flávio Bolsonaro, Reinaldo Azambuja e Tereza Cristina. Ele foi postado nas redes sociais e pediu apoio dos eleitores de MS. 

Mais

Nele, Flávio prometeu, se eleito, ajudar o Estado com grandes investimentos. Os futriqueiros de plantão tem dito por aí que era tudo que Riedel queria ouvir. Essa gente...

DiálogoFoto: Divulgação/Sesc

Nesta sexta-feira (16), às 19h, acontecerá ensaio aberto ao público  da Orquestra Corumbaense de Viola Caipira (OCVC).  Durante o ensaio, os participantes poderão vivenciar o processo de construção musical da OCVC, acompanhar a execução das músicas e conhecer um pouco mais sobre o universo da viola caipira e sua importância para a valorização da cultura e da música regional.A proposta é aproximar a comunidade da Orquestra, proporcionando experiência diferente de uma apresentação convencional e permitindo que o público acompanhe os músicos durante o momento de preparação e aperfeiçoamento do repertório. A participação é gratuita e o evento acontecerá na unidade do Sesc Corumbá.

DiálogoArthur Paek - Foto: Lu Prezia

 

DiálogoCeline Dumas - Foto: Arquivo Pessoal

Raio X

Grupo de trabalho criado pelo governador reeleito Eduardo Riedel iniciou o levantamento dos servidores e respectivos cargos, visando preparar a máquina administrativa para o segundo mandato, a partir de 2027. A previsão é de que decreto no dia 31 de dezembro de 2026 exonere todos os comissionados, incluindo secretários e dirigentes de autarquias. O raio X deverá orientar a recomposição do governo. 

Ficam

O trio de secretários Frederico Felini (Comunicação), Walter Carneiro Júnior (Casa Civil) e Rodrigo Perez (Segov) são os cotados para continuar na próxima administração estadual. Eles, inclusive, integram a equipe de transição e tiveram  papel importante na reeleição. Os dois primeiros são do grupo político do senador eleito Reinaldo Azambuja.

Perda

Em 40 anos, o Estado de Mato Grosso do Sul perdeu mais da metade dos campos alagados e áreas pantanosas do seu Cerrado. Segundo a Coleção 11 do MapBiomas, essas áreas caíram de 1,01 milhão para 474,2 mil hectares entre 1985 e 2025. São cerca de 539,6 mil hectares a menos, com redução de 53%. O estado aparece entre os que mais perderam esse tipo de ambiente em termos proporcionais, ao lado de Paraná e São Paulo. A perda é grave, porque essas áreas retêm água e sustentam a existência dos rios. Lamentável!...

ANIVERSARIANTES 

  • Célia Aparecida Zanetti, 
  • Lenita Maksoud Piccolo, 
  • Dr. Wilson Luiz Maksoud, 
  • Marilú Segatto Guimarães, 
  • João Victor da Silva Neri,
  • Marcelo Mansano, 
  • Edinaldo Alves da Silva,
  • Jurema Lima Siqueira,
  • Harley Ferreira Silverio,
  • Antonio Carlos Goes,
  • Ramiro Martins,
  • Juliana Ornela Ribeiro,
  • Helaine Pontes de Oliveira,
  • José Fleuri Decco,
  • Amadeu Medina,
  • Ednilson de Queiroz, 
  • Katia Maria Gomes Ferreira Franco,
  • Márcia Hideko Saito,
  • Irineo Bortolas,
  • Maria de Lourdes do Val Jorge,
  • Terezinha de Jesus Moreira Coelho,
  • Artur de Azevedo Perez, 
  • Tereza de Fátima Contini, 
  • Danilo Pereira Correa Neto, 
  • Marcelo Hamilton Martins Carli,
  • Lygia Maura Fontoura Campanhã de Souza, 
  • Dyrma Elisa de Souza Chaves Soares,
  • Emanuel Lacava,
  • Aidina Mota de Souza,
  • Mayza Gomes Galvão,
  • Rogério Mainente,
  • Mayara Chadid,
  • Vilfrido Vargas,
  • Maria Eliza Figueiredo,
  • Camila Agatha Lovison, 
  • Vivianne Oliveira Lima,
  • Izaias Rodrigues,
  • Velza Maria Fregapani,
  • Nilson Prado da Silva,
  • João Braz da Silva,
  • Tereza Cristine Domingues do Amaral Yamashita,
  • Luiz Cordella,
  • Yoshiharu Guenka, 
  • Dra. Helena Maria Libos Simionato Moreira, 
  • Cecília Hercilia Moura, 
  • Cláudia Nascimento,
  • Fernando Asato,
  • Alayde Nunes Martins,
  • Marcos Antonio Carretoni,
  • Anecy Antunes da Silva,
  • Soraya Corrêa Barbosa,
  • Cleyde Mara Mussi,
  • Lavinia Pivot Franco,
  • Breno Ney Mourão,
  • Romualdo Farias,
  • Moacir Vieira da Silva,
  • Odilson Nepomuceno,
  • Ozélia Delmondes Goes,
  • Gumercindo Barbosa,
  • Valdelice do Amaral,
  • Odacir Albuquerque,
  • Antonieta Tavares Acosta, 
  • Terezinha Cruz,
  • Gilda Vera Bigaton,
  • Esdras Rodrigues de Souza,
  • Marcelo Antonio de Barros Wanderley, 
  • Guilherme Carneiro Camponez,
  • Elben de Souza Braga,
  • Nilce Alves de Oliveira,
  • Antenor Doreto,
  • Moacir Boer,
  • Osney Novaes Dias,
  • Ubirajara Aparecido Alves 
  • de Oliveira,
  • Nilza Pinto da Silva,
  • Paula Rúbia Jornada Bastos,
  • Reinaldo Ferreira Lino,
  • Antonio Miguel Bichara,
  • Teodoro Ribeiro,
  • Mário Júlio Cerveira, 
  • Tiago Costa Ferreira,
  • Ezenilda Claro Chaves,
  • Dilene Bottega Ebeling,
  • Alexandre Barros Padilhas,
  • Luis Fernando Cleveland Cartes, 
  • Carla Figueiredo Garcia de Queiroz,
  • Thiago Araújo Nepomuceno,  
  • Ciro Maeda Filho,
  • Walfrido Coelho de Souza,
  • Claudemir Oliveira Cavalcante,
  • Talita Albuquerque de Morais,
  • Eduardo Alexandre Jorge Warde,
  • Ricardo Alex Pereira Lima,
  • Priscila Tirloni Josgrilbert,
  • Francisco Cleiton Adriano,
  • João Bosco de Araújo,
  • Neusa Maria Teruel de Melo,
  • Hélio Valdir Pereira,
  • Carmen Lydia Alves Pereira 
  • da Costa,    
  • Onildo Santos Coelho, 
  • Gilson Chaves de Moraes,
  • Sandra Mattos Vieira Escalante,
  • Roberto Fauri,
  • Iolanda São José Falcão,
  • Jeffrey Newton Lemos Dutra,
  • Robson Valentini.

Colaborou com Tatyane Gameiro

Artes Cênicas

"A menina e o Fim" traz três sessões gratuitas e terá bonecos gigantes em cena

Espetáculo apresentado hoje, amanhã e na sexta-feira, sempre às 20h, aborda perdas vividas na infância e o poder que há na arte como "possibilidade de existência"

14/10/2026 09h00

Segundo a criadora,

Segundo a criadora, "A Menina e o Fim" exige dela enquanto diretora uma suavidade e escuta ampla, para que as dores da protagonista existam no palco livre de julgamentos Foto: Marcelo Henrique

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Durante três dias de apresentação, o campo-grandense poderá acompanhar, entre hoje e sexta-feira, sempre às 20h, na sede do Grupo Casa, que fica no Bairro Amambaí, um espetáculo que traz mensagens profundas que passam por cenários de fugas, perseguições e perdas, em um verdadeiro grito de resgate à infância que envolve até mesmo bonecos gigantes em cena.

Escrito e dirigido por Ligia Tristão Prieto, sobre o texto, que tem uma década de existência, ela diz que sabia desde 2017 que “A Menina e o Fim” não sairia do papel à época.

“Tenho alguns textos que, quando eu escrevi de forma individual, no meu computador, sozinha, escrevendo esse texto, eu sabia que, ao escrevê-lo, eu não ia conseguir executar ele naquele momento, porque eu, enquanto diretora cênica, ainda precisava percorrer um caminho”, afirma Ligia. 

“A Menina e o Fim” nasce inspirado em relatos documentados sobre a fuga das irmãs Lispector da Ucrânia para o Brasil, ainda em 1922, por causa da Guerra Civil Russa, tentando escapar dos ataques violentos, batizados com o termo russo pogrom, que visavam massacrar, subjugar e expulsar a população judia do território. Entre as inspirações para o espetáculo estão textos como “No Exílio”, de Elisa Lispector, bem como a poesia sul-mato-grossense de Emmanuel Marinho, autor de “Margem de Papel”.

Ao Correio do Estado, Ligia destacou os pilares fundamentais que tornaram a execução deste espetáculo não somente possível atualmente, como também urgente para os dias contemporâneos. 

Segundo a criadora, “A Menina e o Fim” exige dela enquanto diretora uma suavidade e escuta ampla, para que as dores da protagonista existam no palco livre de julgamentos, o que, ela afirma, precisa ser feito de forma muito delicada. 

BONECOS GIGANTES

Segundo a criadora, "A Menina e o Fim" exige dela enquanto diretora uma suavidade e escuta ampla, para que as dores da protagonista existam no palco livre de julgamentosFoto: Marcelo Henrique

Nessa montagem, o público acompanha a jornada de fuga de Maria, que é interpretada por Kiohara, após a personagem perder seu lar e até mesmo seus familiares. Os bonecos gigantes surgem justamente para dar vida ao universo fantasioso e imaginário que servirá também de sustentação para a menina.

“A Maria vem e prova que é possível, sim, esses dois mundos coexistirem, que podemos ver o mundo com cor sem perder a noção da realidade”, cita Kiohara.

Ligia Prieto lembra que à época que o texto nasceu não havia, de fato, parceiros e pessoas profissionais suficientes para enfrentar a batalha de trazer o espetáculo à vida.

“Eu precisava lidar com a criação de bonecos gigantes, com uma trilha autoral muito específica, com uma iluminação autoral muito delicada. Essa estrutura toda... Olhava ao meu redor e pensava quem eram os profissionais que poderiam alcançar esse lugar também de criação. Precisava de artistas resistentes, inspirados, que pudessem se entregar de fato à criação do projeto”, diz.

Ela faz questão de frisar a criatividade de todas as partes, o que exigiu da mente por trás da obra toda uma trajetória a ser percorrida tanto como pessoa quanto como artista.

Ligia ressalta que as políticas públicas de incentivo à arte e à cultura que existiram nos últimos quatro anos foram o fator predominante para que essa e outros de seus textos para teatro e cinema pudessem ser colocados em cena, já que a execução de “A Menina e o Fim” foi viabilizada pela Política Nacional Aldir Blanc (Pnab) do Ministério da Cultura (Minc).

“Acho muito importante dizer que consigo também executar esse projeto hoje, e não há quase 10 anos, porque nos últimos quatro anos eu tive políticas públicas para a cultura e para a arte. Porque quando eu chego na montagem, na criação coletiva, aí eu estou falando de um grupo de pessoas. Esse projeto tem 26 artistas envolvidos, que precisam ser pagos, dedicar o trabalho deles a um projeto específico e mergulhar fundo na criação, na delicadeza desse espetáculo”.

Nesse quesito, as cabeças de papietagem dos personagens do primeiro ato são trabalhos de Sarah Caires e Said Danilo, enquanto Rafael Mareco assina a execução das cabeças gigantes que aparecem no segundo ato.

“O maior desafio aqui é construir grandes bonecos que sejam leves, expressivos e componham a cena de forma conjunta”, avalia Mareco, sobre a criação dos elementos cênicos.

Como comentou Ligia, a trilha sonora de “A Menina e o Fim” tem direção musical assinada por Sofia Maciel, que a executará ao vivo durante os três dias de apresentação, ao lado do maestro Eduardo Martinelli.
Renomado maestro, Martinelli lembra que tem certo costume de fazer trilhas sonoras, com trabalhos em documentários, curta-metragens e demais produções, mas afirmou ao Correio B que a execução ao vivo é muito diferente. 

“Porque a gente tem uma sensação de, além de criar a música, estar atuando. E sempre existem as nuances do fazer ao vivo, isso é uma coisa que diferencia muito de quando fazemos uma criação musical, gravamos e encaixamos em uma cena de filme ou o que quer que seja”, diz.

Martinelli também rememora a experiência que teve em um monólogo como ator, em São Paulo, há cerca de duas décadas, reforçando que a experiência com Sofia está lhe trazendo muitas sensações boas. Algo distinto do que está acostumado a viver, o maestro classifica a atual vivência como muito rica. 

“É uma sensação diferente a cada ensaio, a cada preparação. Já havia feito uma vez um monólogo do [Franz] Kafka [‘A Metamorfose’], mas faz muito tempo, já deve ter uns 20 anos ou mais, então, reviver essa experiência é muito interessante. E o mais rico e desafiador é tudo sendo executado ao vivo. Era sozinho, agora em dupla também torna a coisa diferente, a comunhão de fazer e executar. Para mim, por mais que tenha muita experiência com a música, porque só faço isso na vida [brinca], não deixa de ser uma sensação e uma situação nova”, complementa.

Como bem completa Sofia a respeito da trilha sonora, “A Menina e o Fim” emprega uma série de diversos instrumentos e sonoridades, que acompanham principalmente as mudanças vividas por Maria e ajudam a caracterizar propriamente cada personagem.

“Estamos usando instrumentos acústicos, percussões, sons produzidos pelo próprio corpo e pequenos motivos musicais que reaparecem em diferentes momentos. Na canção de Maria, por exemplo, temos um arranjo mais melancólico e introspectivo, que vai crescendo aos poucos. Já no encontro com o Rato, a proposta foi criar outra atmosfera, com uma sonoridade mais próxima do blues, trazendo humor, movimento e uma mudança na energia do espetáculo”, adianta. 

“A MENINA E O FIM”

Segundo a criadora, "A Menina e o Fim" exige dela enquanto diretora uma suavidade e escuta ampla, para que as dores da protagonista existam no palco livre de julgamentosFoto: Marcelo Henrique

Sobre o espetáculo e sua mensagem, Ligia destaca que há uma necessidade urgente de se falar sobre infância, reforçando que esta etapa da vida é fortemente atravessada pelas escolhas tomadas na fase adulta. 

“Infelizmente ainda, no Brasil, a gente tem uma média de 64 crianças sendo abusadas por dia. Tivemos mais de um milhão de crianças ficando órfãs, perdendo parentes na pandemia. A gente ainda tem muitas sendo mortas na guerra. E como que a gente sustenta a imaginação de uma criança, a alegria e a construção sensível e poética da infância num país sem arte?”, questiona a diretora. 

Lançando luz sobre a importância da arte na infância, o espetáculo busca mostrar esse potencial da expressão artística como ferramenta para melhor elaborar as feridas, ressignificar situações e imaginar saídas para o que, muitas vezes, nas palavras da diretora, a gente entende ser o fim. 
“Enquanto escritora, poeta, era um texto que me atravessava, me atravessou muito”.

O espetáculo conta com produção de Zuri Oliveira e produção-executiva assinada por Jessica Santos, com Leonardo de Medeiros como assistente. A direção de arte e cenografia é feita por Rafael Mareco e assistência é de Fannyah, Kyane Bravo e Lethícia Rodrigues. 

Maria encontra em sua jornada alguns personagens icônicos, como a boneca Buzuza, interpretada por Lethícia Rodrigues, o Rato, vivido por Tero Queiroz, a Borboleta, interpretada por Sofepoar Minott, e a avó em tamanho gigante, vivida por Zyan Nalrad (Anna Burton).

Os figurinos de “A Menina e o Fim” são assinados por Zyan Nalrad. No processo de montagem, o espetáculo contou com preparação de elenco de Lívia Lopes e preparação de equilíbrio de Bibi Gonçalves. A iluminação é de Anderson Lima.

O elenco é composto por: Kiohara, Leonardo de Medeiros, Lethícia Rodrigues, Lívia Lopes, Sofepoar Minott, Tero Queiroz e Zyan Nalrad (Anna Burton). Alex Cavalheri assina a sonoplastia e a direção de som, enquanto Douglas Luiz aparece como diretor de palco. 

Por fim, Ligia revela ao Correio B um lado que há nas mensagens que tenta transmitir ao público, já que o cenário de fugas, perdas e perseguições se liga às realidades externas e internas do ser humano. Segundo Ligia, esse grupo de adultos, ao desenhar a trajetória dessa menina, foi percebendo as solidões que existem dentro de cada um. 

“Ao ver a história dessa menina que vai ficando sozinha, percebe a solidão que já causou em uma criança, a solidão dentro de si durante a infância, que nunca morre, essa perda constante que a gente sente, essa saudade que não sabe dar nome, que a gente sente dentro do peito. As perdas e o desejo de casa, de conforto, do amor, de amar e ser amado são sensações que atravessam toda a humanidade. Então, ali a gente torna esse espetáculo universal. É muito difícil fazer arte no País, ainda mais aqui em Mato Grosso do Sul. Então, quando a gente tem essa chance, parece que estamos vivendo um sonho”, conclui.

Com classificação livre, esse espetáculo, realizado na sede do Grupo Casa, terá interpretação em Língua brasileira de Sinais (Libras) feita pela Comunique Acessibilidade. A entrada é gratuita, mas é necessário reservar os ingressos na plataforma Sympla, em razão da capacidade do espaço.

Serviço: 

Espetáculo: “A Menina e o Fim”
Data: de hoje até sexta-feira.
Horário: às 20h. 
Local: Grupo Casa – Rua Visconde de Taunay, nº 306, Bairro Amambaí, Campo Grande.
Entrada: gratuita.

Ficha técnica

  • Direção e Dramaturgia – Ligia Tristão Prieto
  • Produção Executiva – Jessica Santos
  • Produção Geral – Grupo Casa Produções
  • Produção – Zuri Oliveira
  • Assistente de Produção – Leonardo de Medeiros
  • Direção de Arte e Cenografia – Rafael Mareco
  • Assistência de Arte – Fannyah, Kyane Bravo e Lethícia Rodrigues
  • Cabeças de Papietagem Personagens Ato I – Sarah Caires e Said Danilo
  • Cabeças Gigantes Personagens Ato II – Rafael Mareco
  • Figurino e Beleza – Zyan Nalrad
  • Direção Musical – Sofia Maciel
  • Composição Musical Autoral – Ligia Tristão Prieto, Sofia Maciel, José Maciel e Eduardo Martinelli
  • Trilha Sonora – Eduardo Martinelli e Sofia Maciel
  • Elenco – Kiohara, Leonardo de Medeiros, Lethícia Rodrigues, Lívia Lopes, Sofepoar Minott, Tero Queiroz e Zyan Nalrad (Anna Burton)
  • Preparação de Elenco – Lívia Lopes
  • Preparação de Equilíbrio – Bibi Gonçalves
  • Contrarregragem – Jessica Santos e Rafael Mareco
  • Sonoplastia e Direção de Som – Alex Cavalheri
  • Iluminação – Anderson Lima
  • Direção de Palco – Douglas Luiz
  • Interpretação em Libras – Comunique Acessibilidade
  • Assessoria de Imprensa – Mariana Castelar e Tero Queiroz
  • Assessoria de Comunicação – Hevo Mídia – Mario Oshiro e Paula Chermont
  • Social Media – Marcelo Henrique
  • Design Gráfico e Animação – Sudório

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